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lunes, 19 de agosto de 2013

"Muito leitinho" para eles?

Quando cheguei ao Brasil e comecei participar de listas de maternagem consciente me chamou a atenção que, quando tinha nascido um bebê da lista, as outras mães lhes desejavam "muito leitinho". No começo, confeso, achei fofo. Uma forma carinhosa de desejar suceso na amamentação. Mas tinha alguma coisa que destoava dentro de mim.

Quando alguém deseja sorte com alguma coisa para alguém (com a nossa melhor intenção, sempre, obvio), estamos transmitindo para essa pessoa que:

-Existem muitas chances de -inclusive que o normal seria- não alcançar o objetivo.

-Não depende dela conseguí-lo.

-Se o consegue, pode se considerar afortunada pois "foi lhe desejada e otorgada a sorte".

Em definitiva, se desejamos para uma mãe e o seu recem nascido bebê que tenham "muito leitinho", não estamos contribuindo em absoluto ao empoderamento dessa mulher. Pois não parecemos contemplar nem confiar em que, naturalmente, eles vão ter, de fato, tanto leitinho quanto esse bebê precisar. Não estamos lhes transmitindo a certeza de que esse seu corpo de mulher está perfeitamente pronto (salvo casos raros) e preparado para nutrir o bebê dela com a quantidade de leite exata que ele fôr precisar (nem mais nem menos, pois se fôr demais, também, podemos acabar com uma mastite!).

Podem surgir difficuldades? Com certeza. Para isso existem cada vez mais profissionais formados e informados que podem lhes ajudar, assim como grupos de apoio.

Por outro lado, quantidade de leite (que é o que com essa frase desejamos e, curiosamente, também a questão mais demandada nos atendimentos de amamentação: "Tenho suficiente leite?") se determina práticamente por um único fator: AMAMENTAR EM LIVRE DEMANDA. Isto significa dar de mamar ao nosso bebê tantas vezes quanto ele quiser, durante tanto tempo (pouco ou muito!) quanto ele quiser. Quanto ele quiser. Quando ele quiser. Quanto ele quiser.

Ma se já começamos lhes desejando "muito leitinho" como se isso fosse uma questão de sorte, pode crer que a confiança dessa mulher talvez se resinta mais um pouco ou, como mínimo, não vai se ver fortalecida em absoluto.

Podemos lhes desejar muito sossego para eles dois poderem se vincular em paz. Podemos, também, lhes desejar ajuda al redor para ela não se preocupar com outras questões além do bebê. Podemos lhes desejar um pediatra bem informado e um entorno livre de opinólogos, assim como o apoio de um grupo de mães que também amamentem e de profissionais bem informados em caso de difficuldade. Podemos lhes desejar, em definitiva, que todas essas questões externas que podem determinar que o seu aleitamento seja melhor sucedido estejam ao seu favor para assim essa mãe conseguir confiar nela mesma e sua capacidade de nutrir o filho, confiando também na demanda do seu bebê, seja ela qual fôr.

Vamos cuidar a linguajem e a que transmitimos subconscientemente com ela?

Elena de Regoyos para MamaÉ
Proibida a reprodução sem autorização
 
 
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jueves, 1 de agosto de 2013

Mamaço em Campinas pela Semana Internacional do Aleitamento Materno 2013

Você também se enorgulha de amamentar o seu filhote? Também acha que é o melhor que você pode lhe dar como nutrição física e emocional? Também ouve ou teve que ouvir comentários como que "leite de fórmula alimenta igual"? Que "amamentar é coisa de índia"?
 
Quer contribuir a normalizar um ato de amor e saude tão lindo como necessário para a espécie humana, como mamíferos que somos? Então venha esta semana ao mamaço organizado e sinta-se em tribo com todas as mães que, como você, querem presumir de filho amamentado!
 
MamaÉ apoia!
 


Desde 1992 tem-se tentado sensibilizar o mundo em prol do aleitamento materno através da Semana Mundial do Aleitamento Materno,com diversos temas relacionados aos hospitais, às mães, às famílias, focando a lei, as questões financeiras envolvidas, o empoderamento da mulher, a informação, a mídia, a globalização, a sustentabilidade, etc.

O assunto este ano será o fortalecimento do aleitamento materno através do círculo de apoio às mães.

Cada um de nós fazendo sua parte, mostrando para apenas mais uma mãe que ela não está só nesse caminho, já estaríamos melhorando em muito a situação atual.

Como Grupo Vínculo aderir à HORA DO MAMAÇO em comemoração da SMAM 2013 de 1/8/2013 a 8/8/2013. O encontro será na Praça Arautos da Paz com o objetivo de impactar a nossa cidade. No ano passado foram 45 cidades envolvidas e este ano queremos que Campinas também seja protagonista desta mobilização!

A proposta é mamaço/caminhada/slingada dia 04 de Agosto (Domingo) às 14 horas na Arautos da Paz. Levaremos cartazes, faixas, bexigas, etc e gravaremos um vídeo para juntar aos outros vídeos que serão gravados nos mamaços das outras cidades e assim divulgar o movimento em apoio e incentivo ao aleitamento materno.

Durante a SMAM também faremos uma campanha de coleta de frascos de vidro com tampa de plástico (tipo Nescafé) para armazenar leite materno. Os frascos serão entregues ao Banco de Leite da Maternidade de Campinas.

POSTOS DE COLETA DE FRASCOS:

- Loja Pra Mamãe Moda Gestante - Tel. 3255.8619 - Av. Julio de Mesquita, 61 - Cambuí - Horário: Segunda - Sexta das 9:00 às 18:00 h.

- Instituto Dentale (Karina Falsarella Dos Santos) Tel. 32373020 - Rua Joaquim Novaes, 116, Cambui.

- Arte de Nascer (Adriana De Lima Mello) - Rua Frei Antônio de Pádua, 773, Jd. Guanabara. Horário: Sexta-Feira das 13:40 às 17 h.

- Coleta na Hora do Mamaço - Praça Arautos da Paz - Domingo 04/08 às 14 h.

viernes, 26 de julio de 2013

De mamilos, bonecas e nudez não sexual / De pezones, muñecas y desnudez no sexual


 
(Artigo em português embaixo)
 
Estamos cada vez más púdicos. Hoy me han llamado la atención (me han regañado) por tener a Alicia, de un año, desnuda en la piscina de la urbanización.

Me pregunto qué será lo que molesta de un culo y un... ¿cómo llamarlo? Hasta para eso hay tabúes, nunca tuvo nombre para mí y nunca sé cómo llamarlo, cuando se trata de niñas: un potorrillo, un chichi, una vulva, una rajita, una flor, una pitita de niña pequeña.

Es una desnudez no sexual (mentes perjudicadas aparte).

El otro día fui de compras con dos amigas de mi hermano pequeño, dos bellezas encantadoras, además, de 20 años. Y al pagar en la tienda de biquinis vi unas cosas redondas, pequeñas, de silicona. Pregunté, curiosa, para qué demonios servía eso, y me respondieron entre ellas y la cajera, que "hombre, pues para que no se note el pezón cuando no usas sujetador". Mi inocente respuesta: "si somos mujeres, y las mujeres tenemos pezones, ¿por qué tendríamos que ocultarlo? ¿a quién queremos engañar aparentando tener tetas sin pezones? ¿Y por qué?"

Es una desnudez no sexual. Como más púdica, ¿no? Teta sí, pezón no.

Si una chica divina baila desenfrenada (o sin desenfreno) en un discoteca, dejando intuir que bajo su camiseta no usa sujetador, no pasa nada. Nada criticable, digo (o ni eso, porque es probable que la llamen puta, por desmelenada y por exhibicionista, por no ponerse el cubrepezones de silicona de la tienda de biquinis). Pero si mi madre tiene el biquini mojado y se lo quita bajo la camisola de piscina, y se queda de esa guisa tomando su vino blanco en el club de la urbanización, ahí ya no. Los autores de afilados comentarios no la tacharán de puta, porque a esa edad no se considera (qué absurda es la conciencia colectiva), pero probablemente la llamarán guarra.

Es una desnudez no sexual. Menos mal que a mi madre se la trae al pairo. Gracias, mami, por transmitirme eso.

Es decir, desnudos o pseudodesnudos practicados, divulgados y utilizados para atraer la sexualidad (generalmente del hombre) sí se aceptan, pero desnudos o pseudodesnudos practicados por comodidad o por simple voluntad de hacerlos son censurables y, con certeza, muy criticables: el de mi hija pequeña en la piscina, el de mi madre sin biquini bajo la camisola...

En las playas de Brasil no se permite el top less. Por eso los biquinis son tan pequeños. Se puede enseñar todo salvo el pezón y (de nuevo tengo que nombrar esa parte sin nombre, ¡qué molesto!)... "lo de alante". El coño, lo dije. Tetas, todas las que quieras (salvo el pezón, recuerden), y culos, enteritos. Pero pezones y coños, vetados.

¿Qué problema tenemos con los pezones? ¿Qué problema hay con los coños?

Pues el matiz, ¿por qué no?, está en el sexo, el sexo como se entiende en la visión machista, o machocentrista, del sexo. El pezón es lo que el bebé/niño chupa para alimentarse de su madre. La vagina es por donde el bebé nace. Son parte de la sexualidad femenina en la que el hombre no está involucrado: parto, amamantación... O vale, lo está (sí, la vagina principalmente), pero cumplen "papeles tabú" para la sexualidad machocentrista.

Las chicas pueden ir por ahí con camisetas ajustadas, mostrando sus curvas, evidenciando que tienen tetas, sin embargo ocultan sus pezones. Pueden mostrar sus tetas (con grandes escotes o con camisetas apretadas), pero no los pezones. ¿Por qué este límite?

Es como esas muñecas sin vulva, que no tienen "raja" delante, sean muñeca tipo "mujer adulta" (Barbie, para entendernos) o tipo bebé. Las muñecas adultas, igualmente, tienen tetas, pero no pezones. ¡Oh sorpresa! ¿Otra vez nos descubrimos negando, ocultando, ignorando, eso que todas tenemos?

Pero... ¿Por qué? Como de estos temas tiene mucho más camino trillado mi admirada Erika Irusta, de "El Camino Rubí", le he preguntado, y además de recomendarme este revelador artículo, que sin duda ofrece muchas respuestas, me ha dado su opinión personal:

"En la base creo que es porque la niña como mujer no es entendida simbólicamente como sujeto. Es un objeto, además sexual. Se le reconoce fisiológicamente su naturaleza de sujeto pero simbólicamente es una mujer y en el imaginario colectivo- patriarcal una mujer es para ser mirada, atravesada por la pupila del deseo de los hombres.
 
El niño puede ir desnudo porque es hombre, es sujeto simbólico. Las niñas no, porque se relaciona con la excitación sexual y el deseo lujurioso en tanto que son objetos. Esto como digo reside en la mirada adulta, que es creada por la cultura (tradición)".
 
Del artículo citado (Cuestión de Pezones, de Beatriz Gimeno) me quedo con ciertos fragmentos que reproduzco aquí, porque dan que pensar...

"Aunque dar de mamar en público aún no está siempre plenamente aceptado, lo cierto es que este es el único momento en que puede verse un pezón femenino en público en un contexto cotidiano. La razón es obvia: en estos casos, sólo en estos casos y de manera muy frágil, la maternidad se impone a la sexualidad. El pezón maternizado oculta al pezón sexualizado y le da cierta respetabilidad, aunque no sin tensión y no siempre. [...] la incomodidad que sienten algunos al ver a una madre dando de mamar pone de manifiesto que la relación entre maternidad y sexualidad es también un tema tabú. El pezón maternizado suaviza al pezón sexual, pero no del todo".
 
FEMEN (Spain)
"Para Facebook las mujeres podemos tener y enseñar las tetas siempre que no tengan pezones. No hay más que ver las fotos que ha tenido que retocar FEMEN para que no cierren sus páginas. Son las mismas fotos, ellas están igualmente desnudas, las tetas se ven claramente, pero son unas tetas extrañas, sin pezón, parecen una extraña especie de marcianas. Así sí se pueden mostrar. Al parecer, según Facebook, una teta con pezón es pornográfica e incita a la prostitución, pero una teta sin pezón es inocente de toda culpa".
 
"Las mujeres no podemos enseñar los pezones porque están sexualizados y las mujeres no tenemos sexualidad, o no debemos tenerla, o no debe notarse; porque nuestro cuerpo es un objeto que no es para sí mismo (para sí misma) sino para otros y, por tanto, tiene capacidad para, pasivamente, incitar y provocar a quienes sí tienen capacidad de agencia (aunque paradójicamente y al mismo tiempo se supone que no pueden contenerse); porque nuestro cuerpo no nos pertenece y nuestra sexualidad tampoco: es de un hombre y sólo él debe tener acceso al mismo o a lo sexual del mismo".
 
Elena de Regoyos para MamaÉ
Prohibida la reproducción sin autorización
 
 

De mamilos, bonecas e nudez não sexual
 

 


Estamos cada vez mais púdicos. Hoje me chamaram a atenção (levei uma bronca) por ter a Alicia, de um ano, pelada na piscina do condomínio.

Eu me pergunto o que é que incomoda de uma bunda e de uma... Como chamá-la? Então, até para isso tem tabus. Isso nunca teve nome, para mim, e eu nunca sei como chamá-lo, quando se trata de crianças: uma potoca, uma periquita, uma vulva, uma chochota, uma flor, uma perereca de menina.

É uma nudez não-sexual (tarados aparte).

No outro dia eu fui fazer compras com duas amigas do meu irmão mais novo, duas belezas encantadoras de 20 anos. E na hora de pagar na loja de biquínis vi umas coisas redondas, pequenas de silicone. Eu perguntei, curiosa, o que diabos era aquilo, e me explicaram que "ué, é para ninguém perceber o bico do peito quando você não estiver usando sutiã". Minha resposta: "Se somos mulheres, e as mulheres têm mamilos, por que deveriamos ocultá-los? A quem queremos enganar aparentando ter peitos sem bico? E por quê fariamos tal coisa?"
É uma nudez não-sexual. Como mais púdica, né? Teta sim, mamilo não.

Se uma garota dança numa boate deixando intuir sob a camisa que não está usando sutiã, nada acontece. Nada censurável, quero dizer (ou nem isso, porque é provável que seja chamada de puta, por exibicionista, por não estar usando o cobre-mamilos de silicone da loja de biquínis). Mas se minha mãe está com o biquíni molhado e tira ele sob a bata de piscina, e fica desse jeito tomando um vinho branco no clube social do condomínio, aí não dá. Os autores dos comentários afiados não a acusarão de ser uma vagabunda, porque nessa idade não se considera (absurdos da consciência coletiva), mas provavelmente vão chamá-la de suja ou descuidada.

É uma nudez não-sexual. Por fortuna, a minha mãe não liga para isso. Obrigado, mãe, por ter me transmitido isso.

Então, nudez, ou pseudodesnudez, praticada, divulgada e utilizada para atrair a sexualidade (geralmente do homem) é aceita, mas nudez ou pseudodesnudez praticada por conforto ou por simples desejo são condenáveis ​​e, certamente, também criticáveis: a da minha filha pequena na piscina ou a da minha mãe sem biquini sob a camisa...

Nas praias do Brasil não é permitido o topless. É por isso que os biquínis são tão pequenos. Você pode ensinar tudo, salvo o mamilo e (mais uma vez preciso falar dessa parte sem nome, que chato!) ... e "o da frente". A buceta, finalmente o disse. Peitos, tudo que você quiser (exceto o mamilo, lembre-se), e bundas, inteirinhas. Mas mamilos e xanas, vetados.
Qual é o problema que temos com os mamilos? Que problema existe com as xanas?

O matiz, porque não, é o sexo, o sexo tal como é entendido na visão machista, ou machocentrista, do sexo. O mamilo é o que o bebê/criança suga para se alimentar da sua mãe. A vagina é por onde o bebê nasce. Eles dois fazem parte da sexualidade feminina na que o homem não está envolvido: o parto, a amamentação ... Ou ta bom, ele está envolvido, sim (na vagina, principalmente), mas implicam papeis "tabu" para a sexualidade machocentrista.

As garotas podem sair por aí com camisetas apertadas mostrando suas curvas, evidenciando que elas têm seios, porém escondem seus mamilos. Elas podem mostrar seus seios (com decotes ou camisas apertadas), mas não os mamilos. Por que esse limite?

É como aquelas bonecas sem vulva, sem "fenda" na frente, já sejam tipo "mulher" (Barbie, para nos entendermos), ou tipo bebê. As bonecas adultizadas, também, tem seios, mas não mamilos. Oh surpresa! Mais uma vez nos encontramos negando, escondendo, ignorando, que todas nós temos?

Mas ... Por quê? Como nessas questões têm muito mais caminho andado a minha admirada Erika Irusta, do "Caminho Rubí", eu lhe perguntei, e além de me recomendar este revelador artigo, que certamente fornece muitas respostas, me deu sua opinião pessoal:

"Em principio, eu acho que é porque a menina, como mulher, não é entendida simbolicamente como sujeito." Ela é um objeto, ademais sexual. É reconhecida fisiológicamente a sua natureza de sujeito, mas simbolicamente é uma mulher, e no imaginário coletivo-patriarcal uma mulher é para ser vista, atravessada pela pupila do desejo dos homens.

O moleque pode ir pelado porque ele é o homem, é sujeito simbólico. Meninas não, porque se relacionam com a excitação sexual e o desejo luxurioso por elas serem objetos. Isto, como já disse, reside no olhar adulto, que é criado pela cultura (tradição)".


Do artigo citado (“Cuestión de pezones”, de Beatriz Gimeno) eu vou reproduzir aqui alguns fragmentos que com certeza darão o que pensar...

"Embora a amamentação em público ainda não está totalmente aceita, o fato é que esta é a única vez que você pode ver um mamilo feminino em público em um contexto cotidiano. A razão é óbvia: Nestes casos, apenas nestes casos e de maneira muito frágil, a maternidade se impõe à sexualidade. O mamilo maternizado se impõe ao mamilo sexualizado e lhe dá certa respeitabilidade, embora não sempre e nem sem tensões. [...] O desconforto que algumas pessoas sentem ao ver uma mãe amamentando mostra que a relação entre maternidade e sexualidade também é um tema tabu. O mamilo maternizado suaviza o mamimo sexual, mas nem completamente."

FEMEN (Spain)
"Para o Facebook as mulheres podemos ter e ensinar os peitos, a menos que eles tenham mamilos. Só precisa ver as fotos que FEMEN retocou para o Facebook não fechar suas páginas. São as mesmas fotos, elas estão igualmente peladas com os peitos claramente visiveis, mas são uns peitos esquisitos, sem mamilos, que lhes fazem parecer um estranho tipo de ET. Dessa forma sim, você pode se exibir. Aparentemente, de acordo com o Facebook, um peito com mamilo é pornografico e incita à prostituição, mas um peito sem mamilo é inocente de toda culpa."

"As mulheres não podem ensinar os mamilos, porque as mulheres são sexualizadas e as mulheres não temos sexualidade, ou não deveriamos ter, ou não deveriamos evidenciá-la, porque nosso corpo é um objeto que não é para si (para si mesma), senão para os outros e, portanto, tem capacidade para, passivamente, incitar e provocar aqueles que têm capacidade de agência (embora, paradoxalmente, e ao mesmo tempo se supõe que não podem se controlar), porque o nosso corpo não nos pertence e nem a nossa sexualidade: é de um homem, e só ele deve ter acesso a ele ou ao sexual dele."
 
 
Elena de Regoyos para MamaÉ
Proibida a reprodução sem autorização

"Clara não chora... Clara feliz... Mamãe contente"

Tem uma cena na piscina que se repete cada dia deste meu verão espanhol. Uma cena que é uma tortura. Para mim, com certeza, e para cada pessoa que a contempla (quero pensar), mas principalmente para Clara, a menina que a protagoniza. E para os pais dela? Acredito que também. Não deve ser agradavel, com certeza, o que me faz entender menos ainda o que lhes leva a fazer uma coisa assim.

Deve ter dois anos, é menudinha, igual á gêmea dela. Cada tarde aparecem na piscina quando o sol já não bate, com o seu bonê, maiô e as crocs. Quietinhas, calmas. Nunca ouvi a voz delas assim, desde os 20 metros de distância de onde eu as vejo. Clara sempre da mão do pai, a irmã da mão da mãe. Se o pai não está, é Clara quem vai da mão da mãe, pois nesse caso ela vai chorando o caminho inteiro, caminho ao tormento diário.

É como uma rotina. Chegam, sem brincadeiras, sem improvisações, sem correr, pular ou reclamar. Chegam, tiram a roupa, colocam as boias nas meninas e entram na água. Como um proceso mecánico. Clara às vezes chora aos berros, outras só chorasmunga, como se tivesse perdido a força, ou se ela não visse mais o sentido de chorar para conseguir alguma coisa. Chora resignada. Chora por chorar. A irmã entra na água feliz, curte muito. Clara não. ç

Se é a mãe sozinha quem as leva, ela entra primeiro e pega a Clara no colo. Clara chora, chora como quem sabe que não adianta, mas que mesmo assim precisa pôr o estrés para fora. Choro que não pede nada, porque sabe que não adianta. Choro lánguido, choro lamento. Choro que não acaba. Choro que se crava no coração de quem o ouve.

A mãe, abraçando a filha dentro da água, mas completamente sorda ao terror dela, repete coisas como "Clara não chora... não chora... Clara feliz... Clara gostando... Mamãe está contente... Clara não chora...". Se a menina tem o azar de estar perto de outra criança que não chora, a mãe diz: "Olha... a fulaninha não chora... a fulaninha gosta... Clara gosta... Clara feliz... Mamãe está contente...".

E eu só consigo pensar no que isso significará para a Clarinha. Porque... "Como assim? Como que "Clara não chora"? Acaso ela não está me ouvindo? Como que "Clara gostando"? De onde ela tirou que estou gostando? Como posso lhe fazer entender que não gosto, que não quero isto, que tenho pavor deste momento a cada dia? Do que ela precisa para entender? Como que "mamãe está contente"? Como a minha mãe pode estar contente com o meu sofrimento diario, que ela provoca, ou ela não evita, e ela ignora?".

Como o tempo que elas ficam dentro da água é muito, a mãe deixa de falar e fica cantarolando a mesma canção uma e outra vez, como ninando ela. Ignorando por completo o choro constante da filha, como uma chuva insistente, de um dia inteiro. Imaginando uma filha que desfruta da água nas férias do verão? Enquanto isso, a Clara chora e chora. Às vezes berra, outras baixa a voz para berrar de novo... Mas ela não para de chorar, taladrando os ouvidos e o coração dos que, como eu e os meus filhos, sim a escutamos, alto e claro.

Se está o pai, ele abraça forte a menina e entra na piscina com ela abraçada. Nesse caso ela não chora, ou chora pouco, mas passa o longo tempo de piscina (pelo menos 20 minutos) abraçada a ele, resignada é a palavra. Não gosta, mas aceita, espera o momento em que finalmente acabar, aferrada ao colo do pai, apoiada a cabecinha, o rosto triste, no ombro dele. Mas sempre tem uma hora em que a mãe deixa a irmã e pede para ela pegar a Clara, que então berra forte, mas sem opôr resistência, sabendo que de nada adianta. E só pára quando a mãe decide que já ficou com ela suficiente, e a devolve para o pai.

Eu fico imaginando o que as férias significam para esta família. Fico imaginando o conceito de "desfrutar do tempo para as filhas" que este casal tem. Fico imaginando como serão as noites de esta menina. E fico imaginando como é que a Clara passa o dia, com a angustia de saber que vai chegar o momento do tormento diario, sem falta. Fico imaginando o que estes episódios vão significar para ela o resto da vida. Fico me perguntando o que a irmã gêmea sente ou pensa por ver a irmã sofrendo assim. Fico me perguntando por que? Por que? Por que obrigar a menina a fazer diariamente uma coisa que não é necessária em absoluto para ela (passar cada dia 20 minutos dentro da água gelada, de bóia, enquanto chora e ouve a mãe cantarolar e ignorar ou negar o que realmente está acontecendo)? Por que passar por isso? Por que fazê-la sofrer assim todos os dias do verão? Por que me fazer sofrer a mim também? A mim e a todas as outras pessoas que observam angustiadas?

E só penso no alívio que vai significar para esta menina a volta a escola, o fim das férias, o fim do tormento diário. Ou não... Porque daí vai lhe tocar encarar a separação dos pais, talvez também da irmã (essa política das escolas de separar sim ou sim aos gêmeos!), com a escasa empatia que os pais demonstram ter. Com a escasa segurança que a Clara deve sentir, não contando com a compreensão e a presença emocional dos pais nos momentos em que mais necessários eles são.

Elena de Regoyos para MamaÉ
Proibida a reprodução sem autorização

domingo, 14 de julio de 2013

Guia de porta bebês: O wrap tecido, o favorito das profissionais

Uma das perguntas mais frequentes entre as mães e pais nas oficinas de babywearing é: "Qual é o melhor porta bebê?". A resposta, como vocês já devem ter me ouvido dizer, é que não tem um único "melhor", pois o ideal é experimentar e decidir qual é o que melhor se adapta as nossas necessidades, dependendo da idade do bebê, da época do ano, do uso que vamos fazer dele e das nossas caraterísticas pessoais. E que o melhor, na verdade, é ir combinando uns e outros segundo vamos podendo ou precisando, pois cada um resulta o mais adequado em differentes circunstancias.

Porém, tem um porta bebê que destaca por cima de todos, o meu preferido e também a "niña bonita" de todas as assessoras de babywearing que eu conheço. E esse é, sem dúvida, o wrap tecido: uma longa faixa de tecido natural sem elástico, de entre aproximadamente 3,50 a 5 metros por uns 70 cm de largo.

De acordo que o wrap elástico é o mais aconchegante para um recém nascido, e que o sling de argolas é o mais fresco e rápido; e que o Mei Tai traz o conforto de um wrap com a facilidade de um canguru; e que o canguru é o mais prático, principalmente com crianças grandes. Mas o wrap tecido, para quem gosta de slingar, não tem concorrente e pode ser usado em todas as ocasiões, idades e formas que quisermos.

O verdadeiro wrap tecido

Mas não vale com comprar um tecido de algodão qualquer e se enrolar  com o bebê dentro nele. Não, não vale qualquer tecido comprido para fazer um wrap dele. Os verdadeiros wraps tecidos capricham na composição e elaboração do tecido, tanto os das marcas pioneiras, já consagradas, como Dydimos, Hoppediz, Storchenwiege, Ellevil ou Neobulle; como os de marcas recentes com ótima qualidade também, como Amazonas ou Kikuyu.

 
A maioria são de 100% algodão, às vezes misturado com outras fibras naturais para aportar differentes caraterísticas, como linho, seda, canhamo ou lã. O tipo de tecelagem adequado para segurar adequadamente o peso de um bebê ou criança, se adaptando às curvas do seu corpo sem resultar rígido é, geralmente, a sarja cruzada, feita em tear. Ela não cede na horizontal nem na vertical, mas cede na diagonal, fazendo com que o tecido, bem tensionado, se adapte ao corpo dele sem perder consistência na hora de soster o peso da criança, podendo soster, na maioria dos casos, pesos de até 200 kg. E é por isso que não vale qualquer tecido.

Existem também outro tipos de tecido, não sendo sarja cruzada, que oferecem caraterísticas similares, como a sarja diamante ou a técnica Jacquard, mais elaboradas e complicadas, porém ótimas para carregar crianças e, sem dúvida, muito lindas.

Vantagens do wrap tecido

-Podemos usar o wrap tecido desde o primeiro dia de vida, mesmo com pré maturos. Ele se adapta ao tamanho do bebê ou criança que fôr lhe oferecendo uma sustentação ótima, aconchegante e muito confortavel.

-Graças à enorme qualidade e resistência destes tecidos, podemos carregar no wrap não elástico crianças bem grandes, até adultos se quisermos ou fosse de necessidade!

-Por isso, para quem não quer ir mudando de porta bebê ao longo dos meses ou anos, o wrap elástico pode servir como sling único durante todos os anos em que um bebê e criança pode ser slingada: desde que nasce até a idade que quiser ou precisar.

-O comprimento dele nos permite carregar o bebê com o peso perfeitamente bem distribuido nos dois ombros, as costas e o quadril, resultando não só muito confortavel, senão também beneficioso para o fortalecimento da nossa musculatura dorsal.

-É muito facil de guardar e carregar quando não o estamos usando.

-Ele resulta mais fresco que um wrap elástico, devido ao uso exclusivo de fibras naturais na sua composição.

-O wrap nos permite a maior versatilidade de posições e amarrações para carregar os nossos filhos, tanto na frente quanto no quadril e nas costas, e de differentes formas dependendo da época do ano, da idade da criança, de se ela está dormida ou não, de se a mãe que o carrega está grávida de um novo filho, de carregar gêmeos e tantas outras possibilidades como imaginarmos.

-Podemos fazer tantos usos dele quanto a nossa imaginação nos permitir:

Amarrado nos extremos em dois galhos ou postes, serve de rede para a criança -ou até nós mesmos- dormir fora de casa.




Podemos, também, construir um balanço para crianças e adultos só amarrando ele num lugar alto.

 

No trabalho de parto, e inclusive no expulsivo, faz um ótimo serviço, amarrado num gancho no teto, para a mãe se pendurar pelas axilas nele deixando as pernas descansarem e a barriga gravitar em paz.

Podemos usá-lo para segurar o nosso filho num cadeirão ou balanço sem cinto ou inseguro.

Serve de toalha num pic nic, ou de cobertor improvisado quando o filho dorme.

Disvantagens do wrap tecido

-Frente ao wrap elástico, talvez o wrap tecido resulte menos facil de usar no começo, até ter uma prática inicial. Se deve a que devemos caprichar na tensão dele na hora de colocar o bebê, já que não contamos com a ajuda da elasticidade para emendar a nossa possivel falta ou exceso de tensão. Para isso se faz imprescindível a ajuda de uma assessora de babywearing.

-Frente a outros porta bebês (sling de argolas, mei tai, canguru ergonômico, etc) poderia se dizer que a única disvantagem do wrap é básicamente essa, a da necessidade de um aprendizado mínimo para poder usá-lo de forma adequada. Tem quem prefere não andar se enrolando em panos e nem fazendo nós... Portanto, pese a ser mais confortavel, gostoso e versátil, não é adequado para quem está procurando principalmente algo rápido e mais prático.

Wrap tecido da Amazonas, "laguna"

Wrap tecido da Amazonas, "lollipop"

Wrap tecido da Amazonas, "mango"


Elena de Regoyos para MamaÉ
Proibida a reprodução sem autorização
 
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domingo, 7 de julio de 2013

Os beneficios do babywearing... para o bebê e para os pais!

Quem escolhe criar os filhos em contato direto com o seu corpo, lhes amamentando no peito e carregando eles em portabebês, bem pertinho do seu corpo e à altura dos beijos, com frequencia são questionados, criticados e inclusive instados a abandonar tales práticas porque "vão malcriar ou perjudicar o bebê" de uma ou outra forma.

Quem fala isto fala por simples achismo -absorvido culturalmente- e não aporta nenhuma evidência científica ao respeito. Principalmente porque não existem estudos científicos que digam que amamentar ou carregar de forma confortavel no colo os filhos seja prejudicial, ou deva ser feito só até tal ou qual idade. Porém, existem muitas evidências (científicas e da prática diaria das muitas famílias que o praticam) a favor destas opções de criação.

Sobre a amamentação já tenho falado em outros posts, portanto passo aqui a escrever uma lista de benefícios do babywearing que vocês mesmos podem -e devem!- ampliar nos comentários, se observam a falta de algum benefício que vocês observem que não tenha sido publicado no post:

 
-A escolha pelo babywearing é, também, uma escolha pela simplicidade, uma volta aos tempos em que não eram necessárias tantas coisas nem tantas regras e proibições para criar os filhos. Escolhemos praticidade, ganhamos facilidades no nosso dia a dia.

BENEFÍCIOS PARA AS CRIANÇAS

-Os sistemas dele permanecem estáveis. Disso se benefícia o cada vez mais utilizado método mãe canguru, mas os benefícios do pele a pele não tem por que ser exclusivos dos prematuros. Qualquer bebê que permanece em contato direto com a mãe (ou outro cuidador adulto, não sendo ela), mantém os sistemas mais estáveis do que ficando em um berço, carrinho ou qualquer outro dispositivo longe do corpo de outro ser humano. A presão arterial, os batimentos cardiacos, os ritmos circadianos (de sono), a temperatura corporal, a digestão... Tudo funciona melhor com contato com a mãe do que longe dela.

-Favorece a amamentação e o ganho de peso. A proximidade com o peito da mãe facilita tanto o acceso ao leite materno por parte do bebê (está mais perto, se alimenta mais e melhor), quanto a confiança da mãe. A proximidade dos dois faz com que a mãe aprenda com maior facilidade a interpretar os sinais de fome do filho e os atenda sem demora e com facilidade. Também se pode amamentar o bebê dentro do sling, servindo de grande ajuda para as mães daqueles bebês que se tomam um bom tempo em cada peito!
Ao mesmo tempo, como os bebês slingados se sentem seguros e estão sempre aquecidos com o corpo da mãe, não gastam energia (nem calorias) nem  em chorar nem em aquecer o corpinho deles, facilitando o aumento de peso.

-Menos choros, mais segurança. Os principais motivos de choro de um recém nascido (e de um não tão recém nascido, pois isto se aplica a bebês bem maiores e até a crianças também) são: fome e necessidade de contato físico.
Sim, o colo é uma necessidade básica para um bebê, não é manha e nem manipulação quando param de chorar só no colo.
Portanto, o babywearing faz crescer os nossos filhos seguros, se sentindo atendidos nas suas necessidades básicas e, por tanto, com uma maior autoestima, o que nos leva ao seguinte ponto.

-As crianças slingadas são mais independientes. Exato. Colo em excesso, além de não existir (nunca é demais!), não cria dependência, senão que faz com que a criança se sinta atendida e segura, o que lhe ajudará na hora de dar os primeiros pasos à independência dela. Isso sim... Acontecerá quando chegar a hora, e não quando a gente ou a sociedade nos faça sentir que "já deveria". Crianças inseguras se aferram com mais força à mãe, pois não se sentem confiantes de si mesmas para avançar por medios proprios.
O que você faz quando tem medo de perder alguma coisa? Provavelmente fique bem grudado nessa coisa, e não a solte, para ela não fugir, não sumir, não se perder. Porém, se soubesse que, mesmo deixando ela solta, vai continuar aí, você se sente livre de ir longe dela, experimentar, conhecer... E voltar com ela quando quiser. Isso é a segurança, ou a falta dela, que uma criança pode sentir ao respeito dos pais, se elas tiveram, ou não, as necessidades de contato e atenção bem cobertas quando mais precisavam delas.


-Mais e melhores horas de sono. São muitos os bebês que, deixados no berço, choram como se este tivesse espinhos. Os bebês slingados, por se sentirem no lugar mais seguro do mundo, dormem mais e melhor. Isso se traduz numa maior qualidade de horas de sono, e isso significa descanso, felicidade e maior disposição para o desenvolvimento físico e neuronal. E se ele acorda sobresaltado com um barulho forte, rápidamente concilia o sono novamente: "estou com mamãe, está tudo bem, posso capotar de novo".

Além do descanso da mãe... Ela carrega um peso encima quase todo o dia, sim, mas além de ser um peso gostoso, pode fazer outras coisas porque o bebê dorme. Vocês acham que um bebê no berço, que dorme menos e chora te solicitando, oferece maior descanso?

-Socialização real. Sim, isso em que tanto se insiste: "esta criança tem que socializar". Efetivamente, vivendo em sociedade resultaria práticamente imposível não socializar, pois nos cruzamos com outras pessoas (velhas, novas, brancas, negras e orientais, gordas, magras, extrangeiras, cheirosas, fedorentas, amaveis, maleducadas, pobres, ricas, barulhentas e carinhosas ou não) em práticamente todo lugar: no supermercado, paseando pela rua, na praia, no parque, na escola dos filhos mais velhos, no trabalho, no salão de beleza, no restaurante, na sala de espera do dentista e em qualquer centro comercial.

Fazendo a nossa vida normal, com o nosso bebê bem grudadinho a nós no portabebê, ele socializa inevitavelmente em contextos reais de interação social, enquanto a gente, adulta, socializa. Ele observa bem de perto a forma em que nos dirigimos aos outros, conhecidos ou não, aprendendo as normas de comportamento social por imitação, nos observando desde o lugar seguro que é o corpo da mãe. Bem diferente é acreditar que socializar seja a convicência diária forçada de um bebê ou criança em um berçário com mais 10 bebês ou crianças exatamente da mesma idade dele e uma ou duas adultas, todo dia as mesmas pessoas, no mesmo contexto (não representativo da vida real).

-Estimulação natural, sem excesos, sem estrés. Mais um tópico no qual se insiste como se disso dependesse a vida da criança: "as crianças precissam de estímulos". Pois é, precissam deles, mas não dos estímulos artificiais de luzes e sons estridentes dos brinquedos que inundam as lojas de bebês.

Os bebês precissam de estímulos sensoriais para se adaptar ao mundo extrauterino. Portanto, os estímulos que eles precissam são os estímulos do proprio mundo extrauterino (que, aliás, está cheinho deles!). Luzes, sons, cores, cheiros e texturas naturais com as que podemos estar em contato num passeio de sling, como por exemplo a propria luz do sol passando por entre as folhas de uma árvore, o barulho do vento mexendo as folhas enquanto um passarinho trina num galho próximo, o verde das folhas em contraste com o tronco escuro, o cheiro da terra molhada da chuva de uma hora antes, misturado com o das flores mais próximas, a suavidade das pétalas e o áspero do tronco... Isso numa árvore só. Olha só o móbile perfeito que a natureza fez para você! E tem um differente a cada esquina da rua pela qual passeamos. Para que comprar um único móbile, cheio de luzes, sons e cores artificiais, que será o mesmo a cada hora, dia após dia, encima do berço do nosso filho? Te parece pouco estimulante uma árvore? Com certeza o seu filho vai ter uma opinião bem differente nesse sentido. No útero não tinha árvores. Para ele é uma grande novidade. Igual que o móbile artificial da loja, só que sem estridências.

Perceber todos esses estímulos do mundo extrauterino desde o lugar seguro que é o corpo da mãe é exatamente do que os bebês precissam. É a estimulação à medida deles, sem excessos, misturada com outras sensações já conhecidas, familiares e beneficiosas para ele - graças ao contato do corpo da mãe- que lhe transmitem a calma necessária para, sem ter que lidar com o estrés de estar longe dela, consigam direcionar todas as energias deles a apreender esses estímulos do entorno.

-Proteção: lembranças do útero. Dentro da barriga da mãe, durante a gestação, o bebê é permanentemente embalado com o movimento da propria mãe. Permanecendo à temperatura do corpo da mãe, desde o útero pode escutar os batimentos cardiacos e a voz da mãe, e sentir o corpo dela abraçando a totalidade da sua pele.

Uma vez nasce podemos continuar lhe oferecendo exatamente todas essas sensações que tão seguro lhe fazem sentir, se o carregamos na posição adequada num sling ou portabebê.

-Correto desenvolvimento de quadril, coluna e crânio, e adquisição de tono muscular. A posição natural e adequada "de sapinho" para carregar os bebês e crianças ajudam ao correto desenvolvimento da articulação quadril-fêmur, assim como a da coluna. Se observamos a posição natural de um recém nascido, ela não é esticada. O bebê tem uma retração natural das pernas em posição de sapinho, o que é necessário respeitar para a articulação do quadril que abraça a cabeça do fêmur terminar de se formar adequadamente. Se esticamos as pernas dele, a cabeça do fêmur não encaixa bem no quadril, impedindo o correto desenvolvimento.

Por outro lado, o bebê não nasce com a coluna reta, senão curvada em forma de "C". Isso é porque ainda não tem se formado as duas curvas -cervical primeiro, e lombar depois- da coluna dele, e essa posição curvada impede que a força da gravidade, em posição vertical, provoque compressão de vértebras devido a uma musculatura ainda fraca que não conseguiria sostê-lo nessa posição.


Com frequência vemos bebês -que passam demasiado tempo deitados- com a parte posterior da cabeça deformada, achatada. Os ôsos do crânio dele estão em formação, e se o bebê fica muito tempo deitado podem acontecer deformações. Por isso, carregar o bebê na posição vertical, de sapinho, em um portabebê adequado, impede que isso aconteça. Ademais, mesmo colocando o carregador de tal forma que a cabeça dele fique bem segura (enquanto ele ainda não a firma por si só), a verticalidade dessa posição faz com que ele ganhe antes tono muscular no pescoço. Não é um ser passivo deitado, mole, senão uma criança ativa, devidamente segurada, que exercita sem excesos a musculatura do seu corpo, sempre em contato com outro corpo.

-Abdomen totalmente protegido, ajudando na digestão e nos problemas de cólicas, refluxo e gases. Com frequencia nos recomendam colocar um saquinho de sementes quentinhas na barriga do bebê incomodado com a digestão, assim como fazê-lo arrotar colocando ele em posição vertical, o levantar os joelhinhos dele para ajudá-lo na eliminação de gases.

Se carregamos o bebê na posição adequada de sapinho, ele fica ventre com ventre com o nosso corpo, e com isso conseguimos manter o seu abdomen sempre quentinho, facilitando a digestão. Ao mesmo tempo, por ter as pernas bem colocadas "em sapinho", com os joelhos mais altos que o bumbum, lhe ajudamos na eliminação de gases. A posição vertical évita (ou melhora bastante) o refluxo, e também lhe ajuda a arrotar. Por tanto, os bebês slingados tem digestões mais fáceis e prazerosas.
 
BENEFÍCIOS PARA OS PAIS

-Evitamos barreiras arquitetónicas. "Vestindo os nossos filhos", que é o que significa a palavra em inglês "babywearing", renunciamos a carregar trambolhos com rodas por entre carros mal estacionados, ruas esburacadas, subindo e descendo eles do ônibus ou metrô, ou tendo que abrir, fechar, levantar, guardar e tirar eles de portamalas apertados.

-Protegemos a nossa coluna. Pois é, por mais que os outros pensem o contrário e escutemos com demasiada frequência advertências como "com a criança aí pendurada vai acabar com a sua coluna!", slingar de forma adequada faz com que a nossa coluna, precisamente, esteja muito mais protegida.
Para começar, carregando os nossos filhos em "simples panos" colocados de forma adequada no nosso corpo, salvamos as nossas costas dos estragos de carregar num braço só, não só o peso do nosso bebê, senão também o peso do tal do bebê conforto.

Se começamos a slingar desde cedo, e graças a uma colocação adequada do sling (que reparte bem o peso do bebê sem forçar a nossa musculatura), os músculos das nossas costas e quadril que geralmente estão fracos por falta de uso, vão se fortalecendo. Gradualmente o bebê vai aumentando de peso, nos ajudando a continuar o fortalecimento sem sobre esforços. Mas para isso, como na academia, devemos usar de forma adequada os portabebês, pois senão em lugar de nos fortalecer, podemos acabar lesionados.

Da mesma forma, por mais que a criança cresça e aprenda a andar, vai ter momentos de cansaço, terreno complicado (trilhas, por exemplo), necessidade de mimos ou doença em que eles nos peçam colo. Quantas vezes vemos mães tendo que carregar grandes e pesadas crianças no braço, ou pais com filhos a cavalinho sobre os ombros detonando as cervicais deles! Já que esses momentos vão continuar existindo ainda depois dos 2 anos de idade dos nossos filhos, o mais inteligente é que, quando eles peçam colo, a gente atenda essa demanda da forma mais confortavel, com o peso bem distribuido em ombros, costas e quadril com um bom portabebê, e não forçando o nosso pescoço, braço e coluna de forma inapropiada.

-Menos chances de sofrer depressão puerperal. O contato direto com o bebê, comprovando quanto isso lhe faz bem, facilitando a comunicação da mãe com ele, que graças a esta conexão íntima aprende antes a comprender as suas necesidades faz com que a mãe se sinta util, valiosa e poderosa. Se empodera. Com o seu proprio corpo ela consegue alimentar e nutrir o filho, tanto física como emocionalmente, e isso reduz drásticamente as chances de sofrer uma depressão pós-parto.

-Mãos livres. Sem dúvida, um dos maiores benefícios do babywearing é que nos permite oferecer ao nosso bebê todo o que ele precisa sem, por isso, ficarmos limitados. Com as mãos livres podemos cozinhar (o bebê nas costas melhor), lavar, comprar, brincar com os filhos mais velhos, ler um conto para eles, trabalhar no computador, fazer tricô, pintar ou o que seja que tivermos costume de fazer com as mãos!

Texto de Elena de Regoyos para MamaÉ
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sábado, 22 de junio de 2013

O poder da tribo, muito além das mães

Muito vem sendo escrito já sobre a importancia da "tribo" para o exercício da maternidade nesta sociedade individualista e apressada na qual vivemos, onde a família não mora mais ao nosso redor,  as amigas não tem tempo para "se dar", pois devem cuidar também delas proprias no mesmo ritmo frenético, no mesmo isolamento social; e as nossas vizinhas não conformam mais aquela rede de apoio e amizade que maternava a mãe nos anos em que ela devia maternas os filhos.



Ao mesmo tempo, se sucederam algumas décadas de feminismo mal entendido (desde os anos '60 e '70), onde o que se preconizava não era a defesa da essência -e da livre escolha- das mulheres em um mundo dominado por homens, senão a necessidade das mulheres sermos o mais similares possivel aos homens para poder aspirar a exercer o poder tal e como eles o exerciam até então (e ainda). Esta anulação da mulher e da maternagem tradicional é, ao meu ver, um dos fatos históricos recentes mais prejudiciais para a sociedade, para as mulheres em geral, para as mães (a maternagem) em particular e para as crianças principalmente. Para os adultos de amanhã.

Não amamentar "para não sermos escravas dos filhos dia e noite"; não carregar no colo "para eles não se acostumarem a nosso contato e assim não o demandarem e as mães podermos nos afastar deles sem choros, e portanto, com a conciencia tranquila"; levá-los à escolinha o antes possivel "para a gente recuperar a nossa mal entendida independência e assim voltar ao trabalho a produzir para benefício de outros, dos chefes, da empresa"; não ceder às birras ou demandas deles "para eles não se acostumarem a serem levados em consideração e, assim, aprenderem em que mundo -duro, depredador e impessoal- vivem, se resignarem a ele e deixarem de reclamar aquilo do que precisam".

Somos produto do sistema, para sermos mais facilmente manipulaveis por ele

Mulheres, portanto, que não são escravas dos filhos, mas que são escravas do empresário que lhes emprega e paga, ou do que a sociedade lhe fez acreditar que ela "devia ser" e que, portanto, elas mesmas se cobram.  Se liberaram? Do que?

Crianças que aprendem que não são importantes, por não serem escutadas, atendidas como precisam e nem tidas em conta. Isso faz, sim, mães "livres" para trabalhar para o empresário de turno, e também crianças resignadas a não receber o que naturalmente estão feitas para receber, todas aquelas coisas que fizeram, durante milhões de anos de história da humanidade, sobreviver e evoluir a espécie. Serão futuros adultos que aprenderam, desde o berço, a não lutar por aquilo que queriam, porque raramente obtiveram resultados quando usaram as ferramentas ao seu alcançe: chorar, reclamar, se recusar a fazer alguma coisa...

Se choravam de noite pedindo companhia ou colo lhes deixaram claro que de nada adiantaria esse pedido, não seriam escutados. O resultado não é criança que aprende a dormir, senão criança que aprende a não pedir. Criança resignada, futuro adulto resignado e sem fê na força dele. Eles aprenderam a não pedir aquilo que a natureza deles lhes disse que precisavam: calor humano, companhia, colo, empatia... de dia e também de noite. Se se recusavam a beijar àquela vizinha, amiga da mãe ou tia distante, eram obrigadas a engolir a vergonha e a desconfiança perante o desconhecido, e a forçar um ato com o proprio corpo que, em teoria, deveria ser algo sincero, carinhoso e, principalmente, voluntário.

Se se negavam a compartilhar um brinquedo por estar brincando nessa hora com ele, eram obrigados a fazê-lo não se respeitando a si mesmos (o brinquedo é deles, e o estão usando nessa hora). Se não sentiam mais fome, eram forçados a comer "mais um pouco", ou inclusive a terminar o prato de comida. Se caiam no chão e se machucavam o joelho eram treinados para não chorar, porque esse machucado "não é nada". E se choravam ou "faziam manha" ao serem deixados na escolinha, vendo a mãe ir embora sem ele, eram instados a ignorar a tristeza que sentiam, a não mergulhar demais nas emoções, a não pedirem explicações nem expressarem o seu malestar e revolta com aquilo, e levados rápida e carinhosamente para se divertir com os amiguinhos cantando musiquinhas alegres e muito fofas.

Treinados e (mal)educados assim, serão pessoas que conformarão sociedades à mercé dos poderes político e económico, sem autoestima, sem fé na força que tem, sem acreditar que devem e podem, sim, se incomodar com o que lhes incomoda e demandar as mudanças necessárias para obter aquilo do que precisam.

A contrarevolução do feminismo

No meio de tudo isso vem com força surgindo, estes últimos anos, movimentos de mulheres que defendem e curtem o "ser mulher" com tudo aquilo que não as faz melhores nem piores que os homens, senão únicas perante eles, poderosas na sua essência de mulher. Mulheres escolhendo livremente o seu caminho, mulheres se permitindo exercer de mulheres, gozando da gestação, parto e criação dos filhos, amamentando e não por isso anuladas pessoal nem profissionalmente. Muito pelo contrário, muitas delas descobrindo novas profissões compatíveis com a maternidade, ou differentes formas de exercer a que já exercíam, sem por isso renunciar aos prazeres da maternagem.

Estas mulheres geralmente fazem parte de redes de mais mulheres empoderadas ou "em proceso de" se empoderar, como elas mesmas. Umas escutam as outras, se ajudam entre si, trocam idéias, sentires e dicas. Se reunem, se ajudam e conversam sobre amamentação, sobre a criação dos filhos, sobre elas mesmas e sobre outros muitos temas alheios à maternagem também. Fazem pic-nics, se inscrevem ou promovem cursos de ioga, shantala, dança ou canto conjunto e até organizam grupos de trabalho para que, enquanto a maioria cuida das crianças na casa de alguma delas, outras aproveitam para trabalhar, escrever, estudar ou o que cada uma precise fazer, em um quarto contiguo, desde o qual poder voltar para atender o filho se ele precisa.

Mas, sobre todo, sobre todo e principalmente, o que fazem estes grupos é não criticar e nem julgar, provocando um aumento na autoestima destas mães, que tomam decisões conscientes e informadas desde o respeito do grupo.

Que viva a tribo!

A tribo nos faz ganhar não só amigas, senão às vezes comadres e até irmãs de coração. Pessoas que estão presentes, que nos escutam, ajudam e apoiam, e as quais escutamos, ajudamos e apoiamos na fase da vida provavelmente mais intensa, poderosa, mas também vulneravel das nossas vidas (aquela fase em que gestamos, parimos e criamos filhos pequenos). Os laços que se criam são quase de sangue, de sangue de parto, de sangue de mãe!

A tribo nos ajuda a nos empoderar, a tribo nos oferece e pede respeito, a tribo ajuda a nos informar com evidências científicas, a tribo substitui quase qualquer terapia psicológica, a tribo nos vê e ouve chorar e gargalhar com as histórias mais íntimas e sinceras jamais contadas. A tribo acolhe. A tribo liberta.

A tribo faz com que os nossos filhos ganhem, também, a propria tribo deles, que é a mesma. Se criam com crianças respeitadas, como eles são. Eles crescem vendo outras crianças "grandes" amamentadas, e não ganham caras de asombro quando se fala em "dormir na cama dos papais", ou se aparecem de fralda com 3 anos. Eles raramente são obrigados a beijar ninguém e são consolados quando caem e se machucam (mesmo sem "machucado").

A tribo oferece possibilidades de um monte de atividades conjuntas, pois aí onde as famílias se sentem acolhidas, é onde querem estar. Por tanto passeios, festinhas de aniversário, encontros no parque ou até em manifestações. Cursos, oficinas, workshops, atividades focadas ao bem-estar, ao lazer. Emprendimentos e parcerias novos, surgidos da tribo (cafés para famílias com crianças pequenas, lojas de brinquedos de madeira e não sexistas que fomentam valores positivos, aulas de dança com bebês e tantas outras!).

Mas, por cima de tudo, a tribo te faz livre. Livres as mães e pais de serem as mães e pais que querem e escolhem ser. Livres os filhos, consequencia da liberdade dos pais. Livres os adultos que virão a ser, consequencia das crianças que foram. Livre a sociedade, se lograrmos ser cada vez mais!

E você? Faz parte de alguma "tribo" de mães? O que tem trazido ela para você? O que significa na sua vida?

Lembre-se que o blog se alimenta dos seus comentários, e eles fazem as postagens muito mais ricas!

Texto da Elena de Regoyos, para MamaÉ
Não reproduzir sem autorização
 
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