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domingo, 7 de abril de 2013

Abraços de pano, embalos eletrônicos e peitos de plástico para bebês... de pelúcia?

Mas uma da série "vamos inventar o que já existe, para as mãezinhas continuarem consumindo".


Vi hoje esta ternissima imagem do bebê abraçado por uns braços+mãos de mentira, com este texto: "Almofada para os bebês se sentirem protegidos como se estivessem nos braços das mamães!". E eu me pergunto... Tão difícil é obviarmos o "como se estivessem" e, diretamente, pegá-los no colo? Vou lhes contar um segredo: isso é o que verdadeiramente lhes faz se sentirem protegidos, a mãe atrás dos braços. Braços sem mãe... é que nem caroço sem cereja.

De verdade você pensa que um bebê (mais ainda um recém nascido!) vai se importar se a almofada tem forma de mãos, de minhoca ou de borboleta? Você acredita que ele olha a almofadinha e percebe isso? Não tem a sensação de que, mesmo a almofada tendo forma de braços de mãe (e olha, de mãe gigante!), ele poderia sentir a falta do calor do colo da mãe real, do cheiro único da pessoa misturado com o do leite materno, dos batimentos cardíacos que lhe acompanham quando ela o abraça, da voz que lhe nina? Tão pouco esperamos do nosso filho? Que não nos reconheça e se conforme com uns braços de pano? Que acredite que essa almofada, cuja forma de braços ele nem percebe, vai lhe proteger, amar e criar como a mãe de verdade? De verdade você acredita nisso, ou simplesmente acha a almofada bonitinha e por isso gostaria ter uma igual?

Mas não é a primeira tentativa, nem de longe, de algum empresario expertinho tentar se lucrar inventando coisas que a natureza já proveu, se aproveitando da loucura consumista que se apodera de quase toda gestante e mãe.

Poderiamos começar pelo velhissimo e super bem sucedido invento -"O" invento- dentro desta categoria: a chupeta, que não é mais do que uma mera imitação do peito de uma mãe, para satisfazer a sucção não nutritiva (e lamentavelmente às vezes também a nutritiva).

Mamadeiras com bico cada vez mais parecido ao seio materno, cadeirinhas que vibram para substituir o embalo da mãe, saquinho de sementes para substituir o calor que o nosso proprio corpo lhes proporciona se os carregamos no colo, brinquedos com musiquinha para dormir em lugar de uma mãe que o nine com músicas de sempre...

E nós compramos, compramos, compramos... "Como não comprar isso que imita tão bem o que eu lhe dou? Com certeza será o mais apropriado!". Por que pensamos sempre que o fabricado é melhor que o que já existe na natureza? Por que o leite de fórmula poderia ser melhor que o que nós mesmas produzimos? Por que o brinquedo de luzes e sons resulta mais prometedor que uma mãe cantando e tocando? Como uma cadeirinha que vibra vai relaxar mais o bebê que um pai passeando com ele no colo?

De verdade vocês acham fofo o seu filho ser abraçado por uns braços gigantes de pano, podendo lhe abraçar você mesmo? Prefere que ele sugue um pedaço de silicone, em lugar de se aconchegar no seu peito? Prefere que a TV se ocupe de lhes divertir às tardes em lugar de sair procurar formigas ou pedras na rua juntos?

De verdade queria um filho? Bonecos são mais baratos, e não choram nem te solicitam no meio da noite! Em que mundo vivemos?

(Conste que não contra a chupeta, as cadeirinhas vibrantes, a TV, os brinquedos luminosos ou os saquinhos de sementes "porque sim", pois já usei ou uso alguns deles com meus filhos, mas sou contra, sim, de um uso continuado deles como substitutos de nós mesmos, e também de um uso deles sem sequer ter parado para reflexionar sobre o que eles realmente significam e o papel que eles jogam na crianção dos nossos filhos).

Texto de Elena de Regoyos para MamaÉ
Proibida a reprodução sem autorização

viernes, 5 de abril de 2013

Chega! (Claro que) não somos perfeitas, ué!

Sou mãe e sou doula. Me considero uma boa mãe, e também uma boa doula. Eu fujo da pretensão de perfeição. Porque... o que é "perfeição"? Provavelmente para você faz parte dela o fato de ser uma mãe que mantém os filhos sempre limpos, e para outra pessoa é ao contrário, aquela mãe que deixa os filhos mais lambuçadinhos. É só um exemplo sem importáncia. Para mim é ótima uma mãe que se respeita a si mesma e que respeita os filhos, tentando fazer o seu melhor, se informando e se esforçando, e que não sempre o consegue. Uma mãe que aprende também disso, e que faz com que os filhos também saibam errar e se perdoem quando isso aconteça, para poder seguir em frente.

Faz tempo uma "conhecida íntima" me disse que tinha ficado decepcionada comigo quando viu -em pessoa- que eu não era uma mãe perfeita. Peraí... Você achava que eu era isso? Mas de verdade você achava que alguém é "isso"? Como diz minha admirada Ana Cristina Duarte, "nem eu, que sou perfeita, sou perfeita".

Meus textos sobre maternidade não falam do que eu sou. Falam das coisas nas que eu acredito, falam das coisas às que eu aspiro ser na maior medida possível. Mas é obvio que não respondo às minhas espectativas como mãe o 100% das vezes, nem de longe! E é claro também que muitas, mas muitas vezes, não respondo as espectativas que os meus proprios filhos tem de mim. Imaginem só se eu tivesse, também, que responder as espectativas que cada mãe tem de mim, só porque "sou doula"!

Não gente, eu também perco a paciência -dependendo de fases, até demais-, porque eu também tenho dias ou fases em que meus filhos me deixam exausta, porque eu também tenho conflitos entre o que eu quero e preciso, e o que eles querem e precisam de mim... Porque eu também sou mãe e sou humana, como eles. Como você.

Conheci uma doula que não levava as filhas dela nos encontros com outras mães para não se mostrar "sem paciência" com elas na frente das outras, que esperavam dela um outro nível de evolução como mãe. Fala sério, e agora me expresso como doula de puerpêrio... Como vamos transmitir às mães que recurrem a nós que não devem se exigir tanto, que não podem aspirar à perfeição nem pretender ser a mãe que os outros esperam que ela seja, senão aquela que ela pode e deseja ser, se nem nós mesmas, as doulas que lhes dizemos isso, nos comportamos assim?

Preciso transmitir à mãe que perder a paciência com o filho e falar com ele bruscamente faz parte disto às vezes, ao igual que se desculpar depois nos mostrando humanas, que não aguentar mais ser mãe em determinados momentos é normal... Mas eu devo me mostrar "perfeita" e "evoluida", sem falar nunca uma palavra mais alta que a outra para o meu filho na frente dela, para ela pensar que pode confiar no que lhe digo, pois eu já alcancei esse nível superior como mãe, que nem fala palavrão nem aumenta o volume da voz nunca?

Eu já caí nessa

Me lembro muito bem de como eu cheguei a ter sérias dúvidas durante a minha gestação sobre se a Ana Cristina Duarte seria a minha parteira ideal. Como expliquei no meu relato de parto, eu queria e desejava uma parteira "mãe, mística, amorosa e sobrenatural", como pareciam ser as dos relatos de parto de muitas mulheres que eu lia. E Ana Cristina Duarte é uma mulher que fala alto e claro, à qual nunca imaginaria com um halo de luz etérea ao redor, como acontece com outras parteiras ou doulas que conheço. Agora, ela é uma parteira 100% humanizada, que acredita no que faz e fala do que acredita. Ela é direta, é firme, é segura, é sarcástica... E também me demonstrou -me dando uma lição de humildade- que podia, além de tudo isso, ser acolhedora, carinhosa, maternal, empática e entregue. Que ela não dance pelada com flores na cabeça e tomando chá de hervas místicas à luz da lua cheia (*) não quer dizer que seja menos parteira, menos acolhedora nem menos humanizada. Cuidado com as nossas espectativas, e cuidado com as imagens preconcebidas!

(* : Ou talvez ela dance, sim? As coisas geralmente nunca são o que parecem ser. Na verdade acredito que ela amaria fazer isso, e até já deve ter feito, rodeada de boas amigas, porque com certeza deve ser muito divertido)

A minha imagem atual de perfil do facebook
Várias pessoas próximas vem me dizendo um dia ou outro que que eu não deveria postar certas coisas no facebook porque dão uma imagem de mim não apropriada à minha profissão. Que não fale palavrão, que não me mostre irritada e nem coloque imagens "grossas", como aquela vez que postei as mil formas de denominar "buceta" em português (achei curiosissimo pois, como falei nesse post, eu nunca tive nome para essa parte do corpo, o que genera um grande conflito em mim, e sobre como denominá-lo com os meus filhos). Que tudo isso não bate com a minha imagem de perfil (presente da linda Anne Pires).

Respondo de minha profissionalidade, não da imagem que deveria dar

Eu sou como sou. E uma das minhas caraterísticas mais claras é a transparência. Sou um livro aberto. Se estou chateada, você vai saber; se estou decepcionada, vai ser evidente; se estou alegre, com certeza ninguém vai ter dúvidas. Se um virus entra no meu computador e quer roubar as minhas claves, provavelmente vou falar palavrão e vai me irritar que alguém me interrompa, mesmo meus filhos aos que tanto amo e me dedico.

Não tenho intenção de me vender como o que não sou "para captar atendimentos". Você quer uma doula com sorriso angelical e olhar transparente? Eu te digo que existem, as conheço, aprecio e admiro, e são tão boas ou tão ruins quanto eu. A escolha é sua, por sorte! Mas não fique esperando de mim que por ser doula me transforme automáticamente em um ser místico e etéreo, porque nem isso é garantia de nada mas que de, talvez, "o sorriso angelical e o olhar transparente". O resto vai com as qualidades de cada uma.

Que eu tenha capacidade de entender o que uma mãe está vivenciando, empatizar com as difficuldades dela, ajudá-la a superá-las, escutar ativamente o que ela me conta e lhe dar respostas informadas e satisfatórias...

Que eu possa conseguir que ela se escute a si mesma e saber o que de verdade está sentindo e que assim logre adivinhar do que está precisando...

Que eu consiga que essa mãe se empodere como tal, que confie nela mesma e decida conscientemente sobre a maternidade segundo o que ela é, e segundo o que ela quer para o seu filho...

Que eu tenha ferramentas pessoais e profissionais para ela lograr que a amamentação dela funcione, e que também acabe dominando a técnica para carregar o filhote num sling de forma adequada e confortavel...

Que eu faça tudo isso, como doula de puerperio que sou, não faz de mim um "ser de luz" com halo ao redor do corpo, que nunca se revolta e jamais comete erros com os filhos, comigo mesma, ou com os outros. Isso não vinha junto com o diploma.

Se você espera de mim a perfeição, então procure outra, eu não vou responder a essa espectativa. E se espera isso de mim, cuidado... O que espera de você mesma, então?

Elena de Regoyos para MamaÉ
Proibida a reprodução sem autorização

jueves, 4 de abril de 2013

Brinquedos ou realidade? Com que brincam os seus filhos?

Hoje comecei o dia no computador com uma oferta no maravilhoso site de brinquedos naturais Jugar i Jugar. Lembrei que precisava comprar giz de ceras da Stockmar para os meus filhos, e como nesse site também as vendem, entrei. Impossível não perder minutos e minutos mergulhando nesse incrível site de brinquedos de madeira, tecido e outros materiais naturais. Brinquedos baseados nas pedagogias Waldorf, Montessori ou Pickler. Brinquedos simples, porém únicos, especiais. Enfim, eu passo tempo e tempo desejando uns e outros para os meus filhos (ou para mim?), e enchendo o carrinho de compras imaginário com todos eles. Ai... se eu fosse rica!

Todos esses brinquedos são naturais (e lindos!!), é verdade. Não forçam o desenvolvimento natural da criança, senão que acompanham ela da mão no ritmo de cada uma, lhes oferecendo ferramentas, sem hiperestimular e tal e qual.

Mas... peraí! Sentada no chão, desde onde eu estava mergulhando no país das maravilhas do citado site, olhei para a minha filha de um ano, que brincava pela sala, e a observei. Nesse momento ela estava empurrando uma mesinha por toda a sala. Minutos antes estava brincando de entrar e sair do moisês que -também, fora das patas com rodinhas dele, está no chão da sala- ela não usou para dormir quando bebê, mas no qual agora adora entrar e sair, sentar nele, enchê-lo e esvaziá-lo de "brinquedos"... e empurrá-lo pela sala. Ela não consegue sempre entrar e sair dele sozinha, daí pede ajuda, e pratica esse exercício uma e outra vez. Às vezes ela também cai durante o treino.

Observando a minha filha brincar

Me propus, então, fazer um seguimento das principais brincadeiras dela durante o dia, confesso que acreditando já saber o resultado (pois é, quando uma já está na terceira filha às vezes acredita ter o resultado de certas pesquisas sem esperar fazê-las). Até essa hora ela tinha brincado, quando acordou de manhã ao meu lado, de meter o dedo no meu olho, nariz e boca. E depois de rolar na cama numa espécie de "pega pega" preguiçoso comigo, nessa primeira hora depois de acordar.

Daí, depois de tomarmos banho juntas, e dela brincar com os pingos de água que caiam pelo vidro do box e de desenhar com a ponta do dedinho com o sabão da perna dela, ela brincou de colocar uma meia dela que achou pelo chão primeiro na cabeça, para depois já ser no pé. Nossa, ela passou com a meinha um tempão.

Ao longo do dia as brincadeiras dela foram -segundo eu mais ou menos fui anotando- as seguintes:

-Romper em mil pedaços uma casca de cebola (aquela externa, marrom, bem sequinha) que tinha caido no chão enquanto eu cozinhava.

-Passear com um cinto de couro grosso do pai a modo de cachecol, que ela colocava e tiraba, colocava e tirava. E ai de quem tirasse o cinto de couro dela, ou tentasse substituí-lo por uma coisa mais... "adequada".

-Arrancar -tentar- folhinhas das plantas que eu estava molhando, e passar um tempão rasgando-las em pedacinhos igual tinha feito com a casca da cebola.

-Subir a escada de casa em quanto eu não olhava para ela.

-Apertar os botões do controle da TV insistentemente, e escondê-lo Deus sabe onde depois.

-Pegar um lenço de papel -esvaziar o pacotinho inteiro, na verdade- e limpar o nariz de um macaco de pelúcia, que depois carregou no colo por muito tempo enquanto fazia outras coisas.

-Meter o dedinho em um buraquinho da porta, e tirá-lo daí. Meté-lo de novo e tirá-lo mais uma vez. E falar com o buraquinho totalmente entregue, rindo a cada repetição.

-Virar o copo de suco de uva e desenhar no chão com ele (ai aiiiiiiii).

-Subir encima de uma malinha de alumínio onde guardamos fantoches, "pular" nela (sem separar os pés da caixa, por enquanto), e pedir ajuda para descer. En seguida, subir de novo e re-começar a brincadeira.

-Abrir o armário das panelas e tirar algumas dele para colocar e tirar a tampa, e meter coisinhas que ia achando pela cozinha dentro dela -vocês nem imaginam a quantidade de coisas não proprias de cozinha que tem no chão da minha cozinha, como playmobils, pedras...-.

-Meter a mão na minha bolsa e tirar coisas dela, metendo outras insuspeitadas. E depois a mesma coisa na casinha de madeira do irmão mais velho: meter a mão pela janela tirando coisas de dentro, e depois meter outras dentro a travês da mesma janela.

-Empurrar uma garrafa vazia que uma amiga colocava em pé, e rir ao vê-la cair. E de novo a mesma coisa repetidamente.

-Tentar arrancar com o dedinho o milho da espiga, no jantar, levando ele à boca de vez em quando.

-Pegar uma fralda suja e sair "correndo" com ela para eu perseguí-la.

-Na cama, antes de dormir, meter o dedo no ombigo do pai e gargalhar com a agonia dele.

-E muito de me seguir a todas partes, me observar com atenção -até no banheiro, obvio-, pedir colo, se agarrar às minhas pernas, falar e falar coisas geralmente incomprrensíveis, perseguir os irmãos, sentar do lado deles maravilhada, sentar encima de uma bola e levantar muitas vezes seguidas, me chamar, pedir mais colo, apertar botões de todo o que tem botões na casa, tentar subir em tudo o que está no seu alcance e pedir ajuda para descer, abrir gavetas...

Os seus brinquedos favoritos

Mais ou menos foi por aí. Quer dizer, ela usou para brincar todo tipo de objetos, principalmente da casa: prendedores de roupa, utensílios de cozinha, roupas, comida...

Poderia dizer que o principal brinquedo dela somos nós, a mãe, o pai e os irmãos: interagindo, nos perseguindo, nos imitando, ficando no colo... As pessoas. O segundo brinquedo dela é a casa com tudo o que ela tem dentro para uso nela. E por último lugar estariam os brinquedos propriamente ditos, que ela usa também, sim (adora bonecos!!), mas que nem de longe é a primeira nem a segunda opção dela na hora de brincar, e com maior motivo ainda os de bebês.

Voltando aos bonecos... é verdade, sim, ela ama carregar um boneco, mas não "brinca" com ele, senão que o carrega enquanto passeia ou fuça em outras coisas, da mesma forma que eu carrego ela enquanto cozinho ou faço outras coisas :). Retifico... o que esperamos quando falamos "ela não brinca com ele"? Se brincar é imitar para treinar para a vida adulta, ela então brinca e muito com ele, pois faz exatamente o que eu faço com a minha bebê: carregá-la enquanto faço outras coisas.

E dos outros brinquedos que usa, ou pode usar... ela os usa, mas eles são perfeitamente substituiveis por outras coisas. Da mesma forma que metia e tirava a mão da casinha de madeira do irmão (que é brinquedo), também o fez depois com a minha bolsa (que não é brinquedo). E da mesma forma que primeiro colocava em pé e empurrava um playmobil (que é brinquedo) para fazê-lo cair, depois o fez com uma garrafa (que não é brinquedo). Ela não se interesava explícitamente na casinha ou no playmobil, senão em meter e tirar coisas primeiro, e em empurrar um objeto que estava em pé, depois.

A minha conclusão -além de que eu deixo demasiadas coisas pelo chão sem recolher- é que para minha filha, igual que para os meus meninos de 5 e 7 anos, sobram o 90% dos brinquedos que eles tem, e olhem que eles nem tem tantos, e os que tem são na maioria bem "educativos" -esse termo da para outro post-!

E você? Já observou os seus filhos brincando? Com que eles brincam mais? Voês acham que eles seriam menos felizes com, digamos, apenas o 10% dos brinquedos que eles tem?

-Elena de Regoyos para MamaÉ-
Proibida a reprodução sem autorização da autora.
 
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lunes, 11 de febrero de 2013

ENCONTROS DE PREPARAÇÃO PARA UM PUERPERIO CONSCIENTE

MAMAÉ - PREPARAÇÃO PARA UM PUERPERIO CONSCIENTE

(Os encontros foram substituidos temporariamente por atendimentos individuais onde tratamos dos mesmos temas. Veja mais sobre eles aqui encima, no blog: "PUERPERIO - Atendimentos". Obrigada.
Elena.)


"Atravessar um parto é se preparar para a erupção do vulcão interno, e essa experiência é tão avassaladora que requer de muita preparação emocional, apoio, acompanhamento, amor, compreensão e coragem por parte da mulher e de quem pretende asistí-la.

[...] Porém, poucas vezes as mulheres encontramos o acompanhamento necessário para nos intruduzirmos, depois, nessa ferida sangrante, aproveitando este momento como ponto de partida para conhecer a nossa renovada estrutura emocional e decidir o que iremos fazer com ela.

[...] A nova mamãe é quem se encontra simultaneamente com o bebê real que chora, mama, reclama e não dorme... E ao mesmo tempo com a propria sombra dela (desconhecida por definição), inabarcavel e indefinível.

[...] O puerperio é uma abertura da alma. Um abismo. Uma iniciacão. Se estamos dispostas a mergulhar nas águas do nosso eu desconhecido".
Laura Gutman, O Puerperio.

Você vem se preparando firme e forte para o parto, mas sente que não está nada claro o que, e de que maneira, vai ter que encarar o que começa depois?

No parto não acaba tudo... No parto começa tudo.

Nasce um bebê, e com ele nasce uma mãe, nasce um pai, nasce um novo relacionamento do casal, nascem rotinas, nascem dúvidas, nasce amor infinito, nascem dificuldades, nascem críticas alheias, nasce uma sexualidade. Com o bebê nasce violentamente uma nova realidade que você precisa comprender e aceitar, para assim compôr o seu novo "eu" (mãe, pai, casal, família) desde a informação documentada, o apoio e o respeito, que são as bases dos encontros preparados por MamaÉ.

Puerperio, exterogestaçõ e necessidades físicas e emocionais do bebê, amamentação, babywearing, sono do bebê, sexualidade, papel do pai, novo relacionamento do casal.
E logo depois: começo de escolinha, volta ao trabalho, introdução de alimentos, engatinhando e caminhando rumo a independência, adquisição da linguagem, desfralde, desmame, sono da criança que não é mais bebê, birras, nova gestação...

Em que momento do seu puerperio você está? Quer encará-lo olho no olho com a companhia e o apoio da "tribo" de mães que vivem esse momento junto com você, contando ao mesmo tempo com informação real e acompanhamento profisional?

Escolha o seu módulo e se fortaleça vivendo este momento transformador "em tribo"
(3 encontros de 2h cada):

-1º módulo: Gestando um bebê, gestando uma família. Preparação a mater-paternidade, prática e emocionalmente, além do parto.

-Sabado 9/03 (9h - 11h)

-Sábado 16/03 (9h - 11h)
-Domingo 24/03 (16h - 18h)


-2º módulo: 0-9 meses. Primeiro puerpério. Conhecendo, comprendendo e acolhendo o nosso novo papel na nova família que se formou

-Sábado 6/04 (9h - 11h)
-Domingo 14/04 (9h - 11h) 

-Sábado 20/04 (9h - 11h)

-3º módulo: 9 meses-3 anos. Grandes desafios e conquistas de bebê a criança. Como lidar, como pais, desde o respeito aos ritmos do filho.

-Sábado 4/05 (16h - 18h)
-Sábado 11/05 (16h - 18h)
-Sábado 25/05 (16h - 18h)

-Limite de 8 casais por módulo. Reserve a sua vaga!

-Onde: Céu Aberto. R. Edward Vita de Godoy, 828. Barão Geraldo, Campinas (SP). Na rua atrás do Tilli Center.

-Investimento por família e módulo completo (3 encontros de 2 horas cada um): R$250.

-Inscrições: Elena (mamaedoula@gmail.com)

Elena de Regoyos, mãe de três filhos, é doula especializada em puerpêrio, consultora em amamentação, instrutora de babywearing, psicodramatista e coach parental.
Nos encontros de preparação para o puerperio consciente você irá obter informação documentada, um trabalho sério e preparado à medida para você, junto com a riqueza da troca com outros casais no mesmo momento vital.

Abordaremos o seu momento físico e emocional desde o respeito a criança e a você mesmo, te ajudando a localizar e re-organizar esses mil pedaços em que o seu "eu" se desmanchou após o parto. Assim vocês mesmos criarão a partir daquele, adicionando algumas pecinhas fundamentais, um novo "eu" consciente e seguro de si.

Se quer mais informação, entre em contato:
MamaÉ - Elena (19- 9391 4134 / mamaedoula@gmail.com)

Flyer para divulgação:

 

sábado, 29 de diciembre de 2012

Lição de babywearing nas costas, desde Uganda, em estado puro

Um amigo viajou a Uganda faz uns meses, como cooperante, e me trouxe este lindo presente. Ele fotografou, numa aldeia chamada Sipi, o processo de colocação de um bebé bem pequeno nas costas de uma mulher (talvez irmã, prima... porque o filho nestes lugares é da tribo inteira, não só da mãe ou da mãe+pai).








As fotos mostram como se coloca o porta-bebê ao modo tradicional africano, o que eles geralmente fazem com tecidos wax, mas que neste caso parece um simples tecido retangular de algodão.

Como vemos, ninguém tem que lhes explicar que:

-O bebê vai, sempre, olhando o corpo da mãe (ou de quem o carregue), e nunca olhando para a frente, seja colocado na frente, no quadril ou nas costas.

-A posição adequada e natural de carregar um bebê é na posição de sapinho, como se ele estivesse acocorado, com os joelhos mais altos que o bumbum e as costas curvadinhas em forma de C.

-Não precisamos de slings de marca, e que com práticamente qualquer tecido podemos carregar pertinho do nosso corpo os nossos filhos, de forma adequada: bem tensionado, na posição idónea e de forma confortavel para bebê e adulto.

-O melhor lugar para "deixar" um bebê é em contato humano, sentindo o cheiro de outra pessoa, o contato da sua pele e o balanceio do seu corpo ao caminhar ou trabalhar.

Obrigada Carlos ;)

MamaÉ Slings
Proibida a reproduçõ sem permissão

martes, 4 de diciembre de 2012

Viajar de avião com bebê e/ou crianças pequenas e não morrer na tentativa

É uma das perguntas, além de amamentação e babywearing, que com maior frequencia me fazem as mães que conheço. Sou toda uma proffisional no asunto (piscadinha de olho), pois tenho três filhos com os que viajo, desde que nasceram, duas vezes por ano mínimo, em vôos principalmente transoceánicos, e sem ajuda do pai, que viaja em outras datas.

Já viajei sozinha com bebês, com bebê e criança pequena, com duas crianças pequenas, grávida querendo vomitar toda hora com dois filhos que precisam de ajuda, barrigudona de final de gestação com os mesmos dois filhos, com bebê recém nascido e mais dois filhos pequenos... Já enfrentei conexões, vómitos, cocôs transbordantes de bebê, perdas de necesser com fraldas e toalhinhas, atrasos e difficuldades de todo tipo, pelo que creio que estou pronta para lhes oferecer algumas dicas que para mim vem sendo úteis. São as seguintes:
 
(Na foto, viajando sozinha de Madri para o Brasil com Paulo -6 anos-, Adriano -4 anos e meio- e Alicia -4 meses-, sendo que colocaram os meninos 6 filas atrás de mim, e ninguém quis trocar de lugar. Passei a viagem indo e voltando do lugar deles ao meu, impedindo brigas entre eles, lhes ajudando a comer e dormir, sem ter lugar ao seu lado e com uma menina no colo)

PREPARATIVOS:

-Leve uma bagagem de mão completa, mas também sem exageros, pois você vai ter que carregar filhote(s) além da bagagem. Para mim serve: troca de roupa para as crianças e para mim (pelo menos a parte superior) por se sofremos acidentes como um suco derramado, vómitos, xixis noturnos, etc. Fraldas, toalhinhas, uma sacola plástica para guardar roupas molhadas ou sujas, dois potes plásticos de armazenar leite materno, com tampa, vazios; alguma coisinha saudavel que as crianças gostem (paitos de pão, por exemplo), roupa mais quente... E a sua bolsa com as suas coisas pessoais importantes: celular e carregador, carteira, documentação, dinheiro, máquina de fotos, passaportes (que seteja facil de achar), passagens, etc.

-Esqueça de grandes trambolhos, como super bonecos de pelúcia, travesseiros de cama e similares. É uma noite, ou uma viagem de umas horas, não precisa carregar tanta coisa "na mão". Simplifique a sua vida, não a complique. Vai agradecer esta dica.

-Eu sempre preparo uma pulseirinha com um elástico e um papel plastificado com os dados da criança, endereço e telefones e emails de contato dos responsaveis, por uma cara de um país, e pela outra do outro país. Já fiz isso com uma colarzinho, e é mais desconfortavel para dormir. Melhor pulseira. Nunca perdí um filho em um aeroporto, mas é algo que não quero que aconteça. Eles sabem que se se perdem de mim tem que procurar alguém adulto e lhes mostrar a pulseirinha pedindo para ligar à sua mãe.

-Não se esqueçam que nos aviões você pode tanto morrer de calor como virar uma pedra de gelo. Sempre coloco calça comprida neles, porem confortavel (moletom ou similar, assim me e lhes poupo de ter que trocar para colocar pijama, acho desnecessário), meia e camiseta de manga curta. Mas levo uma roupa mais quentinha no caso de ser um avião desses gelados, algo confortavel que dê para dormir bem com ele, também tipo moletom, ou camiseta de manga comprida algo quentinha. Algo que também dê para tirar facilmente. É importante lembrar também de colocar neles sapatos confortaveis e faceis de pôr e tirar (croc é um grande aliado, da para usar com meia também nestes casos). E se tem bebê, leve uma toquinha, o frio às vezes é muito forte e os seus ouvidos podem sofrer depois.

-Sempre procuro levar uma pequena mala de mão (igual a da foto), em lugar de varios bultos menores. Isso me facilita por vários motivos:

1. Levo menos bultos, por tanto tenho menos possibilidades de esquecer algum deles em algum lugar (cafeteria, control de bagagens, control de pasaportes, sala de embarque, banheiro, etc). Quando vamos com crianças vamos 90% atentas a elas, e é facil esquercemos de algum bulto no caminho. Melhor um maior do que muitos menores.

2. Se é uma mala posso levar ela rodando, não preciso carregar peso.

3. Se preciso tirar alguma coisa não tenho que lembrar em qual dos bultos eu guardei aquilo.

4. Uso a mala como apoio para os pés durante a viagem, pois sempre tenho alguma criança dormindo encima de mim ou apoiada em mim, e resulta mais confortavel para as minhas pernas tê-las um pouco levantadas, apoiadas em algo alto. Isso também me ajuda para, no caso de eu precisar de alguma coisa, poder pegá-la sem precisar me levantar, já que algum filho pode estar dormido encima de mim ou apoiado, ou na poltrona dele ao meu lado, e eu poderia acordá-lo ao passar e abrir o porta bagagens.

-Levo potes vazios onde poder guardar água, com tampa. Uso esses que se vendem de plástico para armazenar leite materno, mas serviria uma garrafa normal. Durante a noite geralmente lhes da sede por causa do ambiente seco do avião, e chamar a aeromoça, esperar ela trazer água, talvez não terminarem o copo e não ter onde deixá-lo (lembrem-se do bebê que dorme no colo)... é um risco para acordar uma das crianças que esteja dormindo. Muito barulho e movimentação. Então, na hora do jantar, peço para a aeromoça encher os meus potinhos de água e já os guardo na mala sob os meus pés. Evito uma possivel difficuldade posterior.

-Não levo brinquedos na bagagem de mão, ocupa espaço e atrapalha, e é facil de perder (mais ainda quando você não pode andar procurando coisas por ter um bebê encima). Às vezes algum brinquedo preferido da criança sim, que lhe da segurança. Pequeno melhor e sem peças que possam espalhar e se perder. Mas tenho comprovado que a grande variedade de coisas que já tem dentro do avião oferece distração suficiente às crianças, e vira brinquedo rápidamente. A imaginação deles é insuperavel. Além de tudo, as companhias geralmente tem algum brinquedinho para eles pintarem ou brincarem, ou espalharem por aí, e tem a TV, a música nos fones de ouvido, canudinhos, papel para fazer aviãozinhos, passageiros que conversam com eles, o carrinho do jantar, ir visitar o banheiro, etc. (Na foto, Paulo, de 6 anos, faz collages sobre a poltrona com papelzinhos colados com chiclete e band-aids num guardanapo, e brinca de barquinho com uma canequinha  um marinheiro feito de papel de revista).

-Peça para ficar longe do banheiro, pois o barulho da descarga é forte, e os passageiros indo e vindo durante a noite toda podem acordar os seus filhos facilmente, além de ter muitas idas e vindas de pessoas ao seu lado. É desconfortavel.

-Se o seu filho não controla muito bem o xixi noturno, talvez é uma boa dica vocês combinarem juntos de usar uma fralda nesta ocasião. Talvez ele queira ir ao banheiro enquanto outro filho dorme encima seu e seja complicado para você acompanhar o primeiro, ou acordar o segundo. Ou eles podem acordar querendo fazer xixi num momento em que não é permitido levantar, como o pouso ou em turbulencias. Daí ele pode, dessa vez, fazer o xixi na fralda e pronto. Se ele concordar, é claro. É uma situação especial, eles geralmente compreendem.

-Desencane com o quanto e o que eles comeram no avião. É muito provavel que eles comam pouco ou quase nada, é como se ficassem sem fome. Os meus filhos práticamente só comem pão (e suco) nos aviões. Não tem problema. As aeromoças dão quanto pão você quiser, eles não vão ficar com fome nem desnutridos por comer só pão por um dia. Se você leva alguma coisa para garantir que eles comam, procure que seja facil de lhes dar, e se pode ser, que não precise aquecer, pois geralmente chega ardendo nesses casos. Se o bebê ou criança ainda mama, melhor ainda, tem um alimento bom e forte garantido durante a viagem, sem precisar carregá-lo, nem aquecê-lo.

AMAMENTAR

-Use roupa que facilite a amamentação no avião. Pode ser que você passe práticamente a noite inteira (em caso de vôs noturnos) com a teta de fora, ou mudando de uma teta para a outra, e é bom não passar frio na barriga, assim como não sofrer desconforto com uma roupa amassada nas costas por ter tido que levantar a camiseta, etc. Além disso, é bom que o bebê tenha um facil aceso ao peito por se acorda de noite sem saber bem onde ele está. Isso vai lhe acalmar facilmente. Pense numa camisa ou camiseta soltinha, talvez com uma dessas mais justinhas de alças finas embaixo, que não dê calor, assim você levanta a soltinha e com a outra você mantem a barriga aquecida, deixando o peito livre por cima dela (a justa baixa e a solta se levanta, não sei se dá para imaginar), e não esqueça um sutiã bem confortavel, ou até em ir sem, isso facilita muito :).

-Procure amamentar o bebê durante a decolagem e o pouso, se ele aceitar. Isso ajuda a evitar possíveis dores de ouvido nele por causa da mudança de pressão. Se ele não mama no peito, dê-lhe alguma bebida na mamadeira, ou uma chupeta para sugar se ele a suga. Succionar ajuda de qualquer forma neste caso.

-O aeromoço me disse, na última viagem: "senhora, coloque a menina em posição de amamentar para decolar, assim protege a cabeça dela em caso de algum movimento brusco". Lhe respondi: "moço, qual posição de amamentar? Isto é que nem Kama Sutra, sabe? Longe de ter uma única posição". Coloquei Alicia na posição de cavalinho que achei mais confortavel para ela e para eu segurá-la, ele olhou sem saber bem o que dizer e acabou com um "tudo bem assim". Desta vez, por ser um vôo doméstico, não me deram cinto de segurança para a menininha. Sempre me deram um, que se amarra ao meu cinto, nos vôos longos.

-Tanto nas esperas em salas de embarque quanto no avião o bebê pode mamar dentro do sling, o que também te deixa as mãos livres para outras coisas que precise fazer.

SLING

O bom de viajar de avião, a differença do carro, é que você pode carregar o seu bebê encima, não estando ele obrigado a permanecer em um bebê conforto que muitas vezes lhe desespera. E você pode passear com o bebê, se levantar, amamentar e embalar ele... Coisas que em uma viagem de carro são impossíveis (ou quase).

Pode levar o carrinho até a porta do avião, eles o guardarão aí e você o irá recuperar na saida, ou diretamente na esteira de bagagens. Eu recomendo, de levar carrinho, que seja um dos que fecham como uma tesoura ou guardachuva, aqueles mais simples, estilo "McLaren", pois com o bebê no colo, começar fechar um carrinho complicado é uma estória.

Ainda assim eu, mesmo levando carrinho (principalmente para carregar a bagagem de mão, a bolsa e se os meninos levam mochila, para elas também), nunca viajo sem um sling confortavel e facil de colocar e tirar.

Antes dos 5 meses um wrap melhor, são muitas horas de espera e de vôo, com o bebê encima, e para mim (e para o bebê sem dúvida) é o mais confortavel, até para fazer ele dormir. Se não dorme nele, mas no meu colo, aproveito para usar o wrap de "cobertorzinho" no caso de um ar condicionado forte. Depois dos 5 meses já um Mei Tai é a minha escolha mais habitual. Mais facil de colocar e tirar do que o wrap, porém igual de confortavel. Um canguru ergonômico também é útil por sua praticidade, claro.

Serão muitos barulhos, vozes de autofalante e dos milhares de pessoas que transitam pelo aeroporto, crianças que gritam, malas que se arrastam, cafeteiras que parecem trens em marcha, descargas de água... tanto no aeroporto quanto no avião, e também na pista se vamos de onibus até o avião (turbinas barulhlentas), muitas luzes (às vezes no meio da noite), muitas idas e vindas... Tudo fora das rotinas dele, e muitas vezes em horários impossíveis, como no meio da madrugada. O bebê pode se sentir desubicado, inseguro e estressado se não está em contato com você. Por isso recomendo algum portabebê confortavel, isso ajudará o bebê se acalmar, o contato com você lhe faz sentir "em casa" esteja onde estiver. No carrinho está exposto a um excesso de estímulos, e longe da pessoa que lhe transmite segurança e proteção: você.
 
Com o bebê no sling você terá as mãos livres para abrir bagagens, pegar a documentação ou passagem, colocar as coisas na esteira do controle de bagagens, etc. E também para carregar a mala de mão ou outras coisas, como se ocupar dos irmãos se eles precisam de ajuda para alguma coisa. Também é útil se, quando chegamos ao destino, a criança está dormindo.

Mesmo sendo uma criança grande e que caminha (eu fiz isso com Adriano até com 4 anos), é duro acordar ela porque "já chegamos, filho", e lhe fazer caminhar por longos corredores, esperar a mala, a fila de passaportes... Quando ela estava dormida. O porta-bebê te ajuda com isso, pois mesmo ela tendo acordado, vai confortavelmente nas suas costas (ou na frente ou no quadril), podendo assim caminhar pelos longos corredores, esperar malas e filas, sabendo que o seu filho está bem.

O único chato é que às vezes, no controle de bagagens, eles te fazem desamarrar o porta-bebê para passar pelo arco com o bebê afastado do teu corpo. Depende da simpatia e empatia (principalmente) do policial. Se o bebê estava dormido você tem vontade de pisar o mindinho do policial, como mínimo. Eu já dei algumas broncas. Não me poupou de ter que desamarrar o porta-bebê, mas pelo menos deixei claro o meu ponto de vista ao respeito. Poxa, o bebêzinho está dormido numa p..a situação ruim para ele, e ainda preciso acordá-lo e afastá-lo do meu corpo para você supervisar um pedaço de tecido amarrado no meu corpo? "Vá tomar no banho!", como diria o meu sogro.

-E faço tudo sem pressa. Prefiro demorar e fazer esperar ao de trás de mim, do que fazer tudo às presas, nervosa e mal, esquecendo algo ou amarrando mal o wrap, me deixando desconfortavel e estressando as crianças.

-Não se estresse se o seu filho chora ou faz barulho, principalmente quanto menor ele fôr, pois menos capacidade de compreensão ele tem da situação. É claro que com bom senso, se é uma criança maior, lhe podemos e devemos pedir para não ficar gritando ou incomodando outros passageiros. Mas pense que é uma pessoa que talvez ainda não entenda que está num avião, que o barulho dele incomoda as outras pessoas, etc. São muitas horas e as crianças precisam se mexer e brincar, ou cantarolar, etc. Os adultos temos (ou deveriamos ter) maior capacidade de compreensão sobre as crianças do que elas conosco.

Então, usemos o bom senso para cuidar deles não ficarem fazendo bagunça demais, mas também lhes deixando se distrair com coisas normais de criança, como passear pelo corredor, falar, se divertir e inclusive chorar. Eles se cansam, se entediam, se estressam com tanta coisa, dormem pouco e mal e choram às vezes, sim, inclusive aos berros. Não pense nos outros nesse caso, pense no seu filho e tente ajudá-lo, ele precisa mais dessa compreensõ do que os adultos que se incomodam com isso, mesmo tendo os motivos deles, claro, para se incomodar. Se os passageiros não o entendem, é coisa deles.

-Geralmente os passageiros são compreensivos e colaboradores com uma mãe que viaja com crianças. Salvo contadas excepções, eu sempre tive muita ajuda deles e da tripulação. Pense em positivo e imagine que eles compreendem a sua situação. Sempre tem alguém que não, mas é minoría. Pior para ele. Não se deixe influenciar pelo possível desconforto dele, você não pode fazer com que o seu filho se comporte, compreenda e sinta como um adulto.

(Na foto, Paulo dorme sobre o passageiro do nosso lado, um garoto simpático e cuidadoso que brincou e conversou com ele e depois lhe deu colo para dormir, ajeitando a cabecinha dele se ficava meio torta e lhe cobrindo quando começou fazer frio. Eu tinha um barrigão de 8 meses e outro filho dormido apoiado em mim)


E duas últimas dicas, que para mim sempre funcionam (como "autodicas"):

1. Calma que chegar, você vai chegar. Não sei se caindo de sono, talvez vomitada ou com vontade de matar a aquele que abriu a janela acordando o seu filho justo quando acababa de dormir. Mas chegar, vai chegar, com certeza. Vai tomar um banho e depois vai ter tempo para recuperar a rotina e a compostura.

2. Não se coloque espectativas. Simplesmente deixe que as coisas vão acontecendo. Não pense a que horas o seu filho deverá dormir, ou quantas horas de sono vai perder essa noite, ou se já deveria ter tirado a soneca das 11h, ou se está comendo porcarias demais e comida de menos. Não se estresse, não se cobre nem lhe cobre, é uma situação especial, tome-a como tal e esqueça as espectativas que podem lhe fazer sofrer demais. Vá superando cada etapa da viagem, que logo chega e descansa. Se comeu pouco, depois come mais, Se dormiu pouco, depois dorme mais. Tem fusso horário também, talvez, então vai estar tudo bagunçado de qualquer jeito.

Elena de Regoyos
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