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viernes, 18 de abril de 2014

O nó pré-amarrado, melhor só com wrap elástico. Veja por que...

Muitos manuais e muitos vendedores/produtores de wraps não elásticos explicam como fazer, com ele mesmo, o nó básico pré-amarrado, aquele que você amarra o wrap tudo inteiro e, só depois de terminar a amarração, mete o bebê dentro (duas faixas diagonais e uma horizontal por cima delas).

O resultado é: wraps pouco e mal tensionados, bebês com pouca e má sustentação (o que pode prejudicar o desenvolvimento dele, e até fechar vias respiratorias) e desconforto para quem carrega por falta de tensão, o que desloca o nosso centro de gravidade e nos obriga a curvar a coluna para compensar.

Quer saber por que essa amarração não pode ser feita com wraps que não elásticos, a pesar do que muitos manuais e vendedores digam? Aqui tem a explicação/demonstração, usando um wrap elástico e um que não é elástico para ilustrá-lo.

A alternativa? Ou fazê-lo com um wrap elástico, ou fazer outras amarrações como a cruz envolvente, a mochila cruzada ou o canguru na frente, que permitem tensionar com o bebê dentro, à medida dele.

lunes, 17 de marzo de 2014

Por que usar o Método Mãe Canguru com seu filho que não é pré-maturo


Muitas vezes ouvimos falar do tal do Método Mãe Canguru, mas sabemos realmente o que isso é? Eu quis trazer aqui os benefícios do método, dicas para praticá-lo e umas boas referências científicas que o avalam, para os que ainda pensem que a incubadora é melhor.

O que é o Método Mãe Canguru (MMC)?Informações obtidas da Organização Mundial da Saude (OMS) e de outras publicações científicas, como as realizadas pelo doutor Nils J. Bergman, que introduz o MMC em Sudáfrica, publicando várias pesquisas ao respeito, o MMC consiste em manter os bebês pré-maturos em contato permanente pele a pele com a mãe dele (de preferência), ou como alternativas, com o pai, uma enfermeira ou outro adulto que se disponha.

O que implica praticar o MMC:
-Contato pele a pele contínuo, dia e noite, com o bebê.
-Aleitamento materno exclusivo (de preferência).

Benefícios do MMC em pré-maturos estáveis de a partir de 1.200kg:

-Estimula o aleitamento materno: o contato pele a pele favorece a produção de leite materno. Os bebês do MMC mamam melhor e com maior frequência, o que beneficia ao aumento de peso tão necessário, sendo demostrado que os bebês do MMC podem engordar até 30 gramas por dia, três vezes mais do que um bebê em incubadora, o que reduz a estancia na UTI neonatal.

-Menos choro, diminuindo o nível de hormônios do stress (somatostatinas) no corpo do RN. Estes hormônios favorecem hemorragias cerebrais, muito comuns em bebês prematuros.

-Humanização da atenção neonatal potenciando a vinculação mãe-filho, ajudando a evitar situações de depressão pós-parto, muito comuns em casos de mães de pré-maturos por causa do sentimento de culpa e a ansiedade derivados do nascimento temprano do bebê. Praticando o MMC, à mãe tem a oportunidade de cuidar do bebê dela, dela mesma ser o entorno adequado para a melhor evolução do pequeno. Isso gera mais ocitocina, o hormônio do amor, acalmando-a e lhe ajudando na produção de leite.

-Segundo o estudo do Nils J. Bergman, o contato pele a pele é muito mais benéfico do que a incubadora para um recém-nascido. Em contato com a mãe, os bebês mantinham a temperatura corporal estável, estavam mais calmos, respiravam melhor e tinham a pressão arterial e batimentos cardíacos estáveis.
-Quanto menor era o bebê (a partir de 1.200kg), mais estável ele se mantinha em contato pele a pele, e menos na incubadora.

-O contato pele a pele favorece a sincronia de sono mãe-bebê, o que ajuda à mãe descansar melhor, enquanto o pequeno também dorme.

Como praticá-lo corretamente:

O bebê deve estar com pouca ou nenhuma roupa (fralda apenas é o ideal) na posição “de sapinho”, diretamente no peito da mãe, também sem roupa. Mãe e bebê devem ser cobertos, embrulhados, por um pano que ajude manter o bebê nesse lugar, devidamente segurado, lhe oferecendo conforto, sustentação e, claro, ajudando a manter o calor corporal dos dois corpos unidos. Um wrap sling é ideal, mas outros tecidos servem também.

A posição de sapinho é a mais fisiológica para o recém-nascido, e é a que deve ser usada no MMC. Ele teria a maior superfície corporal possível em contato com o corpo da mãe. Todo o frontal dele: rosto, peito, abdômen, braços e pernas, o que o estimula sensorialmente a través da pele, e o mantém mais facilmente aquecido. A flexão natural das perninhas dele deve ser respeitada.

Só para pré-maturos?

Não, se para um pré-maturo receber estes cuidados pode ser vital, para um bebê nascido a termo, recém-nascido ou já algo maior, todas estas vantagens do MMC também são muito importantes e benéficas no seu desenvolvimento fisiológico, emocional e neurológico, pois até os 9 meses de idade ele está ainda sendo gestado fora do útero materno, como já foi explicado neste artigo de MMM sobre a exterogestação.


Se podemos dar o melhor ao nosso filho, aquilo que vai lhe ajudar a se sentir seguro, ganhar peso, criar um vínculo amoroso com os pais, estabelecer conexões neuronais mais ricas, cuidar do desenvolvimento fisiológico mais adequado dele, estabelecer o aleitamento materno, ter melhores digestões e estabelecer todos os sistemas vitais dele... Seja pré-maturo ou não, para que iriamos privá-lo disso?

Texto de Elena de Regoyos para MAMAÉ ME MIMA
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domingo, 23 de febrero de 2014

A mãe que eu sou, graças e a pesar de minhas circunstâncias

Tenho uma amiga, Carolina, que é cega. Ela se preocupa porque os filhos dela (videntes) vão deixar de fazer algumas coisas por causa da deficiencia visual dela. Ela pensa que vai limitar eles, e que, portanto, eles vão ter uma vida pior.

O que eu acho ao respeito? O que eu acho é que Carolina é cega e não pode acompanhar aos filhos sozinha em certos lugares, assim como Mariana é doula e deve trabalhar certos dias e noites sem planificação, inclusive o dia do aniversário do filho; Cristina é mãe solteira e não pode se dividir com o pai quando ela ou os filhos precisem, Laura é muito tímida e fica sem participar e nem levar aos filhos em determinados encontros e festas sociais nas quais poderiam se divertir e Marcela é diretora executiva de uma grande empresa, sobrando quase nada de tempo para desfrutar da família. Cada uma com suas limitações, cada uma com suas vantagens. Sim, sim, porque todo na vida tem duas leituras. Toda moeda tem duas caras.

Cada uma de nós, com nossas qualidades proprias ou adquiridas, com nossas circunstâncias, podemos oferecer a nossos filhos grandes lições de vida e alma, e também lhes privaremos de outras coisas. Fato.

Tem aquela famíila com avós no interior, que todas as férias vão para lá se juntar com um enorme bando de primos e tios, tomam banho no rio, comem comidas caseiras maravilhosas, perseguem pintinhos e vivem livres, por umas semanas, se sabendo "em casa" ao ar livre. Tem às festas da cidade, as lojas de sempre onde o padeiro lhes conhece e costuma lhes dar alguma guloseima quando eles passam pela frente, as mesmas pessoas de sempre, as mesmas excursões, os mesmos esconderijos e cabanas, os amigos das fêrias, os primeiros namoros. O que eles pensarão que ganharam quando, adultos, lembrem das fêrias da infância deles? Do que eles, porém, foram privados?

Agora pensemos em essas outras famílias que, em cada fêrias, viajam para um destino diferente. Ora praia, ora montanha, esquí, pousadas ou até hotéis, Disney, aviões. Paisagens novas a cada viagem, línguas e comidas diversas, passeios cheios de descobertas, esportes de aventura, almoços em restaurantes. Amizades intensas e fugazes, beijos adolescentes e volta "à nossa vida". O que estas crianças, quando crescerem, vão lembrar com carinho daquelas fêrias? E do que, talvez, sintam falta quando ouvem falar àqueles outros?

Cada circunstância, cada condição, cada união de duas pessoas, cada um de nós, vamos trazer com a nossa pessoa, com o que nós somos, vantagens e disvantagens. Cada um de nós, com nossas circunstâncias (buscadas ou engolidas) vamos abrir janelas e oferecer caminhos aos nossos filhos, deixando outras fechadas. Talvez se abram amanhã, ou bem depois. Ou nunca. Podemos ficarmos nos lamentando por todas essas janelas que estão e vão permanecer fechadas por causa do que somos/temos, desejando o impossível para abrí-las, ou que alguém venha e as abra por nós. Existe, porém, a alternativa de pular para fora dessas outras que se abrem, e desfrutar desse caminho com o que ele nos oferece!

O que isso nos traz é a oportunidade de procurar o melhor com o que temos e com o que somos. Podemos lhes ensinar as vantagens da nossa circunstância, o que isso nos oferece de bom. Podemos, também, ser realistas com aquilo do que isso nos priva, não precisamos olhar para outro lado.

À qualidade de ser positivo, de optimizar o que somos e temos, é tão rica que faz com que as pessoas sejam felizes, e não vivam desejando ter ou ser o que não tem e nem são.

E aí? Você é pior que o vizinho, ou simplemente é "você com suas circunstâncias, e todo o que elas tem para oferecer"?

Texto de Elena de Regoyos para MAMAÉ ME MIMA
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martes, 3 de diciembre de 2013

A tal da posição "de budinha" no sling, e alternativas adequadas

Hoje no facebook foi sucesso um artigo sobre a desnecessidade de estimular as crianças. Concordo plenamente. É muito bom sermos conscientes disso. Os estímulos que um bebé precisa são «o mundo que habita»: a voz dos pais e irmãos, os cheiros dos diferentes alimentos, as luzes do dia-noite, a chuva no corpo dele, e o barulho dela, o cheiro de terra molhada quando chega tormenta, os pássaros cantando, cachorros latindo, o vento no corpo, grama nos pés, areia nas mãos, colheres de pau batendo no chão, agua na banheira, o contato do corpo da mãe no dele, toques, caricias, massagens, beijos, teta, uma fruta (a forma dela, cor, textura, cheiro, temperatura, sabor...). O babywearing proporciona tudo isso, desde o lugar mais seguro e gostoso. O nosso filho se estimula naturalmente, conhece o mundo, dsede o lugar mais seguro do mundo: o nosso colo.

Essa obsissão de hiperestimular os nossos filhos combina muito bem com essa outra obsissão de carregar eles "para a frente". Hiperestímulo. Desnecessário. Prejudicial.

Venho postando últimamente fotos de bebês carregados em diferentes tipos de porta bebês ou carregadores olhando para a frente, "só que não esticados". Tudo bem, já tenho falado das posições erradas em outros posts, mas vamos insistir nesta posição que parece inofensiva, mas não o é.

Tenho lido em blogs de instrutoras de babywearing coisas que fariam perder a credibilidade de qualquer instrutora formada: que podemos carregar o nosso bebê virado para a frente ou para nós, como ele preferir, porque com as pernas encolhidinhas a coluna dele está protegida.

Só que não.


1- A posição indicada e recomendada por organismos internacionais -como o Instituto Internacional de Displasia de Quadril, ou o presidente da Federação Alemã de Pediatria- para carregar os nossos bebês desde o primeiro dia (com mais motivo ainda nos primeiros dias-semanas-meses), é a posição "de sapinho": 
POSIÇÃO "DE SAPINHO"

-Na posição de sapinho, o bebê vai acocorado, com os joelhos mais altos que o bumbum, o sling segurando o peso dele desde atrás de um joelho até atrás do outro joelho (coxa-bumbum-coxa), deixando as canelinhas livres. O peso, portanto, é carregado pelo bumbum principalmente, o que resulta confortavel e nãoforça nenhuma articulação, estando a estrutura quadril-fêmur bem encaixada, na forma em que fisiolôgicamente se promove esse encaixe quando há luxação ou displasia. na forma em que os proprios bebês retraem as coxas naturalmente durante os primeiros meses.

-A coluna dele fica curvada em forma de C, que é a forma natural de um bebê nos primeiros meses. Conforme ele fôr segurando o pescoço vai ir formando a curva cervical, e depois, ao caminhar, vai se formando a curva lombar.

-O bebê tem as áreas do corpo mais vulneráveis e delicadas, como o abdomen e o rosto, protegidas com o nosso corpo, sejam eles carregados na nossa frente, no quadril ou nas costas.

-Se o bebê ficar cansado, assustado, hiperestimulado ou se ele simplesmente quiser trocar um olhar com nós, porque isso lhe da segurança, pode fazê-lo, ou apoiar o rostinho no nosso peito, cochilar, se esconder ou descansar. Ele precisa desse contato, desse olho no olho, desse descanso confortavel.

-Por estar ele bem encaixadinho no nosso corpo, o nosso centro de gravidade práticamente não se modifica, o que faz com que carregar o nosso filho seja confortavel e não force e nem machuque a nossa coluna.

2- Na posição "de budinha", mesmo o  bebê não estando esticado -o que pelo menos temos todos assumido que não é bom!- continua não sendo adequado pelo seguinte:
POSIÇÃO "DE BUDINHA"
-As articulações estão forçadas, com as pernas flexionadas já de forma não fisiológica, levemente -ou excessivamente- abertas tipo "borboleta", o que já faz uma rotação na articulação quadril-fêmur não fisiolôgica como postura de descanso. Ao ter o tecido cobrindo todo o corpinho dele, encolhidinho nessa posição, resultan forçadas, também, as articulações do joelho e tornozelo. O peso do bebê não está apenas no bumbum, senão em todas as extremidades inferiores flexionadas de forma indevida.

-A coluna dele pode ficar bem entortada, pois ele não tem forças para se segurar na posição adequada que ele precisa, e também não tem o apoio frontal do nosso corpo para lhe servir de "masto". Pode trazer lesões de coluna.

-O bebê tem as áreas do corpo mais vulneráveis e delicadas, como o abdomen e o rosto, completamente expostos, desprotegidos, sem o nosso calor lhe ajudando a fazer digestões, sem o nosso corpo lhe servindo de proteção para golpes ou acidentes.

-Se o bebê ficar cansado, assustado, estressado ou hiperestimulado, só lhe resta deixar a cabeça cair para a frente, e cochilar como puder, com o que isso tem de, além de desconfortavel, arriscado por poder fechar as vías respiratórias. A cabeça de um bebê jamais deve ficar caida para a frente, com o queixo voltado para o peito, pois pode fechar as vías respiratorias. Carregando ele na posição de budinha, olhando para a frente, isso pode acontecer.

-E se ele simplesmente quiser trocar um olhar com nós, porque isso lhe da segurança, não tem como. Está completamente exposto aos estímulos sem filtro, sem nosso olhar tranquilizador, sem a referência do nosso corpo na frente dele.

-Por estar ele completamente desencaixado do nosso corpo, o nosso centro de gravidade fica completamente deslocado, o que nos obriga a curvar a coluna para trás, gerando desconforto, dor e até lesões.

-Ao mesmo tempo, por causa deste último ponto explicado, o bebê "ocupa" mais na nossa frente, limitando mais o nosso campo de visão, o que pode nos levar a tropeçar ou esbarrar, e cair, com ele na nossa frente, olhando para a frente.

BABYWEARING IN THE WORLD

Nenhuma cultura ao longo do mundo, dentre as que não tem perdido a tradição de carregar os filhos encima, carrega os seus filhos olhando para a frente, nem esticados e nem encolhidos. A gente está reaprendendo o que a nossa cultura perdeu. Se todas elas, ao redor do mundo, o fazem de uma determinada forma... Será que nós devemos ignorá-lo e andar inventando modas?

 


ALTERNATIVAS, NO QUADRIL OU NAS COSTAS:

Existem alternativas para quando o nosso bebê começa ficar querendo ver tudo. Podemos carregá-los no quadril em um sling de argolas, um wrap sling ou um mei tai, por exemplo. Dessa forma ele tem um campo de visão muito mais amplo, sem perder nem a posição adequada e nem a possibilidade ed cochilar apoiando o rostinho em nós, ou trocar um olhar. Outra opção seria levá-lo nas costas. Tem amarrações altas que permitem o bebê ou criança ir olhando tudo por cima do nosso hombro


 

Texto de Elena de Regoyos para MAMAÉ ME MIMA
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martes, 12 de noviembre de 2013

10 Dicas para um melhor descanso (com filhos que acordam de noite)

Vira e mexe leio a postagem de alguém no facebook ou listas de maternagem descrevendo o cansaço e desespero pelas noites mal dormidas por causa do filhote que acorda, incluindo no relato as horas exatas em que o bebê acordou nas últimas noites.


Tenho três filhos. O primeiro começou dormir a noite inteira aos 6 meses, então ele não conta para este artigo. Mas o segundo acordou de noite até os 3 anos e pouco e a terceira tem um ano e 8 meses e parece ir por um caminho bem similar. O caminho mais comum, por outro lado.

Como nunca sofri e nem sofro com os despertares dos meus filhos, eis que pensei em analizar o por que, para talvez assim poder ajudar outras mães neste ponto. Esses são os pontos com os quais acho que posso ajudar:

Dica nº1: Informe-se sobre as fases de desenvolvimento dos bebês e crianças a respeito do sono (aqui tem um belo artigo sobre isso). Isso não vai fazer com que ele durma "melhor" e você descanse mais, porém conhecer o que podemos esperar de um bebê ou criança neste sentido, por ser parte do desenvolvimento natural dele, ajuda enormemente a compreender o que está acontecendo e, portanto, elimina parte da nossa angústia.

Dica nº2: Priorize o seu descanso. A cozinha sem arrumar pode esperar, o chão pode ser varrido menos vezes por semana, com certeza você também está linda sem fazer chapinha, cozinhar almoços mais simples não implica necessáriamente que sejam menos saudáveis, os brinquedos vão ficar espalhados de novo amanhã, passe apenas as roupas imprescindíveis... Peça ajuda com o que não puder ser substituído. E se puder, pague por ela. O seu descanso, sua saude física e mental, valem dinheiro.

Dica nº3: Vá dormir mais cedo. Eu sei que esse tempinho para você depois que o bebê dormiu é único e insubstituível. Que tal dedicá-lo a aquilo do que você mais precisa, e que é tão gostoso: DORMIR? Também sei que você precisa jantar, tomar banho, dar uma geralzinha na casa. Que tal tentar fazer isso tudo antes de colocar ele para dormir (tomar banho juntos, jantar juntos, fazer só um básico da geralzinha...), para assim não sobrar nada "para depois" e poder relaxar na hora de colocá-lo para dormir? Se não quer fazê-lo sempre, pelo menos de vez em quando. Estabeleça um mínimo de dias na semana para fazê-lo, e cumpra este compromisso consigo mesma. Você nem imagina o quanto essas horas aportam de descanso diário.

Dica nº4: Centre seus esforços no que você pode fazer para descansar mais, e não no que você pode fazer para o bebê dormir "melhor". Ele não dorme mal, ele dorme normalmente para a idade dele (remeto à dica nº1). Sim, acordar muitas vezes também é normal, assim como dormir a noite toda, só que no primeiro caso você se fode sai prejudicada. Mas não tem nada de errado com seu filho.

Portanto, não centre os esforços em mudá-lo lhe enfiando mamadeiras de elefante ou lhe dando remédios -naturais ou não- vários. É como se dessemos remédios -naturais ou não- para um bebê de "x" meses caminhar logo, porque estamos cansados de levá-lo no colo. Ele vai caminhar quando tiver que caminhar, quando estiver pronto e desenvolvido para isso. Medicar -naturalmente ou não- o desenvolvimento natural  não faz sentido. No sono também não. Mesmo nós estando imensamente cansadas por causa disso.

Dica nº5: Facilite a sua vida ou, melhor, as suas noites. Quer dizer: se o seu filho está em outro quarto e quando ele acorda você tem que levantar da cama, caminhar até o quarto dele, ficar lhe embalando em pé (caindo de sono), voltar para o seu quarto e tentar pegar o sono com o ouvido bem acordado para que, na hora que ele acordar de novo daqui a pouco, você levantar de novo... Enfim, veja se não tem uma alternativa que simplifique as suas noites como, por exemplo: levar o filhote para o seu quarto, ou inclusive para a sua cama.

Deixe os "mas e se ele acostuma com..." ou "e se o meu marido diz que..." ou "e se perco momentos preciosos para namorar...", para depois. Voltando à dica nº2: priorize o seu descanso. O resto são mitos ou medos infundados. Deixe-os para outro momento. Facilite as suas noites e priorize o seu descanso. Vai te trazer mais saúde mental e física. E de quebra o seu filho vai ficar mais feliz. Não soa bem?

Dica nº6: Não se feche a nada por ideologias ou achismos (sempre que seu filho e vocês se mantenham tratados com respeito!). Parece que vai contra a dica anterior, mas não vai, e sim a complementa. Quer dizer, se você é uma convencida do attachment parenting, mas a cama compartilhada não está dando certo porque, por algum motivo, seu filho acorda mais (talvez seu marido ou você ronquem, ou se mexam muito na cama, ou o pequeno seja muito calorento, ou falte realmente espaço...), tente outras opções. Às vezes é a gente quem acorda mais, mesmo ele dormindo bastante, porque talvez somos muito sensíveis a qualquer barulhinho, ou somos nós as calorentas, ou nos falte espaço, etc.

Experimente colocá-lo em um bercinho perto de você, ou em uma cama no seu quarto. Inclusive em outro quarto. Você não vai ser pior mãe, pois você apenas está vendo se isso da certo, se ele se sente bem com essa opção e se, de quebra, te ajuda a descansar melhor. Se não cumpre os objetivos, sempre pode repensar tudo. Mas não se feche. Experimente, lhe respeite, se respeite, e veja o que funciona melhor dentro destes parâmetros.

Dica nº7: De noite, não acorde seu cérebro. Como assim? Bem, eu não faço a menor idéia de quantas vezes a minha filha acorda de noite. Deve ser algum número entre 1 e 5, mas não sei mesmo quantas. Muito menos sei a que horas ela acorda. Ela acorda, eu devo colocar ela em posição para mamar deitada mesmo na cama (eu nem percebo que o faço, mas meu marido tem provas fotográficas que vou tentar recuperar para ilustrar o post), e continuamos dormindo. Ela também não "acorda" o cérebro, só faz um semidespertar para mamar e seguir dormindo. Se nessa hora eu ligo o interruptor do meu cérebro, depois vai ser muito mais difícil -para algumas pessoas práticamente impossível- voltar a dormir. O que é ligar o interruptor cerebral? Pensar coisas como essas:

-"Que horas são? 
-"Quantas vezes ela já acordou esta noite?" 
-"Quantas horas faltam para o despertador tocar?"
-"No total, eu tenho dormidas... tantas horas até agora, se eu conseguir dormir vou dormir..."
-"Não pode ser fome, só faz... tantos minutos desde que acordou a última vez"
-"Será que está entrando luz por aquela fresta?"
-"Agora que eu penso... creio que esqueci de deixar a minha camisa branca de molho para tirar aquela manchinha de manga".
-E tantas outras.

O seu filho acordou? Então não pense, simplesmente aja e siga dormindo. Claro, para isso é mais facil se você faz cama compartilhada. Mas tente adaptá-lo na medida do possível caso com você não funcione a cama compartilhada.

Dica nº8: Amamente. Amamentar é o melhor sedante para o nosso filho. É a maneira mais facil e simples de fazer ele dormir. A natureza traz tudo pensadinho e resolvido já. Levantar para preparar uma mamadeira é muito mais complicado (e não cumpre a regra nº7 de não acordar o cérebro). Amamentar te permite não ter que levantar da cama.

Se ele acorda com fome: amamentar resolve. Se ele acorda com sede: amamentar resolve. Se ele acorda com necessidade de contato ou presença: amamentar resolve. Se ele acorda com frio: amamentar resolve. Se ele acorda querendo um carinho: amamentar resolve. Se ele acorda assustado: amamentar resolve. Tem outras formas de resolver todas estas causas de despertares infantis? Claro que tem. Quem não amamenta não está perdido. Simplesmente vai ter mais trabalho. E voltando à dica nº2: priorize o seu descanso. Se amamentar resolve, não se complique.

Ademais, as mulheres que amamentamos segregamos um hormônio -só de noite!!- chamado L-Triptofano que nos ajuda a pegar no sono com mais facilidade (e ao nosso filho, por estar consumindo o nosso leite, também). Só que esse hormônio se perde apenas uns minutos após ele ter terminado de mamar. Então: dica nº7 (não acorde seu cérebro) para poder se aproveitar do efeito do L-Triptofano que segregamos enquanto amamentamos.

Dica nº9: Não dê ouvidos à prima da amiga da sua vizinha. Em geral, no seu papel de mãe, esta dica deveria ser uma das principais. Falando do sono, sempre vamos achar quem nos diga que:

-"Seu filho acorda porque você está fazendo "x" e, claro, assim eles acordam muito mais".
-"Nossa! O meu Pedrinho nessa idade já dormia a noite toda há 472 meses!"
-"Quando eles acordam depois dos "x" meses/anos é porque eles tem problemas com..."
-"Você precisa ensiná-lo dormir, ele está se aproveitando da boazinha que você é".
-"Seu leite não alimenta e por isso ele acorda".
-E milhares de outras pérolas com que daria para escrever um livro.

Não dê chance a isso, e se acontecer, não dê ouvidos. Claro que tem crianças que dormem mais e "melhor"  que a sua, e outras até que muito pior. Mas em que ajuda ficar se comparando com os outros? A grama do vizinho sepre parece mais verde, não acha? De repente ela pode ser sintética, ou ele pode ter usado adubo químico. Talvez seja até mais verde realmente. E daí? Para que comparar? Para se frustrar? Ela é de verdade melhor que a sua? O seu verde é diferente, é único? Aprecie a sua grama, mesmo gostando mais de outros tons de verde.

Portanto: Não precisa contar o que acontece para quem não vai lhe ajudar com isso, senão fazer o contrário (inclusive pediatras e família mais querida e próxima, às vezes). Selecione muito bem com quem você vai desabafar e, de preferência, que seja alguém empático, que não julgue, não critique, não te faça sentir inútil ou muito errada, não diagnostique "opinológicamente" o seu filho e não seja um mentiroso que conta maravilhas da experiência dele apenas para não se sentir "tão errada quanto você".

Dica nº10: Procure um grupo de apoio. Complementando a dica anterior, e para evitar pitacos e críticas que em nada ajudam, procure um grupo de criação ou maternagem na sua cidade ou bairro. Cada vez tem mais. E se não tem, existem muitas opções na internet: listas de maternagem, grupos no facebook, blogs... Mas, por favor, que sejam respeitosos com as crianças e não indiquem coisas como "deixe o seu bebê chorar para ele aprender, porque uma mãe feliz lhe faz bem". Mães que ouvem e são ouvidas, mães que conhecem histórias similares às delas, mães que se ajudam sem julgamentos, mães que podem chorar e rir em grupo... É tudo de bom!

Elena de Regoyos para MAMAÉ ME MIMA
Proibida a reprodução sem citar fonte e link

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jueves, 26 de septiembre de 2013

E quando o seu bebê, criado com apego, só chora?

Sim, a criação com apego ou attachment parenting são bons para o bebê, se olhe por onde quiser se olhar. É beneficioso para o bebê e a criança. Ponto. Não tem discussão, pois está tudo devidamente demonstrado.

Agora, cuidado. Cuidado, porque o que não está demonstrado é que os bebês e as crianças criados com apego sejam mais calmos. Mais seguros de si, com certeza eles são. Mais confiantes neles mesmos, nos seus cuidadores (pai e mãe principalmente) e no mundo que habitam, absolutamente sim, eles são. Mais felizes, diria que obvio que sim, pois as necessidades deles são entendidas, aceitas e atendidas quando assim ele as comunica da única forma que sabe: resmungando primeiro, chorando depois. 

Que este conjunto de circunstancias leve à criança a ser mais calma, tem toda lógica. Com certeza. Que, de fato, conheçamos muitos bebês e crianças criados desta forma que são mais calmos, também. Não digo que não. Posso falar, afirmar e confirmar isso em primeira pessoa, por experiência propria e por observação dos outros. Só digo, e repito: CUIDADO.

Cuidado por que? Cuidado porque criar com apego garante o que eu coloquei no segundo parágrafo, sim. Mas isso não é garantia de "bebê calmo". Tem bebês criados no 100% dos apegos que não são tão calmos assim. Bebês que choram muito, bebês que não parecem ser tão felizes e satisfeitos com a vida e os cuidados que recebem como "aquele artigo" prometia. E não são uns poucos, viu?

Pratiquemos a empatia. Imaginemos que temos um bebê, nascido de parto natural em um ambiente calmo rodeado de pessoas cuidadosas, totalmente respeitado. Um bebê que mama no peito sempre que quer. Um bebê que não sabe o que é ficar no berço, no quarto dele, porque dorme junto aos pais, na cama deles. Atendido de dia e de noite com imediatez e calor humano. Um bebê que participa das atividades cotidianas da mãe, dos irmãos talvez, desde o lugar privilegiado que lhe oferece o colo da mãe, sempre bem colocadinho no sling, tão gostoso que a maioria dos cochilos acontecem nesse mesmo lugar. Digamos, um "bebê attachment parenting" pacote completo (isso da para outro post, porque isso do "pacote completo" também, vou te falar).

Ô vida boa! "Só que não", explica a mãe do bebê. Leia, leia o que esta mãe -imaginaria, composta por depoimentos de muitas mães as que ouço faz anos- escreve:

"Meu é um bebê chorão. Assim, com todas as letras e o feio de rotular. Mas ele parece nunca estar contente. Chora de noite, chora de dia. Não aceita ninguém que não seja eu. Nem o pai! Tive que reubicar o irmão no quarto dele, tadinho, porque todos no meu quarto não dava certo, o irmão acorvada no meio da noite de tanta choradeira, e estava o pó no dia seguinte, na escola. Ele está com saudades de mim, agora. Precisando de mim, do nosso contato habitual, do nosso abraço para adormecer. Mas com este bebê que só chora, está impossível.

Olha que já tirei os lácteos por se ele tinha alergia à PLV, já tirei o café, açucar, cha, chocolate, farinhas brancas, carne e quase até o arroz também da minha dieta. Não tem quem aguente dia após dia, semana após semana, mês após mês deste jeito. Até quando? Eu não sei mais o que fazer! Até pensei em renunciar ao tal do attachment parenting. Só não o faço porque vejo que com meu outro filho, com quem fiz todas estas coisas de forma instintiva, sem saber nem que isso tinha um nome -e ele também era um chorão, tenho que dizer-, deu certo, ou isso parece até hoje, pelo menos. Vejo os frutos de todos estes cuidados, do vínculo criado desta forma, a cada dia.

Mas que da vontade de jogar tudo pela janela... Ô se da! E de levar o bebê lá na casa da minha irmã, com uma notinha explicativa e sair fujindo... Brincadeira, tudo bem, não dou meu gorducho para ninguém, nem empresto, mas da vontade às vezes, viu? É dificil mesmo viver com este desconforto permanente no pequeno, e a sensação de estar fazendo alguma coisa errada, ou de não estar sabendo entender o que ele tem, ou não estar conseguindo solucioná-lo. Vive insatisfeito!

Sabe o pior? Quando me dizem -a cunhada, o vizinho, a professora da escola do mais velho...- que ele é assim porque claro, eu o tenho malacostumado, sempre dando colo, sempre com a teta fora, e claro, agora ele é assim por isso. Confesso que chego a duvidar. Pois é. Será que ele teria sido differente sem ter lhe dado colo constante desde que nasceu, ou lhe enfiando uma mamadeira bem cheiona antes de dormir? Olha, não sei não, mas não consigo ser mãe de outra forma, mais ainda vendo o meu mais velho, feliz e seguro como ele é hoje. Como eu ia deixar ele ai chorando no berço ou no carrinho, se o que queria era meu colo? Ah, não!

Mas me sinto mal quando me falam isso. Meu dia a dia como mãe não é facil, nada facil, e ainda me vem fulano ou chicrano dizer que é assim por culpa minha, por como eu faço as coisas. Ele deve ser muito esperto e ter as soluções a todos os problemas, né? na teoria é tão facil tudo! Ah, vai tomar no banho! Me ofereça um abraço, me da um colo, me escute um tempinho o desabafo, vai, disso que eu preciso. Mas não venha me julgar, não me critique! Você acha que isso vai ajudar em alguma coisa, é?

Procuro apoio no grupo de mães que frequento. Conheço elas já desde o meu primeiro, fazem parte da minha vida. É graças a elas que aguento, porque falar com elas é um sopro de ar fresco. Elas me compreendem, sabem do que eu falo. Porque não sou a única, sabe? Muitas delas tem ou tiveram bebês calminhos, desses como os que "o artigo" sobre o attachment parenting fala. Mas algumas tiveram filhos como os meus. De chorar noite e dia, de não se contentar com nada. Extenuante. 

Alguns já tem 3, 4 ou 5 anos, como o meu, e passa, um dia passa, é verdade, mas que demora para chegar e o caminho é duro, isso é. O bom é que elas passaram ou estão passando pelo mesmo que eu, e isso me faz sentir mais comprendida. Até porque vendo como são os filhos delas, uns mais chorões, outros menos, outros nada chorões, vejo que tem de tudo, e que praticando todas um mesmo estilo de criação cada u acaba sendo diferente mesmo.

Depois chegam outras fases, e a choradeira da fase bebê passa, mas chegam novos desafios. Tem algumas com problemas de filhos -criados sem castigos, nem gritos, criados no apego- que batem nos outros no parque, ou que dão chilique por qualquer coisa em casa. O meu mais velho não costuma, se bem agora está em uma fase dificil e anda mais desafiante. Imagino que é pelas saudades dos nossos momentos, que quase não temos mais. Cada filho de cada amiga é diferente dos outros, inclusive dentro da mesma família. Criar com apego não garante bebês nem crianças mais fáceis, não. Até porque não criamos assim para eles serem fáceis, isso seria domesticação, e não criação. Criamos para eles serem atendidos como como eles precisam ser atendidos, e para eles serem felizes, e seguros de si.

Então, sabe com a conclussão que eu fico? Com estar dando ao meu filho o melhor de mim, o que eu sei que lhe faz bem: meu colo, minha empatia, meu leite, minha presença. Às vezes acaba a minha paciencia, é verdade, mas depois volto a ser eu, e não consigo fazer as coisas de outra forma, porque sei que outra forma é lhe tirar todo aquilo do que ele precisa. E não quero um filho resignado a não me pedir o que precisa, não quero um filho que não chora porque sabe que não adianta. Eu sei que esta forma de criar é um investimento a longo prazo, um presente para a vida toda, para a saude mental e emocional deles.

Agora, não me venham os artigos falar sobre bebês calmos criados com apego, porque sinceramente, isso me ofende. Eles podem ser calmos, ou podem ser menos calmos, Inclusive podem ser nada calmos. Não temos garantia de nada e ninguém pode dizer o contrário. E eu não crio desta forma apenas com o objetivo de ter um bebê que não me dê trabalho (bem que eu queria!!). Eu escolho dar colo, peito e atenção porque sei que isso é bom para ele, que isso são necessidades básicas dele que precisam ser atendidas, que ele se beneficia já e vai se beneficiar sempre destes cuidados oferecidos hoje. E só".

Elena de Regoyos para MamaÉ me mima
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miércoles, 18 de septiembre de 2013

Querido filho: Que teus transgressores cachos loiros te façam livre

Querido filho,

Antes de nada: eu te amo. Isso, sempre, antes de nada. A partir daí, queria muito te dizer, que eu te amo e te amarei, sempre, independientemente das suas escolhas. Às vezes não vou gostar delas, e nem o seu pai, isso é assim. Vai ser dificil para a gente lidar com essas diferenças, pois é mais confortavel concordar em tudo, né? Mas não é realista. Nem seu pai e eu concordamos na maioria das coisas, e mesmo assim nos amamos, e amamos vocês.

O complicado é que sempre vamos ter pessoas aoredor que julgam, criticam e questionam as nossas escolhas, chegando a ser realmente desconfortavel. E no fundo disso existe uma grande maioria de críticas aos outros baseadas, não no que elas acham (acredito que nem pararam para pensar em por que acham o que acham da maioria das coisas), senão no que a tradição e a cultura, a matrix, nos impõe.

Você tem um cabelo lindo. Você sabe, não é, meu amor? Todo o mundo diz, e cada vez que eu corto o seu cabelo você me pede: "não tire os amarelinhos, ta?". Mas agora você resolveu que não quer mais cortar, e daí surge o problema. Não, o problema não é que o seu cabelo entra no olho meu filho, como os outros querem te fazer pensar. De fato eles mesmos tentam se convencer a si mesmos de que esse é o verdadeiro problema. Tomara. Teria facil solução, e a tem, de fato. O curioso é que a solução, uma fita na cabeça que tira os cabelos do olho, parece incomodar mais ainda.

Não, o problema é muito mais complexo. O problema é que um menino de cabelo comprido incomoda, e um menino com fita na cabeça, ou rabinho com prendedor, incomoda mais ainda, da mesma forma que incomodava quando o seu irmão queria colocar brincos e pintar as unhas. Lembra daquilo? A sociedade dita que os meninos da nossa cultura devem levar o cabelo curto, sem acesórios, e não usar brincos. Depois, de adultos, já se julgam menos (?) esses usos. A sociedade prega para, pelo menos, preservarmos as crianças destas modernices e idéias transgressoras.

Você irá me perguntar que transgrede o que, concretamente, um menino com cabelo comprido e acesórios. Pois é meu filho, transgrede uma coisa que dói muito: transgrede a norma. Que onde fica a norma, para doer assim? Fica bem no fundo do cérebro, em um lugar de difícil aceso e, por tanto, quase imposivel de mexer. Dificil de entender para uma criança? Também para mim, que sou adulta. Mas a norma dói e muito, quando é transgredida. Talvez porque as pessoas se sentem perdidas quando fazem, ou vem fazer, aquilo com o que não estão acostumados.

Hoje os coleguinhas da sua sala riram de você porque chegou com uma fita elástica tirando o cabelo dos olhos, já que ontem não quis que eu o cortasse. A professora tinha pedido para não ir mais com cabelo nos olhos, e nós concordamos. "É menina", te disseram hoje, e te empurraram. Daí vem a sombra, o medo do bullying.

Teu pai e eu não queremos te ver sofrer, não queremos que você se sinta na obrigação de encarar os moinhos de toda uma sociedade ancorada na matrix.

Seria tão mais facil decidir por você, mandar cortar o seu cabelo e pronto! Seria tão mais facil sermos todos iguais, e gostarmos das mesmas coisas! Seria tão mais facil mandar os gordos serem magros, os espoletas se acalmarem, os afeminados virarem macho e os muito intelectuais serem melhores no futebol! Seria tão melhor ninguém ser objeto de críticas e ninguém criticar os outros! Está em mim a solução, te obrigando a fazer o que você não quer, por ordem da matrix? Ah... isso seria demasiado facil.

Mas o que você quer, filho? Sei, sei que não quer cortar esse cabelo. E a franja só, para ele não entrar nos olhos? Não gosta? Entendi, na verdade eu também não vou com a cara de uma franja. Mas temos que procurar uma maneira do seu cabelo não ficar entrando nos seus olhos. Que tal a fita segurando esse cabelo para trás? Você gostou muito quando a colocamos outro dia! Mmmhh, já sei... não quer que te digam de novo que é menina?

E então? O que fazer? Uma solução, cortar o cabelo, te deixa em uma situação desconfortavel contigo mesmo, te obriga a fazer o que você não quer, para ficar de acordo com o que a maioria da sociedade espera de você. A outra, colocar uma fita ou elástico, te deixa em uma situação desconfortavel com os outros, que tiram sarro e te chamam de menina. O que você quer? Fazer escolhas é duro sempre.

Não serei eu quem te obrigue a fazer uma coisa ou a outra. Gostaria poder te evitar todos os sofrimentos do mundo, sim, mas não a custo da sua liberdade. O que eu te desejo, filho, é que você seja corajoso o suficiente para ser consequente com as suas escolhas, em lugar de botar na mãos dos outros as escolhas sobre o que você deve ser e fazer. Sei que é mais facil assim, é verdade, pois tira a sua responsabilidade na horas das consequências. Mas com certeza não te faz mais feliz.

Não, não quero que os amiguinhos, a professora e nem a sociedade decidam por você. Mas para evitar isso não vou ser eu, nem o teu pai, quens façamos a mesma coisa. As suas escolhas, aquelas que a sua idade já te permite tomar, são suas, assim como as consequencias das mesmas. Só assim você será livre, hoje e para o resto da sua vida. E nós sempre estaremos ao seu lado.


Elena de Regoyos para MamaÉ me mima
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