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martes, 3 de diciembre de 2013

A tal da posição "de budinha" no sling, e alternativas adequadas

Hoje no facebook foi sucesso um artigo sobre a desnecessidade de estimular as crianças. Concordo plenamente. É muito bom sermos conscientes disso. Os estímulos que um bebé precisa são «o mundo que habita»: a voz dos pais e irmãos, os cheiros dos diferentes alimentos, as luzes do dia-noite, a chuva no corpo dele, e o barulho dela, o cheiro de terra molhada quando chega tormenta, os pássaros cantando, cachorros latindo, o vento no corpo, grama nos pés, areia nas mãos, colheres de pau batendo no chão, agua na banheira, o contato do corpo da mãe no dele, toques, caricias, massagens, beijos, teta, uma fruta (a forma dela, cor, textura, cheiro, temperatura, sabor...). O babywearing proporciona tudo isso, desde o lugar mais seguro e gostoso. O nosso filho se estimula naturalmente, conhece o mundo, dsede o lugar mais seguro do mundo: o nosso colo.

Essa obsissão de hiperestimular os nossos filhos combina muito bem com essa outra obsissão de carregar eles "para a frente". Hiperestímulo. Desnecessário. Prejudicial.

Venho postando últimamente fotos de bebês carregados em diferentes tipos de porta bebês ou carregadores olhando para a frente, "só que não esticados". Tudo bem, já tenho falado das posições erradas em outros posts, mas vamos insistir nesta posição que parece inofensiva, mas não o é.

Tenho lido em blogs de instrutoras de babywearing coisas que fariam perder a credibilidade de qualquer instrutora formada: que podemos carregar o nosso bebê virado para a frente ou para nós, como ele preferir, porque com as pernas encolhidinhas a coluna dele está protegida.

Só que não.


1- A posição indicada e recomendada por organismos internacionais -como o Instituto Internacional de Displasia de Quadril, ou o presidente da Federação Alemã de Pediatria- para carregar os nossos bebês desde o primeiro dia (com mais motivo ainda nos primeiros dias-semanas-meses), é a posição "de sapinho": 
POSIÇÃO "DE SAPINHO"

-Na posição de sapinho, o bebê vai acocorado, com os joelhos mais altos que o bumbum, o sling segurando o peso dele desde atrás de um joelho até atrás do outro joelho (coxa-bumbum-coxa), deixando as canelinhas livres. O peso, portanto, é carregado pelo bumbum principalmente, o que resulta confortavel e nãoforça nenhuma articulação, estando a estrutura quadril-fêmur bem encaixada, na forma em que fisiolôgicamente se promove esse encaixe quando há luxação ou displasia. na forma em que os proprios bebês retraem as coxas naturalmente durante os primeiros meses.

-A coluna dele fica curvada em forma de C, que é a forma natural de um bebê nos primeiros meses. Conforme ele fôr segurando o pescoço vai ir formando a curva cervical, e depois, ao caminhar, vai se formando a curva lombar.

-O bebê tem as áreas do corpo mais vulneráveis e delicadas, como o abdomen e o rosto, protegidas com o nosso corpo, sejam eles carregados na nossa frente, no quadril ou nas costas.

-Se o bebê ficar cansado, assustado, hiperestimulado ou se ele simplesmente quiser trocar um olhar com nós, porque isso lhe da segurança, pode fazê-lo, ou apoiar o rostinho no nosso peito, cochilar, se esconder ou descansar. Ele precisa desse contato, desse olho no olho, desse descanso confortavel.

-Por estar ele bem encaixadinho no nosso corpo, o nosso centro de gravidade práticamente não se modifica, o que faz com que carregar o nosso filho seja confortavel e não force e nem machuque a nossa coluna.

2- Na posição "de budinha", mesmo o  bebê não estando esticado -o que pelo menos temos todos assumido que não é bom!- continua não sendo adequado pelo seguinte:
POSIÇÃO "DE BUDINHA"
-As articulações estão forçadas, com as pernas flexionadas já de forma não fisiológica, levemente -ou excessivamente- abertas tipo "borboleta", o que já faz uma rotação na articulação quadril-fêmur não fisiolôgica como postura de descanso. Ao ter o tecido cobrindo todo o corpinho dele, encolhidinho nessa posição, resultan forçadas, também, as articulações do joelho e tornozelo. O peso do bebê não está apenas no bumbum, senão em todas as extremidades inferiores flexionadas de forma indevida.

-A coluna dele pode ficar bem entortada, pois ele não tem forças para se segurar na posição adequada que ele precisa, e também não tem o apoio frontal do nosso corpo para lhe servir de "masto". Pode trazer lesões de coluna.

-O bebê tem as áreas do corpo mais vulneráveis e delicadas, como o abdomen e o rosto, completamente expostos, desprotegidos, sem o nosso calor lhe ajudando a fazer digestões, sem o nosso corpo lhe servindo de proteção para golpes ou acidentes.

-Se o bebê ficar cansado, assustado, estressado ou hiperestimulado, só lhe resta deixar a cabeça cair para a frente, e cochilar como puder, com o que isso tem de, além de desconfortavel, arriscado por poder fechar as vías respiratórias. A cabeça de um bebê jamais deve ficar caida para a frente, com o queixo voltado para o peito, pois pode fechar as vías respiratorias. Carregando ele na posição de budinha, olhando para a frente, isso pode acontecer.

-E se ele simplesmente quiser trocar um olhar com nós, porque isso lhe da segurança, não tem como. Está completamente exposto aos estímulos sem filtro, sem nosso olhar tranquilizador, sem a referência do nosso corpo na frente dele.

-Por estar ele completamente desencaixado do nosso corpo, o nosso centro de gravidade fica completamente deslocado, o que nos obriga a curvar a coluna para trás, gerando desconforto, dor e até lesões.

-Ao mesmo tempo, por causa deste último ponto explicado, o bebê "ocupa" mais na nossa frente, limitando mais o nosso campo de visão, o que pode nos levar a tropeçar ou esbarrar, e cair, com ele na nossa frente, olhando para a frente.

BABYWEARING IN THE WORLD

Nenhuma cultura ao longo do mundo, dentre as que não tem perdido a tradição de carregar os filhos encima, carrega os seus filhos olhando para a frente, nem esticados e nem encolhidos. A gente está reaprendendo o que a nossa cultura perdeu. Se todas elas, ao redor do mundo, o fazem de uma determinada forma... Será que nós devemos ignorá-lo e andar inventando modas?

 


ALTERNATIVAS, NO QUADRIL OU NAS COSTAS:

Existem alternativas para quando o nosso bebê começa ficar querendo ver tudo. Podemos carregá-los no quadril em um sling de argolas, um wrap sling ou um mei tai, por exemplo. Dessa forma ele tem um campo de visão muito mais amplo, sem perder nem a posição adequada e nem a possibilidade ed cochilar apoiando o rostinho em nós, ou trocar um olhar. Outra opção seria levá-lo nas costas. Tem amarrações altas que permitem o bebê ou criança ir olhando tudo por cima do nosso hombro


 

Texto de Elena de Regoyos para MAMAÉ ME MIMA
Se quer compartilhar, cita autor e link original

Mais informação sobre portabebês:

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Usos errados, prejudiciais e perigosos do sling ou portabebê

-Lição de babywearing nas costas, desde Uganda, em estado puro

-Exterogestação. O bebê, emocional e fisiológicamente feito para ser carregado

-Diferentes amarrações com o wrap sling: explicação e vídeos ilustrativos

-Comprou... e agora quê? Cuidados e dicas básicas para o adequado uso do wrap sling elástico

-Comparação entre os cangurus tradicionais e os slings ou cangurus ergonômicos

-Sling elástico Sleepy Wrap: características, uso e videos ilustrativos

-Slings… nova moda ou beneficios reáis?

martes, 12 de noviembre de 2013

10 Dicas para um melhor descanso (com filhos que acordam de noite)

Vira e mexe leio a postagem de alguém no facebook ou listas de maternagem descrevendo o cansaço e desespero pelas noites mal dormidas por causa do filhote que acorda, incluindo no relato as horas exatas em que o bebê acordou nas últimas noites.


Tenho três filhos. O primeiro começou dormir a noite inteira aos 6 meses, então ele não conta para este artigo. Mas o segundo acordou de noite até os 3 anos e pouco e a terceira tem um ano e 8 meses e parece ir por um caminho bem similar. O caminho mais comum, por outro lado.

Como nunca sofri e nem sofro com os despertares dos meus filhos, eis que pensei em analizar o por que, para talvez assim poder ajudar outras mães neste ponto. Esses são os pontos com os quais acho que posso ajudar:

Dica nº1: Informe-se sobre as fases de desenvolvimento dos bebês e crianças a respeito do sono (aqui tem um belo artigo sobre isso). Isso não vai fazer com que ele durma "melhor" e você descanse mais, porém conhecer o que podemos esperar de um bebê ou criança neste sentido, por ser parte do desenvolvimento natural dele, ajuda enormemente a compreender o que está acontecendo e, portanto, elimina parte da nossa angústia.

Dica nº2: Priorize o seu descanso. A cozinha sem arrumar pode esperar, o chão pode ser varrido menos vezes por semana, com certeza você também está linda sem fazer chapinha, cozinhar almoços mais simples não implica necessáriamente que sejam menos saudáveis, os brinquedos vão ficar espalhados de novo amanhã, passe apenas as roupas imprescindíveis... Peça ajuda com o que não puder ser substituído. E se puder, pague por ela. O seu descanso, sua saude física e mental, valem dinheiro.

Dica nº3: Vá dormir mais cedo. Eu sei que esse tempinho para você depois que o bebê dormiu é único e insubstituível. Que tal dedicá-lo a aquilo do que você mais precisa, e que é tão gostoso: DORMIR? Também sei que você precisa jantar, tomar banho, dar uma geralzinha na casa. Que tal tentar fazer isso tudo antes de colocar ele para dormir (tomar banho juntos, jantar juntos, fazer só um básico da geralzinha...), para assim não sobrar nada "para depois" e poder relaxar na hora de colocá-lo para dormir? Se não quer fazê-lo sempre, pelo menos de vez em quando. Estabeleça um mínimo de dias na semana para fazê-lo, e cumpra este compromisso consigo mesma. Você nem imagina o quanto essas horas aportam de descanso diário.

Dica nº4: Centre seus esforços no que você pode fazer para descansar mais, e não no que você pode fazer para o bebê dormir "melhor". Ele não dorme mal, ele dorme normalmente para a idade dele (remeto à dica nº1). Sim, acordar muitas vezes também é normal, assim como dormir a noite toda, só que no primeiro caso você se fode sai prejudicada. Mas não tem nada de errado com seu filho.

Portanto, não centre os esforços em mudá-lo lhe enfiando mamadeiras de elefante ou lhe dando remédios -naturais ou não- vários. É como se dessemos remédios -naturais ou não- para um bebê de "x" meses caminhar logo, porque estamos cansados de levá-lo no colo. Ele vai caminhar quando tiver que caminhar, quando estiver pronto e desenvolvido para isso. Medicar -naturalmente ou não- o desenvolvimento natural  não faz sentido. No sono também não. Mesmo nós estando imensamente cansadas por causa disso.

Dica nº5: Facilite a sua vida ou, melhor, as suas noites. Quer dizer: se o seu filho está em outro quarto e quando ele acorda você tem que levantar da cama, caminhar até o quarto dele, ficar lhe embalando em pé (caindo de sono), voltar para o seu quarto e tentar pegar o sono com o ouvido bem acordado para que, na hora que ele acordar de novo daqui a pouco, você levantar de novo... Enfim, veja se não tem uma alternativa que simplifique as suas noites como, por exemplo: levar o filhote para o seu quarto, ou inclusive para a sua cama.

Deixe os "mas e se ele acostuma com..." ou "e se o meu marido diz que..." ou "e se perco momentos preciosos para namorar...", para depois. Voltando à dica nº2: priorize o seu descanso. O resto são mitos ou medos infundados. Deixe-os para outro momento. Facilite as suas noites e priorize o seu descanso. Vai te trazer mais saúde mental e física. E de quebra o seu filho vai ficar mais feliz. Não soa bem?

Dica nº6: Não se feche a nada por ideologias ou achismos (sempre que seu filho e vocês se mantenham tratados com respeito!). Parece que vai contra a dica anterior, mas não vai, e sim a complementa. Quer dizer, se você é uma convencida do attachment parenting, mas a cama compartilhada não está dando certo porque, por algum motivo, seu filho acorda mais (talvez seu marido ou você ronquem, ou se mexam muito na cama, ou o pequeno seja muito calorento, ou falte realmente espaço...), tente outras opções. Às vezes é a gente quem acorda mais, mesmo ele dormindo bastante, porque talvez somos muito sensíveis a qualquer barulhinho, ou somos nós as calorentas, ou nos falte espaço, etc.

Experimente colocá-lo em um bercinho perto de você, ou em uma cama no seu quarto. Inclusive em outro quarto. Você não vai ser pior mãe, pois você apenas está vendo se isso da certo, se ele se sente bem com essa opção e se, de quebra, te ajuda a descansar melhor. Se não cumpre os objetivos, sempre pode repensar tudo. Mas não se feche. Experimente, lhe respeite, se respeite, e veja o que funciona melhor dentro destes parâmetros.

Dica nº7: De noite, não acorde seu cérebro. Como assim? Bem, eu não faço a menor idéia de quantas vezes a minha filha acorda de noite. Deve ser algum número entre 1 e 5, mas não sei mesmo quantas. Muito menos sei a que horas ela acorda. Ela acorda, eu devo colocar ela em posição para mamar deitada mesmo na cama (eu nem percebo que o faço, mas meu marido tem provas fotográficas que vou tentar recuperar para ilustrar o post), e continuamos dormindo. Ela também não "acorda" o cérebro, só faz um semidespertar para mamar e seguir dormindo. Se nessa hora eu ligo o interruptor do meu cérebro, depois vai ser muito mais difícil -para algumas pessoas práticamente impossível- voltar a dormir. O que é ligar o interruptor cerebral? Pensar coisas como essas:

-"Que horas são? 
-"Quantas vezes ela já acordou esta noite?" 
-"Quantas horas faltam para o despertador tocar?"
-"No total, eu tenho dormidas... tantas horas até agora, se eu conseguir dormir vou dormir..."
-"Não pode ser fome, só faz... tantos minutos desde que acordou a última vez"
-"Será que está entrando luz por aquela fresta?"
-"Agora que eu penso... creio que esqueci de deixar a minha camisa branca de molho para tirar aquela manchinha de manga".
-E tantas outras.

O seu filho acordou? Então não pense, simplesmente aja e siga dormindo. Claro, para isso é mais facil se você faz cama compartilhada. Mas tente adaptá-lo na medida do possível caso com você não funcione a cama compartilhada.

Dica nº8: Amamente. Amamentar é o melhor sedante para o nosso filho. É a maneira mais facil e simples de fazer ele dormir. A natureza traz tudo pensadinho e resolvido já. Levantar para preparar uma mamadeira é muito mais complicado (e não cumpre a regra nº7 de não acordar o cérebro). Amamentar te permite não ter que levantar da cama.

Se ele acorda com fome: amamentar resolve. Se ele acorda com sede: amamentar resolve. Se ele acorda com necessidade de contato ou presença: amamentar resolve. Se ele acorda com frio: amamentar resolve. Se ele acorda querendo um carinho: amamentar resolve. Se ele acorda assustado: amamentar resolve. Tem outras formas de resolver todas estas causas de despertares infantis? Claro que tem. Quem não amamenta não está perdido. Simplesmente vai ter mais trabalho. E voltando à dica nº2: priorize o seu descanso. Se amamentar resolve, não se complique.

Ademais, as mulheres que amamentamos segregamos um hormônio -só de noite!!- chamado L-Triptofano que nos ajuda a pegar no sono com mais facilidade (e ao nosso filho, por estar consumindo o nosso leite, também). Só que esse hormônio se perde apenas uns minutos após ele ter terminado de mamar. Então: dica nº7 (não acorde seu cérebro) para poder se aproveitar do efeito do L-Triptofano que segregamos enquanto amamentamos.

Dica nº9: Não dê ouvidos à prima da amiga da sua vizinha. Em geral, no seu papel de mãe, esta dica deveria ser uma das principais. Falando do sono, sempre vamos achar quem nos diga que:

-"Seu filho acorda porque você está fazendo "x" e, claro, assim eles acordam muito mais".
-"Nossa! O meu Pedrinho nessa idade já dormia a noite toda há 472 meses!"
-"Quando eles acordam depois dos "x" meses/anos é porque eles tem problemas com..."
-"Você precisa ensiná-lo dormir, ele está se aproveitando da boazinha que você é".
-"Seu leite não alimenta e por isso ele acorda".
-E milhares de outras pérolas com que daria para escrever um livro.

Não dê chance a isso, e se acontecer, não dê ouvidos. Claro que tem crianças que dormem mais e "melhor"  que a sua, e outras até que muito pior. Mas em que ajuda ficar se comparando com os outros? A grama do vizinho sepre parece mais verde, não acha? De repente ela pode ser sintética, ou ele pode ter usado adubo químico. Talvez seja até mais verde realmente. E daí? Para que comparar? Para se frustrar? Ela é de verdade melhor que a sua? O seu verde é diferente, é único? Aprecie a sua grama, mesmo gostando mais de outros tons de verde.

Portanto: Não precisa contar o que acontece para quem não vai lhe ajudar com isso, senão fazer o contrário (inclusive pediatras e família mais querida e próxima, às vezes). Selecione muito bem com quem você vai desabafar e, de preferência, que seja alguém empático, que não julgue, não critique, não te faça sentir inútil ou muito errada, não diagnostique "opinológicamente" o seu filho e não seja um mentiroso que conta maravilhas da experiência dele apenas para não se sentir "tão errada quanto você".

Dica nº10: Procure um grupo de apoio. Complementando a dica anterior, e para evitar pitacos e críticas que em nada ajudam, procure um grupo de criação ou maternagem na sua cidade ou bairro. Cada vez tem mais. E se não tem, existem muitas opções na internet: listas de maternagem, grupos no facebook, blogs... Mas, por favor, que sejam respeitosos com as crianças e não indiquem coisas como "deixe o seu bebê chorar para ele aprender, porque uma mãe feliz lhe faz bem". Mães que ouvem e são ouvidas, mães que conhecem histórias similares às delas, mães que se ajudam sem julgamentos, mães que podem chorar e rir em grupo... É tudo de bom!

Elena de Regoyos para MAMAÉ ME MIMA
Proibida a reprodução sem citar fonte e link

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jueves, 26 de septiembre de 2013

E quando o seu bebê, criado com apego, só chora?

Sim, a criação com apego ou attachment parenting são bons para o bebê, se olhe por onde quiser se olhar. É beneficioso para o bebê e a criança. Ponto. Não tem discussão, pois está tudo devidamente demonstrado.

Agora, cuidado. Cuidado, porque o que não está demonstrado é que os bebês e as crianças criados com apego sejam mais calmos. Mais seguros de si, com certeza eles são. Mais confiantes neles mesmos, nos seus cuidadores (pai e mãe principalmente) e no mundo que habitam, absolutamente sim, eles são. Mais felizes, diria que obvio que sim, pois as necessidades deles são entendidas, aceitas e atendidas quando assim ele as comunica da única forma que sabe: resmungando primeiro, chorando depois. 

Que este conjunto de circunstancias leve à criança a ser mais calma, tem toda lógica. Com certeza. Que, de fato, conheçamos muitos bebês e crianças criados desta forma que são mais calmos, também. Não digo que não. Posso falar, afirmar e confirmar isso em primeira pessoa, por experiência propria e por observação dos outros. Só digo, e repito: CUIDADO.

Cuidado por que? Cuidado porque criar com apego garante o que eu coloquei no segundo parágrafo, sim. Mas isso não é garantia de "bebê calmo". Tem bebês criados no 100% dos apegos que não são tão calmos assim. Bebês que choram muito, bebês que não parecem ser tão felizes e satisfeitos com a vida e os cuidados que recebem como "aquele artigo" prometia. E não são uns poucos, viu?

Pratiquemos a empatia. Imaginemos que temos um bebê, nascido de parto natural em um ambiente calmo rodeado de pessoas cuidadosas, totalmente respeitado. Um bebê que mama no peito sempre que quer. Um bebê que não sabe o que é ficar no berço, no quarto dele, porque dorme junto aos pais, na cama deles. Atendido de dia e de noite com imediatez e calor humano. Um bebê que participa das atividades cotidianas da mãe, dos irmãos talvez, desde o lugar privilegiado que lhe oferece o colo da mãe, sempre bem colocadinho no sling, tão gostoso que a maioria dos cochilos acontecem nesse mesmo lugar. Digamos, um "bebê attachment parenting" pacote completo (isso da para outro post, porque isso do "pacote completo" também, vou te falar).

Ô vida boa! "Só que não", explica a mãe do bebê. Leia, leia o que esta mãe -imaginaria, composta por depoimentos de muitas mães as que ouço faz anos- escreve:

"Meu é um bebê chorão. Assim, com todas as letras e o feio de rotular. Mas ele parece nunca estar contente. Chora de noite, chora de dia. Não aceita ninguém que não seja eu. Nem o pai! Tive que reubicar o irmão no quarto dele, tadinho, porque todos no meu quarto não dava certo, o irmão acorvada no meio da noite de tanta choradeira, e estava o pó no dia seguinte, na escola. Ele está com saudades de mim, agora. Precisando de mim, do nosso contato habitual, do nosso abraço para adormecer. Mas com este bebê que só chora, está impossível.

Olha que já tirei os lácteos por se ele tinha alergia à PLV, já tirei o café, açucar, cha, chocolate, farinhas brancas, carne e quase até o arroz também da minha dieta. Não tem quem aguente dia após dia, semana após semana, mês após mês deste jeito. Até quando? Eu não sei mais o que fazer! Até pensei em renunciar ao tal do attachment parenting. Só não o faço porque vejo que com meu outro filho, com quem fiz todas estas coisas de forma instintiva, sem saber nem que isso tinha um nome -e ele também era um chorão, tenho que dizer-, deu certo, ou isso parece até hoje, pelo menos. Vejo os frutos de todos estes cuidados, do vínculo criado desta forma, a cada dia.

Mas que da vontade de jogar tudo pela janela... Ô se da! E de levar o bebê lá na casa da minha irmã, com uma notinha explicativa e sair fujindo... Brincadeira, tudo bem, não dou meu gorducho para ninguém, nem empresto, mas da vontade às vezes, viu? É dificil mesmo viver com este desconforto permanente no pequeno, e a sensação de estar fazendo alguma coisa errada, ou de não estar sabendo entender o que ele tem, ou não estar conseguindo solucioná-lo. Vive insatisfeito!

Sabe o pior? Quando me dizem -a cunhada, o vizinho, a professora da escola do mais velho...- que ele é assim porque claro, eu o tenho malacostumado, sempre dando colo, sempre com a teta fora, e claro, agora ele é assim por isso. Confesso que chego a duvidar. Pois é. Será que ele teria sido differente sem ter lhe dado colo constante desde que nasceu, ou lhe enfiando uma mamadeira bem cheiona antes de dormir? Olha, não sei não, mas não consigo ser mãe de outra forma, mais ainda vendo o meu mais velho, feliz e seguro como ele é hoje. Como eu ia deixar ele ai chorando no berço ou no carrinho, se o que queria era meu colo? Ah, não!

Mas me sinto mal quando me falam isso. Meu dia a dia como mãe não é facil, nada facil, e ainda me vem fulano ou chicrano dizer que é assim por culpa minha, por como eu faço as coisas. Ele deve ser muito esperto e ter as soluções a todos os problemas, né? na teoria é tão facil tudo! Ah, vai tomar no banho! Me ofereça um abraço, me da um colo, me escute um tempinho o desabafo, vai, disso que eu preciso. Mas não venha me julgar, não me critique! Você acha que isso vai ajudar em alguma coisa, é?

Procuro apoio no grupo de mães que frequento. Conheço elas já desde o meu primeiro, fazem parte da minha vida. É graças a elas que aguento, porque falar com elas é um sopro de ar fresco. Elas me compreendem, sabem do que eu falo. Porque não sou a única, sabe? Muitas delas tem ou tiveram bebês calminhos, desses como os que "o artigo" sobre o attachment parenting fala. Mas algumas tiveram filhos como os meus. De chorar noite e dia, de não se contentar com nada. Extenuante. 

Alguns já tem 3, 4 ou 5 anos, como o meu, e passa, um dia passa, é verdade, mas que demora para chegar e o caminho é duro, isso é. O bom é que elas passaram ou estão passando pelo mesmo que eu, e isso me faz sentir mais comprendida. Até porque vendo como são os filhos delas, uns mais chorões, outros menos, outros nada chorões, vejo que tem de tudo, e que praticando todas um mesmo estilo de criação cada u acaba sendo diferente mesmo.

Depois chegam outras fases, e a choradeira da fase bebê passa, mas chegam novos desafios. Tem algumas com problemas de filhos -criados sem castigos, nem gritos, criados no apego- que batem nos outros no parque, ou que dão chilique por qualquer coisa em casa. O meu mais velho não costuma, se bem agora está em uma fase dificil e anda mais desafiante. Imagino que é pelas saudades dos nossos momentos, que quase não temos mais. Cada filho de cada amiga é diferente dos outros, inclusive dentro da mesma família. Criar com apego não garante bebês nem crianças mais fáceis, não. Até porque não criamos assim para eles serem fáceis, isso seria domesticação, e não criação. Criamos para eles serem atendidos como como eles precisam ser atendidos, e para eles serem felizes, e seguros de si.

Então, sabe com a conclussão que eu fico? Com estar dando ao meu filho o melhor de mim, o que eu sei que lhe faz bem: meu colo, minha empatia, meu leite, minha presença. Às vezes acaba a minha paciencia, é verdade, mas depois volto a ser eu, e não consigo fazer as coisas de outra forma, porque sei que outra forma é lhe tirar todo aquilo do que ele precisa. E não quero um filho resignado a não me pedir o que precisa, não quero um filho que não chora porque sabe que não adianta. Eu sei que esta forma de criar é um investimento a longo prazo, um presente para a vida toda, para a saude mental e emocional deles.

Agora, não me venham os artigos falar sobre bebês calmos criados com apego, porque sinceramente, isso me ofende. Eles podem ser calmos, ou podem ser menos calmos, Inclusive podem ser nada calmos. Não temos garantia de nada e ninguém pode dizer o contrário. E eu não crio desta forma apenas com o objetivo de ter um bebê que não me dê trabalho (bem que eu queria!!). Eu escolho dar colo, peito e atenção porque sei que isso é bom para ele, que isso são necessidades básicas dele que precisam ser atendidas, que ele se beneficia já e vai se beneficiar sempre destes cuidados oferecidos hoje. E só".

Elena de Regoyos para MamaÉ me mima
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miércoles, 18 de septiembre de 2013

Querido filho: Que teus transgressores cachos loiros te façam livre

Querido filho,

Antes de nada: eu te amo. Isso, sempre, antes de nada. A partir daí, queria muito te dizer, que eu te amo e te amarei, sempre, independientemente das suas escolhas. Às vezes não vou gostar delas, e nem o seu pai, isso é assim. Vai ser dificil para a gente lidar com essas diferenças, pois é mais confortavel concordar em tudo, né? Mas não é realista. Nem seu pai e eu concordamos na maioria das coisas, e mesmo assim nos amamos, e amamos vocês.

O complicado é que sempre vamos ter pessoas aoredor que julgam, criticam e questionam as nossas escolhas, chegando a ser realmente desconfortavel. E no fundo disso existe uma grande maioria de críticas aos outros baseadas, não no que elas acham (acredito que nem pararam para pensar em por que acham o que acham da maioria das coisas), senão no que a tradição e a cultura, a matrix, nos impõe.

Você tem um cabelo lindo. Você sabe, não é, meu amor? Todo o mundo diz, e cada vez que eu corto o seu cabelo você me pede: "não tire os amarelinhos, ta?". Mas agora você resolveu que não quer mais cortar, e daí surge o problema. Não, o problema não é que o seu cabelo entra no olho meu filho, como os outros querem te fazer pensar. De fato eles mesmos tentam se convencer a si mesmos de que esse é o verdadeiro problema. Tomara. Teria facil solução, e a tem, de fato. O curioso é que a solução, uma fita na cabeça que tira os cabelos do olho, parece incomodar mais ainda.

Não, o problema é muito mais complexo. O problema é que um menino de cabelo comprido incomoda, e um menino com fita na cabeça, ou rabinho com prendedor, incomoda mais ainda, da mesma forma que incomodava quando o seu irmão queria colocar brincos e pintar as unhas. Lembra daquilo? A sociedade dita que os meninos da nossa cultura devem levar o cabelo curto, sem acesórios, e não usar brincos. Depois, de adultos, já se julgam menos (?) esses usos. A sociedade prega para, pelo menos, preservarmos as crianças destas modernices e idéias transgressoras.

Você irá me perguntar que transgrede o que, concretamente, um menino com cabelo comprido e acesórios. Pois é meu filho, transgrede uma coisa que dói muito: transgrede a norma. Que onde fica a norma, para doer assim? Fica bem no fundo do cérebro, em um lugar de difícil aceso e, por tanto, quase imposivel de mexer. Dificil de entender para uma criança? Também para mim, que sou adulta. Mas a norma dói e muito, quando é transgredida. Talvez porque as pessoas se sentem perdidas quando fazem, ou vem fazer, aquilo com o que não estão acostumados.

Hoje os coleguinhas da sua sala riram de você porque chegou com uma fita elástica tirando o cabelo dos olhos, já que ontem não quis que eu o cortasse. A professora tinha pedido para não ir mais com cabelo nos olhos, e nós concordamos. "É menina", te disseram hoje, e te empurraram. Daí vem a sombra, o medo do bullying.

Teu pai e eu não queremos te ver sofrer, não queremos que você se sinta na obrigação de encarar os moinhos de toda uma sociedade ancorada na matrix.

Seria tão mais facil decidir por você, mandar cortar o seu cabelo e pronto! Seria tão mais facil sermos todos iguais, e gostarmos das mesmas coisas! Seria tão mais facil mandar os gordos serem magros, os espoletas se acalmarem, os afeminados virarem macho e os muito intelectuais serem melhores no futebol! Seria tão melhor ninguém ser objeto de críticas e ninguém criticar os outros! Está em mim a solução, te obrigando a fazer o que você não quer, por ordem da matrix? Ah... isso seria demasiado facil.

Mas o que você quer, filho? Sei, sei que não quer cortar esse cabelo. E a franja só, para ele não entrar nos olhos? Não gosta? Entendi, na verdade eu também não vou com a cara de uma franja. Mas temos que procurar uma maneira do seu cabelo não ficar entrando nos seus olhos. Que tal a fita segurando esse cabelo para trás? Você gostou muito quando a colocamos outro dia! Mmmhh, já sei... não quer que te digam de novo que é menina?

E então? O que fazer? Uma solução, cortar o cabelo, te deixa em uma situação desconfortavel contigo mesmo, te obriga a fazer o que você não quer, para ficar de acordo com o que a maioria da sociedade espera de você. A outra, colocar uma fita ou elástico, te deixa em uma situação desconfortavel com os outros, que tiram sarro e te chamam de menina. O que você quer? Fazer escolhas é duro sempre.

Não serei eu quem te obrigue a fazer uma coisa ou a outra. Gostaria poder te evitar todos os sofrimentos do mundo, sim, mas não a custo da sua liberdade. O que eu te desejo, filho, é que você seja corajoso o suficiente para ser consequente com as suas escolhas, em lugar de botar na mãos dos outros as escolhas sobre o que você deve ser e fazer. Sei que é mais facil assim, é verdade, pois tira a sua responsabilidade na horas das consequências. Mas com certeza não te faz mais feliz.

Não, não quero que os amiguinhos, a professora e nem a sociedade decidam por você. Mas para evitar isso não vou ser eu, nem o teu pai, quens façamos a mesma coisa. As suas escolhas, aquelas que a sua idade já te permite tomar, são suas, assim como as consequencias das mesmas. Só assim você será livre, hoje e para o resto da sua vida. E nós sempre estaremos ao seu lado.


Elena de Regoyos para MamaÉ me mima
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martes, 10 de septiembre de 2013

Da falta de coragem para encarar as novas fases e dos filhos como objeto de consumo

Acabei de ler um artigo de minha amiga e magnifica escritora Fernanda França sobre a maternidade. Nele reage contra o augurio social de que, na maternagem, tudo sempre "vai piorar" defendendo a idéia de que, para ela, muito pelo contrário: só melhora. "Nem piora, nem melhora", tenho escrito nos comentários, "apenas muda", e cada fase com as suas gostosuras e, claro, também com os seus desafios. Recém nascido, bichinho indefeso com cheiro de útero, bebezão gostoso que sorri, engatinhador que conquista o mundo, caminhante que desafia as proprias limitações, falador de primeiras palavras que da vontade de guardar numa caixinha dos tesouros para sempre... E assim por diante!

Lembrei, então, daquele artigo que quero escrever faz dias.

Hoje mesmo também respondi um email para uma amiga, mãe amantíssima, mulher maravilhosa, que estava muito preocupada pela mudança de sentimentos em relação ao filho de três anos. Não se sente mais apaixonada por ele, sente necessidade de se abrir a um mundo de opções e oportunidades que a estavam aguardando lá fora e se cobra ao respeito. "Não deveria me sentir assim", pensa.

E então veio de novo me rondar o artigo querendo ser parido. E sentei de uma vez para tentar escrevê-lo (com permiso dos meus três filhos). Vamos lá, então. Vou começar, consciente das inúmeras interrupções com as que vou ter que lidar.

Mudar, aceitar, se adaptar ou morrer... de frustração

A vida toda é passar de um contexto e momento vital ao seguinte. E isso, sim senhor, implica renuncias, assim como também ganhos. Melhor? Pior? Depende de para quem. Eu diria que diferente. Vamos, então, aceitar a nova realidade e nos adaptar a ela, ou preferimos viver frustrados ao perceber que é materialmente impossivel que "tudo seja como antes"?

Quando passamos de bebê a criança perdemos coisas tão gostosas como o colo permanente, por exemplo, para ganhar independência de movimentos e escolha. Depois, ao chegar a adolescência, ficamos sem esses cuidados mais mimosos que toda criança merece (ainda me lembro das batatas fritas caseiras só para mim que tinha sempre na hora do almoço em casa, e que aos poucos foram sumindo do panorama) para curtir mais o mundo além do lar, os amigos, primeiros namoros, segredinhos cheios de emoção, todo um mundo lá fora esperando ser conquistado!

E chegamos a juventude familiarizados com aquele mundo lá fora, no qual nos movimentamos confortavelmente, mas sentindo inmensas saudades da emoção daquelas primeiras descobertas. E acabamos a faculdade, aqueles anos loucos e com frequencia sem grandes preocupações, para encarar a realidade do mundo laboral. Agora seremos mais independientes, sim, mas cadê o "faço o que eu quero práticamente quando eu quero"?

E podemos namorar, talvez casemos, ou viremos freira ou padre, cooperante internacional... Tanto faz! Vamos fazer escolhas conscientes para passar, sempre, ao estatus seguinte, que vai trazer mudanças à nossa vida, e que implica renuncias, também, irremediavelmente. Quer encará-las ou vamos bricar de "aqui não aconteceu nada"?

E chegamos aos filhos

Porque é essa, precisamente, a impressão que tenho com uma grande maioria de casais que vem a ser pai e mãe. Passam uma gestação linda talvez se preparando para o parto, e imaginando daqui a uns meses um bebê fofissimo e gorducho no berço, nova decoração na casa, agora com mobiles e papel de parede no antigo quarto de hóspedes. Daí o bebê chega e a maior necessidade desse casal, de pronto, parece ser "ir voltando ao normal" quanto antes, "retomar a nossa vida", e outras similares.

Tsz, tsz... vocês já estão vivendo a sua (nova) vida, viu? O que é exatamente "voltar ao normal", "retomar o ritmo ou a vida"? Voltar a ser crianças, ou talvez adolescentes?
-"Ah, não, isso já ficou para trás".

Voltar a namorar, morando na casa dos pais?
-"Não, não, já não estávams mais nessa".

Então o que é o que vocês querem?
-"Pois é... o que queremos é voltar a nossa vida de quando éramos um casal apenas, antes de ter filhos, só que agora com filhos... Só que não, né? Porque é isso aí, agora temos um filho. Ai Jesus, e agora?"
E daí que a ficha (pode) cai(r).

Sempre lembro que em algum livro ou artigo do pediatra Carlos González, ele diz que do mesmo modo que os noivos fazem despedidas de solteiros quando vão mudar de estatus, antes de casar, os casais sem filhos deveriam fazer um tipo de ritual similar quando estiverem esperando um filho, para começar assimilar a mudança de estatus e o que ela vai lhes trazer junto. Acho uma idéia ótima de se pensar.

Opções para todos os gostos

Bom, para alegria de muitos pais e mães, e para tristeza dos filhos deles, tem autores super mega famosos e enriquecidos que vendem milhares de livros e programas de TV sobre coisas que você pode fazer para "poder retomar a sua vida", mesmo depois de ter um filho. Coisas que fazem com que, a pesar de você agora ter que tomar conta e velar pela felicidade, segurança, estabilidade e saude de alguém totalmente vulneravel, você consiga seguir com a sua vida como se não fosse assim.

Me explico. Se o bebê resulta que vive chorando para "conseguir que" você o pegue no colo de forma quase permanente os primeiros meses, tem técnicas para que ele se malacostume ao carrinho ou berço, e deixe de encher o teu saco. Ou senão, você paga uma babá e pronto, enche o saco dela e não o seu. Você pode seguir com as suas coisas, "retomar a sua vida".

"Ah, não, mas é que esse serzinho precisa se alimentar, e dizem que se é a travês de mim, sua mãe, é o mais recomendavel. Gente, mas ele quer se alimentar toda hora, que saco, assim não consigo fazer as minhas coisas". Pois é... Então tem pessoas dispostas a te fazer crer que não é tão importante isso de amamentar, e que agora você pode enfiar neles um leite de fórmula (leite de vaca modificado, em pó), em mamadeira, que pode ser dada por qualquer pessoa, e assim não tem que ficar a disposição do bebê, podendo "voltar à sua vida".

"Mas e de noite? Ele acorda gente! Todas as noites! Várias vezes! Inclusive agora que já se passaram X semanas, meses ou anos!". Bom, ai temos também autores que explicam como podemos ignorar o nosso filho, mesmo ele vomitando de tanto chorar!, com tabelas de tempo e substitutos de pelúcia para mitigar a nossa culpa, até ele se resignar ao abandono noturno aprender a dormir sozinho e não nos chamar mais de noite. Assim poderemos "recuperar a nossa vida", com as suas noites inclusive.

Técnicas e opções, todas estas, que anulam o filho, para ele não atrapalhar a nossa vida, e poder seguir na maior medida possivel, com "a vida de antes". Temos um filho, podemos levá-los para passear lindamente vestidos, fazer festas multitudinarias de aniversário e presumir de dobrinhas (só deles) nas fotos do facebook, sem por isso vermos práticamente alterada a nossa "vida normal", a de antes, aquela na qual dormiamos a noite toda, saiamos com os amigos, faziamos viagens e usavamos salto alto.

Ter um filho: o último objeto de consumo



E eu me pergunto: essas pessoas queriam filhos ou bonecos? Porque, vou te contar, vendem uns bonecos (art reborn, chama-se) inspirados em bebês reais, carissimos porém lindos de morrer (quero um, aviso, um dia me dou o capricho para passear com ele de sling e matar as saudades quando a minha pequena crescer), que são uma maravilha. Tamanho, peso, feições, cabelos, veias e demais detalhes de bebê real, feitos artesanalmente. Autênticas obras de arte! E olha só, eles não choram, não precissam ser amamentados, dormem as 24 horas do dia e nem cocó eles fazem!

Porque a impressão que eu tenho é que, na sociedade consumista de hoje, ter um filho é o último grande capricho. Tipo assim: "Ontem comprei uma bolsa, hoje fui ao show daquele cara de moda, amanhã quero fazer uma viagem internacional, e depois posso ter um filho, que já "ta na hora". Bom, melhor uma filha, que é mais fofa e vem cheinha de complementos e opções: fitas para o cabelo, brincos, mini bikinis, vestidos e saias, sandálias com brilhos e muito mais". Tem para todos os gostos, viu? Meninas para mamães clásicas, de laço e fita; meninas para mamães modernas, hippies, esportistas... O bom do consumismo é que se adapta a todos.

Ontem, hoje e amanhã

Mas o que tinha a ver o artigo da Fernanda França e a conversa com a amiga triste com tudo isso? Tinha a ver que a vida é deixar uma fase para passar a outra. Sempre assim. Às vezes para melhor, outras para pior, e a maioria simplesmente diferente. Com suas perdas e seus ganhos. Se é consequencia de escolhas nossas, é covarde não aceitar os desafios e se adaptar as novidades, e não ajuda em nada não fazê-lo, ademais. Se é consequência do proprio decorrer da vida (nascimento, crescimento, morte), de que adianta negar a nova fase? A quem queremos enganar? E quem sai prejudicado? Lamentavelmente nos enganamós só a nós mesmos, e a quem queira acreditar que "a vida pode voltar ao normal" (que não são poucos!), mas se tratando de filhos, quem sai prejudicado é a criança.

A minha amiga está também mudando de fase, saindo do puerperio, do apaixonamento eufôrico inicial natural pelo filho, necessário para cuidá-lo como uma leoa e criar esse vínculo que vai durar a vida toda. Agora essa paixão tem virado amor. Amor incondicional, que não é mais paixão. E é para ser assim mesmo, porque senão a gente não vive, vendo os filhos crescerem e voando livres. Termina o puerperio e eles começam deixar de ser "nossos" para começar a ser cada vez mais "deles mesmos". Novas fases chegam: agora o corpo nos pede voltar a focar em nós, nos nossos projetos. É empolgante, é uma nova fase. O filho vai ser sempre prioridade na nossa vida mas estamos, de novo, abertas ao mundo e a nós mesmas.

A vida, gente, não "volta ao normal" nunca, seja o que fôr que tenha acontecido nela, porque "o normal" não existe, o normal de hoje é o que são as coisas no dia de hoje. E a vida é diferente cada dia, porque nem nós mesmos somos hoje a mesma pessoa de ontem, nem o entorno é o mesmo em que vivemos ontem. Tudo, a gente principalmente, muda a cada dia. E se chega um filho às nossas vidas, nem se fale então. Um tempinho mais limitado enquanto cria e curte o bebê, que depois vai voltar a sair de noite se quiser, e a fazer viagens. De novo, sim, mas não da mesma forma, porque você e o seu contexto não são mais os mesmos! Quer voltar à sua vida de antes? Sinto lhe informar que... não pode! Encare a vida de agora, se adapte a ela e a viva em plenitude, aprendendo a expremer o suco gostoso que ela está te oferecendo, em lugar de ficar lembrando do gosto do suco que tomou ontem, e que já acabou.

Texto de Elena de Regoyos para MamaÉ
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domingo, 8 de septiembre de 2013

Pensemos... no "cantinho de pensar"

Meu marido vive sonhando com o dia em que logremos arrumar o escritório aqui de casa, atualmente "quarto da bagunça", com caixas de slings, brinquedos para doar, minha barriga de gesso esperando ser pintada e tantas e tantas coisas mais. Ele, meu marido, gosta de estudar, de pensar, de refletir, de ler... E sejamos realistas, numa casa com três filhos menores de 10 anos, isso é práticamente impossivel de exercer, salvo em horas tão tardias que nem o nosso proprio intelecto-corpo agüenta as palpebras caindo.

Por contra, a mega famosa, admirada, odiada e criticada Jo Frost, a tal da Supernanny, trousse o "pensar" como algo rotineiro e habitual na vida das crianças dos século XXI. Peraí, não se empolgue ainda, não. Puxa, que pena que ela o fez com connotações negativas, heim? Essa supernanny trousse tanta coisa contra a qual argumentar agora!! Vamos lá, então, com o tal do "cantinho de pensar".

Pensar é ruim?

Mas pensar não é uma coisa gostosa? Pensar não é o que queremos que os nossos filhos consigam fazer por si sós, com prazer e resultados positivos? Como, então o castigo de moda hoje em dia é colocar eles "para pensar"? Que idéia do pensar vão ter, se isso é um castigo na vida deles? Como vamos pretender que eles gostem e desejem pensar, se lhes é imposto como consequencia negativa à uma ação errada?

Sei, sei... Trata-de de pensar "no que eles fizeram". Mas de verdade você acha que uma criança, que é ação (fazer) e não abstração (pensamento), vai ficar ai sentada pensando no que ela fez? Nas causas e consequencias do que ela fez? Você de verdade acredita que o raciocinio dela consigo mesma nessa hora vai ser: "olha só Gustavinho, você tirou o brinquedo da mão da Eduarda e ela chorou... Portanto, Gustavinho, não é legal tirar os brinquedos da mão dos outros, eles choram... Pronto, entendi por que estou aqui sentado, pensei produtivamente".

E aí gente, seria ótimo se fosse assim, heim? Mas sejamos realistas... Vocês acham mesmo que a criancinha (às vezes de um ano ou menos!) é capaz de se abstraer até tal ponto? Você acha que ela, inclusive em idade de raciocinar em parte, se sentindo humilhada, menosprezada, castigada num cantinho, vai pensar produtivamente uma coisa assim? Se fosse assim, seria ótimo, concordo.

Em caso de a gente ajudar eles a enxergar essa causa-consequencia do que eles fizeram... Para que, então, pensar mesmo depois no cantinho sobre isso? De novo lhes pergunto: De verdade vocês acham que eles vão dedicar esse tempo a refletir sobre isso? Ou o cantinho de pensar é apenas um castigo a mais como poderia ser "ficar sem sobremesa", "se ajoelhar cara a parede" ou "não asistir mais TV"?

Para que serve, em realidade?

Quer dizer, o cantinho de pensar é de verdade para PENSAR, ou é apenas mais uma forma de lhes dizer: "Você fez errado, vai ter uma consequencia por isso"? Nesse caso, não é mais facil lhes mostrar qual é a consequencia, real, do que eles fizeram errado? Algo do tipo: "Olha, você correu com o copo na mão, e assim o suco caiu. Agora o chão está sujo e vamos ter que limpar". Açao-reação. Se o suco caiu, vamos ter que limpar. Limpar é chato (como brincadeira é legal, combinemos, mas como obrigação é chato, sim), então da próxima vez vou tomar cuidado para não correr com o suco na mão, pois senão vou ter que limpar.

Se a consequencia negativa do que eles fizeram é sempre a mesma, e não tem relação com o que eles fizeram de errado, só conseguimos:

1. Resentimento.

2. Habituação.

Pois é, chega um dia em que o tal do cantinho de pensar não é mais chato. Claro que não lhes faz pensar em nada, e se converte apenas num tempinho que devo esperar para voltar as minhas coisas. Não ensina nada. Nada além de "outros lá encima tem poder sobre mim e podem me obrigar a ficar aqui entediado e humilhado quando eles considerem". E isso, por desgraça, não traz nada de positivo, e muito de negativo: resentimento, despreocupação com as proprias ações, falta de empatia, isolamento e compreensão do mundo como um jogo de poder no qual um dia nós vamos estar lá encima, como agora estamos embaixo, impondo o que nós considerarmos apropriado mediante o exercicio do poder.

Além disso, a criança vai se sentir muito mal consigo mesma, a sua autoestima vai cair ("nossa, olha o que eu fiz, olha o que eu estou merecendo por isso, sou ruim mesmo"). É isso o que queremos para os nossos filhos? Ou queremos que sejam consequentes com as proprias ações, compreendendo que as coisas boas e ruins que eles fazem tem consequencias, e agindo conscientemente? Dessa forma, talvez consigamos que em lugar dos nossos filhos agir apenas para conseguir um prêmio ou evitar um castigo, o façam pela satisfação do certo, ou a insatisfação do errado. Lhes deixando, por outro lado, errar e acertar sozinhos, para poder saborear uma coisa e a outra. Sem prêmios nem castigos. O prêmio, o castigo, é a propria consequencia da ação!

O castigo impede de fazer isso... na frente do castigador apenas

O que você sentiria (o que você, de fato, sente) se, quando comete um erro ou faz alguma coisa ruim para outra pessoa (por um impulso incontrolavel ou sem querer mesmo), é isolada, reprimida, criticada e obrigada a pensar no que fez? Provavel e primeiramente você vai se sentir humilhada, pois uma vez passado o impulso que te levou à ação, você já deve ter percebido que o que acabou de fazer não é legal nem resolve nada. Mas alguém, de fora, veio te impor um castigo, veio evidenciar perante você mesmo, e com frequencia perante os outros, que você fez errado e está pagando por isso.

É a antiga tradição de colocar orelhar de burro para aquele que não aprendia a lição. Humilhação pública. Deixar uma pessoa sentada num cantinho pensando no que ela fez é, sim, muito humilhante. Isso pode levar ao resentimento, seja contra si mesmo (por ter provocado isso) ou contra quem levou o castigo a acontecer. Isso não ensina! Isso magoa, machuca, rompe relações, acaba com a autoestima, e não faz aprender mais nada do que "posso ser castigado".

Se a gente ensina que "se eu te vier fazendo isso vai ser castigado" (cantinho de pensar é castigo, sim), a criança não vai parar de fazer isso. Apenas vai parar de fazê-lo na frente da pessoa com poder de lhe castigar. Mas na hora que a pessoa virar as costas, está livre de fazer aquilo, pois a única coisa que lhe levava a não fazê-lo era a ameaça do castigo, e não as consequencias da propria ação em si. Se a criança, por contra, aprender que "se eu puxo o cabelo da Luisinha ela chora, porque puxar o cabelo machuca, e daí ela não quer mais ficar aqui comigo", ela está aprendendo a verdadeira consequencia do que ela fez.

O que as crianças querem, e o que os pais queremos que queiram

Outra coisa é ela querer realmente que a Luisinha fique ai com ela. É um desejo da criança ou da mãe da criança, que gosta de ficar batendo um papo com a mãe da Luisinha? Nesse caso, o fato da Luisinha chorar e querer ir embora é a consequencia procurada. Eles tem ainda muito para aprender socialmente. Efetivamente, puxar o cabelo dela e fazê-la chorar não é a forma apropriada de comunicar à nossa mãe que "estou de saco cheio da Luisinha na minha casa pegando os meus brinquedos e roubando o meu tempo em exclusiva com você". Usam as vias de comunicação que estão ao seu alcance.

Talvez estejamos exigindo do nosso filho coisas que não são proprias da idade deles, ou que não são as que eles mesmos querem, senão as que a gente quer que eles queiram. Que tal um olhar empático, em lugar do castigo facil, nos lavando as mãos?

A longo prazo

E isso, pais e mães, como todo na educação, não acontece de hoje para amanhã. É um exercício a longo prazo. Requer da gente confiança. Confiança nas nossas escolhas, confiança na falta de maldade natural nos nossos filhos, confiança em que "quem semea, colhe", confiança no proprio ritmo de desenvolvimento da criança, confiança num futuro mais humano... Confiança. Não é facil, não, gente!

Elena de Regoyos para MamaÉ
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lunes, 19 de agosto de 2013

"Muito leitinho" para eles?

Quando cheguei ao Brasil e comecei participar de listas de maternagem consciente me chamou a atenção que, quando tinha nascido um bebê da lista, as outras mães lhes desejavam "muito leitinho". No começo, confeso, achei fofo. Uma forma carinhosa de desejar suceso na amamentação. Mas tinha alguma coisa que destoava dentro de mim.

Quando alguém deseja sorte com alguma coisa para alguém (com a nossa melhor intenção, sempre, obvio), estamos transmitindo para essa pessoa que:

-Existem muitas chances de -inclusive que o normal seria- não alcançar o objetivo.

-Não depende dela conseguí-lo.

-Se o consegue, pode se considerar afortunada pois "foi lhe desejada e otorgada a sorte".

Em definitiva, se desejamos para uma mãe e o seu recem nascido bebê que tenham "muito leitinho", não estamos contribuindo em absoluto ao empoderamento dessa mulher. Pois não parecemos contemplar nem confiar em que, naturalmente, eles vão ter, de fato, tanto leitinho quanto esse bebê precisar. Não estamos lhes transmitindo a certeza de que esse seu corpo de mulher está perfeitamente pronto (salvo casos raros) e preparado para nutrir o bebê dela com a quantidade de leite exata que ele fôr precisar (nem mais nem menos, pois se fôr demais, também, podemos acabar com uma mastite!).

Podem surgir difficuldades? Com certeza. Para isso existem cada vez mais profissionais formados e informados que podem lhes ajudar, assim como grupos de apoio.

Por outro lado, quantidade de leite (que é o que com essa frase desejamos e, curiosamente, também a questão mais demandada nos atendimentos de amamentação: "Tenho suficiente leite?") se determina práticamente por um único fator: AMAMENTAR EM LIVRE DEMANDA. Isto significa dar de mamar ao nosso bebê tantas vezes quanto ele quiser, durante tanto tempo (pouco ou muito!) quanto ele quiser. Quanto ele quiser. Quando ele quiser. Quanto ele quiser.

Ma se já começamos lhes desejando "muito leitinho" como se isso fosse uma questão de sorte, pode crer que a confiança dessa mulher talvez se resinta mais um pouco ou, como mínimo, não vai se ver fortalecida em absoluto.

Podemos lhes desejar muito sossego para eles dois poderem se vincular em paz. Podemos, também, lhes desejar ajuda al redor para ela não se preocupar com outras questões além do bebê. Podemos lhes desejar um pediatra bem informado e um entorno livre de opinólogos, assim como o apoio de um grupo de mães que também amamentem e de profissionais bem informados em caso de difficuldade. Podemos lhes desejar, em definitiva, que todas essas questões externas que podem determinar que o seu aleitamento seja melhor sucedido estejam ao seu favor para assim essa mãe conseguir confiar nela mesma e sua capacidade de nutrir o filho, confiando também na demanda do seu bebê, seja ela qual fôr.

Vamos cuidar a linguajem e a que transmitimos subconscientemente com ela?

Elena de Regoyos para MamaÉ
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jueves, 1 de agosto de 2013

Mamaço em Campinas pela Semana Internacional do Aleitamento Materno 2013

Você também se enorgulha de amamentar o seu filhote? Também acha que é o melhor que você pode lhe dar como nutrição física e emocional? Também ouve ou teve que ouvir comentários como que "leite de fórmula alimenta igual"? Que "amamentar é coisa de índia"?
 
Quer contribuir a normalizar um ato de amor e saude tão lindo como necessário para a espécie humana, como mamíferos que somos? Então venha esta semana ao mamaço organizado e sinta-se em tribo com todas as mães que, como você, querem presumir de filho amamentado!
 
MamaÉ apoia!
 


Desde 1992 tem-se tentado sensibilizar o mundo em prol do aleitamento materno através da Semana Mundial do Aleitamento Materno,com diversos temas relacionados aos hospitais, às mães, às famílias, focando a lei, as questões financeiras envolvidas, o empoderamento da mulher, a informação, a mídia, a globalização, a sustentabilidade, etc.

O assunto este ano será o fortalecimento do aleitamento materno através do círculo de apoio às mães.

Cada um de nós fazendo sua parte, mostrando para apenas mais uma mãe que ela não está só nesse caminho, já estaríamos melhorando em muito a situação atual.

Como Grupo Vínculo aderir à HORA DO MAMAÇO em comemoração da SMAM 2013 de 1/8/2013 a 8/8/2013. O encontro será na Praça Arautos da Paz com o objetivo de impactar a nossa cidade. No ano passado foram 45 cidades envolvidas e este ano queremos que Campinas também seja protagonista desta mobilização!

A proposta é mamaço/caminhada/slingada dia 04 de Agosto (Domingo) às 14 horas na Arautos da Paz. Levaremos cartazes, faixas, bexigas, etc e gravaremos um vídeo para juntar aos outros vídeos que serão gravados nos mamaços das outras cidades e assim divulgar o movimento em apoio e incentivo ao aleitamento materno.

Durante a SMAM também faremos uma campanha de coleta de frascos de vidro com tampa de plástico (tipo Nescafé) para armazenar leite materno. Os frascos serão entregues ao Banco de Leite da Maternidade de Campinas.

POSTOS DE COLETA DE FRASCOS:

- Loja Pra Mamãe Moda Gestante - Tel. 3255.8619 - Av. Julio de Mesquita, 61 - Cambuí - Horário: Segunda - Sexta das 9:00 às 18:00 h.

- Instituto Dentale (Karina Falsarella Dos Santos) Tel. 32373020 - Rua Joaquim Novaes, 116, Cambui.

- Arte de Nascer (Adriana De Lima Mello) - Rua Frei Antônio de Pádua, 773, Jd. Guanabara. Horário: Sexta-Feira das 13:40 às 17 h.

- Coleta na Hora do Mamaço - Praça Arautos da Paz - Domingo 04/08 às 14 h.

viernes, 26 de julio de 2013

De mamilos, bonecas e nudez não sexual / De pezones, muñecas y desnudez no sexual


 
(Artigo em português embaixo)
 
Estamos cada vez más púdicos. Hoy me han llamado la atención (me han regañado) por tener a Alicia, de un año, desnuda en la piscina de la urbanización.

Me pregunto qué será lo que molesta de un culo y un... ¿cómo llamarlo? Hasta para eso hay tabúes, nunca tuvo nombre para mí y nunca sé cómo llamarlo, cuando se trata de niñas: un potorrillo, un chichi, una vulva, una rajita, una flor, una pitita de niña pequeña.

Es una desnudez no sexual (mentes perjudicadas aparte).

El otro día fui de compras con dos amigas de mi hermano pequeño, dos bellezas encantadoras, además, de 20 años. Y al pagar en la tienda de biquinis vi unas cosas redondas, pequeñas, de silicona. Pregunté, curiosa, para qué demonios servía eso, y me respondieron entre ellas y la cajera, que "hombre, pues para que no se note el pezón cuando no usas sujetador". Mi inocente respuesta: "si somos mujeres, y las mujeres tenemos pezones, ¿por qué tendríamos que ocultarlo? ¿a quién queremos engañar aparentando tener tetas sin pezones? ¿Y por qué?"

Es una desnudez no sexual. Como más púdica, ¿no? Teta sí, pezón no.

Si una chica divina baila desenfrenada (o sin desenfreno) en un discoteca, dejando intuir que bajo su camiseta no usa sujetador, no pasa nada. Nada criticable, digo (o ni eso, porque es probable que la llamen puta, por desmelenada y por exhibicionista, por no ponerse el cubrepezones de silicona de la tienda de biquinis). Pero si mi madre tiene el biquini mojado y se lo quita bajo la camisola de piscina, y se queda de esa guisa tomando su vino blanco en el club de la urbanización, ahí ya no. Los autores de afilados comentarios no la tacharán de puta, porque a esa edad no se considera (qué absurda es la conciencia colectiva), pero probablemente la llamarán guarra.

Es una desnudez no sexual. Menos mal que a mi madre se la trae al pairo. Gracias, mami, por transmitirme eso.

Es decir, desnudos o pseudodesnudos practicados, divulgados y utilizados para atraer la sexualidad (generalmente del hombre) sí se aceptan, pero desnudos o pseudodesnudos practicados por comodidad o por simple voluntad de hacerlos son censurables y, con certeza, muy criticables: el de mi hija pequeña en la piscina, el de mi madre sin biquini bajo la camisola...

En las playas de Brasil no se permite el top less. Por eso los biquinis son tan pequeños. Se puede enseñar todo salvo el pezón y (de nuevo tengo que nombrar esa parte sin nombre, ¡qué molesto!)... "lo de alante". El coño, lo dije. Tetas, todas las que quieras (salvo el pezón, recuerden), y culos, enteritos. Pero pezones y coños, vetados.

¿Qué problema tenemos con los pezones? ¿Qué problema hay con los coños?

Pues el matiz, ¿por qué no?, está en el sexo, el sexo como se entiende en la visión machista, o machocentrista, del sexo. El pezón es lo que el bebé/niño chupa para alimentarse de su madre. La vagina es por donde el bebé nace. Son parte de la sexualidad femenina en la que el hombre no está involucrado: parto, amamantación... O vale, lo está (sí, la vagina principalmente), pero cumplen "papeles tabú" para la sexualidad machocentrista.

Las chicas pueden ir por ahí con camisetas ajustadas, mostrando sus curvas, evidenciando que tienen tetas, sin embargo ocultan sus pezones. Pueden mostrar sus tetas (con grandes escotes o con camisetas apretadas), pero no los pezones. ¿Por qué este límite?

Es como esas muñecas sin vulva, que no tienen "raja" delante, sean muñeca tipo "mujer adulta" (Barbie, para entendernos) o tipo bebé. Las muñecas adultas, igualmente, tienen tetas, pero no pezones. ¡Oh sorpresa! ¿Otra vez nos descubrimos negando, ocultando, ignorando, eso que todas tenemos?

Pero... ¿Por qué? Como de estos temas tiene mucho más camino trillado mi admirada Erika Irusta, de "El Camino Rubí", le he preguntado, y además de recomendarme este revelador artículo, que sin duda ofrece muchas respuestas, me ha dado su opinión personal:

"En la base creo que es porque la niña como mujer no es entendida simbólicamente como sujeto. Es un objeto, además sexual. Se le reconoce fisiológicamente su naturaleza de sujeto pero simbólicamente es una mujer y en el imaginario colectivo- patriarcal una mujer es para ser mirada, atravesada por la pupila del deseo de los hombres.
 
El niño puede ir desnudo porque es hombre, es sujeto simbólico. Las niñas no, porque se relaciona con la excitación sexual y el deseo lujurioso en tanto que son objetos. Esto como digo reside en la mirada adulta, que es creada por la cultura (tradición)".
 
Del artículo citado (Cuestión de Pezones, de Beatriz Gimeno) me quedo con ciertos fragmentos que reproduzco aquí, porque dan que pensar...

"Aunque dar de mamar en público aún no está siempre plenamente aceptado, lo cierto es que este es el único momento en que puede verse un pezón femenino en público en un contexto cotidiano. La razón es obvia: en estos casos, sólo en estos casos y de manera muy frágil, la maternidad se impone a la sexualidad. El pezón maternizado oculta al pezón sexualizado y le da cierta respetabilidad, aunque no sin tensión y no siempre. [...] la incomodidad que sienten algunos al ver a una madre dando de mamar pone de manifiesto que la relación entre maternidad y sexualidad es también un tema tabú. El pezón maternizado suaviza al pezón sexual, pero no del todo".
 
FEMEN (Spain)
"Para Facebook las mujeres podemos tener y enseñar las tetas siempre que no tengan pezones. No hay más que ver las fotos que ha tenido que retocar FEMEN para que no cierren sus páginas. Son las mismas fotos, ellas están igualmente desnudas, las tetas se ven claramente, pero son unas tetas extrañas, sin pezón, parecen una extraña especie de marcianas. Así sí se pueden mostrar. Al parecer, según Facebook, una teta con pezón es pornográfica e incita a la prostitución, pero una teta sin pezón es inocente de toda culpa".
 
"Las mujeres no podemos enseñar los pezones porque están sexualizados y las mujeres no tenemos sexualidad, o no debemos tenerla, o no debe notarse; porque nuestro cuerpo es un objeto que no es para sí mismo (para sí misma) sino para otros y, por tanto, tiene capacidad para, pasivamente, incitar y provocar a quienes sí tienen capacidad de agencia (aunque paradójicamente y al mismo tiempo se supone que no pueden contenerse); porque nuestro cuerpo no nos pertenece y nuestra sexualidad tampoco: es de un hombre y sólo él debe tener acceso al mismo o a lo sexual del mismo".
 
Elena de Regoyos para MamaÉ
Prohibida la reproducción sin autorización
 
 

De mamilos, bonecas e nudez não sexual
 

 


Estamos cada vez mais púdicos. Hoje me chamaram a atenção (levei uma bronca) por ter a Alicia, de um ano, pelada na piscina do condomínio.

Eu me pergunto o que é que incomoda de uma bunda e de uma... Como chamá-la? Então, até para isso tem tabus. Isso nunca teve nome, para mim, e eu nunca sei como chamá-lo, quando se trata de crianças: uma potoca, uma periquita, uma vulva, uma chochota, uma flor, uma perereca de menina.

É uma nudez não-sexual (tarados aparte).

No outro dia eu fui fazer compras com duas amigas do meu irmão mais novo, duas belezas encantadoras de 20 anos. E na hora de pagar na loja de biquínis vi umas coisas redondas, pequenas de silicone. Eu perguntei, curiosa, o que diabos era aquilo, e me explicaram que "ué, é para ninguém perceber o bico do peito quando você não estiver usando sutiã". Minha resposta: "Se somos mulheres, e as mulheres têm mamilos, por que deveriamos ocultá-los? A quem queremos enganar aparentando ter peitos sem bico? E por quê fariamos tal coisa?"
É uma nudez não-sexual. Como mais púdica, né? Teta sim, mamilo não.

Se uma garota dança numa boate deixando intuir sob a camisa que não está usando sutiã, nada acontece. Nada censurável, quero dizer (ou nem isso, porque é provável que seja chamada de puta, por exibicionista, por não estar usando o cobre-mamilos de silicone da loja de biquínis). Mas se minha mãe está com o biquíni molhado e tira ele sob a bata de piscina, e fica desse jeito tomando um vinho branco no clube social do condomínio, aí não dá. Os autores dos comentários afiados não a acusarão de ser uma vagabunda, porque nessa idade não se considera (absurdos da consciência coletiva), mas provavelmente vão chamá-la de suja ou descuidada.

É uma nudez não-sexual. Por fortuna, a minha mãe não liga para isso. Obrigado, mãe, por ter me transmitido isso.

Então, nudez, ou pseudodesnudez, praticada, divulgada e utilizada para atrair a sexualidade (geralmente do homem) é aceita, mas nudez ou pseudodesnudez praticada por conforto ou por simples desejo são condenáveis ​​e, certamente, também criticáveis: a da minha filha pequena na piscina ou a da minha mãe sem biquini sob a camisa...

Nas praias do Brasil não é permitido o topless. É por isso que os biquínis são tão pequenos. Você pode ensinar tudo, salvo o mamilo e (mais uma vez preciso falar dessa parte sem nome, que chato!) ... e "o da frente". A buceta, finalmente o disse. Peitos, tudo que você quiser (exceto o mamilo, lembre-se), e bundas, inteirinhas. Mas mamilos e xanas, vetados.
Qual é o problema que temos com os mamilos? Que problema existe com as xanas?

O matiz, porque não, é o sexo, o sexo tal como é entendido na visão machista, ou machocentrista, do sexo. O mamilo é o que o bebê/criança suga para se alimentar da sua mãe. A vagina é por onde o bebê nasce. Eles dois fazem parte da sexualidade feminina na que o homem não está envolvido: o parto, a amamentação ... Ou ta bom, ele está envolvido, sim (na vagina, principalmente), mas implicam papeis "tabu" para a sexualidade machocentrista.

As garotas podem sair por aí com camisetas apertadas mostrando suas curvas, evidenciando que elas têm seios, porém escondem seus mamilos. Elas podem mostrar seus seios (com decotes ou camisas apertadas), mas não os mamilos. Por que esse limite?

É como aquelas bonecas sem vulva, sem "fenda" na frente, já sejam tipo "mulher" (Barbie, para nos entendermos), ou tipo bebê. As bonecas adultizadas, também, tem seios, mas não mamilos. Oh surpresa! Mais uma vez nos encontramos negando, escondendo, ignorando, que todas nós temos?

Mas ... Por quê? Como nessas questões têm muito mais caminho andado a minha admirada Erika Irusta, do "Caminho Rubí", eu lhe perguntei, e além de me recomendar este revelador artigo, que certamente fornece muitas respostas, me deu sua opinião pessoal:

"Em principio, eu acho que é porque a menina, como mulher, não é entendida simbolicamente como sujeito." Ela é um objeto, ademais sexual. É reconhecida fisiológicamente a sua natureza de sujeito, mas simbolicamente é uma mulher, e no imaginário coletivo-patriarcal uma mulher é para ser vista, atravessada pela pupila do desejo dos homens.

O moleque pode ir pelado porque ele é o homem, é sujeito simbólico. Meninas não, porque se relacionam com a excitação sexual e o desejo luxurioso por elas serem objetos. Isto, como já disse, reside no olhar adulto, que é criado pela cultura (tradição)".


Do artigo citado (“Cuestión de pezones”, de Beatriz Gimeno) eu vou reproduzir aqui alguns fragmentos que com certeza darão o que pensar...

"Embora a amamentação em público ainda não está totalmente aceita, o fato é que esta é a única vez que você pode ver um mamilo feminino em público em um contexto cotidiano. A razão é óbvia: Nestes casos, apenas nestes casos e de maneira muito frágil, a maternidade se impõe à sexualidade. O mamilo maternizado se impõe ao mamilo sexualizado e lhe dá certa respeitabilidade, embora não sempre e nem sem tensões. [...] O desconforto que algumas pessoas sentem ao ver uma mãe amamentando mostra que a relação entre maternidade e sexualidade também é um tema tabu. O mamilo maternizado suaviza o mamimo sexual, mas nem completamente."

FEMEN (Spain)
"Para o Facebook as mulheres podemos ter e ensinar os peitos, a menos que eles tenham mamilos. Só precisa ver as fotos que FEMEN retocou para o Facebook não fechar suas páginas. São as mesmas fotos, elas estão igualmente peladas com os peitos claramente visiveis, mas são uns peitos esquisitos, sem mamilos, que lhes fazem parecer um estranho tipo de ET. Dessa forma sim, você pode se exibir. Aparentemente, de acordo com o Facebook, um peito com mamilo é pornografico e incita à prostituição, mas um peito sem mamilo é inocente de toda culpa."

"As mulheres não podem ensinar os mamilos, porque as mulheres são sexualizadas e as mulheres não temos sexualidade, ou não deveriamos ter, ou não deveriamos evidenciá-la, porque nosso corpo é um objeto que não é para si (para si mesma), senão para os outros e, portanto, tem capacidade para, passivamente, incitar e provocar aqueles que têm capacidade de agência (embora, paradoxalmente, e ao mesmo tempo se supõe que não podem se controlar), porque o nosso corpo não nos pertence e nem a nossa sexualidade: é de um homem, e só ele deve ter acesso a ele ou ao sexual dele."
 
 
Elena de Regoyos para MamaÉ
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