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jueves, 30 de junio de 2011

Tempo de qualidade ou quantidade de tempo?

Perguntavam-me hoje o que eu acho sobre o tempo de qualidade dedicado aos filhos... Entende-se, tempo de qualidade em contraposição a quantidade de tempo. Para começar, pensemos só na seguinte situação: o funcionário diz para o chefe, na empresa: "Oi, bom dia, eu queria dizer para o senhor que tenho decidido não vir trabalhar mais as 8 horas diárias, senão só 1 hora cada dia... mas não se preocupe o senhor, não, porque esse tempo, porém escaso, vai ser tempo de qualidade viu?" Imaginem a cara do chefe... Se ele jamais aceitaria uma proposta assim, por quê temos que acreditar que com nossos filhos deve ser differente? Ou pretendemos enganar eles? Provavelmente a quem queremos enganar é a nós mesmos...

Bom, para começar, eu acho que o primeiro é definir “tempo de qualidade”. Os “especialistas” (aliás... especialistas em quê?) andam falando ultimamente muito em isso do tempo de qualidade. Eu tenho até lido que “com meia hora por dia de tempo de qualidade com os filhos é suficiente para forma um vínculo estável”.

Vamos ver... De 24 horas que um dia tem, você esta me contando que se eu passo meia hora (de qualidade, sim) com o meu filho, ele vai ficar feliz e satisfeito? Eu acho que essa pessoa nunca se apaixonou, pois eu lembro muito bem a sensação de querer ficar às 24 horas do dia com o meu amor, querer aproveitar cada minuto, cada momento livre do dia (e da noite) para me grudar em ele, falar com ele ou, simplesmente, estar com ele. Pois é, às vezes basta com estar, porque presença é qualidade. Não era necessário ir ao cinema, preparar um jantar especial ou fazer uma trilha na cachoeira, a maioria das vezes bastava com ESTAR.

Pensemos, então, nos nossos filhos, como os nossos grandes apaixonados. Eles gostariam de ficar às 24 horas do dia grudados em nós, só que lamentavelmente isso não é possível. São muitas as mães que precisam sair trabalhar para ganhar um dinheiro sem o qual não poderiam viver nem pagar as despesas da família. São muitas as que não podem pedir uma redução de jornada e salário, e também muitas que não querem renunciar a essa parte da vida delas. Tudo bem, o importante é cada qual escolher o que puder, segundo as suas circunstâncias.

Pílulas para aliviar a culpa

É para essas mães que foi, eu acredito, inventado isso do “tempo de qualidade”, que ajuda muito para acalmar consciências. Pois a mãe que passa fora de casa tantas horas, longe do filho, se sente mal, se sente culpada. Esse sentimento ruim que não traz nada de bom e no qual tão fortemente temos sido educados no ocidente... A culpa!

Essa mãe é vítima de um sistema devorador que é a sociedade atual, na qual quem não produz fica de fora. Ela produz (trabalha ganhando dinheiro fora de casa) e também consome (precisa de uma escolinha ou similar com quem deixar o filho dela), e assim tudo funciona (economicamente falando). Então é isso, ela é vítima, mas sente-se culpada, e daí vem os grandes gurus vendedores de livros falando em “tempo de qualidade” para acalmar essas consciências.



Mas as mães não são bobas, não. Por muitas falações em esse sentido que escutem, elas ainda sentem que esta faltando alguma coisa... Pois uma mãe onde realmente quer estar quando vira mãe é com o filho dela, e não tem outra. Senão o tempo todo, a maioria dele, enquanto dure o seu puerpério.

Se culpar por não poder fazer o que sente que quer ou precisa fazer, não adianta. Talvez o mais útil em este caso seja se compreender a si mesma, aceitar o seu sentimento de mal-estar, tristeza ou até raiva pela situação, repensar a sua realidade, ver se pode mudar alguma coisa para ficar mais a vontade, e uma vez tenha na sua frente a realidade das suas circunstancias, aceitá-la e dedicar ao seu filho todo o tempo que puder quando estiver com ele às tardes, às noites (mais um ponto positivo para o co-leito ou cama compartilhada, que é uma ótima maneira de compensar em certa forma ausências diurnas, daí que muitas crianças comecem acordar muito mais e reclamar a mãe durante as noites, quando eles começam passar mais tempo separados durante o dia) e nos finais de semana. Delegue tudo o que fôr possível nos outros e faça isso que dentro de uns poucos anos já não vai poder fazer mais: brinque com o seu filho.

O que é tempo de qualidade?

Mas voltemos a essa pergunta inicial... o que é tempo de qualidade? Para uma criança, que precisa de contato permanente com o seu cuidador nos seus primeiros anos, qualidade é se sentir prioritário. Qualidade é que a mãe entre em casa e o primeiro que faça não seja fazer uma ligação, estender roupa no varal ou pôr o arroz para cozinhar. Para uma criança qualidade é ver a sua mãe entrar em casa e comprovar que ela estava esperando tanto esse momento quanto ele, que ela mal tira os sapatos e já esta com a bunda no chão ao lado dele esperando entrar no seu mundo de fantasia. Qualidade é ficar desse jeito um tempão, sem interrupções para fazer uma ligação, para secar o cabelo ou para pôr roupa para lavar. Depois poderá fazer isso. Mas agora, se o que você quer é dar qualidade, fique onde esta e se permita esse momento de prazer junto ao seu filho. Que não exista mais nada na sua cabeça, esqueça as preocupações, os afazeres, as regras...

Porém, como antes indicava, eu acho que quantidade de tempo já é qualidade em si, pois não têm nada melhor para uma criança que ficar com os pais dela, quanto mais tempo melhor. Então, qualidade é fazer feira com mamãe, ajudá-la escolher legumes e ver como ela se relaciona com o pessoal do supermercado. Qualidade é ajudá-la tirar roupas da máquina de lavar e ir passando os prendedores quando ela vai estendendo ela no varal. Qualidade é parar para comer uma fruta juntos. Qualidade é cozinhar esses alimentos que os dois foram comprar de manhã cedo. Tomar um banho sem presas, fazer cócegas... Tempo é qualidade.

Como o grande Armando Bastida (pai comprometido) diz, “Não há melhor forma de ensinar a viver a uma criança que permitir que ele viva a nossa vida a través dos seus olhos, fazendo-os partícipes do cotidiano”.

Brinquemos

Uma vez assumido isso chega a parte mais complicada: temos que brincar. Parece fácil, parece até tonto... Mas não o é, não. Sentar a bunda no chão e entrar no mundo das crianças não é tão simples. Geralmente caímos no erro de nós, adultos, inventarmos a brincadeira, nós estabelecermos as regras, nós dirigirmos a ação. Rara vez nos deixamos levar pelo que a criança quer fazer, pois nós gostamos de regras básicas e roteiros pré-estabelecidos, e eles são criatividade e espontaneidade em estado puro, coisas essas com as quais faz tempo que nós perdemos o contato. Sentimo-nos incômodos com essas “regras do jogo”, não as dominamos, e rapidamente inventamos uma outra coisa, a qual seja possível dirigirmos com as nossas próprias regras. Ou senão saímos com um estratégico “vou ver se a comida do forno esta queimando”.

Se impusermos regras, estaremos levando de novo à criança para esse mundo adulto no qual esta obrigado a viver o dia todo (com horários de entrada e saída da escola, obrigações, normas de comportamento...). Brincar “bem” é parecido demais com “se comportar bem”, e isso já não é brincar!! A psicóloga argentina Laura Gutman o explica assim:

“Para que serve brincar com os nossos filhos? É a forma mais direta de entrar em relação com eles. Geralmente pedimos para eles que se adaptem ao mundo dos adultos. Brincar com eles é fazer o caminho inverso: nós nos adaptamos por um tempo ao mundo das crianças. Parece ser um combinado justo”.

Tentem brincar com as regras do jogo que seus filhos estabeleçam, tentem se deixar levar por eles. Não é fácil e muito provavelmente você se sinta perdida às primeiras vezes, mas saberemos que estamos no caminho certo se a criança desfruta, seja trocando pedaços de papel cortados sem fins estéticos, fazendo cambalhotas ou imitando caretas com sons esquisitos. Como a Laura Gutman diz, “se a criança não esta envolvida, mas nós estamos nos divertindo, estamos esquecendo a criança real e estamos brincando com a nossa criança interior. E isso aí, que é muito bom, podemos fazê-lo em outro momento”.

Outros textos do MamaÉ:

-
O que fazem as mães... Principalmente quando parece que não fazem nada
-O puerpério e as falsas expectativas da mulher grávida
-O sono dos nossos filhos e as conseqüências de deixá-los chorar
-Co-leito ou cama compartilhada. Por quê? O que é isso? Como fazê-lo de forma segura?
-O que é “Criação com Apego” ou “Attachment Parenting”

Elena de Regoyos
(19) 9391 4134

lunes, 27 de junio de 2011

Co-leito ou cama compartilhada. Por quê? O que é isso? Como fazê-lo de forma segura?

"Mãe... se eu tenho medo às noites e você e o papai não têm... Por quê é que eu tenho que dormir sozinho e vocês dormem juntos?"
Não sei vocês, mas quando eu leio coisas destas (bem mais embaixo esta o artigo sobre a publicação de um livro incentivando o compartilhamento da cama com os filhos) me invade uma satisfação e uma tranquilidade imensas. Porque eu posso ter cometido e cometo diariamente erros com os meus filhos, mas a hora de ir dormir é o nosso momento. Desde que sou mãe e, mais particularmente, desde que eu durmo com os meus filhos (teve que chegar o segundo para eu começar fazê-lo com os dois), essa hora é a mais especial do nosso dia.

Essa hora é quando estamos juntos, em contato físico e emocional, com a calma e quietude suficiente como para re-organizar idéias e sentimentos do dia todo. É quando, às vezes, nos pedimos desculpas de coração por coisas feias acontecidas durante o dia. É quando Paulo filosofa sobre a vida, me questiona sobre a morte, me conta acontecimentos especiais do seu dia e também me pergunta “onde é que mora a raiva”. É o momento em que, no escuro, nos damos a mão, nos aconchegamos os três.

Era o momento em que Adriano mamava gostoso antes de dormir até faz uns poucos meses. O momento em que um, ou outro, me pergunta se pode deitar encima de mim, como se fossemos um sanduíche. É o momento em que, quando eles se dormem, fico sentindo a sua respiração no meu pescoço, o cheiro gostoso do seu hálito. Ou se sou eu quem me durmo primeiro, Paulo me diz no dia seguinte que “você estava muito bonita dormindo à noite”.

Eu não posso dizer mais que “quem não o faça, isso que eles se perdem”. Eu tenho total certeza em que esse momento diário nosso será um dos que eu lembre com maior nostalgia quando meus pequenos sejam grandes. Sem dúvida alguma, é o nosso momento. O mais doce, o mais gostoso, o mais especial.

Como fazê-lo? Co-leito, co-habitação, mesma cama, duas camas unidas, berço em "side-car"...
Tem muitas formas de co-leitar (compartilhar cama), ou inclusive de co-habitar (compartilhar quarto). Eu já passei por muitas opções, e existem muitas outras. Na mesma cama, em duas camas juntas (de casal e de solteiro), com o berço unido à cama do casal, no mesmo quarto em camas separadas... Conheço até pessoas que tiraram as camas do quarto de casal e colocaram algo assim como um quarto acolchoado inteiro, ficando um espaço geral onde poder se esticar, dormir e co-leitar / co-habitar todos juntos (tinham dois filhos). Assim o bebê não pode nem cair no chão!!
Quando Adriano nasceu, ele dormia em um colchão colado ao nosso, do casal, bem juntinho à parede pelo outro lado para ele não cair, e ficando extamente à altura da nossa cama para evitar acidentes nas juntas de ambas camas. Assim passamos bastante tempo. Depois passamos a dividir cama ele e eu, enquanto o meu marido co-habitava com Paulo, que não queria ficar sozinho no quarto dele. Em épocas de férias na Espanha, eu com os meninos, co-habitávamos os três, mas não co-leitávamos, pois eram todas camas de 70cm em um mesmo quarto (ainda assim, muitos dias amanhecia com um ou o outro na cama).

Agora co-habitamos os quatro, co-leitando em duplas, eu com o meu marido, e Paulo com o Adriano. Os adultos na cama de casal, e os meninos em um colchão de casal no chão, ao nosso lado. Esse era o sonho da vida de Paulo, dormir os quatro juntos!! À hora de ir dormir, o meu marido ou eu (dependendo se eu vou dar aula à noite) vamos dormir com eles. Às vezes ficam na cama deles embaixo e o adulto na outra. Mas às vezes, também, eles sobem e ficamos que nem sanduíche os três juntinhos. Às vezes ficamos assim a noite inteira, outras eles descem depois de um pouquinho...

Tem que pensa que é um descontrole... Para nós é liberdade. Dormimos como queremos, como gostamos e como mais felizes somos. E se alguém fala o típico de “assim eles não vão se acostumar a dormir sozinhos”, eu respondo “é que eu não quero que eles sofram quando depois eles casem e tenham que dormir acompanhados”

A comentários absurdos, respostas ingeniosas. Pois até hoje não sei de nenhum adolescente são e feliz que queira dormir cada noite na cama dos seus pais. E coitada da mãe que o pretenda!! Não... definitivamente, e como acontece com tudo, são etapas madurativas, fases da evolução natural do ser humano. Eles sozinhos decidem sair da cama e quarto dos pais, quando adquirem a madurez suficiente. E, sim, isso acontece antes ou depois.

Adriano com 3 anos geralmente prefere dormir sozinho, mas sabe que, se ele quer subir na nossa cama, sempre será bem-vindo, e muitas noites ele precisa disso. Tem essa certeza, e sente-se seguro com ela. Paulo, com 5 anos, já prefere (ou precisa) mais o contato físico... talvez esse que ele não teve desde que nasceu, porque eu ainda não me permitia seguir os meus instintos. Ainda assim, dorme tranqüilo lá embaixo sabendo a mesma coisa, que em dias mais manhosos, pode subir com nós. É revelador que aquele que teve mais contato, mais compreensão, aleitamento até que ele decidiu parar (depois dos 3 anos)... é o que menos se importa com dormir sozinho e quem pede essa independência, também em outros aspectos da vida diária, naturalmente.
Co-leito seguro, medidas de segurança

Evidentemente, para dormir junto com um bebê de forma segura temos que preservar umas condições de segurança mínimas e básicas. Não são muitas, mas sim muito importantes... No mais... é só sentido comum. No final das contas, durante milhões de anos de evolução a humanidade não durmiu de outro jeito, e aqui estamos hoje, sobrevivendo a essas práticas. E ainda hoje na maior parte do mundo (no ocidental) é o mais comum. No Japão as crianças dormem com os seus pais até mais dos 3 anos, e quase sempre até os 5. Só na sociedade ocidental, e exclusivamente desde faz ao redor de um século, temos abandonado o co-leito, com não muito bons resultados para a nossa saúde mental e física, aliás.

Bom, estas são as dicas básicas para compartilhar cama com o(s) seu(s) filho(s):

1. A cama deve ser de colchão firme, nunca compartilhe cama com um bebê em um colchão de água, sofá ou cama com almofadas onde ele possa se encaixar. Se coloca um berço em "side-car" (sem um dos laterais, amarrado lateralmente à cama do casal), ou uma cama junto a do casal, os colchões de ambas superfícies devem ficar à mesma altura e bem juntos, sem posibilidade do bebê ficar atrapado entre ambos. Obviamente, pelo outro lado, deve haver uma parede ou barrera segura para evitar que o bebê caia ao chão.

2. Nenhum dos pais ou pessoa que compartilhe a cama com o bebê deve ser fumante (mesmo que não tenha fumado na hora de ir dormir ou no quarto, o hálito é perigoso), ter bebido alcohol ou usado drogas.

3. Pessoas obesas (mórbidos) não devem dormir junto com um bebê, porque os seus movimentos são limitados e o seu peso um possível risco para o bebê.

4. É necesário evitar fitas ou cordões nas roupas do bebê, da cama ou dos pais, para evitar riscos. Assim como amarrar o cabelo se este é longo.

5. Não é conveniente agasalhar demais o bebê, pois o calor corporal já faz muito. Evite um exceso de calor no quarto e cama onde vocês estão.

“As crianças deveriam dormir com os pais até os 5 anos”


Um dos mais conhecidos especialistas em saúde mental infantil do Reino Unido aconselha aos pais que não sigam anos de convencionalismos e permitem às crianças dormir na cama com eles até os 5 anos. Margot Sunderland, diretora de educação no Centro para a Saude Mental Infantil de Londres, diz que a prática do co-leito ou cama compartilhada faz mais provável que as crianças possam chegar a ser adultos sãos e tranqüilos.

Sunderland, autora de 20 livros, o explica em ‘The Science of Parenting’ (A Ciencia de Sermos Pais), que será publicado este mês.

Ela esta tão segura dos descobrimentos que aparecerão no seu novo livro, baseados em 800 estudos científicos, que até pediu que fosse entregue às enfermeiras de pediatria uma folha de dados para educar aos pais sobre o co-leito.

“Estes estudos deveriam ser disseminados amplamente aos pais”, disse Sunderland. “Não culpo aos que escrevem guias para pais – por que eles iriam saber de ciência? O noventa por cento é tão novo que agora eles precisam conhecê-lo. Não tem nenhum estudo que diga que seja bom deixar chorar ao seu filho”.

Ela diz que a prática comum no Reino Unido de ensinar às crianças a dormirem sozinhas desde que elas têm apenas umas semanas é perigosa, porque a separação dos pais incrementa o fluxo dos hormônios do stress, tal como o cortisol.

Os seus descobrimentos estão baseados no avanço da compreensão científica durante os últimos 20 anos sobre como é o desenvolvimento do cérebro das crianças, e em estudos nos quais usam ressonâncias para analisar como elas reagem em circunstancias particulares.

Por exemplo, um estudo neurológico de faz três anos mostrou que uma criança que é separada de um dos seus pais experimentava atividade similar à uma que estivesse tendo dor física.

Sunderland também acredita que a prática atual esta baseada em atitudes sociais que deveriam ser abandonadas. “Existe um tabu em este país sobre que as crianças durmam com os seus pais”, ela disse. “O que eu fiz com este livro é apresentar a ciência. Estudos do mundo inteiro mostram que o co-leito até os cinco anos é um investimento para a criança. Eles podem ter ansiedade da separação até a idade dos cinco anos ou mais, o qual pode danificar eles toda a vida pela frente. Isso fica acalmado graças ao co-leito".

Os sintomas também podem ser físicos. Sunderland cita um estudo no qual aproximadamente 70% de mulheres que não tinham sido atendidas quando elas choravam sendo crianças, desenvolvem dificuldades digestivas na idade adulta.

Os métodos que defendem o contrário

O livro de Sunderland coloca ela bem longe dos livros mais lidos no Reino Unido sobre como sermos pais, tais como o da Gina Ford, que tem milhares de seguidores. Ford recomenda que sejam estabelecidas rotinas de sonho para bebês desde bem pequenos, já no berço “longe do resto da casa” e ensinar aos bebês a dormirem “sem a ajuda dos adultos”.

No livro dela, “The Complete Sleep Guide for Contented Babies and Toddlers”, escreve que os pais precisam de tempo para si mesmos. “O co-leito... geralmente acaba com dos pais dormindo em quartos separados” e mães exaustas, uma situação que “põe uma pressão imensa na família inteira”.

Annette Moutford, diretora da organização para país “Family Links”, confirma que a norma era que as crianças do Reino Unido dormissem em berços e camas, geralmente em quartos separados, desde a mais terna idade. “Os pais precisam do seu próprio espaço”, ela disse. “Definitivamente existem benefícios em animar às crianças a ter sua própria rotina de sonho no seu próprio espaço”.

Por qué não seguir essas dicas?

Sunderland diz que foi comprovado que o fato de pôr às crianças nas suas próprias camas quando elas só têm umas semanas de idade, inclusive se elas choram durante a noite, incrementa o fluxo de cortisol (hormônio do stress).

Os estudos com crianças de menos de cinco anos mostram que para mais do 90%, o cortisol aumenta quando eles vão à escolinha ou berçário. Para o 75% o cortisol desce quando eles voltam a casa.

O professor Jaak Panksepp, neurocientífico na Washington State University, que escreveu o prólogo do livro, disse que os argumentos de Sunderland são “uma estória coerente que é perfeitamente consistente com a neurociência. Uma sociedade sábia deveria seguir os conselhos dela”.

Sunderlans diz que pôr às crianças para dormirem sozinhas é um fenômeno peculiar da sociedade ocidental que pode aumentar os riscos e possibilidades do Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL). Isto pode ser devido a que a criança se desliga do efeito calmante para a respiração e coração que significa estar deitado ao lado da mãe dele, gerando sincronia nos ritmos de ambos.

“No Reino Unido 500 crianças morrem cada ano de SMSL”, escreve Sunderlans. “Na China, onde (o co-leito) é normal, o SMSL é tão raro que não tem nem nome”.

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Mais informação em MamaÉ:

-O sono dos nossos filhos e as conseqüências de deixá-los chorar

-O puerpério e as falsas expectativas da mulher grávida

domingo, 26 de junio de 2011

O que é “Criação com Apego” ou “Attachment Parenting”



 O "attachment parenting" (criação com apego), é uma expressão cunhada pelo pediatra americano William Sears, uma filosofia baseada nos princípios da teoria do apego em psicologia do desenvolvimento. De acordo com a teoria do apego, uma forte ligação emocional com os pais durante a infância, também conhecida como apego seguro, é um precursor de relacionamentos seguros e empáticos na idade adulta.

A Teoria do Apego, originalmente proposto por John Bowlby, afirma que a criança tem uma tendência a buscar proximidade com uma pessoa e se sentir segura quando essa pessoa está presente. Em comparação, Sigmund Freud propôs que o apego era uma conseqüência da necessidade de satisfazer desejos ocultos. Na Teoria do Apego, o apego é considerado um sistema biológico e as crianças são naturalmente ligadas aos seus pais porque eles são seres sociais, não apenas porque eles precisam de outras pessoas para satisfazer seus desejos. O apego é uma parte normal e saudável do desenvolvimento infantil.

A psicóloga do desenvolvimento Mary Ainsworth criou um procedimento chamado Strange Situation (A Situação Estranha), para observar relações de apego entre mãe e filho humanos. Por 20 minutos, observou interrupções geradas no vinculo mãe / filho, e comprovou que isso afetou a exploração e o comportamento da criança ao respeito da mãe.

De acordo com Attachment Parenting International (API) há 8 princípios que propiciam o apego saudável (seguro) entre pais / tutores e a criança. Eles se apresentam como práticas para “ser pais” que podem levar a um "vínculo firme", a uma "receptividade coerente e sensível" e uma "disponibilidade física e emocional", que para a pesquisa são fatores-chave em um vínculo seguro.

Oito princípios da Criação com Apego:

O Attachment Parenting International (API), partidária da Criação com Apego do Dr. Sears, tenta promover um vínculo seguro com os filhos através de oito princípios que são identificados como metas a serem cumpridas pelos pais. Estes oito princípios são:

1- Preparação para a gravidez, o nascimento e a mater-paternagem.
2- Alimentação com amor e respeito.
3- Responder sempre com sensibilidade.
4- Praticar a Criaçao baseada no Apego.
5- Incluir esa criação também durante as noites.
6- Fornecer carinho constante.
7- Praticar a disciplina positiva.
8- Esforçar-se para o equilíbrio na vida pessoal e familiar.

Esses valores são interpretados de várias formas ao longo do movimento. Alguns pais relacionados com a Criação com Apego também optam por viver uma vida familiar natural, como o parto natural, nascimento domiciliar, criação em casa, homeschooling, movimento anti-circuncisão, ligar para a liberdade de vacinação, saúde natural, movimentos cooperativos e consumo de alimentos orgânicos, etc.

No entanto, Dr. Sears não requer que os pais sigam estritamente umas regras definidas, mas encoraja os pais a serem criativos na resposta às necessidades dos seus filhos. A Criação com Apego, fora do modelo do Dr. Sears, centra-se nas respostas que respaldam vínculos seguros.

Disciplina:

A Criação com Apego procura entender as necessidades biológicas e psicológicas das crianças e evitar expectativas não realistas sobre o comportamento da criança. Ao estabelecer limites que sejam apropriados para a idade da criança, a Criação com Apego leva em conta todas as etapas físicas e psicológicas do desenvolvimento que a criança está experimentando. Desta forma, os pais podem tentar evitar a frustração que ocorre quando eles esperam coisas que as crianças não podem fazer ainda.


A Criação com Apego afirma que é vital para a sobrevivência que a criança seja capaz de comunicar suas necessidades aos adultos e que estas sejam tratadas sem demora. O Dr. Sears adverte que enquanto a criança é pequena, é mentalmente incapaz de qualquer manipulação. Sears diz que durante o primeiro ano de vida, as necessidades e desejos de uma criança são uma mesma coisa.



O Dr. Sears e outros defensores do Attachment Parenting pensam que as necessidades não satisfeitas aparecem imediatamente tentando satisfazer o que não foi satisfeito no seu devido momento. A Criação com Apego observa o desenvolvimento, assim como a biologia da criança, para determinar as respostas psicológica e biologicamente apropriadas para cada fase dela.

Criação com Apego não significa resolver uma necessidade que a criança possa resolver por ela mesma. Significa entender quais são as necessidades, quando ocorrem, como elas mudam ao longo do tempo e das circunstâncias, e ser flexível para encontrar formas de responder apropriadamente.

Práticas similares são chamados de “criação natural”, “criação instintiva”, “criação de inmersão” ou criação no "conceito de continuum", proposto pela autora Jean Liedloff no seu livro publicado.

E você?

O que vocês opinam? Praticam a Criação com Apego? O quê tem observado nos seus filhos com esta prática ao longo dos meses ou anos?

Elena de Regoyos
(19) 9391 4134

jueves, 23 de junio de 2011

Habiba e Alma estão finalmente juntas!! Obrigada Tribo!!

O abraço mais esperado (Habiba e Alma)
Queridas amigas e mães que durante todo este tempo ficaram preocupadas e interessadas por Habiba e a sua filha Alma, mãe e filha sem recursos econômicos que foram separadas pelo simples fato de ela continuar amamentando a menina aos 15 meses.

Queridas todas... Finalmente Habiba esta com a sua filha. Esse aí é um triunfo de todas, de todas as que somos mães, de todas as mulheres (e homens) que temos lutado e velado por que este re-encontro acontecesse. Este é um triunfo da tribo, porque todas, juntas, temos feito uma verdadeira tribo em volta da Habiba. Em Madri, onde tudo isso tem acontecido desde faz já quase um mês, se fizeram ações, encontros - protesta, reclamações. Mães do mundo inteiro foram oferecendo e ajudando no que cada qual podia, traduzindo textos, enviando escritos para organismos oficiais, movimentando mais pessoas...

no Grupo criado no facebook na Espanha somos mais de 6.100 pessoas, e muitas mais no criado para as pessoas de fala inglesa. Milhares de pessoas unidas por uma causa comum. Daí saíram coisas boas, tão boas quanto o re-encontro de Habiba com a sua filha. E daí também, desta união, podem sair muitas coisas mais. Obrigada a Ibone Olza, especialmente, a psiquiatra, mãe maravilhosa, que revelou o que estava acontecendo, que apoiou essa mãe sem duvidar, que gritou pedindo ajuda no mundo inteiro, e que consiguiu essa ajuda graças à sua professionalidade e comprometimento humano.

Obrigada também a Jesusa Ricoy-Olariaga, doula espanhola residente em Londres, gravidíssima para mais detalhes, que movimentou tantas ações e escritos pré-forma para nos dirigirmos às autoridades. Obrigada a todas as pessoas que estiveram na retaguarda unindo mães, oferecendo informação, contatando com a imprensa, gritando junto à Habiba, abraçando ela, chorando junto a ela...

Por isso estamos criando uma rede de apoio internacional para este tipo de casos, una organização internacional que velara pela proteção das famílias e os seus direitos de amamentar, compartilhar cama, estarem juntos, a criação respeitosa... Uma organização que chamara ALMA (All Loving Mothers Association), como a filha da Habiba. Lindo, né?

Eu queria agradecer a todas vocês pela presença, as orações, o carinho, os pensamentos, as lágrimas e a alegria por saber que agora mãe e filha estão juntas. Obrigada por fazer parte desta tribo.

Finalmente juntas

A nota de imprensa diz que a Comissão de Tutela do Instituto Madrilenho do Menor e da Família (IMMF) decidiu conceder a tutela provisional da filha da Habiba à sua mãe. Dizem que fazem isso porque “em estas três semanas a atitude da mãe tem evoluído favoravelmente em coordenação com os serviços sociais”.

O que isso me faz pensar é que uma instituição que vela pelo bem e o interesse dos menores, jamais devolveria a uma pessoa “perigosa” a tutela de um menor, e se eles têm feito isto em tão pouco tempo, é que realmente não deviam ter muitos (ou nenhum) motivos reais para tirar dessa mãe a tutela da filha dela, de só 15 meses.

Se realmente Habiba fosse “agressiva e sem habilidades maternais”, como eles diziam, se ela fosse realmente perigosa para a sua filha, nunca teriam devolvido a tutela à essa mãe. Por que, então, a tiraram dela? Por uma simples questão de orgulho, por ela não se submeter à forma distorcida deles de entenderem a maternidade? Uma forma de maternar completamente alheia a da esta jovem mãe instintiva que simplesmente fazia o melhor para a sua filha, mas que às vezes colocava em ela meias desconjuntadas? (Eles chegaram alegar isso, sim). Isso me faz tremer... Como alguém pode usar seu poder, um poder tão grande como para arrancar uma mãe da sua filha de 15 meses, assim com essa falta de critério e justiça? Arrepiante...

Habiba apresentou também um contrato de trabalho (de novo o maravilhoso papel da tribo) e um lar onde morar com a filha dela, um apartamento de mulheres e filhos em situação de máxima vulnerabilidade que garante o bem-estar da menor. Habiba, também, aceitou o apoio psicológico que ela tinha rejeitado (um dos motivos para tirarem à filha dela) na residência de mães e filhos da Comunidade de Madrid na qual ela morava antes com Alma.

-Separam uma mãe da sua filha de 15 meses por amamentá-la

martes, 21 de junio de 2011

Amamentação: o que é bonito e o que não é tão bonito... segundo para quem!

Para a mulher anónonima que postou um comentário aqui no blog dizendo que é feio e constrangedor amamentar em público...

Talvez isso aí é mais bonito, né? Porém o permitimos e aceitamos sem grandes dilemas, diariamente :)


viernes, 17 de junio de 2011

Mais crueldade no terceiro encontro de Habiba com a sua filha

Ibone Olza, a psiquiatra que defende e trata a Habiba (mulher marroquina separada da sua filha de 15 meses por amamentar ela), contou para a gente como foi o ultimo encontro de uma hora entre esta mãe rota pela dor e a sua filha. Eu não posso sentir mais tristeza, impotência, indignação, raiva e dor pelo que esta acontecendo.

Não consigo compreender os motivos para uma pessoa (ainda mais uma mulher) faça isto com uma mãe e a sua filha. O que acontece com a humanidade? Aonde ficou a nossa empatia? De onde podem vir uma falta de setimentos e emoções tão crus? O que leva a uma pessoa, a uma mulher, a se comportar assim com outra mulher, com outra mãe, e com a filha inocente dela?

Por quê????

"Ontem à tarde Habiba pode visitar a sua filha Alma durante uma hora, e a verdade é que ela saiu de lá cheia de dor, desamparo e raiva. Ao contrário de outros dias, e pela primeira vez desde que eles as separaram, a menina queria mamar, olhando para o peito de sua mãe, Habiba diz que sentiu como se sua filha de repente lembrasse de como era tudo antes, quando estavam juntas, como elas eram antes e, em seguida, ofereceu o seu peito à sua filha para amamentá-la. Apenas quando ela começou a abocanhar a mama, uma das muitas observadoras que estão em todas as visitas, disse em voz alta e vigorosa "NÃO". A menina se assustou e retirou a cabeça, afastando-se do peito da mãe. Habiba foi intimidada e, novamente, sentiu-se muito mal tratada.

Eu me perguntava quando ela me contava, cheia de raiva e impotência: por que eles não querem que minha filha me ame? Por que nos fazem isso?

Habiba esta muito preocupada, ela ve a sua filha muito triste, diz que está mudando, que não é a mesma, que a quer ter com ela JÁ, JÁ, JÁ. E até a próxima terça-feira não poderá fazer outra visita a sua filha.

JÁ BASTA! Façamos tudo o que esteja ao nosso alcance para lograr terminar com este horror agora. Estendamos o nosso protesto e indignação, e peçamos que acabe esta situação nunca deveria ter se produzido."

Grupo de apoio no facebook com informações permanentemente atualizadas sobre a situação da Habiba e a sua filha Alma: http://www.facebook.com/event.php?eid=228999543793659#!/home.php?sk=group_170685046326633

jueves, 16 de junio de 2011

Comprou... e agora quê? Cuidados e dicas básicas para o adequado uso do wrap sling elástico

Se você não tem opção de uma assessoria pessoal, é importante que, na hora de ir colocar o seu wrap sling elástico pela primeira vez tenha em conta estas dicas básicas:

1.-
É fundamental, antes de nada, que coloquemos o bebê na posição sapinho, que é a ergonomicamente natural em ele. Isto quer dizer, com as pernas abertas em aprox. 90º entre elas, com os joelhos mais altos do que a bunda (mais ou menos à altura do seu umbigo) e as costas levemente curvadas em forma de C. É como si ele estivesse de cócoras, só que no seu colo. Se você pára para pensar, é a posição natural de um bebê para ser carregado no corpo da mãe, pois ele encaixa perfeitamente no quadril da mãe em essa posição.

2.- Em caso de recém nascidos, prematuros ou não, a gente não deve forçar a abertura das pernas no nosso contorno, já que talvez ainda o seu tamanho não permita tanta abertura, então manteremos o bebê dentro de wrap (quando for colocado verticalmente) com as perninhas na posição fetal natural em que eles as tenham, ficando, então, mais “bundudinho” dentro do wrap:

3.- Como o tecido é elástico, é importante não deixá-lo frouxo, tencionando ele bem. Quando você colocar o wrap com o nó básico pré-amarrado (vídeos a continuação), é importante tencionar bem o sling ao redor do seu corpo. É preferível que ele fique apertadinho no corpo, bem justinho, já que depois, com o bebê dentro dele, ele irá ceder um pouco por causa da elasticidade.

Se o bebê se sente meio frouxo aí dentro, ele não se sentira bem segurado, esticará as costas, reclamara... e quem carrega também não estará confortável, pois terá que compensar a posição do bebê (afastado do corpo do carregador, e por tanto, do centro de gravidade) curvando as suas costas para atrás, e estas acabarão doendo. Por tanto, o bebê tem que ficar bem grudadinho na pessoa que carrega, para não modificar o centro de gravidade e se sentir seguro e confortável (ambos). E para isso é preciso tencionar bem o wrap, deixar ele bem justinho.

4.- O bebê estará à altura perfeita quando a gente consiga dar um beijinho na testa dele só abaixando a nossa cabeça. Se ele está mais alto, deveríamos colocar ele um pouco mais abaixo, se ele estiver bem mais abaixo (geralmente isto acontece mais por medo de “apertar demais” o sling), será necessário que tencionemos mais o tecido fazendo com que ele suba mais, pois não estará confortável, e provavelmente também não estejamos respeitando a posição sapinho adequada, ficando ele esticado e desconfortável. Lembre que ele tem que ficar “sentadinho” no wrap, bem apoiado na bundinha dele.




5.- É importante manter o wrap sem enrolar. Quer dizer, segundo você vai fazendo a amarração (seja qual ela for), nunca deixar que o wrap enrole sobre sí mesmo. Nos nós que carregam o bebê na frente, o wrap devera ficar esticadinho nas suas costas, como se fossem duas faixas em “X” bem largas. Isto é importante por dois motivos:

-Para o seu conforto: não ter um pano enroladão nas suas costas, senão um pano esticadinho e bem colocado, imagine a sua blusa toda enrolada... é mais confortável ter ela esticada, né?

-Para garantir que depois vai tencionar parte por parte do tecido de forma ordenada, recolhendo o peso do bebê parte por parte do seu pequeno corpo adequadamente: a parte superior do tecido ficara convenientemente tensionada para segurar o pescoço do bebê, a parte media, de cima para abaixo, vai segurando cada vértebra dele com a devida tensão a cada altura das costas, e a parte inferior segura a bundinha e pernas dele. Cada parte do sling precisa de uma tensão diferente, adequada à parte do corpo (e dimensões deste) que esteja segurando.

6.- A parte inferior do wrap sempre tem que segurar a criança desde a parte de atrás de um joelho até a parte de atrás do outro joelho, dessa forma mantemos a posição sapinho do bebê, deixando as canelas pendurando, e ele permanece "sentadinho" no wrap. O sling não deve ficar na metade da coxa, senão bem até atrás de cada joelho:



7.- Uma vez terminado o nó, lembre-se de não deixar ele apertando o seu pescoço, e estique ele até cobrir os seus hombros, para carregar o peso com eles, e não com o pescoço.



VÍDEOS BÁSICOS PARA PRIMEIRAS TOMAS DE CONTATO:

Nó Básico pré-amarrado, posição vertical e deitado (é bom para as primeiras tomas de contato, pois não precisa segurar o bebê ao mesmo tempo em que amarra o sling, assim você ganha confiança):



Nó Básico sem pré-amarrar (você pode tencionar exatamente o necessário já que esta com o bebê no colo, em lugar de fazer uma estimação prévia de quanto você vai precisar tencionar). Em este vídeo, em lugar de cruzar só uma vez o wrap por baixo da bundinha do beê, ela faz um "boucle" ou "twist", para não forçar tanto a abertura das perninhas do recém nascido, e dar uma segurada maior, além dela não ir precisar de esticar esas duas faixas de tecido depois, pois o tempo estava quente:


Mais informações:





Elena de Regoyos
(19) 9391 4134


domingo, 12 de junio de 2011

'O ovo e a galinha', pelo pediatra e especialista em amamentação Carlos González

Meninas, eu acho que não dá para traduzir isso aí mantendo o 100% da sua essencia... mas vale a pena o esforço de lê-lo em espanhol!!

Este Carlos González (pediatra e especialista em aleitamento materno, autor dos livros "Bésame mucho", "Mi niño no me come" e "Un regalo para toda la vida, guía de lactancia materna", entre outros) é o máximo!!

El huevo y la gallina

Picoteaba un dia una gallina
entre unos desperdicios de cocina
cuando le sobrevino un deseo urgente
de alzar la vista al frente
y caminar con paso vacilante
(el cuello para atrás y para adelante)
hacia un montón de paja allí dispuesto.



Cacarea, se sienta, se menea,
pica, repica, suplica, tuerce el gesto,
se levanta, se vuelve, cacarea,
puja, empuja, apretuja y pone un huevo.

Un gato, que de todo fue testigo
(aunque el suceso no era nada nuevo)
reflexiona, lamiendose el ombligo:
"¡A las puertas del siglo XXI,
y que aun pongan los huevos de uno en uno!"

No alcanza a comprender su alma felina
que una simple gallina, no sabiendo de ciencia ni de oficio,
sin el auxilio de gente preparada,
ni acceso al beneficio
de la moderna técnica avanzada
esté a poner un huevo autorizada.

Se acerca el gato a un perro que dormita
al sol junto al corral
y al oido unas frases le musita
en tono coloquial:
"¿Se ha fijado, colega,
en cómo pone la gallina, ciega
al peligro sin método ni nada?
Hemos de poner fin a un sufrimiento
que hace de las gallinas instrumento
de la naturaleza desatada."

"Tiene razón",responde el aludido,
que es la puesta una empresa complicada
para hacerla en un nido.
Hay que abrir un centro veterinario,
a modo de huevario,
en el que sea la puesta controlada
y el huevo por expertos atendido."

Buscar deciden, pues, a la gallina
que a la puesta parezca más cercana,
y resulta ser tal la Serafina.

El gato le pregunta:"Dime, hermana,
¿no notas de algún huevo la venida?"
"Nada noto"-"¡Es puesta retenida!"
"Hemos de proceder sin dilación.
Estiraté para la exploración"
"¿Me siento así?"-"¡No tonta, boca arriba!"

Procede a desplumar el perineo
(¡que verguenza!)"Colega, ya lo veo.
Con una lavativa
y una infusión de hormonas adecuada
habremos de inducir ahora la puesta;
y una vez dilatada,
hacer palanca con una cuchara
y recoger el huevo en una cesta"
(Hubo de dar el gato una tajada,
porque, si no, no entraba la cuchara)

Ya se extiende la voz:¡Por fin la ciencia
da respuesta a este problema diario!
Las gallinas, con suma diligencia
acuden al huevario.
Y es fama que de ciento que allí ponen
son las cien boca arriba desplumadas,
las noventa tajadas,
las cincuenta inducidas, cuarenta
instrumentadas, y algo más de treinta
salen con un buen corte en la barriga.

Tan solo una recela: nuestra amiga
que iniciaba esta historia.
Porque es gallina vieja, que ya ha puesto
mucho huevo en la vida, y todo esto
le huele más a esclavitud que a gloria.

¿No ha de tener mi cuento moraleja?
Hela aquí: Mujer, no seas gallina,
y si lo eres, sé gallina vieja.
Pregunta al que entusiasta te aconseja
métodos tan científicos y nuevos.
"¿Ayudas tú en verdad a la gallina,
o sólo vienes a tocar los huevos?"

Carlos Gonzalez, Pediatra
Febrero de 1998

sábado, 11 de junio de 2011

Encontro solidário de apoio à Habiba e seu bebê em São Paulo

Hora: quarta-feira, 15 de junho· 11:00 - 13:00
Lugar: Consulado-Geral da Espanha em São Paulo / Avenida Brasil, 948 (Jardim América) / São Paulo, Brazil
Grupo de apoio no facebook com informações permanentemente atualizadas sobre a situação da Habiba e a sua filha Alma: http://www.facebook.com/event.php?eid=228999543793659#!/home.php?sk=group_170685046326633
Obrigada!!

miércoles, 8 de junio de 2011

Separam uma mãe da sua filha de 15 meses por amamentá-la

O que esta acontecendo na Espanha? O caso da Habiba e a sua filha de 15 meses, da qual foi separada pelas instituições por amamentar ela “ainda”, esta revolucionando o país. Instituições em defesa dos direitos humanos tentam, por todos os médios, que mãe e filha possam se reunir... Mas como se defender das instituições publicas?

É um caso flagrante de violação dos direitos humanos e do menor. Todas somos Habiba.

Reproduzo no original e, depois, traduzida, a nota de imprensa da Fundação Raízes, que esta ajudando esta mulher:

NOTA DE PRENSA


En Madrid a 03 de junio de 2011


Habiba es una joven madre de una niña de quince meses, a la que sigue amamantando. De origen marroquí y con unas circunstancias socioeconómicas adversas, hace cuatro meses aceptó vivir en una residencia para madres jóvenes de la Comunidad de Madrid, junto con su hija, con la esperanza de que así sería todo más sencillo.


Hace una semana la Comisión de Tutela del Instituto Madrileño del Menor y la Familia(IMMF) decidió separar a la niña de la madre con argumentos como: “carece de red de apoyo socio-familiar y de recursos económicos” o “no cumple con los objetivos que se le han establecido en la intervención: ayuda psicoterapéutica y programa de habilidades maternales”, que implicaba someterse a las normas de ese centro que son contrarios a la lactancia materna a demanda y prolongada por considerarla “caótica” y perjudicial para los niños y niñas y que le obligaba a tomar una medicación para que se le fuera retirando la leche. Medicación que acabó tomando bajo amenaza de expulsión del centro si no lo hacía.


A Habiba no se le permitió despedirse de su hija ni se le dijo a donde iría la niña. Habiba, llegó a nosotros al borde de la mastitis, y con el corazón partido de dolor sin apenas dormir ni comer, angustiada por no poder estar junto a su hija. Esta madre ha sido valorada por dos profesionales de psicóloga y psiquiatría, que no han observado ningún indicio de enfermedad mental o alteración de la conducta ni consumo de drogas ni nada que suponga un riesgo para la integridad física ni emocional de su bebé ni que justificara ser víctima de semejante agresión por parte del Instituto Madrileño del Menor y la Familia.


A Habiba se le echó del centro a la calle en el mismo momento en el que se llevaron a su hija, diciéndole que ella ya no tenía plaza en ese lugar pues es un recurso para madres e hijos y ella ya no tiene hija.


Fundación Raíces, ante la gravedad de la situación, ha decidido como primera medida amparar a esta madre dotándole de alojamiento y manutención, así como de apoyo jurídico.


Estamos profundamente consternados por su dolor y al imaginar en qué circunstancias estará la niña de 15 meses, separada de su madre, sometida a un destete abrupto, sin que probablemente nadie le haya explicado nada.


Actualmente la niña se encuentra en un centro de la CAM desde el que se nos ha informado que no se permite que los niños sean amamantados por sus madres, en las visitas que se les conceden, por considerarlo perjudicial y contradictorio con la institucionalización de los niños. Nos han asegurado que a Habiba de ninguna manera le dejarán dar el pecho a su hija el día de la visita.


Según el informe médico de la Dra. Ibone Olza especializada en psiquiatría infantil y que ha explorado a Habiba en el Hospital Universitario Puerta de Hierro, Habiba respecto al vínculo con su hija “Impresiona de ser una madre sensible, amorosa y vinculada de forma saludable a su hija”, respecto al bebé “es inevitable que la separación actual esté siendo altamente estresante para la lactante y es previsible la aparición de síntomas de distrés psíquico importantes si no se reinstaura vínculo y contacto inmediato con su madre”.


Consideramos el caso de Habiba y su hija como una gravísima violación de los Derechos Humanos y de los Derechos del Niño. El daño ya está hecho, pero si madre e hija se reúnen inmediatamente podrá ser reparado y la lactancia continuada. De no ser así las secuelas pueden ser irreparables.


Desgraciadamente este no es un caso aislado, estamos obligados a hacer un balance sobre el sistema de protección de menores en nuestro país, a reflexionar sobre los controles de las decisiones administrativas que, sin control judicial previo, intervienen en la vida de las personas con decisiones tan importantes como retirar a niños y niñas de sus familias. ¿Qué límites tienen los que adoptan decisiones como ésta? ¿Con qué criterios? ¿Con qué formación?. Al final, los centros de protección están llenos del mismo “perfil de menor” que casualmente coincide con niños y niñas, hijos de familias con dificultades económicas y falta de redes de apoyo. Sólo a ellos se les imponen criterios y programas que no se aplican al resto de la sociedad. El no sometimiento a ellos es lo que en ocasiones conlleva consecuencias tan graves cómo esta.


La madre ha presentado una medida cautelar en los Juzgados de Familia de Madrid, habiendo recaído la misma en el nº 85, instando la urgente reunificación familiar.


Desde Fundación Raíces hemos puesto en conocimiento de la oficina del Defensor del Pueblo estos hechos, habiéndose sumado a esta queja más de 2000 personas, entre las que se encuentran multitud de profesionales de la salud y de la educación, así como varios catedráticos y profesores universitarios, a fin de que se devuelva a la niña a su madre. Así mismo lo hemos puesto en conocimiento del Fiscal Provincial de Madrid Don Eduardo Esteban.


En la esperanza de que al final no se acabe criminalizando a esta madre para así encubrir lo que consideramos es un abuso institucional, exigimos que madre e hija sean reunidas de inmediato.




Fundación Raíces


Para más información pueden contactar con:
Nacho de la Mata:(Abogado) jidelamata@icam.es
Lourdes Reyzábal:(Presidenta de Fundación Raíces) fundacionraices@telefonica.net
Tradução (por Elena de Regoyos):

COMUNICADO DE IMPRENSA
Em Madrid, em 3 de junho de 2011

Habiba é uma jovem mãe de uma menina de quinze meses, que ainda está amamentando. De origem marroquina e adversas circunstâncias socioeconômicas, aceitou há quatro meses a viver em uma residência para jovens mães, na Comunidade de Madrid, com sua filha, na esperança de que isso seria mais fácil.

Uma semana atrás, a Comissão Tutelar do Instituto de Madrid para Crianças e Famílias (IMMF) decidiu separar a criança da mãe, com argumentos como: "ela não possui nenhuma rede de apoio familiar, nem recursos socioeconômicos" ou "ela não cumpre com os objetivos que foram estabelecidos na intervenção: ajuda psicoterapêutica e programa de habilidades maternais”, que implicava o submissão às regras do centro que são contra a amamentação sob livre demanda e prolongada, por considerá-la "caótica" e prejudicial às crianças, e que forçava ela a tomar uma medicação para cortar o seu leite. Medicação que ela acabou tomando sob ameaça de expulsão da instalação.

A Habiba não teve permissão para se despedir de sua filha nem foi informada sobre aonde estavam levando a menina. Habiba veio até nós à beira de uma mastite, e com o coração partido de dor, sem dormir nem comer, perturbada por não poder estar com sua filha. Essa mãe foi avaliada por dois profissionais de psicologia e psiquiatria, que não observaram nenhuma evidência de doença mental ou distúrbio de comportamento ou de drogas ou qualquer coisa que coloque em risco a integridade física ou emocional de seu bebê nem que justificasse o fato dela ter sido vítima de tal agressão pelo Instituto Madrilenho do Menor e da Família.

A Habiba foi expulsa do centro para a rua no mesmo momento em que eles levaram a filha dela, dizendo que ela não tinha lugar neste centro, já que ele é um recurso para mães e filhos e que ela já não tem filha.

A Fundação Raízes, dada a gravidade da situação, decidiu, como primeiro passo para proteger a mãe, lhe fornecer hospedagem e alimentação, e apoio jurídico.

Estamos profundamente entristecidos pela dor, principalmente ao imaginar em que circunstancias deve estar a criança é de 15 meses, separada de sua mãe, submetida a um desmame abrupto, sem que, provavelmente, ninguém tenha explicado nada para ela.

Atualmente ela está em um centro da CAM (Comunidad Autónoma de Madrid) desde o qual fomos informados que não é permitido que crianças sejam amamentadas por suas mães durante as visitas que lhes são concedidos, já que eles consideram que é negativo e incompatível com a institucionalização das crianças. Confirmaram para nós que de jeito nenhum eles permitirao a Habiba amamentar a filha no dia da visita.

De acordo com o relatório médico da Dra. Ibone Olza, especializada em psiquiatria infantil e que explorou Habiba no Hospital Universitário Puerta de Hierro, Habiba em relação ao vínculo com a sua filha transmite a impressão "de ser uma mãe sensata, muito amorosa e saudavelmente ​​ligada a sua filha ". Pelo que respeita ao bebê "é altamente provável que a atual separação da lactente e a sua mãe esteja sendo altamente estressante para o bebê e é previsível a aparição de sintomas de distrés psicológicos significativos se não for reintegrado vínculo e contato imediato com a mãe".

Consideramos o caso de Habiba e sua filha como uma grave violação dos Direitos Humanos e os Direitos da Criança. O dano está feito, mas se mãe e filha se juntar imediatamente poderá ser reparado e a amamentação continuada. Caso contrário, as conseqüências podem ser irreparáveis.

Infelizmente este não é um caso isolado, estamos obrigados a fazer uma avaliação do sistema de proteção das crianças em nosso país, para refletir sobre o controle das decisões administrativas sem controle judicial prévio, intervir na vida das pessoas com a decisão tão importante quanto retirar as crianças das suas famílias. Quais são os limites daqueles que tomam decisões como esta? Quais os critérios? Que tipo de treinamento? No final, centros de proteção estão cheios do "perfil do menor", que casualmente coincide com crianças, filhos de famílias com dificuldades econômicas e falta de redes de apoio. Só em eles são impostas normas e programas que não se aplicam para o resto da sociedade. A não submissão deles é que às vezes leva a conseqüências tão graves como esta.

A mãe entrou com uma medida cautelar no Tribunal de Família de Madrid, tendo caído o mesmo no n º 85, para pedir o reagrupamento familiar urgente.

Desde a Fundação Raízes estamos colocando em conhecimento da Oficina do Defensor do Povo esses fatos, tendo ingressado na denúncia mais de 2000 pessoas, entre as quais há um grande número de profissionais de saúde e da educação, assim como vários professores universitários, pedindo para que a menina seja devolvida para a sua mãe. Também temos colocado em conhecimento do Procurador Provincial de Madrid Dom Eduardo Esteban.

Na esperança de que no final das contas não acabem por criminalizar a mãe para assim encobrir o que acreditamos ser um abuso institucional, exigimos que ambos, mãe e filha se reencontrem imediatamente.


Fundação Raízes

Para mais informações contactar:
Nacho de la Mata: (Advogado) jidelamata@icam.es
Reyzábal Lourdes (Presidente da Fundação Raízes) fundacionraices@telefonica.net

--

Eu considero importante destacar que a OMS, a UNICEF, a Associação Espanhola de Pediatria, assim como a Brasileira, oficialmente apóiam à amamentação nas suas políticas oficiais.

No entanto, e infelizmente, muitos preconceitos e más práticas, assim como dicas terríveis sobre este assunto, inclusive ginecologistas, obstetras, pediatras, psicólogos e terapeutas, seja por desconhecimento, por conveniência, ou má fé de rotina, continuam agindo todos os dias contra a amamentação.

Quando um bebê nasce, ainda é muitas vezes separado da sua mãe por rotina, ignorando a recomendação de manter o contato imediato pele a pela com sua mãe, alegando a necessidade de fazer testes e provas que bem poderiam ser feitas depois, ou bem serem feitas no colo da mãe recém parida, que tanto precisa de sentir o cheiro e se vincular com seu filho.

Também são comuns dicas rápidas da "mamadeira de reforço" para eventuais problemas com a amamentação, e mesmo sem eles ("não vale a pena se estressar com a amamentação" é o que um pediatra de renome acabou de recomendar à uma amiga que acabou de dar à luz, quando ela acudiu à sua consulta com problemas de amamentação procurando ajuda.) Tudo isso dificulta enormemente o estabelecimento e sucesso do aleitamento materno.

Assim, o chamado "movimento lactivista" é tão importante: não para convencer as mães, que já estão convencidas, de quê é o melhor que elas podem fazer pelos seus filhos, senão para mudar as práticas, a maioria delas invisíveis por serem consideradas "normais", que prejudicam a amamentação e a criaçao natural para os nossos filhos.

Programas da TV como “Supernanny”, “Mães Adolescentes”(na Espanha) ou outros, aplicam e divulgam métodos comportamentais, que se tornaram obsoletos e que põem em risco o vínculo entre pais e filhos, construído a partir do amor, o leite materno, a comunicação, a consciência e o respeito profundos, e não a partir de métodos de treino canino.

Daí que não tenham nos surpreendido esses "cursos de competências parentais" (?) ministrados em abrigos, e que também são desse tipo, e que impõe às mães o abandono precoce da amamentação.
O vinculo gerado com a amamentação é muito forte e muito importante para a formação de indivíduos livres e seguros de si. E é por isso que tantas pessoas insistem na necessidade de abandonar esse vínculo, usando a falácia da “independência”, quando a ciência e a neurobiologia têm já demonstrado o contrário: o vinculo na infância é necessário para construir pessoas saudáveis e seguras de si, empáticas, generosas, independentes e capazes de amar e confiar em outros.

Se a questão da Habiba tem aparecido na mídia é porque eles se depararam, desta vez, com a psiquiatra Ibone Olza, sensível à proteção do aleitamento materno, ativistas em organizações como “El Parto es Nuestro”, que tem visto a gravidade da caso e teve a coragem e integridade profissional e trazer à luz a apoiar esta mãe.

Às famílias afetadas pelas decisões desses centros são muitas vezes as menos favorecidas, que não podem contratar advogados ou entrar em uma batalha interminável contra o governo. São mulheres pobres, sozinhas, maltratadas, imigrantes... Desprotegidas. Pessoas às quais, precisamente, a Administração Pública tem o dever de proteger e ajudar.

O que acontece quando aqueles que deveriam proteger as crianças e as mulheres cometem erros e se tornam os próprios abusadores? Para quem podemos pedir ajuda?

A gravidade deste caso, mais do que o fato do aleitamento em si, é que um bebê de 15 meses foi levado embora da sua mãe por causas não justificadas. Ela nao tinha maltratado a menina, nem abusado dela, nem tomava drogas. Em que consiste essa “agressividade”, esse “não saber cuidar da sua filha " que estão falando do Ministério? O que foi dito na Declaração de Abandono?

Porque é que esta mãe tem que cumprir um "programa de competências parentais", que não é necessário para qualquer mãe em sua casa? Qual é o programa de "competências parentais"? Consiste basicamente em parar de amamentar, o talvez também consista em obrigar à criança a comer todo o que você dá para ela (para ela aprender a comer "tudo"), fazê-la permanecer quietinha sem incomodar ninguém, não pedir colo, se acostumar a brincar sozinha, dormir sozinha.. .? Tudo isso nos é conhecido, não é? É a criação comportamentalista-behaviorista, sem apego e adultocéntrica, que impera hoje em dia.

Pode o não cumprimento deste programa ser suficiente para levar embora a sua filha e para negar o direito de acolhida?
GRUPO DE APOIO NO FACEBOOK: Que el IMMF permita que Habiba amamante a su hija YA.

martes, 7 de junio de 2011

Vídeos: Como ordenhar as mamas e alimentar o nosso bebê com copinho

Continuamos preparando o tema do nosso próximo encontro de apoio ao aleitamento materno, cujo tema será A volta ao trabalho (ordenha, armazenamento, como lidar com isso emocionalmente, como dar o leite ou outros alimentos ao bebê...).

Mais informações sobre os nossos encontros e sobre esse em particular: Tribo MamaÉ.

Já coloquei no blog as indicações da Sociedade Brasileira de Pediatria ao respeito.


Agora continuamos dando dicas, em este caso audiovisuais, sobre o que podemos fazer para continuar com o aleitamento materno do nosso bebê uma vez voltemos ao trabalho, ou por outros motivos nos quais a mãe não possa dar o seu leite ao seu bebê diretamente na mama.

Aqui podemos ver como uma mãe faz a ordenha manual orientada por uma priffiosional, paso a paso:


E depois, para dar o leite ao bebê, é recomendada a chamada têcnica do copinho, para ele não perder o jeito correto de mamar no peito, após ter se acostumado à mamadeira. Não tem por que acontecer, mas sempre é melhor evitar riscos, e eles tomam o leite muito bem no copinho, olhem só!! Olhem a língüinha do bebê...





Tomara que seja do seu interesse!! Nos vemos o dia 14 de junho no Céu Aberto!!

sábado, 4 de junio de 2011

Recomendações úteis para a manutenção do aleitamento materno em mães que trabalham fora do lar ou estudam

Com motivo do nosso próximo encontro de apoio ao aleitamento materno, no qual o tema tratado sera "A volta ao trabalho da mãe que ainda amamenta", considero importante publicar aqui o que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda. São informações úteis que com certeza irão vos interessar.

Extraido íntegramente da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Essas recomendações foram elaboradas para orientar mães e profissionais de saúde nas situações em que as nutrizes necessitam se separar dos filhos por motivo de trabalho fora do domicílio, estudo ou mesmo pelos afazeres domésticos.

“Toda mulher tem direito a trabalhar, estudar, passear e, continuar amamentando”.
Conduta do profissional de saúde: • Orientar a mãe e familiares, no sentido de solicitar a ajuda do pai e outros familiares nos afazeres domésticos, enumerando as vantagens que o aleitamento materno pode trazer para a criança, para a mãe e para a família de um modo geral.

• Estimular principalmente o pai a dividir as tarefas domésticas com a esposa, mostrando sua importante colaboração no aleitamento do filho.

• Orientar a ordenha e o armazenamento do leite materno para ser consumido durante o horário que a mãe permaneça fora de casa.

• Demonstrar à pessoa que cuidará da criança na ausência da mãe, como oferecer o leite em copinho, xícara ou colher. Não usar mamadeira.

• No caso de trabalho fora do lar, orientar as leis que protegem a nutriz.


COMO ORDENHAR O LEITE MATERNO MANUALMENTEA ordenha mamária é o ato mecânico de esvaziamento dos seios lactíferos, que pode ser feita manualmente ou com o auxílio de bombas manuais ou elétricas.

Ensine a mãe a fazê-lo por si mesma. Não ordenhe o leite por ela. Toque-a apenas para mostrar-lhe como fazer e seja gentil.

“Cada mulher deve ordenhar a sua própria mama”

Orientações às mães:

1. Lavar cuidadosamente as mãos e antebraços.

2. Não há necessidade de lavar os seios freqüentemente.

3. Usar máscara ou evitar falar, espirrar ou tossir enquanto estiver ordenhando o leite.

4. Massagear, previamente e delicadamente a mama como um todo com movimentos circulares da base em direção a aréola. Esse procedimento deve ser feito preferencialmente pela nutriz que assim poderá localizar os pontos mais dolorosos. (Figura 1)



5. Dispor de vasilhame de vidro esterilizado para receber o leite. Preferencialmente vidros de boca larga

6. e com tampas plásticas, que possam ser submetidos a fervura durante mais ou menos 20 minutos. 7. Ter a mão pano úmido limpo e lenços de papel para limpeza das mãos.

8. Procure estar relaxada, sentada ou de pé, em posição confortável.

9. O recipiente onde será coletado o leite materno (copo, xícara, caneca ou vidro de boca larga) deve estar esterilizado e posicionado próximo ao seio.

10. Com os dedos da mão em forma de “C”, colocar o polegar na aréola ACIMA do mamilo e o dedo indicador ABAIXO do mamilo na transição aréola-mama, em oposição ao polegar. Sustentar o seio com seus outros dedos.

11. Use a mão esquerda para a mama esquerda e a mão direita para a mama direita ou use as duas mãos simultaneamente (uma em cada mama ou as duas juntas na mesma mama)

12. Pressione seu polegar e o dedo indicador, um em direção ao outro, e levemente para dentro em direção a parede torácica. Evite pressionar demais pois pode bloquear os ductos lácteos.

13. Pressione e solte, pressione e solte. Isto não deve machucar, se doer a técnica está errada. A princípio o leite pode não vir, mas depois de pressionar algumas vezes, o leite começa a pingar. Poder fluir em jorros se o reflexo de ocitocina é ativo.

14. Pressione a aréola da mesma forma, a partir dos LADOS, para assegurar que o leite está sendo extraído de todos os segmentos do seio.

15. Evite esfregar ou deslizar seus dedos sobre a pele. O movimento dos dedos deve ser mais rotatório.

16. Evite comprimir o mamilo entre os dedos, dessa maneira não conseguirá extrair o leite. Acontece o mesmo quando o bebê suga apenas o mamilo.

17. Ordenhe um seio por pelo menos 3-5 minutos até que o leite flua lentamente, então ordenhe o outro lado; e repita em ambos os lados.

18. Explique que ordenhar leite de peito adequadamente leva mais ou menos 20-30 minutos, em cada mama, especialmente nos primeiros dias quando apenas uma pequena quantidade de leite pode ser produzida. É importante não tentar ordenhar em um tempo mais curto.

19. Coloque a aréola entre o polegar e os outros dedos e pressione para dentro, na direção da parede torácica. (Figura 2)

20. Pressione atrás do mamilo e da aréola, entre os seus dedos e polegar. (Figura 3)

21. Pressione os lados para esvaziar todos os segmentos. (Figura 4)




Variações da técnica:

• A mãe pode assumir posição levemente inclinada para frente, na tentativa de facilitar e aumentar o fluxo lácteo.

• Podem ser usadas ambas as mãos numa mesma mama para a extração do leite (Técnica Bimanual). (Figura 5)

• Podem ser ordenhados os dois seios simultaneamente em um único vasilhame de boca larga ou em 2 vasilhames separados, colocados um embaixo de cada mama. (Figura 6)




Outras técnicas de ordenha: - seguir as orientações dos manuais

• Bomba manual tira-leite com pêra de borracha e bulbo

• Bomba manual tira-leite tipo seringa

• Bomba elétrica para tirar leite


COMO ARMAZENAR O LEITE MATERNO
1. Coletar o leite em recipiente de vidro, de boca larga e esterilizada.

2. Para armazenar o leite coletado, utilizar preferencialmente, vidros transparentes com tampas plásticas resistente ao calor, para que possam ser esterilizadas em água fervente durante mais ou menos 20 minutos.

3. Identificar os frascos com o dia que foi feito a coleta.

4. Armazenar por um período de 24 hs na geladeira, 15 dias no congelador ou no freezer (Figura 7).

5. Estando o leite pasteurizado, pode ser armazenado por 6 meses no freezer.

6. Antes de oferecer ao bebê:

a. Retirar do freezer e descongelar em banho-maria, não deve ser deixado em temperatura ambiente. Manter após descongelado em geladeira por até 24 horas. Atenção: não congelar este leite novamente – a sobra após 24 horas na geladeira deve ser desprezada.

b. Antes de retirar a quantidade a ser oferecida ao bebê, em cada mamada, agitar bem o frasco para completa mistura dos diversos componentes do leite.

c. Aquecer o volume a ser oferecido para o bebê, em banho-maria, fora do fogo - nunca ferver o leite (apenas para “quebrar o gelo”).

7. Oferecer no copo ou com a colher (Figura 8)






A TÉCNICA DO COPINHO1. Posição confortável para a criança e para quem for oferecer o leite no copinho, na posição sentada ou semi-sentada a cabeça elevada

2. A criança deve estar calma,

3. Conter os braços da criança para evitar acidentes com o copo

4. Posicionar a criança verticalmente ou quase verticalmente

5. Colocar o copo gentilmente no lábio inferior

6. Inclinar o copo levemente para que a criança sinta o leite no lábio inferior

7. Nunca despejar o leite dentro da boca do bebê

8. A criança deve “lamber” o leite para depois deglutir

9. Interagir com a criança durante a alimentação

10. Oferecer o copinho até que a criança mostre sinais de estar saciada (ex.: mostra-se com sono ou pára de se alimentar)




REFERÊNCIAS

8. KING, FS. Como ajudar as mães a amamentar. Ministério da Saúde - Brasília,DF; 1994

9. LANG, S. Aleitamento do Lactente - Cuidados especiais. Livraria Santos Editora Comércio e Importação Ltda. 1ªed São Paulo, SP; 1999

10. REGO, JD. Aleitamento Materno. Editora Atheneu; 1ªed. São Paulo-Rio de Janeiro-Belo Horizonte; 2001

11. SILVA, MFAG; MARQUES, RFSV. [Revisado pelo Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Paraense de Pediatria]. Manual de aleitamento materno exclusivo. 1ªed.Belém, Pará; 2001

Reivindicando o nosso direito de amamentar em público

É curioso, podemos utilizar o peito de uma mulher para vender qualquer produto nos livros, filmes, revistas, obras de arte, manifestaçoes publicas e programas da TV, e agora nós temos que revindicar a sua verdadeira funçao... Pois é, vamos fazê-lo!!


Amamentar em publico, ao ar livre ou em locais públicos como restaurantes, museus ou escolas, não é só um direito, senão um prazer para muitas mães (e com certeza para os bebês). Mas muitas vezes somos diretamente atacadas, reprimidas, mal-olhadas ou “convidadas” a não fazê-lo. Outras, simplesmente somos observadas como “bichos raros” ou até obscenamente.



Precisamos normalizar um ato natural e de amor como o de amamentar os nossos filhos, nutrir eles física e emocionalmente, em público. Não é obrigado fazê-lo, mas sim deveria ser obrigado o fato de que quem quisesse, pudesse fazê-lo com serenidade, sem nos preocuparmos com os olhares e comentários alheios.


Tem países no mundo onde amamentar em publico é uma maluquice, e as mães têm costume de se cobrir com um echarpe, blusa ou até o próprio sling, e os produtos vendidos com a finalidade da mãe poder esconder o seu peito são um suceso.


Tem outros nos quais todo o mundo vai com “a teta” de fora, tranqüilamente (um dia li um relato sobre a Mongólia que me fez emocionar, tenho que traduzir para vocês!!).

E tem muitos, a maioria no occidente, nos quais algumas (cada vez mais) mães o fazem, o aleitamento em público vai se normalizando, mas às vezes temos que agüentar mentes sujas, fechadas ou mal-informadas nos “convidando” com maior ou menor educação, a parar de fazer isso. A Lei nos ampara, mas a sociedade não. Uma pena. E surgem produtos revindicativos, como toquinhas em forma de peito para, enquanto o bebê mama, aparecer um peitão falso no lugar da sua cabecinha!! (Muito fofo...), ou sacolas com a inscripção de "O mundo é a minha sla de aleitamento".



Com este tipo de atos, como o mamaço do domingo, pretendemos reivindicar o nosso direito (e o dos nossos filhos) de amamentar e serem amamentados em publico sem ter que passar vergonha por isso, fazendo-o com orgulho e prazer. Se ninguém manda você comer o seu lanchinho no banheiro, por que meu filho tem que tomar o seu lanchinho em um quarto afastado, que para mais vergonha geralmente esta ao lado do banheiro?

O MUNDO É A MINHA SALA DE AMAMENTAÇAO, OBRIGADA!! Não preciso me esconder. Talvez um dia ou outro eu ou o meu filho queiramos um lugar tranqüilo e afastado para desfrutar desse momento em privacidade, então agradeço que vocês me forneçam um que seja aconchegante, mas não me force a me esconder em ele se não é a minha intenção inicial.