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lunes, 5 de marzo de 2012

O imenso mundo da sexualidade feminina: Sexo, gravidez, parto e amamentação

Ontem eu passei por e-mail ao meu marido um artigo da cada vez mais querida e admirada parteira, Ana Cristina Duarte, sobre as razões para querer dar à luz. A clareza com que esta mulher escreve é ​​fantástica, ela não tem medo de usar as palavras certas nem de chamar as coisas pelo seu nome, dizendo coisas como:

“"PORQUE PARIR????????

Se o meu marido me perguntasse isso, eu diria…

Porque esse é o meu último filho e eu preciso experimentar o que o meu corpo pode. Quero sentir meu filho passando através da minha bacia, abrindo meus ossos, fazendo-os quase quebrarem pela força dele dentro de mim. Quero sentir meu filho descendo e encaixando a cabeça nas minhas entranhas, milímetro a milímetro, como se estivéssemos dançando um tango emocionante, em que cada passo fosse totalmente calculado para um resultado perfeito. Quero sentir minhas mucosas cedendo espaço e esquentando a cada contração, quero sentir meu filho saindo pelo mesmo lugar por onde entrou. [...]

Quero sentir meu útero se contraindo com força, porque sou mulher e me sinto muito orgulhosa de poder gerar, gestar, parir e alimentar uma criança. [...] Quero que meu filho sinta cada uma dessas contrações como se fosse um abraço forte que dou nele, como se Deus pessoalmente o estivesse embalando.”

Quando à noite eu perguntei ao meu marido se ele havia lido, ele disse que sim, e acrescentou outro comentário: "vocês falam do parto de uma maneira... como se fosse algo sexual, né?"Como que “como se fosse”? O que quer dizer "como se fosse"? Definitivamente grande parte da sociedade ainda pensa que "vida sexual" se limita a fazer amor / transar, masturbação, sexo oral ... e é isso. Bom, e se houver orgasmo melhor.

Existe alguma coisa mais sexual do que dar à luz a seu próprio filho? Deixá-lo passar pelo seu colo do útero e abraçá-lo com a sua vagina, enquanto uma força incontrolável, regida pelo seu aparelho sexual feminino, lhe empurra para a vida lá de fora? Existe alguma coisa mais sexual do que colocá-lo sobre o seu peito e ver como ele se aproxima dele, o cheira, lambe e se alimenta através dele? Realmente a sociedade é tão "machocentrista", acreditando que se não houver pinto, não há sexo? Por acaso já ouviram falar de partos orgásmicos?

Esse comentário me deu pé para falar ao meu marido -mais uma vez- que a vida sexual feminina é muito mais extensa, complexa e variada do que isso. Que o sexo (entendido como relação sexual) é uma parte maravilhosa da sexualidade das mulheres, mas que também o é gestar um bebê em seu ventre, parí-lo vaginalmente e amamentá-lo. Em todos esses atos estão presentes praticamente os mesmos hormônios, comandadas pela rainha, a oxitocina, o "hormônio do amor", que flui pelo corpo da mulher durante um orgasmo, assim como durante o parto (ela é a que provoca contrações uterinas que fazem o útero se contrair para, finalmente, gerar o reflexo de ejeção que “empurra” ao bebê fora do ventre de sua mãe) e também em cada mamada do bebê no peito da mãe (ela faz com que o leite flua fora do seio quando o bebê suga dele, e consegue que em muitas mulheres isso aconteça em forma de intensos jatos).

A sexualidade de uma mulher passa por momentos distintos ao longo de sua vida. Há momentos de grande desejo sexual, de libido alta e grande atividade, ou pelo menos vontade dela. E há momentos em que a sensação sexual muda, porque o nosso corpo –e a nossa mente- estam em outro momento da sua propria sexualidade, vestidos de outras roupas, sem por isso deixar de ser parte da vida sexual.

Quando uma mulher dá à luz o seu filho está vivendo um dos momentos mais intensos, sem dúvida, sexualmente de toda a sua vida (se não lhes impedem de vivenciá-los plenamente com drogas, estimulantes químicos para o parto, invasões da sua privacidade e analgesias). Incontáveis ​​terminações nervosas são ativadas com a passagem do bebê através das entranhas da mulher, tocando e estimulando pontos muitas vezes impossíveis durante uma “simples penetração”, e de uma intensidade multiplicada por... mil? A descarga hormonal nesse momento é tão intensa que a mulher se sente como em um outro planeta, com praticamente nenhuma consciência espaço-temporal (novamente, se não for impedida de se adentrar nessa outra consciência durante o parto).

Quando uma mulher durante os primeiros meses ou anos de seu filho o nina no seu colo, o amamenta, cheira e toca... Ela também encontra-se numa experiência que faz parte da sexualidade feminina. É uma mãe puérpera que na maioria dos casos não se sente a necessidade de sexo (com parceiros) como antes. A libido está fraca nela, agora ela não precisa desse tipo de sexo, porque sente-se completa em outro sentido, porque ela está vivendo outra face da sua sexualidade, vinculada a sua maternidade.

Seu corpo libera oxitocina cada vez que ela amamenta seu filho, e cada vez quela o sente perto de si, o cheira, o ouve ou mesmo só de pensar nele (a maioria das mães que amamentam sentem como os seus peitos começam jorrar leite quando ouvem um bebê chorar, ou lembram do seu pequeno, o que acontece graças a oxitocina liberada nessa hora).

Como a psicóloga argentina Laura Gutman diz:

"Sabemos que o corpo leva tempo para se reajustar depois da gravidez e do parto... Mas supomos que tudo em breve “voltará ser como antes". A maior surpresa irrompe quando o desejo sexual não aparece como estávamos acostumadas. Nos sentimos culpadas, especialmente quando o obstetra nos dá "permissão" para retomar as relações sexuais para o deleite do nosso parceiro que com cara de satisfação pisca um olho para nós sussurrando "agora você já não tem desculpas."

Mas o corpo não responde. A libido é deslocada para os seios onde a atividade sexual ocorre constantemente, dia e noite. O cansaço é total. As sensações físicas e emocionais tornam-se muito sensíveis e a pele parece um fino vidro que merece ser tocado com extrema delicadeza. [...]

Que nos faz a presença inquestionável da criança?. Que ambos, mulher e homem, nos conectamos com a parte feminina da nossa essência e nossa sexualidade, que é sutil, lenta, sensível, feita para carícias e beijos. É uma sexualidade que não requer penetração, ao contrário, que prefere o tato, a audição, o olfato, o tempo, as palavras gentis, o encontro, a música, o riso, a massagem e os beijos.

Neste ritmo não há risco, pois não fere a alma feminina fusionada. Não há propósito, às vezes nem orgasmos, porque o que importa é o encontro e o amor humano."
Portanto, todos estes são apenas fases da sexualidade feminina, diferentes e complementares entre si, o que faz com que todas elas façam sentido. Não nos limitemos apenas a "relação sexual"... isso é apenas o começo.

-Prohibida la reproducción total o parcial de este artículo sin el consentimento de la autora:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e coach parental
-Consultora de slings e amamentação
Tlf (Br) +55 19-9391 4134 / Tlf (Esp) +34 696 08 25 21

viernes, 27 de enero de 2012

Por qué elegí y elijo de nuevo parir en casa / Por que eu escolhi e escolho novamente parir em casa

ARTÍCULO EN ESPAÑOL (Traduzido ao português embaixo):

“No vivas dando tantas explicaciones. Tus amigos no las necesitan, tus enemigos no las creen y los estúpidos no las entienden”, o ni las escuchan, diría yo. Acabo de leer esto en una imagen del facebook y me pregunto a mí misma… ¿por qué escribes este artículo entonces? Bueno, pues porque aunque concuerde con que no deberíamos vivir dando explicaciones, la realidad es que la gente las pide, y cuando digo “la gente” no me refiero a desconocidos (que también), sino a gente cercana, familia, amigos, entorno… gente que nos apetezca que escuche y entienda nuestros motivos, dado que han mostrado interés. Pero no siempre es fácil que esto ocurra. Tal vez por escrito…

Por otro lado, si no lo hacen, directamente entran a opinar gratuitamente o, lo que es peor aún, a valorar y juzgar. Así que para todo aquel que no se atreva a preguntar, no entienda o no haya querido pararse a escuchar los motivos por los cuales elegí hace 4 años parir en casa, y por qué lo elijo nuevamente ahora para mi tercera hija, va este artículo. Quien quiera saber la respuesta, aquí se la ofrezco gustosa, y espero que también clara.

POR QUÉ QUIERO PARIR EN CASA: MOTIVOS OBJETIVOS

La prestigiosa revista médica British Medical Journal publica el estudio más exhaustivo hasta la fecha sobre partos en casa en Canadá y EEUU: el estudio incluye 5.418 mujeres que dieron a luz en casa en el año 2000, y las más de 400 matronas que les atendieron:

-De los más de cinco mil nacimientos que ocurrieron en casa, según el estudio del British Journal, el 87% no tuvieron complicación alguna y transcurrieron con total normalidad.

-No existe evidencia alguna de que dar a luz en el domicilio de forma planificada sea peligroso y arriesgado.

-La frecuencia de intervenciones fue realmente baja en los partos en casa:

--4,7% de anestesia peridural.

--2,1% de episiotomías (frente al 33% de episiotomías en el hospital).

--1% de fórceps.

--0,6% de uso de ventosa.

--3,7% de cesáreas (frente al 19% de cesáreas en hospital).

--Tasa de mortalidad perinatal (intraparto y neonatal) de 1,7 por 1.000 (semejante a la observada en partos de bajo riesgo atendidos en hospital)-

--No hubo muertes maternas.

--Grado de satisfacción de “muy satisfechas” del 97%

--Seis semanas después del parto el 95.8% de las mujeres que habían dado a luz en su casa seguían amamantando y el 89.7% de ellas en exclusiva.

--Según datos del estudio, el parto hospitalario normal, por la cantidad de procedimientos e intervenciones médicas realizadas, resulta tres veces más caro que un nacimiento similar ocurrido en casa.

No es lo mismo...
-La conclusión es que los partos en casa asistidos por matronas tienen los mismos resultados perinatales que los partos hospitalares de bajo riesgo, pero con la inmensa ventaja de una frecuencia muchísimo menor de intervenciones médicas y un altísimo grado de satisfacción.

-Por tanto, se puede afirmar que el parto en casa NO implica más riesgos ni para las madres ni para sus bebés, y sin embargo sí que cursa con diversas ventajas, como es el menor riesgo de sufrir intervenciones desagradables y que conllevan consecuencias emocionales y físicas para la mujer.

Enlace al estudio citado:http://www.elpartoesnuestro.es/%20http:/bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416
Versión pdf en: http://bmj.bmjjournals.com/cgi/reprint/330/7505/1416

Sobre las episiotomías

La episiotomía es un corte realizado por la matrona o el ginecólogo en el periné. Es un corte profundo, en contra de lo que suelen ser los desgarros naturales que pudieran ocurrir en un parto normal sin episiotomía (que, además, respetándose la posición que la madre escoja y los tiempos de expulsivo, suelen no ocurrir). Un desgarro natural ocurre en el sentido de las fibras musculares, y en la mayoría de los casos es superficial, es decir, afecta a la piel, pero no a la musculatura. No así una episiotomía, que incomoda más al cicatrizar y deja más secuelas (a veces permanentes) por tratarse de un corte profundo de musculatura y piel hecho por el bisturí en el sentido contrario a las fibras musculares.

En España la tasa de episiotomías en primíparas es prácticamente del 100%. Se trata de una práctica médica innecesaria que se realiza aún como rutina y que puede y debe evitarse en casi la totalidad de los casos. La episiotomía puede provocar y provoca graves consecuencias para la salud física y reproductiva de las mujeres. Incontinencias urinarias, disfunciones sexuales, etc.

Sobre las cesáreas

La cesárea, por fácil y rápida que sea, no deja de ser una cirugía: con puntos internos y externos, tanto musculares como epidérmicos, y con las consecuencias, posibles complicaciones, recuperación e incomodidades posteriores que cualquier otra cirugía pueda tener. Más aún en un momento delicado como es el puerperio, en el que la mujer tiene que encargarse de un bebé (vestirlo, bañarlo, amamantarlo, cambiarle el pañal...), con lo que eso supone emocional y físicamente de carga añadida a la recuperación de la operación.

España tiene una tasa de cesáreas del 23,5% (20.8% en sanidad pública, 31% en privada. Fuente: Ministerio de Sanidad. Instituto Nacional de Información Sanitaria, 2002).
La tasa de cesáreas de Brasil supera el 50% y muchos hospitales y clínicas privadas alcanzan más del 90% de cesáreas, habiendo obstetras que incluso se niegan desde el comienzo del embarazo a atender a embarazadas que pretendan tener un parto vaginal, pues ellos “sólo hacen cesáreas”.
La Organización Mundial de la Salud (OMS) recomienda no superar el 15% de cesáreas.

-En Holanda El 40% de los partos son asistidos en casa, cubierto por el sistema nacional de salud.

Otros motivos objetivos:

- Parir en casa no significa parir desasistida, ni en cuanto a personal sanitario ni en cuanto a medios al alcance. Los profesionales sanitarios no van con las manos vacías a casa de la parturienta, sino que llevan un maletín con equipamiento médico amplio y suficiente para actuar ante posibles complicaciones (menores, como un desgarro, o mayores, como una hemorragia), o durante un traslado al hospital en caso de urgencia.

-Los profesionales que asisten partos en casa son comadronas o médicos con experiencia en este tipo de acontecimientos y que, además, se han formado previa y específicamente en proporcionar cuidados médicos básicos ante situaciones como la distocia de hombros, hemorragia postparto, suturas de desgarros vaginales, y reanimación de neonatos. Pero, sobre todo, en el diagnóstico de cualquier indicio de riesgo y la toma de decisión adecuada para propiciar un traslado al hospital antes de que surja alguna complicación del parto. Es decir, es gente preparada y profesional.

-Uno de cada 9 partos planificados en casa necesitan terminar en el hospital, pero la mayoría de las veces, los traslados son sin urgencia. Generalmente son por previsión de posibles complicaciones o, lo que resulta más usual todavía, por petición de la parturienta al solicitar anestesia, que no puede ser administrada en su domicilio.

-En un hospital las posibilidades de salvar una situación complicada son mucho mayores que en un parto en casa. Pero también es obvio que se van a crear muchas menos situaciones complicadas en un parto en que se mantienen las condiciones emocionales y posturales que la naturaleza tiene previstas para el parto y, además, al más mínimo indicio de que algo puede no ir bien, la matrona de parto en casa, te aconsejará continuar en el hospital.

-Sólo hay una forma de saber hacia dónde se inclina la balanza en cuestión de seguridad: los estudios científicos. La investigación científica dice que ambas opciones, hospitalaria y domiciliaria, son igual de seguras.

POR QUÉ QUIERO PARIR EN CASA: MOTIVOS SUBJETIVOS

Habiéndome informado de las cuestiones objetivas sobre la seguridad de parir en casa, decidí y vuelvo a decidir parir en mi propia casa porque:

-Quiero hacerlo rodeada de mi familia (marido, hijos y mi madre), y que mi marido tenga un papel activo en el proceso de parto, no teniendo que limitarse a pedir permiso para tocarme, mirar u ofrecerme algo de beber y/o comer. En un hospital sólo podría contar con la presencia de mi marido, y eso en caso de que sea un parto no instrumentalizado, pues en caso de fórceps, ventosa, o cesárea, él no podría acompañarme, siendo cuando tal vez más lo necesitara.

-Quiero sentirme dueña de la situación, y cuando uno está en su propia casa no pierde jamás ese papel “de poder”, que sí puede perder entrando en un lugar “como invitada”. En casa eres libre para ir a la cocina y abrir la nevera, al baño a hacer pis u otras cosas, a meterte en la ducha o bañera, a tu habitación a tumbarte o para mandar a alguien que por favor haga silencio. No tienes vergüenza de la posición que tu cuerpo elige o de los sonidos que emites (gritos, gruñidos, gemidos, vocales o cantos), porque estás en casa acompañada de quien quieres, e incluso sola en un cuarto si es lo que te apetece. En un lugar ajeno probablemente pedirías permiso para todas estas cosas, y la mayoría de las veces serán denegadas. Estando en casa, quienes piden permiso para servirse algo, moverse por ahí o hablar ante la mujer de parto son los que vienen de fuera (matrona, doula, neonatóloga, fotógrafa o quien sea que esté presente).

-Quiero que mis hijos tengan la oportunidad (si ellos también lo desean, llegado el momento) de presenciar el nacimiento de su hermana en primera persona, que no estén excluidos de un momento tan intenso, natural y hermoso, que tienen posibilidad de vivenciar. Quiero que vean que ese puede ser un acontecimiento vivido en familia, en intimidad, con la fuerza que lleva implícita. Que un parto no sea un tabú, que la llegada de un bebé al mundo es algo tan maravilloso que vale la pena cuidarlo y honrarlo como merece, ¡y qué mejor que vivirlo en su propia casa con su propia familia! Tienen la oportunidad de vivirlo y no quiero negársela. Si llegado el momento prefieren estar a otra cosa o en otro lugar, habrá una persona (su abuela, con quien tienen toda confianza) para acompañarles. No están obligados a estar presentes, pero tampoco a permanecer ajenos a ello.

-Quiero tener libertad de movimientos: poder moverme agusto, levantarme y pasear, sentarme en mi pelota de pilates para hacer círculos y facilitar la bajada del bebé al mismo tiempo que alivio el dolor, meterme en la ducha o bañera para relajarme o aliviar el dolor con el agua caliente, quedarme a solas en mi habitación si necesito aislarme o permanecer acompañada de mis seres más queridos si requiero de su presencia, masajes, palabras de aliento u otras muestras de cariño y apoyo.

-Quiero saber que nadie va a invadir mi privacidad, y que los profesionales que estén presentes lo harán desde el respeto a mis ritmos y los de mi hija. Que nadie va a meter los dedos en mi vagina sin mi permiso, y que probablemente ni eso haga falta, porque para un verdadero profesional del parto no es imprescindible hacer tactos para saber en qué momento del parto estamos.

-Quiero que haya silencio y luz tenue. Quiero poder tomarme el colacao que me pedía el cuerpo durante las 17 horas de trabajo de parto de mi primer hijo en el hospital (sin las gafas veía de lejos la papelera de desechos de la sala de partos, que era amarilla con tapa roja, y yo sólo pensaba en un colacao), y comerme el bocadillo de tortilla que me apetecía en el de Adriano (y no tenía listo, ¡mecachis! Esta vez no me pillan).

-Quiero recibir yo a mi hija, sin que nadie me la arrebate para aspirarle nada que no sea necesario aspirarle de las vías respiratorias, ni para echarle un ardiente nitrato de plata en sus ojitos que tratan de acostumbrarse a la luz extrauterina. Quiero mirarla, abrazarla, olerla, besarla y hablarle antes de que nadie corte su cordón umbilical, porque éste sólo será cortado cuando deje de latir y ella haya recibido toda la sangre a la que tiene derecho, de la placenta.

-Quiero que esperar y respetar que un agarre natural a mi pecho sea más prioritario que pesarla, que se puede hacer un buen tiempo después sin que suponga ningún problema.

-Quiero que permanezca en contacto con mi piel y que conozca a su papá y hermanos antes de a un montón de desconocidos que la cogen, secan, visten, pesan, toquetean y menean de acá para allá.

-En definitiva: quiero estar en casa y que el nacimiento de mi hija sea un acto de amor inundado de hormonas que fluyen en libertad porque no han sido interferidas, y no un conjunto de protocolos médicos hechos casi en serie en un lugar dónde sólo soy “la de la habitación 501”.

Y como la evidencia científica dice que es igual de seguro (tratándose de embarazos y partos de bajo riesgo) parir en casa que en hospital, pero que en casa hay menos intervenciones y más satisfacción. Y a eso se une mi expreso deseo de parir en casa (cada cual es libre de sentirse más a gusto en un ambiente o en otro, y debería poder tener la libertad de escoger cómo quiere recibir a su bebé)… No veo más lógica que hacerlo como yo y mi marido queremos, como ya hemos hecho con anterioridad y como más seguros, tranquilos, felices e ilusionados nos sentimos en hacerlo: EN NUESTRA CASA.

-Prohibida la reproducción total o parcial de este artículo sin el consentimento de la autora:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e coach parental
-Consultora de slings e amamentação
Tlf (Br) +55 19-9391 4134 / Tlf (Esp) +34 696 08 25 21

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ARTIGO COMPLETO EM PORTUGUÊS:

"Não viva dando tantas explicações. Seus amigos não precisam delas, seus inimigos não vão acreditar e os estúpidos não as entendem", ou nem as ouvem, eu acho. Acabei de ler isso em uma imagem do facebook e eu me pergunto... por que escrever este artigo, então? Bem, porque apesar de eu concordar que não devemos viver dando explicações, a realidade é que as pessoas perguntam por elas, e quando digo "as pessoas" eu não estou falando de estranhos (que também), senão de pessoas próximas, família, amigos, o entorno... Pessoas que queremos que ouçam e compreensam os nossos motivos, pois eles têm mostrado interesse neles. Mas nem sempre isto é fácil de acontecer. Talvez por escrito...

Por outro lado, se eles não o compreendem, entram diretamente a opinar de graça, ou o que é pior ainda, a avaliar e julgar. Então, para todos aqueles que não ousam perguntar, que não entendem ou não querem parar para ouvir as razões pelas quais eu escolhi há 4 anos dar à luz em casa, e por que o escolho novamente, agora para a minha terceira filha, é este artigo. Quem quiser saber a resposta, com prazer a ofereço aqui, espero que fique exposta com clareza.

POR QUE EU QUERO PARIR EM CASA: RAZÕES OBJETIVAS

A revista British Medical Journal publicou o estudo mais completo até à data em partos domiciliares no Canadá e nos EUA: o estudo inclui 5.418 mulheres que deram à luz em casa em 2000, e às 400 parteiras que participaram deles.

-Dos mais de cinco mil partos que ocorreram em casa, de acordo com o estudo do British Journal, 87% não tiveram qualquer complicação e aconteceram normalmente.

-Não há nenhuma evidência de que dar à luz em casa de forma planejada seja perigoso e arriscado.

-A frequência das intervenções foi realmente menor em partos domiciliares:

-- 4,7% da anestesia peridural.
-- 2,1% de episiotomias (em comparação com o 33% de episiotomias no hospital).
-- 1% de fórceps.
-- 0,6% do uso de vácuo.
-- 3,7% de cesarianas (em comparação com 19% de cesarianas no hospital).
-- A mortalidade perinatal (intraparto e neonatal) de 1,7 por 1.000 (similar à observada em partos de baixo risco atendidas no hospital) -
-- Não houve mortes maternas.
-- Grau de satisfação de "muito satisfeita" de um 97%
-- Seis semanas após o parto um 95,8% das mulheres que deram à luz em casa ainda estavam amamentando e 89,7% delas de forma exclusiva.

Link ao estudo citado:
http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416
Versão em PDF em: http://bmj.bmjjournals.com/cgi/reprint/330/7505/1416

-De acordo com o estudo, o nascimento em um hospital é três vezes mais caro do que um nascimento ocorrido em casa, devido ao alto nível de intervenções e protocolos aplicados no hospital.

-A conclusão é que partos domiciliares assistidos por parteiras têm os mesmos resultados perinatais que os partos hospitalares de baixo risco, mas com a imensa vantagem de uma freqüência muito menor de intervenções médicas e um alto grau de satisfação.

-Então podemos dizer que o parto domiciliar não envolve nenhum risco a mais para as mães e seus bebês, porém, ele apresenta várias vantagens, como redução do risco de intervenções que impliquem desagradáveis ​​consequências emocionais e física para as mulheres.

Sobre a episiotomia

Uma episiotomia é um corte feito no períneo pela parteira ou ginecologista. É um corte profundo, ao contrário das lacerações naturais que podem ocorrer em um parto normal sem episiotomia (que respeitando a posição que a mãe escolhe no expulsivo, geralmente nem ocorre). A laceração ocorre na direção das fibras musculares, e na maioria dos casos é superficial, ou seja, afeta a pele, mas não ao músculo. Não é assim uma episiotomia, que incomoda mais até ela cicatrizar e deixa mais seqüelas (às vezes permanentes), por se tratar de um corte profundo do bisturi que afeta ao músculo e à pele, e que é feito no sentido contrário das fibras musculares.

Na Espanha, a taxa de episiotomias em primíparas é quase do 100%. Esta é uma prática médica desnecessária que é realizada rotineiramente e ainda pode e deve ser evitada em quase todos os casos. Uma episiotomia pode causar e causa graves conseqüências para a saúde física e reprodutiva das mulheres, como incontinência urinária, disfunção sexual, etc.

Sobre a cesárea

A cesarea, por fácil e rápida que possa parescer, não deixa de ser uma cirurgia: com pontos internos e externos, tanto musculares quanto epidérmicos, e com as conseqüências, possíveis complicações, a recuperação e o desconforto posterior que qualquer outra cirurgia possa ter. Pior ainda, num momento delicado como é o período pós-parto, em que a mulher tem que cuidar de um bebê (banhá-lo, vestí-lo, amamentá-lo, trocar as suas fraldas...), com o que isso supõe emocional e fisicamente de carga a mais à recuperação da cirurgia.

A Espanha tem uma taxa de cesarianas do 23,5% (20,8% na saúde pública, 31% na privada. Fonte: Ministério da Saúde Instituto Nacional de Informação em Saúde, 2002.).
A taxa de cesarianas no Brasil é de mais do 50% e muitos hospitais e clínicas particulares chegam a mais do 90% de cesarianas, tendo mesmo obstetras que se recusam, já desde o comecinho da gestação, a tratar mulheres grávidas que desejam ter um parto vaginal, porque eles "só fazem cesáreas".
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda não superar o 15% de cesarianas.

-Na Holanda, o 40% dos nascimentos são assistidos em casa, cobertos pelo sistema nacional de saúde.

Outras razões objetivas:

- Parir em casa não significa parir desasistida, nem no relativo ao pessoal sanitário nem em termos de recursos disponíveis. As parteiras e/ou obstetras não vão de mãos vazias para casa da mãe, senão carregando uma mala com equipamento médico amplo e suficiente para agir perante possíveis complicações (menores, como uma laceração, ou maiores, como hemorragias), ou durante uma transferência ao hospital em uma emergência.

-Os profissionais que atendem partos domiciliares são parteiras ou médicos com experiência em tais eventos e, além disso, tem formação específica para agir perante situações como a distócia de ombro, hemorragia pós-parto, suturas de lacerações vaginais e reanimação neonatal. Mas acima de tudo, estão preparados para saber diagnosticar qualquer sinal de risco e tomar a decisão adequada como possa ser a de transferir à mãe para o hospital antes que haja uma complicação do parto. Ou seja, são pessoas preparadas e profissionais.

-Um de cada nove nascimentos planejados em casa termina no hospital, mas na maioria das vezes as transferências não são de emergência. São geralmente devidas a antecipação de possíveis complicações, ou, o que é mais comum ainda, a pedido da mãe solicitando anestesia, que não pode ser administrada em casa.

-Em um hospital as chances de salvar uma situação complicada são muito maiores do que um parto em casa. Mas também no hospital são criadas maiores situações de risco por não respeitar as condições emocionais e posturais que a natureza tem previstas para o parto e, além de tudo, a parteira está sempre pronta para se adiantar às complicações e indicar a conveniência de um traslado ao hospital.

-Só temos uma maneira de saber para onde se inclina a balança na questão da segurança: os estudos científicos. E a pesquisa científica diz que ambas opções, hospitalar ou domiciliar, são igual de seguras.

POR QUE EU QUERO PARIR EM CASA: MOTIVOS SUBJETIVOS

Tendo me informado sobre as questões objetivas sobre a segurança do parto domiciliar, decidi e ainda decido de novo parir em minha própria casa porque:

-Eu quero fazê-lo rodeada da minha família (marido, filhos e minha mãe), e que o meu marido tenha um papel ativo no processo de parto, não se limitando a ter que pedir permissão para me tocar, olhar ou dar-me algo para beber e / ou comer . Em um hospital só poderia contar com a presença do meu marido, e isso no caso de um parto não instrumentalizado, pois em caso de fórceps, vácuo, ou cesariana, ele não poderia acompanhar-me, sendo talvez quando eu mais iria precisar dele.

-Quero me sentir a dona da situação, e quando uma pessoa permanesce em casa nunca perde esse papel "de poder", que pode, sim, perder, indo para um lugar "como um convidado". Em casa, você é livre para ir para a cozinha e abrir a geladeira, ao banheiro para fazer xixi ou outras coisas, para entrar no chuveiro ou banheira, no seu quarto para deitar um pouco ou para mandar alguém fazer silêncio. Não tem vergonha da posição que o seu corpo escolhe ou dos sons que você emite (gritos, grunhidos, gemidos, vogais ou cantos), porque está em casa, acompahada de quem quer, ou até sozinha em um quarto, se quer também. Em um lugar estranho, provavelmente, teria que pedir permissão para todas estas coisas, que na maioria das vezes, além do mais, serão negadas. Enquanto em casa, quem pedi permissão para se servir alguma coisa, se mover por aí ou falar com a mulher que está em trabalho de parto é quem vêm de fora (parteira, doula, neonatologista, fotógrafo ou quem estiver presente).

-Quero que meus filhos tenham a oportunidade (se assim o desejarem chegado o momento) de vivenciar o nascimento da sua irmã em primeira pessoa, que não sejam excluídos de um momento tão intenso, natural e belo, que eles tem a possibilidade de presenciar. Eu quero que eles vejam que isso pode ser um evento familiar vivido na intimidade, com a força que isso implica. Que um parto não é um tabu, que a chegada de um bebê ao mundo é uma coisa tão maravilhosa que vale a pena cuidar e honra como ele merece. E que melhor do que vivê-lo em casa com a sua própria família! Eles têm a oportunidade de viver isso e eu não quero impedí-lo. Se chegada a hora, eles preferem outra coisa ou ficar em algum outro lugar, haverá uma pessoa (sua avó, com quem têm confiança) para acompanhá-los. Eles não são obrigados a estar presentes, mas também não serão excluidos.

-Eu quero me movimentar tranquila, me levantar e caminhar, sentar na minha bola de pilates para rebolar, facilitando a descida do bebê enquanto alivio a dor, entrar no chuveiro ou na banheira para me relaxar ou aliviar a dor com água quente, ficar sozinha no meu quarto se eu precisar me isolar, ou ficar junto com meus entes queridos se eu precisar de sua presença, massagens, palavras de força ou outras demonstrações de carinho e apoio.

-Quero saber que ninguém vai invadir minha privacidade, e que os profissionais que estarão presentes vão respeitar o meu ritmo e o da minha filha. Que ninguém vai colocar os dedos na minha vagina sem a minha permissão, e que provavelmente nem disso vão precisar, porque para um verdadeiro profissional não é essencial fazer toques para descobrir em que periodo do parto estamos.

-Quero que haja luz tenue e silencio. Quero poder tomar o meu leite com chocolate que fiquei desejando durante as 17 horas de trabalho de parto do meu primeiro filho, no hospital (sem os óculos eu via de longe a lixeira de material cirúrgico, que era amarela com tampa vermelha, e só pensava no meu chocolatinho –a marca da que eu gosto, na Espanha, é dessas cores-) e comer o sanduíche de “tortilla de patatas” que eu queria no de Adriano (e não estava pronto, puxa vida! Desta vez eu preparo).

-Quero receber eu mesma à minha filha, e que ninguém a tire de mim para aspirar qualquer coisa que não seja necessária das vias aéreas, ou para pingar nitrato de prata ardente nos seus olhinhos que tentam se adaptar à luz fora do útero. Olhar para ela, abraçá-la, cheirá-la, beijá-la e falar com ela antes que alguém corte o cordão umbilical, que só será cortado quando pára de bater e ela tenha recebido todo o sangue ao que tem direito da placenta.

-Quero que esperar e respeitar uma pega natural ao meu peito seja prioritário ao fato de saber quanto pessou, o que pode ser perfeitamente feito uma hora mais tarde, sem envolver qualquer problema.

-Quero ficar em contato pele a pele com ela, e que ela conheça o seu pai e irmãos antes que um bando de estranhos que pegam ela, a secam, a vestem, a pesam, mexer e levam de um lado para o outro.

-Em suma, eu quero estar em casa e que o nascimento da minha filha seja vivido como um ato de amor, inundado de hormônios que fluam livremente porque não sofreram interferência, e não um conjunto de protocolos médicos feitos quase em série em um lugar onde eu sou apenas a "Sala 501".

E como a evidência científica diz que é tão seguro (no caso de gestações e partos de baixo risco) dar à luz em casa do que no hospital, mas em casa há menos intervenção e mais satisfação. E a isso eu adiciono o meu desejo expresso de parir em casa (todo mundo é livre para se sentir mais confortável em um ambiente ou outro, e deveriam ter a liberdade de escolher como querem receber o seu bebê)... Eu não vejo mais lógica do que fazê-lo do jeito que o meu marido e eu queremos, como já fizemos antes e como mais seguros, tranquilos, felizes e ilusionados nos sentimos para fazê-lo: NA NOSSA CASA.

-Proibida a reprodução total ou parcial deste artigo sem o consentimento da autora:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e coach parental
-Consultora de slings e amamentação
Tlf (Br) +55 19-9391 4134 / Tlf (Esp) +34 696 08 25 21

miércoles, 11 de enero de 2012

Crianças “boas”, crianças “más”... E a chantagem emocional da mágica do Natal

Acabaram as festas de Natal, que aqui na Espanha começam com o sorteio da lotería do dia 22 de dezembro e terminam com a chegada dos Reis Magos a noite do 5 ao 6 de janeiro (também acompanhado pela loteria “del Niño” esse mesmo dia).

Deixo para outro dia o nojento consumismo que vivemos também por causa disso... É questão de outra análise. Mas vi fotos de salas de amigas ou conhecidas, nos dias de ganhar presentes, que me deixaram realmente enjoada. Não quero imaginar nem o dinheiro que tudo esse monte de presentes pode ter custado, nem os estragos que isso pode fazer na cabeça de uma criança, que nem alcança entender que tudo isso é para ele, incapaz de abarcar nem mental nem fisicamente tal excesso.

Mas eu quero falar, precisamente, dos Reis Magos, ou melhor dito, de como a sociedade utiliza esse dia de mágica, fantasia e ilusão para fazer chantagem com as crianças, ameaçá-las durante todo o Natal (e vários meses antes, até), e fazê-las sentir julgadas, observadas e avaliadas a cada passo que dão... “porque senão os Reis Magos vão te trazer carvão”.

O que é isso? Vamos viver a mágica de uma tradição, ou vamos inventar mais uma ferramenta de submissão de filhos?

Eu fiquei cansada estes dias, irritada e raivosa com cada comentário que meus filhos (e eu) tivemos que escutar diariamente, de conhecidos e desconhecidos, lhes ameaçando com não ganhar presentes dos Reis Magos se eles não eram boas crianças. E o que dizer daqueles que lhes comparam entre eles: “Quem se comporta melhor dos dois? Eu acho que você é mais bonzinho, ele tem mais cara de sapeca, não é? Será que os Reis Magos vão te trazer algum presente ou vão ser todos para o seu irmão?”. Desculpem???

Tanto é assim que o meu filho mais velho, de 5 anos, acabou me dizendo o seguinte: “Mãe, eu acho que você é a única que sabe que os Reis Magos trazem presentes a todos, mesmo que os meninos não sejam bons”.

Acaso tem meninos “que não sejam bons”?

As crianças yecuanas

Explica Jean Liedloff, autora de “The continuum concept”, o seguinte sobre os bebês e crianças yecuanas (tradução minha ao português, desculpem os erros):

“Mais para frente, quando tem lugar a educação doméstica, quando o pequeno suja o chão da cabana, é mandado embora dela. Mas nesse momento ele já está tão acostumado a se sentir ou a ser considerado adequado ou bom, que os seus impulsos sociais, à medida que vão se desenvolvendo, estão em harmonia com os dos membros da sua tribo. Quando um dos seus atos é rejeitado, a criança não entende que seja ele, senão o seu ato o que é condenado, e sente o desejo de cooperar. Ele não tem nenhum impulso de se defender de ninguém, nem de ver em realidade a situação desde nenhum outro ponto de vista que não seja o dos membros da sua tribo, já que eles são os seus verdadeiros aliados, como ele tem comprovado. Mesmo resultando uma terrível ironia, isso é o que significa ser um animal social”.

Você tem reparado em quantas vezes pais, mães, tios, avôs, vizinhos, professoras, garçonetes e todo adulto que se ache com o direito de fazê-lo (e não são poucos) fala para uma criança coisas como as seguintes?:

“Você esta se comportando muito bem/mal”, “que bonzinho ele é”, “não seja mau”...

Ou “melhor” ainda, combinado com ameaças e chantagens:
“Se você não se comporta bem não vai ter sorvete”, “você está sendo muito má com a priminha, se você não é boazinha vamos embora para casa”...

E pior ainda, colocando em jogo o amor dos pais e lhes responsabilizando do nosso estado de ânimo:
“Mamãe não vai te querer mais se você continua se comportando mal assim”, “papai esta triste porque você não está sendo boa hoje”.
As crianças, desde que nascem, são permanentemente submetidas a avaliações de pessoas que as julgam de “boas” ou “más”. Se elas dormem muitas horas ou arrotam sempre depois de mamar “são boazinhas”, se a pequena não se termina a papinha ou chega perto da tomada por enésima vez “é uma menina muito má”. E assim, com cada ato, movimento, barulhinho ou ação natural do seu desenvolvimento, a criança é avaliada e julgada. Catalogamos as crianças constantemente, e elas assumem esse papel de “bom” ou “mau” que nós lhes damos, agindo em conseqüência.

Cuidemos as palavras, não brinquemos com a autoestima das nossas crianças.

-Proibida a reproduçõ deste artigo sem o consentimento de:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e assessora parental 
-Consultora de slings e amamentação
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viernes, 2 de diciembre de 2011

Seio empedrado… Obstrução, ingurgitação ou mastite?


Quem já amamentou ou amamenta pode ter se encontrado facilmente com um destes três problemas, ou até com mais de um deles. É algo que pode acontecer, que gera não poucos incômodos (em maior ou menor medida dependendo do grau e do que se trate) e que pode virar algo grave se não tomamos as medidas oportunas.

É por isso que eu gostaria de fazer um breve repasso das diferencias entre estes problemas da amamentação e as causas, características e tratamentos de cada um deles, para cada mãe ter a capacidade de diferenciá-los e possa agir em conseqüência.

Espero que sirva para esclarecer estes conceitos. Em caso de qualquer dúvida ao respeito, podem ligar ou escrever para mim ou para qualquer outra/o consultor(a) de amamentação no qual vocês confiem.

OBSTRUÇÃO MAMÁRIA

Trata-se da obstrução de algum conduto mamário. Apresenta-se como um bulto duro e dolorido em alguma área localizada da mama. Não é o seio inteiro duro e dolorido. O mais habitual é que isso aconteça na área mais perto da axila, por ser a área onde o bebê esvazia pior o seio (sempre se esvazia mais a parte da mama onde fica a mandíbula inferior dele).

Posição "invertida"
Pode aparecer algo de febre, não superior de 38,5ºC. No caso da febre ser maior e o bulto estar quente e vermelho já estaríamos falando de mastite, e não de obstrução.

As causas da obstrução podem ser muitas, desde uma falta de drenagem do seio em áreas onde o bebê não esvazia bem o peito, até uma mudança nos hábitos das mamadas, como começar mamar menos vezes depois de uma época de muitas mamadas (às vezes acontece quando eles começam com a alimentação complementar, suprimindo mamadas em lugar de complementando-as).

O tratamento seria: calor úmido na mama antes de cada massagem para drená-la, e depois pôr o bebê para mamar, preferivelmente colocando-o de tal forma que a mandíbula inferior dele fique na área afetada. Se esta é a parte de mama próxima à axila, colocaríamos o bebê na posição invertida (em lugar de ventre com ventre, seria ventre –dele- com costelas –nossas-, sentadas em um sofá e com o bebê apoiado em um travesseiro do lado do corpo onde esteja a mama afetada). A forma de massagear a mama seria com movimentos circulares pequenos, sempre desde a área externa da mama em direção ao mamilo. Podemos fazê-lo com os dedos ou com uma escova de dente limpa ou uma escova de cabelo de bebês.

Geralmente, após um dia ou dois com o bebê mamando na posição adequada à obstrução, e seguindo estas recomendações, esta acaba desaparecendo.

INGURGITAÇÃO

Trata-se de uma inflamação geral do peito (não de áreas localizadas), muito freqüente nos primeiros dias-semanas após o parto. Na primeira descida do leite (dos primeiros dias), como o nosso corpo não sabe quanto leite deve produzir para nutrir ao bebê recém nascido, a nossa natureza (que é sábia) produz mais leite do necessário para garantir uma nutrição mínima e depois já se adaptar à demanda exata do bebê, segundo o quanto ele mame (se mama muito produzira muito, se mama menos, produzirá menos, e assim sempre em consonância com as necessidades do bebê em cada momento).

Em essa primeira descida do leite, ao produzir muito, o leite fica retido nos condutos, o que leva a uma inflamação dos tecidos da mama e o peito fica inchado, duro e quente. Isso é uma ingurgitação.

Não acontece apenas nos primeiros dias, mas é quando é mais comum, Porém, pode acontecer em qualquer momento da nossa vida de nutrizes, independentemente do tempo que levemos lactando aos nossos filhos (dias, meses e inclusive anos).

O melhor tratamento é pôr o bebê para mamar. Se a mama fica muito dura e esta difícil para o bebê pegar o peito (como uma bexiga muito inchada, dura, que escorrega na boquinha do bebê), é recomendável aplicar calor úmido antes da mamada (uma toalha ou pano molhados em água quente serve, e senão um banho quente) para dilatar os condutos e assim facilitar a saída do leite, massagear o seio com movimentos circulares e sempre em direção ao mamilo (dividindo o seio em porções como de pizza, iríamos massageando as diferentes porções) e fazer uma leve ordenha até o seio ficar algo mais molinho para o bebê poder pegar em ele, pois às vezes estão tão grande e duro que a sua boca escorrega por ele impedindo fazer uma pega correta.

Depois, entre mamada e mamada, ajuda colocar algo frio para diminuir a inflamação. Serve uma sacolinha de legumes congelados (dentro de um pano, nunca em contato direto com a nossa pele), ou até uma folha de couve bem limpa e fria da geladeira. Corta um círculo para o mamilo "sair" por ele, e coloca a folha de couve fria dentro do sutiã. Têm pessoas que descrevem um grande alívio.

MASTITE

Basicamente é uma complicação de algum dos problemas descritos anteriormente, principalmente da obstrução. O principal indicativo é a aparição de febre, e geralmente esta febre é alta e pode aparecer junto com tremedeiras e alta sensação de debilidade. Vêm também junto com dor corporal muito similar à de uma gripe, até o ponto de resultar comum a gente confundir uma mastite com uma gripe por estes sintomas (febre, mal estar e dor geral no corpo), mas teríamos o sintoma adicional de dor ou alta sensibilidade na(s) mama(s), e ausência de tosse.

A mastite se produz quando há uma retenção do leite no seio: se pulamos uma das mamadas, quando a produção é maior da que o bebê consegue dar conta (por ter mamado mais nos dias prévios estimulando um aumento de produção, por exemplo, que depois já não necessitava mais), quando estamos usando um sutiã pequeno e apertado que comprime uma parte da mama ou se o nosso bebê suga (estimula o peito), mas não consegue mamar adequadamente, e por tanto ele não esvazia adequadamente os condutos.

Não é sempre necessário tratar a mastite com antibióticos. Se é detectada precocemente é comum a gente conseguir controlá-la antes de que chegue a derivar em uma infecção.

Massagem da mama
O tratamento consistiria em DESCANSO (fundamental) e drenagem da mama afetada. Para isso o melhor é o bebê sugando, mas se ele não quer mamar ou não é possível em esse momento, teremos que tirar o leite manualmente ou com bombinha, procurando manter a mama “mole”. Se for só em um seio o problema, é fundamental não nos esquecermos do outro, pois às vezes ficamos tentando que o bebê mame do que esta duro e dolorido para sará-lo, e com isso provocamos que o outro acabe igual. Então não deixemos que nenhum seio fique duro e inflamado. Se o bebê não da conta dos dois, façamos ordenha no outro, apenas o suficiente para aliviar o inchaço, mas nem tanto como para estimular mais ainda a produção.

Da mesma forma descrita na ingurgitação, podemos nos beneficiar do frio e do quente aplicados tal e como foi descrito anteriormente: calor úmido antes das mamadas ou da ordenha, e frio entre mamadas para diminuir a inflamação.

Também poderíamos tomar um analgésico ou antiinflamatório compatível com a amamentação (paracetamol ou ibuprofeno, por exemplo), o que alivia a dor, melhora a febre e desinflama a mama liberando os condutos. Mas lembremos que isso não sara, simplesmente alivia os sintomas. O que sara é descanso e drenagem do seio, e antibiótico (sempre receitado pelo médico) no caso de chegar a ter infecção.

Não só você pode continuar amamentando, senão que DEBE fazê-lo. Mesmo tendo febre muito alta, NUNCA deve se optar por um desmame durante uma mastite. Não há perigo do bebê “se infeccionar” a través do leite. Porém, às vezes acontece que o bebê rejeite esse leite por ficar algo salgado devido ao aumento de sódio no leite. Isso não é mau para o bebê, mas às vezes simplesmente eles não gostam, então teremos que fazer ordenha manual e oferecer o outro peito à criança.

Quando ir ao médico?

Se com estas dicas não temos melhorado em um prazo de 24-48 horas, é preciso ir ao médico para ele valorar a possibilidade de receitar um antibiótico compatível com a amamentação, e nem assim deve deixar de amamentar, é claro. Em este caso, é muito importante tomar o antibiótico tantos dias como o médico indicou, pois uma mastite mal sarada pode provocar que a infecção se reproduza e/ou aumente, acabando em um abscesso, o que seria muito sério e requereria uma intervenção cirúrgica para drenar o pus da mama. Mesmo assim, você pode e deve continuar amamentando, mas impedindo que o bebê entre em contato com esse pus, é claro: se o abscesso esta longe do mamilo, pode amamentar normalmente. Se esta perto dele, melhor amamentar só com o outro seio até sarar, mas ordenhe a outra mama para não acumular leite de novo.

Se você estava pensando em desmamar o filho, não há pior momento do que este para fazê-lo. É preferível primeiro sarar e, depois, já iniciar o desmame. Se não esvaziamos o seio com freqüência durante uma mastite, poderia acabar aparecendo um abscesso mamário. A retenção de leite no seio faz com que a febre aumente, pelo que é importante manter o peito “mole”. Se o bebê não chega esvaziá-lo, teríamos que acabar de fazê-lo mediante ordenha manual ou com bombinha. O leite nunca vai acabar, pelo que o objetivo não é “acabar” com ele, senão tirar tanto leite quanto seja necessário para que o peito não esteja duro, sem provocar um aumento de produção.

Se as mastites são repetitivas, seria importante fazer uma revisão médica para ter certeza de que não há algum outro problema, como uma infecção anterior mal tratada, uma descida de defesas ou problemas na sucção do bebê.

Texto de Elena de Regoyos para MamaÉ
Proibida a reprodução sem autorização
 
 
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martes, 22 de noviembre de 2011

CAISM... Hospital Amigo das Crianças?

O CAISM, aqui em Campinas, é um Hospital Amigo das Crianças. Este é um título difícil de conseguir pelos hospitais. Eles têm que cumprir uma série de requisitos rigorosos para que a UNICEF lhes outorgue o título. O CAISM está cheio de cartazes pelas paredes indicando que eles cumprem com esses requisitos. Você passeia por essa maternidade e não vê mais do que cartazes promovendo o aleitamento materno (exclusivo até os 6 meses e depois combinado com outros alimentos até os 2 anos como mínimo, tal e como indica a OMS), inclusive com atrizes famosas nas fotos.

Os folderzinhos que eles repartem na consulta do pré-natal são rigorosos com as normas para garantir um sucesso no aleitamento materno, e vão preparando à mãe desde a gravidez para acreditar em que essa é a melhor opção. Insistem na livre demanda, na inexistência de “leite ruim” ou crenças como “eu tenho pouco leite”, incidem na importância do primeiro contato rápido e constante mãe-bebê após o nascimento para ele começar mamar quanto antes e recomendam a assistência a grupos de apoio devidamente informados sobre amamentação. Até aí tudo ótimo.

Hoje eu fui à minha primeira consulta de pré-natal no CAISM, e saí revoltada.
Reuniram a um grupo de umas 8 mães que iniciávamos o pré-natal lá em uma sala onde uma enfermeira ia nos informar de algumas coisas. Ela deu para todas nós um folder com informações corretas sobre amamentação e falou um pouco sobre isso. Disse que o melhor para o bebê é o leite materno, ao que uma das mães grávidas, que a partir de agora será denominada “mães de gêmeas” expôs:

-Precisamente por isso eu estou preocupada, pois sei que o meu leite é o melhor, mas sendo que estão vindo duas bebês, será que eu consigo amamentar?

(Trata-se de uma mãe de mais de 40 anos que já tem 5 filhos aos quais amamentou até quase o primeiro ano de idade).

A enfermeira diz:

-No seu caso não vai dar certo, você vai ter que complementar com mamadeira, como mínimo.

Eu não consigo me conformar com que em um Hospital Amigo das Crianças seja dada uma resposta absurda deste tipo a uma mãe com desejo de amamentar às suas filhas gêmeas, e interrompo:

-Eu gostaria de te indicar uma entrevista que eu fiz à uma amiga mãe de gêmeas que amamenta não só a elas, senão também à sua terceira filha, nascida quase 4 anos depois. Talvez o depoimento dela te interesse e transmita a confiança necessária para tentá-lo, pois o seu corpo esta preparado para isso. Uma ajuda profissional para resolver dúvidas e inseguranças seria muito apropriada no seu caso, e eu me ofereço a fazê-lo pessoalmente, de forma gratuita.A enfermeira me espeta:

-Não concordo com isso, você esta criando falsas expectativas e se ela não conseguir vai se sentir frustrada e até culpada.

Explico que só pretendia ajudar oferecendo o depoimento de uma mãe que conseguiu, como muitas outras também podem, mas depois opto por permanecer calada.

A mãe de gêmeas pergunta se ela terá leite suficiente e a enfermeira responde:

-O único que vai você fazer aumentar a produção de leite é tomar muita água, só se você tomar muita água, entre 2 e 4 litros por dia, vai ter leite suficiente. Mas isso não garante que vá ter para as duas, viu?

Eu fico impressionada com o fato de um Hospital Amigo das Crianças terem uma profissional tão absolutamente desinformada no relativo à amamentação, que não fala da importância da livre demanda, de que a produção se estabelece em função da demanda do (ou dos) bebê(s), que se têm um bebê que demanda muito e você garante esse abastecimento quando ele pede, o seu corpo vai produzir leite suficiente para ele, e se em lugar de um são dois bebês demandando, o corpo também vai dar resposta a esta demanda, sempre e quando você coloque às bebês para mamar cada vez que elas peçam. Ela não falou de prolactina, de oxitocina... Não, ela falou de água como um milagre produtor de leite, e depois concluiu que “nem isso garante uma produção suficiente, principalmente no seu caso, que são gêmeas”.

Mas eu já tinha optado por escutar e calar. Depois em privado ofereci o meu cartão para a essa mãe, no caso dela querer uma ajuda com a amamentação das filhas dela.

Uns quinze minutos depois a enfermeira começa fazer a ficha de cada uma, na frente das outras (o que considero constrangedor, pois continha perguntas tão pessoais e íntimas como: “a sua gravidez foi buscada ou foi um susto?”, “Você ainda esta com o papai do bebê?”). Na hora da mãe de gêmeas, ao perguntar pela idade dela, ela responde: “44 anos, sou a avó grávida” e começa tremer de vergonha pela confissão da idade dela (previamente tinha me comentado em baixinho que estava sofrendo muita ansiedade em esta gravidez porque não a esperava, e tinha vergonha de estar com essa idade com a barriga crescendo, precissando até de ajuda psicológica). Depois disso, ela não consegue nem responder o numero de telefone nem endereço, explicando que se sentia muito nervosa pela entrevista que estava realizando em esse momento.

A enfermeira pergunta:

Enf- Amamentou os seus outros filhos?

Mãe de G- Sim.

Enf- Quanto tempo?

Mãe de G- Algo menos de um ano, não sou muito de ficar amamentando crianças algo maiores.

Enf- Está ótimo, nem precisava de mais.

(Eu também acho bom que uma mãe chegue até o primeiro ano, ou menos ainda, se é o desejo real e informado dela, como parecia o caso).

Outra mãe comenta:

Mãe 1- Eu conheci uma mãe que amamentava ao filho com 4 anos!

Mãe 2- Isso para quê?

Enf- Não é necessário em absoluto fazer isso.

Mãe 1- Claro que não! Se ela já toma mamadeira e comida, para quê continuar pendurada no peito?

Mãe 2- Então para quê?

Mãe 1- Por besteira da mãe.

Enf- Por carência da mãe.

É um Hospital Amigo das Crianças...

Continuo calada, escutando com uma mistura de raiva e pena.

Quando a mãe de Gêmeas sai da sala, vira para mim e me pisca um olho. “Obrigada”, eu penso, e acredito que ela ainda vai conseguir.


Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e assessora parental 
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lunes, 21 de noviembre de 2011

Apresentação do meu TCC em Psicodrama. “Ausência de ‘tribo’: a solidão das mães puerperais na sociedade atual”

Queridas mães da Tribo MamaÉ, esta quinta-feira 24 de novembro de 2011 terá lugar a minha apresentação do TCC que venho realizando como finalização do meu curso de especialista em Socio-Psicodrama durante os últimos dois anos.

Será às 20h no IPPGC (endereço especificado no folder anexo). O tema do mesmo é o seguinte:

“Ausência de ‘tribo’: a solidão das mães puerperais na sociedade atual”

 Como algumas de vocês contribuíram de forma ativa à realização deste trabalho a través de grupos de trabalho ou depoimentos, e com certeza muitas outras podem se sentir identificadas com o tema tratado no mesmo, fico feliz de convidar a todas à citada apresentação. Para mim será muito emocionante contar com o seu apoio em um dia tão especial.

O Psicodrama é um método de trabalho com indivíduos e/ou grupos que reúne técnicas da psicologia e do teatro, com o objetivo de ajudar às pessoas a terem um maior autoconhecimento, melhorando também as suas capacidades para enfrentar situações críticas. Acredita no poder de toda pessoa para gerar respostas espontâneas e criativas -adequadas ao contexto e não determinadas pelas 'conservas culturais' da sociedade-, precisando só de algumas ferramentas adequadas para chegar em isso, que o Psicodrama pode garantir.

Um forte e carinhoso abraço a todas. Espero vocês lá!
(Clickar para ver em grande)

lunes, 7 de noviembre de 2011

Desfraldar ou não desfraldar... Essa é a questão. Como, quando e por que tirar a fralda dos nossos filhos

Pois é... chegam os dois aninhos, ou antes até, e as amigas, cunhadas, avôs e resto da sociedade (inclusive as professoras de escolinha) começam nos pressionar, mais uma vez, sim, como ao longo destes primeiros dois anos de mães, com a retirada da fralda dos nossos filhotes. Antes foi com “até quando você vai de mamar para ele no peito”, e o “Ainda dorme no seu quarto?”, sem esquecer do “você fica demasiado tempo com ele no colo”. Pois bem amiga... chegou a hora da fralda.

Pegue ar e se prepare, que a competição chegou de novo. O seu entorno “maternal” vai te bombardear com frases do tipo “meu filho com “x” meses já controlava o xixí”, “meu menganinho foi terrível, ele não me avisava nunca e eu tinha que ir atrás dele perguntando a toda hora se queria fazer cocô ou não, ao final ele sempre fazia nas calças, um horror”, ou “aproveite agora que esta calor, e assim é mais fácil”.

E a criança? O que ela têm a dizer em isto? No final das contas, não é um processo dela? Não tem a ver com a maduração dela como pessoa? Não têm a ver com a suas vontades e capacidades adquiridas ou não? Vamos decidir NÓS quando ela deve começar segurar o xixí ou o outro, só porque a filha da fulana já esta controlando ou porque agora é bom momento para mim?

Controlar os esfíncteres, ao igual que comer alimentos de adulto, caminhar ou falar, faz parte da evolução da criança. Não podemos forçar elas a fazer essas coisas antes delas estiverem prontas para fazê-lo, porque só vamos conseguir resultados como: frustração, stress, culpa e tristeza. De quem? Nossa, sim, é claro, mas principalmente da criança, acredite.

Não podemos ensinar a controlar os esfíncteres, isso não se ensina, isso se adquire (como o falar, o caminhar ou o engolir sólidos). É um processo gradual, demorado e lento. E o fato de ter deixado as fraldas com 18 meses, 2 anos ou 3 e meio não vai influenciar ao desenvolvimento da criança, nem às propriedades intelectuais dela na vida adulta. Ninguém vai lhe perguntar na faculdade quando ele aprendeu a falar ou a controlar o xixí.

Tendo definido uma idade "normal" de 2 anos para o controle da bexiga, criamos um problema principalmente para os nossos filhos.
Bem na segunda metade do segundo ano de vida (ou seja, após o ano e meio), alguns bebês podem começar a perceber quando eles têm uma fralda suja, ou mesmo quando "eles estão fazendo". Este é um grande avanço, mas é só o primeiro de um processo lento que pode levar cerca de dois anos, resultando em finalmente um controle do intestino e da bexiga. Reconhecer que "já fiz" não quer dizer que ele já saiba se antecipar a "quando eu vou fazer", e menos ainda a controlar se fazê-lo ou não fazê-lo.

Esperar para o verão

Use o verão para remover a fralda é uma conveniência dos adultos. Então, incluímos no mesmo “saco” à criança de um ano e meio, a de 2 e a de 2 e meio também. E começa essa “maravilhosa” fase de perseguir incansavelmente às crianças perguntando se elas querem fazer xixi, eu tocando a roupa delas, sentando-as no vaso sanitário sem conseguir nada. Passamos horas preciosas de comunicação nesta nova escala de valores onde o mais importante, colocando alegre ou triste a mãe, é "se ele fez ou não fez."

O estágio de aquisição de controle esfincteriano dos nossos filhos inclui, sim, o prazer das crianças serem capazes de decidir, pela primeira vez, se eles seguram o seu xixi ou cocô, e fazê-lo onde e quando quer, a demarcação de uma zona de autonomia maravilhosa para experimentar. É um lugar de poder onde se decide, e faz com que eles liberem este prazer da capacidade de fazer coisas por si mesmos.

E de noite?

O controle noturno merece um capítulo à parte. Apesar de uma criança controlar perfeitamente os esfíncteres durante o dia, pode demorar muitos meses até mesmo ser capaz de fazê-lo à noite. Costuma-se dizer que, depois de várias noites com uma fralda seca, o bebê está pronto para dormir sem ele.

Ao pensar sobre isso, é importante observar que:

-A criança deve concordar e saber exatamente o que está acontecendo, o que se espera dela ("já que você esta amanhecendo sequinho, você quer tentar dormir sem fralda? Eu coloquei um plástico sob o lençol para que você não se preocupe se você fizer xixi. Se quiser a gente testa, senão pode ser mais para a frente").

-Como qualquer processo, o controle do intestino e da bexiga não é linear, mas haverá muitos altos e baixos. Isso é parte do que é esperado e, o mais importante de tudo, nossos filhos sabem que os acompanhamos em este processo e que vamos esperar o tempo que for preciso.

É muito importante o reforço positivo ("que legal, você conseguiu, eu estou orgulhoso de você", etc). Sob nenhuma circunstância é aceitável que desafiemos a criança, a humilhemos ou ridiculizemos comparando-a com outros amigos ou familiares. É importante lembrar sempre que não há nada que ele possa fazer para controlar, ele vai controlar quando estiver pronto para isso.

Não voltar para trás? Regressão?
É muito freqüente isso de “uma vez retirada a fralda, não pode voltar atrás pois confunde a criança”. Sob o meu entender, o que confunde à criança e ficar insistindo em uma coisa que ela não esta pronta para afrontar. O que confunde à criança é a falta de compreensão da mãe, do pai ou o cuidador que for, que exige dela uma coisa que ela não pode ainda fazer, e que não pode voltar para atrás “porque senão confunde à criança”.

Respeitemos os nossos filhos, deixemos que eles nos mostrem o caminho quando se trata do desenvolvimento deles mesmos, confiemos em que eles adquirirão todas essas capacidades, no tempo que for adequado para eles, e cuidemos para não esperar mais deles do que eles podem nos oferecer.

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Elena de Regoyos - MamaÉ Slings
-Doula e assessora parental
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