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Bem, partindo disso, qualquer material serviria como porta bebê? A principio sim. Da mesma forma que qualquer material serviria de sapato, e temos alguns de altissima qualidade feitos com materiais desenvolvidos específicamente para isso (esportistas sabem bem disso), outros mais simples. Inclusive vemos fotos nas redes sociais de pessoas usando, a modo de chinelo, uma garrafa PET.

Todo um submundo de mães, empresas, grandes marcas, assessoras e apaixonadas do babywearing ao redor do planeta testando, opinando, estudando, desfrutando, compartilhando materiais, analisando gramaturas de tecidos, tecelagens e dezenas de outros detalhes, que fazem da arte do babywearing algo realmente muito sério, além de muito gostoso.
É a recuperação de uma das artes milenares mais lamentavelmente perdidas no Ocidente.
Interesses do produtor vs Interesses do usuário
Neste mundo do babywearing tem duas partes: os usuarios e os produtores/vendedores por outro.

O consumidor/cliente tem direito de escolher, e a produtora tem direito de produzir.
Mas quem compra tem direito de escolher sabendo o que está escolhendo, com suas vantagens e suas disvantagens: tem tijolinho compacto, tijolo furado, tijolo de concreto... Todos eles servem para construir paredes de casas, mas não todos eles oferecem a mesma qualidade e caraterísticas aos muros. Também eles tem diferentes preços. O produtor é livre de produzir quais quiser, e o cliente escolhe sabendo da funcionalidade de cada um.
Todos somos livres: o usuario de comprar o mais barato (porque não quer ou porque não pode gastar mais), e o produtor de produzir. Mas a informação sobre qualidades deve ser honesta e real.
Podemos, portanto, usar um lençol, toalha, pashmina ou echarpe como portabebê? Podemos. Muitas vezes dão melhor serviço do que porta bebês feitos específicamente para isso. Em ocasiões de precisar uma solução emergencial quebram um bom galho.
Falemos de tecidos para porta-bebê, então:
Falemos de tecidos para porta-bebê, então:
MALHAS
Tecidos feitos a partir do trançado de um único fio, como se fosse um tricô. Pense na sua camiseta, ou em uma calça leggin. Um único fio vai se enganchando sobre si mesmo conformando o tecido.
-Cotton:
Cotton |
Por volta dos 8-10kg começa resultar mais confortável usar um wrap tecido com mais suporte, ou já passar a portabebês mais práticos adequados a bebês grandes, como as mochilas ou mei tais.
Uma das grandes vantagens deles frente a wraps não elásticos é o fato de podermos fazer pré-amarrações (clique para ver o vídeo), que nos permitem colocar e tirar o bebê de lá dentro sem desfazer a amarração. Isso nos permite sair de casa com o wrap já amarrado e, chegando ao destino em carro, poder colocar o bebê dentro sem ter que arrastar as pontas dele durante a amarração em um estacionamento, por exemplo. Isso só o permitem os wraps elásticos (clique aqui para ver por quê não daria certo com um wrap sem elastano). Não podemos fazer isso com um wrap sem elastano, e pretender que fique bem ajustado, porque para conseguir colocar o bebê dentro do wrap já amarrado que não se estica, devemos deixa-lo frouxo, senão não cabe. E se está frouxo, não da sustentação. E a sustentação adequada é fundamental para um babywearing de qualidade.
-Malhas de algodão (NÃO INDICO)
Malha algodão |
Algumas marcas internacionais fazem wraps de malha, porém de sendo uma malha de altissima qualidade, e de uma gramatura muito alta (quase um moletom), o que faz com que consiga dar um suporte bastante adequado nos primeiros meses. Isso sim, com menor capacidade de ajuste fino do que um wrap elástico (fica mais ajustada coma calça com elastano do que uma que não tenha, certo?).
As malhas de algodão conhecidas como "fio 30", usadas para elaboração de camisetas, não me parecem em absoluto adequadas para elaborar carregadores de bebê, pois a malha não é um tecido feito para suportar carga. Ela pode acabar laceando, se deformando, e não permite ajuste fino nem da bom suporte. Da mesma forma que não confeccionaríamos uma bolsa de malha para fazer feira, porque se deformaria com o peso do conteúdo, e não daria um suporte adequado, não indico carregar um bebê nesse tecido.
Imaginemos uma camiseta, e agora imaginemos um melão sendo carregado diariamente nessa camiseta. O peso do melão não iria deformando a camiseta? Substitua o melão por um bebê.
Eles podem até ser considerados mais frescos, por serem mais finos, e também são 100% de fibras naturais, o que pode ser apresentado como grandes vantagens. Mas o fato de serem mais finos traz dois problemas:
1. Por ser mais finos, além do laceamento natural da malha, são menos firmes no suporte, o que nos obriga a tensionar muito se queremos colocar o bebê de forma adequada, sem perder a posição de cócoras e dando suporte à coluna em forma de C. Isso faz com que o tecido possa acabar se cravando tanto nos nossos ombros quanto atrás das perninhas do bebê. Pois fica uma corda fina apertando essas áreas. Podemos, para evitar isso, despregar o tecido, e assim aliviar essas áreas. Mesmo assim, o suporte não costuma ser adequado além dos primeiros três meses, aproximadamente.
2. Pelo fato do suporte ser mais deficiente, nos vemos obrigados a fazer amarrações de mais camadas para reforçar. Portanto, acabamos usando várias camadas de tecido, o que já não resulta tão fino. Talvez fosse preferível um tecido de melhor suporte, que nos permita fazer amarrações de uma única camada, o que acaba resultando, ai sim, mais fresco.
Os wraps semielásticos, ou de malha, pioram a capacidade de ajuste quando vem com um quadrado de tecido costurado no meio deles, pois geralmente é usado um tecido plano, não de malha, nesta área, o que impossibilita o ajuste dessa parte, que casualmente é a que segura o bebê. A costura trava a possibilidade de tensionarmos de forma adequada.
Pessoalmente, não investiria em um wrap deste tipo.
Malha fria poliamida |
A malha de poliamida com elastano, em proporções similares às explicadas para o cotton, se comporta de forma muito similar a éste, porém com a vantaem de ser mais fresco. Ele é também mais escorregadio. Permite as mesmas amarrações do cotton, e também tem limite de peso por causa da elasticidade. Depdendendo da gramatura aguentará mais peso ou menos. Tem malhas de poliamida bem mais grosas que suportam uma criança relativamente grande (15kg de boa), e não resultam muito quentes a pesar de serem mais grosas pois a poliamida é mais fresca do que o algodão. É uma ótima opção para quem adora os elásticos e o bebê já cresceu.
-Dry fit:
Dryfit poliamida |
Apto desde o primeiro dia, tem uma ótima capacidade de suporte, porém, ao ser um tecido muito fino, pessoalmente não me resulta confortável carregar crianças de mais de 12 kg nele, já que falta "acolchoado" nos ombros (mesmo abrindo as faixas para não ficar como uma corda), e a criança também pode reclamar de dor atrás dos joelhos. É o preferido das famílias mais calorentas ou aquelas que vão viajar a praia ou usar muito piscina ou chuveiro com o bebê pendurado, pois pode molhar e seca rápido. Preferível usar também com amarrações de mais de uma camada.
Os dryfits de poliester (material bem mais barato, e por isso o escolhido por muitas fabricantes) resultam mais ásperos, mais quentes (a pesar de finos e furadinhos) e cedem mais com o uso. Não os indico. Os dryfits com elastano, seja poliamida ou poliester, também não dariam um suporte firme.
TECIDOS PLANOS:
Tecidos feitos em tear, seja éste mecánico ou manual. São tecidos elaborados pelo entracruzamento de fios na vertical (urdume) e fios na horizontal (trama). Podem resultar mais finos ou mais grosos, mais densos ou mais leves (dependendo das batidas no tear, a trama ficaria mais ou menos fechada), e com diversos desenhos e formas de ir passando a trama no urdume.
-Tricoline, brim, sarja normal... (NÃO ADEQUADOS)

-Sarja cruzada, diamante ou chevron:
Oferecem o suporte perfeito para carregar bebês: Não cedem na vertical ou horizontal, oferecendo um suporte ótimo, sem efeito rebote. Porém nas duas diagonais eles cedem, se amoldando as curvas e ao movimento do portador e do bebê, oferendo segurança, conforto e aconchego.
Permitem carregar bebês e crianças de qualquer tamanho ou idade, e dependendo da gramatura e composição podem chegar a aguentar centenas de kg. Portanto você pode carregar seu filho nele até não querer ou aguentar mais. E uma vez não sendo mais porteado, vocês podem fazer com ele uma rede ou um balanço para continuar disfrutando dele em casa. Adultos inclusive!
Geralmente são feitos em algodão, porém algumas marcas misturam fibra de algodão com outras como linho, cânhamo, bambu, seda ou até lã, outorgando a esses wraps novas qualidades quanto a suporte, frescor, calidez, brilho, etc.
São muito transpiráveis, e portanto geralmente os mais frescos (salvo alguns modelos mais grosos) e permitem um ajuste perfeito, pois uma vez tensionado, o tecido não se afrouxa. Ele também não se dobra sobre si mesmo nem se enrola nas bordas, portanto resulta muito confortável, não ficando, uma vez amarrado, um tecido em forma de “corda fina” nos ombros do portador, ou sob as coxas do bebê.
O grande poder de sustentação fazem deles mais frescos também porque não precisamos de amarrações de várias camadas para dar suporte firme, podendo usar amarrações tipo canguru ou outras que sustenham o bebê apenas com uma camada de tecido. Resulta firme apenas com ela, e também mais fresco.
Quanto mais o usamos, mais suave, maleável e gostoso ao tacto resulta. Em lugar de perder qualidades com o tempo de uso, ganha nelas!
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Sarja cruzada |
Foi desenvolvida nos anos 70 pela marca de portabebês alemã Didymos, é um tecido fabricado práticamente só para uso com portabebês, no mundo inteiro. Ninguém produz sarja cruzada avulsa, que você consiga comprar nas lojas. Os fios da trama são colocados no urdume de tal forma que não fica parecendo um macarrãozinho diagonal completamente (como a trama de uma sarja normal, como a da sua calça jeans), senão que o macarrãozinho começa subir, e poucos fios depois desce, para subir de novo, e descer novamente. Isso traz uma maleabilidade ideal para carregar.
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Sarja diamante |
A sarja diamante é algo muito parecido à sarja cruzada, só que a trama faz desenhos romboidais, seguindo o mesmo principio: o macarrãozinho diagonal começa subir, depois desce, e vai formando rombos com o proprio fio.
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Chevron |
O chevron, da mesma forma, faz desenhos de zig-zag, apresentando também caraterísticas similares. Geralmente os wraps feitos com esta trama resultam mais fofinhos e arejados, muito gostosos.
-Handwovens
Handwoven significa "tecido a mão". Nos teares se produzem tecidos desde faz milhares de anos. Existem teares das mais diversas formas, dsde oa msia simples (podem ser fabricados em casa), até os de pedáis, podendo ser muito complexos! Os tecidos produzidos neles resultam muito variados.
Tear manual para MamaÉ me mima |
A industria fez com que o tear deixasse de ser um ítem tão presenta nas casas ou comunidades, porém no mundo do babywearing está se recuperando esta arte para a produção de carregadores de bebês de altissima qualidade. Entendidos como obras de arte, artesania de primeira qualidade. Kilometros de linha usada para um único wrap, cada fio colocado no lugar correspondiente pela artesã, que dedica dias a produzir um único pano, escolhendo cada cor e trama, e colocando toda sua energia nele.
Wrap MamaÉ sendo tecido manualmente |
Por Elena de Regoyos para MamaÉ Me Mima
www.mamaememima.com
www.mamaememima.com
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