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sábado, 14 de abril de 2012

Exterogestação. O bebê, emocional e fisiológicamente feito para ser carregado

O ser humano é o único animal (fora os marsupiais) que nasce imaturo. Este não é um erro da natureza, evidentemente, senão que tem uma explicação causal, e outra “consequencial”:

A causa é a bipedestação (que provocou um estreitamento da cavidade pélvica para nos mantermos em pé) e o aumento da capacidade cerebral (e por tanto, aumento do tamanho da cabeça). Ambas coisas, juntas, fazem com que se esperássemos o bebê estar no mesmo ponto de desenvolvimento cerebral que os outros primatas, ele já teria a cabeça tão grande que nem de longe iria caber pela pelve da mãe. Por tanto, o bebê não nasceria, ele morreria, e a espécie humana também, pois isso aconteceria com todos. Os primatas nascem com o 50% do cérebro adulto, os humanos com o 25% dele, e só vão alcançar o 50% quando eles tiverem 9 meses de idade (fora do útero).

A consequência é que, graças ao fato do ser humano nascer com grande parte do cérebro ainda por se desenvolver, ele vai ir criando conexões neuronais em interação com o entorno, que lhe oferece inúmeros estímulos a mais do que um fechado útero materno. "As vantagens de nascer cedo no ciclo da gestação incluem uma maior plasticidade e uma exposição precoce aos estímulos ambientais, importantes para a aprendizagem" (Trevathan). Estar em "desenvolvimento incompleto", na realidade, facilita mais a criatividade e a personalidade individual (Pearce).

Lá fora, o bebê vai se adaptar ao meio no qual vai viver com uma plasticidade cerebral muito maior do que a de qualquer outro animal. Ele não é um ser passivo que se vira na vida só através de atos reflexos, como é o caso de outras espécies. O patinho sai do ovo e simplesmente começa perseguir o primeiro objeto em movimento que tenha por perto, geralmente a mãe pata, é claro. Senão que o ser humano vai tratar de dominar o entorno, e para isso primeiro tem que compreendê-lo. Se ele não nasce “pronto”, se o seu cérebro se desenvolve já em interação com este entorno, ele terá muita mais informação sensorial para este cometido. Mas para isso, a interação tem que fazer com que ele se sinta seguro. E aí entra o contato físico com o corpo da mãe (ou de outro adulto-cuidador).


O CONCEITO DE EXTEROGESTAÇÃO

Os primeiros nove meses do bebê são considerados pela maioria de autores como um tempo de exterogestação. É o tempo no qual ele vai desenvolver o seu cérebro até o 50% (e vai chegar ao 80% quando ele completar 2 anos!). Nove meses é o tempo, também, que ele precisa (em media) para começar engatinhar, o que quer dizer que, na natureza, ele já poderia fugir de um perigo por médios próprios. É um tempo de maduração dos sistemas dele.

O Dr. Heller afirma que "enquanto o bebê está em contato com a mãe, os seus sistemas se mantêm em um ritmo regular".Os bebês prematuros sobrevivem mais e se estabilizam antes se permanecem em contato com o corpo da mãe (Método Mãe Canguru), e os que não são prematuros, porém não tendo que “lutar pela sobrevivência”, também sentem os mesmos efeitos quando estão em contato com outro corpo humano. Por tanto, nestes primeiros nove meses, o contato físico com o bebê (dia e noite) não só é gostoso, beneficioso e recomendável, senão que é também necessário. Sem limite de tempo, quanto mais, melhor.

UM CORPO E UMA MENTE FEITOS PARA O BEBÊ SER CARREGADO

Não, o berço não tem espinhos... O bebê chora quando você o deixa aí simplesmente porque ele está “programado” para fazer isso. O bebê das cavernas que não chorava quando era deixado em um lugar longe do corpo do adulto, corria risco de ser devorado por um predador, morrer de frio ou qualquer outro perigo que, evidentemente, hoje não existe para nossas crianças. Mas os bebês que sobreviveram, os que fizeram chegar os genes deles até nós, foram os que choravam e conseguiam que a mãe carregasse eles o tempo todo.

Por tanto, os bebês humanos estão ainda hoje, na era Pós-moderna, geneticamente preparados para chorar quando não estão em contato com um adulto. Eles não sabem que não tem predadores por aqui... Eles simplesmente têm esse mecanismo de sobrevivência que funcionou à perfeição durante milhares de anos, porque nascem completamente dependentes, e para sobreviver precisam se sentir permanentemente cuidados. O seu recurso é o choro. O bebê não tem como saber que, mesmo estando no quarto do lado, eles estão cuidados porque a mãe o escuta por um intercomunicador com câmera. Ele simplesmente sente-se abandonado e exposto aos perigos, sem médios próprios para se proteger.



Fisiologicamente também já nasce perfeitamente adequado para ser carregado. O corpo de um bebê tem a forma e posicionamento ideal para ser levado nos braços de um adulto, olhando para o corpo do adulto. As perninhas dele se retraem em posição de “sapinho” para abraçar com elas o corpo do adulto e se encaixar nele. De uma mulher ainda mais, graças à forma do quadril dela, que serve de assento. Parece que até estivesse todo pensado e planejado pela natureza!!

QUESTÃO DE FISIOLOGIA

O ser humano não tem a coluna reta como um pau, senão que ela apresenta duas curvas que fazem com que tenha uma forma de “S” fácil de identificar. O bebê, por contra, nasce com a coluna curvada em forma de “C”, e vai demorar ainda alguns anos em conseguir a coluna própria de um adulto, graças à ação da gravidade e da sua própria musculatura. Entre os 3-6 meses, quando o bebê começa segurar a cabeça, vai ir se formando a primeira curva, a cervical, à altura do pescoço. Depois, com o engatinhamento e quando aprende caminhar, a curva lombar começa aparecer, aperfeiçoando a forma nos 3 primeiros anos da sua vida.

Se o bebê permanece, como tristemente é o caso de muitos, quase todo o dia deitado horizontalmente em berços, moisês ou carrinhos, estaremos estressando a sua coluna, que não tem uma forma “esticada”, reta, senão curvada, como já expliquei. Em um bebê conforto será mais respeitada a sua ergonomia, mais os cintos de segurança e o posicionamento “não vertical” impedem que o bebê exercite os seus músculos dorsais e do pescoço. Por tanto, é também importante neste sentido carrega-los no colo o maior tempo possível, e fazê-lo verticalmente.

Verticalmente como? É claro que respeitando a anatomia dele, segurando a sua cabecinha se ele ainda não o faz por si mesmo, mantendo as suas costas curvadas em forma de “C" e as pernas na posição de "sapinho", como se estivesse acocorado: os joelhos mais altos que o bumbum e as canelinhas pendurando, formando com as duas uma forma de "M". O tecido do carregador, sempre bem tensionado em todos os pontos em contato com o bebê e o adulto, tem que segurar o bebê desde atrás de um joelho até atrás do outro joelho. Desta forma se mantêm a posição natural do bebê, resultando também confortável para o adulto.



Esta posição não é possível mantê-la carregando o bebê ou criança face ao mundo. Além de forçar a coluna dele e carregar o peso inteiro do seu corpo nos seus genitais, cortando a circulação sanguínea nas virilhas, estamos sobre-expondo eles aos estímulos que vão chegando, sem lhes oferecer a possibilidade do aconchego do nosso corpo. Se quisermos que tenham uma maior visão do mundo, podemos carregá-los ao quadril ou às costas. Aí eles vêm mais coisas, e não perdem a referência do corpo da mãe. Não é a toa que em todas as culturas onde os carregadores de bebê são tradicionais, habituais e até ancestrais, os bebês são carregados sempre nesta posição física explicada, de "sapinho", e com o ventre do bebê em contato com o corpo do adulto (assim também se protegem os seus órgãos vitais), já seja carregado na frente, ao quadril ou às costas.
 


BENEFÍCIOS DE CARREGAR O SEU BEBÊ NO COLO

Bom, como vem sendo explicado, são muitos os benefícios tanto emocionais quanto físicos de carregar o seu bebê/criança no colo, o em um carregador de bebês ergonômico. Ao permanecer em contato físico com outra pessoa, eles harmonizam o seu ritmo respiratório, os batimentos cardíacos, a temperatura (ideal quando eles têm febre), o sistema imune e até os ciclos de sono com os da outra pessoa. É por isso que nas sociedades onde a cama compartilhada é o normal e habitual, não existe morte súbita.

Os bebês que são carregados na vertical, também ganham rapidamente habilidades no seu sistema de equilíbrio, pois a cada movimento da mãe quando ela caminha, se abaixa para pegar uma coisa, vira a um lado ou ao outro mudando de direção, caminha rápido ou devagar, se senta e se levanta do chão para brincar com os outros filhos, mexe os seus braços para bater um ovo... o bebê, carregado em um sling, tem que se esforçar por manter a posição que tem. Ele pratica com a orientação espacial ao mesmo tempo em que toma consciência do próprio corpo, sempre em contato com outro corpo. Com o fato de se manter na vertical, ele também vai fortalecendo a musculatura do pescoço e coluna, sem forçá-la, pois está devidamente segurada pelo carregador.

Enquanto à estimulação sensorial, eles recebem permanentemente estímulos quando são carregados. Os brinquedos são muito menos importantes do que um cuidador em contato físico com a criança. Estímulos apropriados, reais, da vida, não de um brinquedo “inteligente” e musical que, ao ritmo de umas luzes coloridas, ilumina a sua cadeirinha vibratória para acalmá-lo e estimulá-lo ao mesmo tempo.


O mundo lá fora já tem todos os estímulos de que um bebê precisa, pois está cheio de cores, cheiros, mudanças de temperatura, texturas, luz e escuro, barulhos do entorno... Sendo carregado ele está em contato permanente com tudo o que já conhecia desde o outro lado da barriga: a voz da mamãe, o seu balanceio ao caminhar, os batimentos do seu coração, o seu contato na pele. E ele adiciona a estas sensações todas as novas que o mundo vai lhe oferecendo, mas desde um lugar conhecido e que lhe faz sentir seguro. Quando um bebê está em estado tranquilo e alerta, em contato com a sua mãe, está também no estado ótimo para a observação e processamento de todo o que acontece ao seu redor.

O bebê que é carregado desenvolve habilidades sociais de forma saudável, pois ele participa da vida social da mãe desde um lugar prioritário. À mesma altura dela, vendo as mesmas coisas e com aceso às mesmas informações sensoriais. Ele está aí mesmo -e não lá embaixo num carrinho- quando a mãe conversa com outra pessoa, escolhe as frutas que vai comprar, se aproxima de uma árvore para sentir o cheiro das suas flores e quando estende roupas no varal. Ele participa junto dela da sua vida cotidiana, com tudo o que ela lhe oferece enquanto a estímulos e informação do entorno, e é assim, desde esse lugar seguro que é o corpo da mãe, que ele vai compreendendo o mundo e se adaptando a ele, de forma ativa e não passiva –estacionado num berço, cadeirinha ou carrinho, vendo todo de longe-, sentindo que ele, sim, também faz parte de tudo isso.

-Prohibida la reproducción total o parcial de este artículo sin el consentimento de la autora:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e coach parental
-Consultora de slings e amamentação
Tlf (Br) +55 19-9391 4134 / Tlf (Esp) +34 696 08 25 21

 

sábado, 7 de abril de 2012

Para uma maternidade feliz: Menos controle e mais entrega

Reflexões de uma mãe de três, quase um mês depois de parir a terceira...

Faz algumas semanas, no grupo Samauma de apoio ao parto humanizado, do qual tenho participado durante a minha gravidez, falavam sobre a importância do controle (ou da falta dele) para poder parir “em paz”. Se entregar ao corpo, aos ritmos dele e do bebê que vai chegar, sem controlar tempos, centímetros nem sensações. Só entrega. O papo foi interessante, pois a maioria das mães –e pais- presentes coincidia na opinião de que hoje em dia é missão quase impossível se entregar a qualquer processo, mais ainda a um processo do nosso próprio corpo, com um 100% de entrega e confiança, e um 0% de intenção de controle sobre o mesmo.

E aqui me vejo eu, após quase um mês do meu terceiro puerperio, pensando e sentindo nas minhas carnes isso do controle, a entrega e a confiança. Pois, no relativo a estes conceitos, o que se aplica para o parto, se aplica também à maternidade.

Eis aqui as minhas conclusões-sensações:

Meu marido me dizia ontem que quando todas as pessoas –principalmente os pais de primeira viagem- lhe dizem que “a sua casa deve de ser uma loucura, com três filhos”, ela sente que longe disso ser verdade, o que acontece é tudo o contrário. Que as coisas são bem mais fáceis agora, com três, do que antes, com dois, ou até muito antes, com um só, com o primeiro.

Com a terceira filha, parece que as dificuldades se solucionam sozinhas, parece que as coisas rolam sem complicações, parece que tudo é natural e normal.

Parece? Ou realmente é?

Com a minha terceira filha, junto com esta facilidade e naturalidade à hora de agir, eu tenho percebido uma ausência total de controle. Ausência de controle, no caso da maternidade, não significa “descontrole”, senão entrega, desfrute, amor, curtição...

E isso, na prática, como é? Na minha experiência é assim:

-Não olhar o relógio quando ela resmunga, “por se ela pode querer mamar”, e sim diretamente oferecer a teta para ela. Si mama, bem. Si brinca com o bico, também bem. Se não quer mamar... Não mama!!

-Significa não me importar com saber que horas são quando acorda de noite –o que adianta esse dado? Vai mudar alguma coisa se é meia noite ou se são 03h15min da manhã?-, ou quando ela cai no sono de novo. Significa, por tanto, deixar de calcular quantas horas vou dormir nessa noite, fazendo as contas de quantas horas já dormi antes que acordasse a vez anterior, mais as que faltam ainda para o despertador me acordar, descontando os minutos que ainda vai ficar acordada no resto da noite.

-Significa nem sequer ter noção de quantas vezes ela acorda durante a noite. Simplesmente eu vou dormir junto com ela à hora que pretendo que ale vá dormir, e acordo quando ela acorda, assim como quantas vezes for necessário durante a noite, e muitas delas quase sem percebê-lo, pois a minha cerejinha dorme bem ao meu lado, grudadinha em mim. Desse jeito eu posso respirar o seu hálito de leitinho a noite toda, sentir o seu calor pele com pele e amamentá-la sem ter que levantar da cama nem quase acordar. Isso, para mim –e não só com a terceira filha- é só vantagem.

-Não controlar significa também curtir cada minuto que ela está no meu colo, que são quase todos no dia, sem me preocupar com o fato dos brinquedos dos meninos ainda estarem espalhados pela sala, ou se está ficando tarde para preparar o almoço. Hoje almoçamos ovo frito e ponto. E os brinquedos ficam para outra hora ou dia. Porque estes dias de filha recém nascida não vão voltar mais, e eu quero mergulhar em cada um deles.
-Significa decidir sem me sentir culpada ou "menasmain", e por muito que seja “a hora do banho”, não passar por esse ritual hoje, pois segundo qual seja o seu estado de animo isso pode deixar ela mais irritada em lugar de acalmada, Qual o problema? Garanto que não vai acontecer nada de ruim com ela pelo fato de não tomar banho um dia ou outro.

-Significa não me importar com quantas vezes tiro a teta de baixo da blusa, e nem mesmo me importar com deixar ela fora da blusa por um tempinho, esteja em um lugar público ou particular, na frente de um garçom, amigos do marido ou pais e mães dos amiguinhos dos meus filhos na festinha de aniversário de um deles.

-Significa não levar um controle exaustivo de quantas gramas ela pesa, porque me basta com ver as pernonas dela engrossando quase por dias.

O que os outroa fazem, ou dizem...

-Significa não me importar em absoluto com como os outros fazem, pretendem fazer ou já fizeram com os filhos deles. Si dormiam com eles na cama, davam chupeta ou faziam shantala a partir de quantos meses e por quantos minutos ao dia.

-No relativo a como agir com ela; onde, como e quando levá-la para dormir; onde, como e quando alimentá-la, banhá-la, passeá-la, pegá-la no colo..., me preocupo basicamente pela minha filha e por mim. Escuto o meu instinto –na terceira já fala alto e claro, ou melhor dito, já o escuto alto e claro- e escuto o meu coração, que está totalmente ligado ao dela, e assim consigo escutar e atender as necessidades da minha filha, que são só dela e que estão longe de aparecer explicadinhas por pontos e com data marcada no calendário em livro nenhum, boca de conhecidos, amigos, vizinhos e familiares, e nem papo de especialistas, por muitos CDs que eles tenham vendido.
Em definitiva, “maternar” é um conceito inversamente proporcional a “controlar”.

Quanto menos você “controle” os horários, quantidades e costumes alheias, e mais você se centre em vocês dois, mais você vai curtir o seu bebê e o seu -novo ou não- papel de mãe.

Quanto menos você se importe com o “deveria ser, deveria comer, deveria dormir, deveria arrotar, deveria...”, mais estará respeitando as necessidades e fases do desenvolvimento do seu próprio filho, que são únicas, como ele é.

E quanto mais você escute o seu coração, e menos os “eu acho” dos diversos opinólogos dos quais está o mundo cheio, mais feliz você vai ser. Respeite as suas decisões como mãe, vindas do seu sentir como tal, e os outros as respeitarão também. Sem dúvida, o seu filho vai lhe agradecer, e você vai ser muito mais feliz, se sentindo plena e competente.

Porque só você, mãe, sabe do que seu filho está precisando. Que ninguém lhe faça duvidar.

Por enquanto eu vou continuar curtindo da nossa “fase bicho”, sem regras, pois como o meu marido me disse ontem na mesma conversa: “você será jornalista, coach parental ou consultora em amamentação, mas o que eu vejo em você é uma mãe profissional, e graças a isso a menininha vai poder ser bicho até que ela quiser”.

-Prohibida la reproducción total o parcial de este artículo sin el consentimento de la autora:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e coach parental
-Consultora de slings e amamentação
Tlf (Br) +55 19-9391 4134 / Tlf (Esp) +34 696 08 25 21

lunes, 5 de marzo de 2012

O imenso mundo da sexualidade feminina: Sexo, gravidez, parto e amamentação

Ontem eu passei por e-mail ao meu marido um artigo da cada vez mais querida e admirada parteira, Ana Cristina Duarte, sobre as razões para querer dar à luz. A clareza com que esta mulher escreve é ​​fantástica, ela não tem medo de usar as palavras certas nem de chamar as coisas pelo seu nome, dizendo coisas como:

“"PORQUE PARIR????????

Se o meu marido me perguntasse isso, eu diria…

Porque esse é o meu último filho e eu preciso experimentar o que o meu corpo pode. Quero sentir meu filho passando através da minha bacia, abrindo meus ossos, fazendo-os quase quebrarem pela força dele dentro de mim. Quero sentir meu filho descendo e encaixando a cabeça nas minhas entranhas, milímetro a milímetro, como se estivéssemos dançando um tango emocionante, em que cada passo fosse totalmente calculado para um resultado perfeito. Quero sentir minhas mucosas cedendo espaço e esquentando a cada contração, quero sentir meu filho saindo pelo mesmo lugar por onde entrou. [...]

Quero sentir meu útero se contraindo com força, porque sou mulher e me sinto muito orgulhosa de poder gerar, gestar, parir e alimentar uma criança. [...] Quero que meu filho sinta cada uma dessas contrações como se fosse um abraço forte que dou nele, como se Deus pessoalmente o estivesse embalando.”

Quando à noite eu perguntei ao meu marido se ele havia lido, ele disse que sim, e acrescentou outro comentário: "vocês falam do parto de uma maneira... como se fosse algo sexual, né?"Como que “como se fosse”? O que quer dizer "como se fosse"? Definitivamente grande parte da sociedade ainda pensa que "vida sexual" se limita a fazer amor / transar, masturbação, sexo oral ... e é isso. Bom, e se houver orgasmo melhor.

Existe alguma coisa mais sexual do que dar à luz a seu próprio filho? Deixá-lo passar pelo seu colo do útero e abraçá-lo com a sua vagina, enquanto uma força incontrolável, regida pelo seu aparelho sexual feminino, lhe empurra para a vida lá de fora? Existe alguma coisa mais sexual do que colocá-lo sobre o seu peito e ver como ele se aproxima dele, o cheira, lambe e se alimenta através dele? Realmente a sociedade é tão "machocentrista", acreditando que se não houver pinto, não há sexo? Por acaso já ouviram falar de partos orgásmicos?

Esse comentário me deu pé para falar ao meu marido -mais uma vez- que a vida sexual feminina é muito mais extensa, complexa e variada do que isso. Que o sexo (entendido como relação sexual) é uma parte maravilhosa da sexualidade das mulheres, mas que também o é gestar um bebê em seu ventre, parí-lo vaginalmente e amamentá-lo. Em todos esses atos estão presentes praticamente os mesmos hormônios, comandadas pela rainha, a oxitocina, o "hormônio do amor", que flui pelo corpo da mulher durante um orgasmo, assim como durante o parto (ela é a que provoca contrações uterinas que fazem o útero se contrair para, finalmente, gerar o reflexo de ejeção que “empurra” ao bebê fora do ventre de sua mãe) e também em cada mamada do bebê no peito da mãe (ela faz com que o leite flua fora do seio quando o bebê suga dele, e consegue que em muitas mulheres isso aconteça em forma de intensos jatos).

A sexualidade de uma mulher passa por momentos distintos ao longo de sua vida. Há momentos de grande desejo sexual, de libido alta e grande atividade, ou pelo menos vontade dela. E há momentos em que a sensação sexual muda, porque o nosso corpo –e a nossa mente- estam em outro momento da sua propria sexualidade, vestidos de outras roupas, sem por isso deixar de ser parte da vida sexual.

Quando uma mulher dá à luz o seu filho está vivendo um dos momentos mais intensos, sem dúvida, sexualmente de toda a sua vida (se não lhes impedem de vivenciá-los plenamente com drogas, estimulantes químicos para o parto, invasões da sua privacidade e analgesias). Incontáveis ​​terminações nervosas são ativadas com a passagem do bebê através das entranhas da mulher, tocando e estimulando pontos muitas vezes impossíveis durante uma “simples penetração”, e de uma intensidade multiplicada por... mil? A descarga hormonal nesse momento é tão intensa que a mulher se sente como em um outro planeta, com praticamente nenhuma consciência espaço-temporal (novamente, se não for impedida de se adentrar nessa outra consciência durante o parto).

Quando uma mulher durante os primeiros meses ou anos de seu filho o nina no seu colo, o amamenta, cheira e toca... Ela também encontra-se numa experiência que faz parte da sexualidade feminina. É uma mãe puérpera que na maioria dos casos não se sente a necessidade de sexo (com parceiros) como antes. A libido está fraca nela, agora ela não precisa desse tipo de sexo, porque sente-se completa em outro sentido, porque ela está vivendo outra face da sua sexualidade, vinculada a sua maternidade.

Seu corpo libera oxitocina cada vez que ela amamenta seu filho, e cada vez quela o sente perto de si, o cheira, o ouve ou mesmo só de pensar nele (a maioria das mães que amamentam sentem como os seus peitos começam jorrar leite quando ouvem um bebê chorar, ou lembram do seu pequeno, o que acontece graças a oxitocina liberada nessa hora).

Como a psicóloga argentina Laura Gutman diz:

"Sabemos que o corpo leva tempo para se reajustar depois da gravidez e do parto... Mas supomos que tudo em breve “voltará ser como antes". A maior surpresa irrompe quando o desejo sexual não aparece como estávamos acostumadas. Nos sentimos culpadas, especialmente quando o obstetra nos dá "permissão" para retomar as relações sexuais para o deleite do nosso parceiro que com cara de satisfação pisca um olho para nós sussurrando "agora você já não tem desculpas."

Mas o corpo não responde. A libido é deslocada para os seios onde a atividade sexual ocorre constantemente, dia e noite. O cansaço é total. As sensações físicas e emocionais tornam-se muito sensíveis e a pele parece um fino vidro que merece ser tocado com extrema delicadeza. [...]

Que nos faz a presença inquestionável da criança?. Que ambos, mulher e homem, nos conectamos com a parte feminina da nossa essência e nossa sexualidade, que é sutil, lenta, sensível, feita para carícias e beijos. É uma sexualidade que não requer penetração, ao contrário, que prefere o tato, a audição, o olfato, o tempo, as palavras gentis, o encontro, a música, o riso, a massagem e os beijos.

Neste ritmo não há risco, pois não fere a alma feminina fusionada. Não há propósito, às vezes nem orgasmos, porque o que importa é o encontro e o amor humano."
Portanto, todos estes são apenas fases da sexualidade feminina, diferentes e complementares entre si, o que faz com que todas elas façam sentido. Não nos limitemos apenas a "relação sexual"... isso é apenas o começo.

-Prohibida la reproducción total o parcial de este artículo sin el consentimento de la autora:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e coach parental
-Consultora de slings e amamentação
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viernes, 27 de enero de 2012

Por qué elegí y elijo de nuevo parir en casa / Por que eu escolhi e escolho novamente parir em casa

ARTÍCULO EN ESPAÑOL (Traduzido ao português embaixo):

“No vivas dando tantas explicaciones. Tus amigos no las necesitan, tus enemigos no las creen y los estúpidos no las entienden”, o ni las escuchan, diría yo. Acabo de leer esto en una imagen del facebook y me pregunto a mí misma… ¿por qué escribes este artículo entonces? Bueno, pues porque aunque concuerde con que no deberíamos vivir dando explicaciones, la realidad es que la gente las pide, y cuando digo “la gente” no me refiero a desconocidos (que también), sino a gente cercana, familia, amigos, entorno… gente que nos apetezca que escuche y entienda nuestros motivos, dado que han mostrado interés. Pero no siempre es fácil que esto ocurra. Tal vez por escrito…

Por otro lado, si no lo hacen, directamente entran a opinar gratuitamente o, lo que es peor aún, a valorar y juzgar. Así que para todo aquel que no se atreva a preguntar, no entienda o no haya querido pararse a escuchar los motivos por los cuales elegí hace 4 años parir en casa, y por qué lo elijo nuevamente ahora para mi tercera hija, va este artículo. Quien quiera saber la respuesta, aquí se la ofrezco gustosa, y espero que también clara.

POR QUÉ QUIERO PARIR EN CASA: MOTIVOS OBJETIVOS

La prestigiosa revista médica British Medical Journal publica el estudio más exhaustivo hasta la fecha sobre partos en casa en Canadá y EEUU: el estudio incluye 5.418 mujeres que dieron a luz en casa en el año 2000, y las más de 400 matronas que les atendieron:

-De los más de cinco mil nacimientos que ocurrieron en casa, según el estudio del British Journal, el 87% no tuvieron complicación alguna y transcurrieron con total normalidad.

-No existe evidencia alguna de que dar a luz en el domicilio de forma planificada sea peligroso y arriesgado.

-La frecuencia de intervenciones fue realmente baja en los partos en casa:

--4,7% de anestesia peridural.

--2,1% de episiotomías (frente al 33% de episiotomías en el hospital).

--1% de fórceps.

--0,6% de uso de ventosa.

--3,7% de cesáreas (frente al 19% de cesáreas en hospital).

--Tasa de mortalidad perinatal (intraparto y neonatal) de 1,7 por 1.000 (semejante a la observada en partos de bajo riesgo atendidos en hospital)-

--No hubo muertes maternas.

--Grado de satisfacción de “muy satisfechas” del 97%

--Seis semanas después del parto el 95.8% de las mujeres que habían dado a luz en su casa seguían amamantando y el 89.7% de ellas en exclusiva.

--Según datos del estudio, el parto hospitalario normal, por la cantidad de procedimientos e intervenciones médicas realizadas, resulta tres veces más caro que un nacimiento similar ocurrido en casa.

No es lo mismo...
-La conclusión es que los partos en casa asistidos por matronas tienen los mismos resultados perinatales que los partos hospitalares de bajo riesgo, pero con la inmensa ventaja de una frecuencia muchísimo menor de intervenciones médicas y un altísimo grado de satisfacción.

-Por tanto, se puede afirmar que el parto en casa NO implica más riesgos ni para las madres ni para sus bebés, y sin embargo sí que cursa con diversas ventajas, como es el menor riesgo de sufrir intervenciones desagradables y que conllevan consecuencias emocionales y físicas para la mujer.

Enlace al estudio citado:http://www.elpartoesnuestro.es/%20http:/bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416
Versión pdf en: http://bmj.bmjjournals.com/cgi/reprint/330/7505/1416

Sobre las episiotomías

La episiotomía es un corte realizado por la matrona o el ginecólogo en el periné. Es un corte profundo, en contra de lo que suelen ser los desgarros naturales que pudieran ocurrir en un parto normal sin episiotomía (que, además, respetándose la posición que la madre escoja y los tiempos de expulsivo, suelen no ocurrir). Un desgarro natural ocurre en el sentido de las fibras musculares, y en la mayoría de los casos es superficial, es decir, afecta a la piel, pero no a la musculatura. No así una episiotomía, que incomoda más al cicatrizar y deja más secuelas (a veces permanentes) por tratarse de un corte profundo de musculatura y piel hecho por el bisturí en el sentido contrario a las fibras musculares.

En España la tasa de episiotomías en primíparas es prácticamente del 100%. Se trata de una práctica médica innecesaria que se realiza aún como rutina y que puede y debe evitarse en casi la totalidad de los casos. La episiotomía puede provocar y provoca graves consecuencias para la salud física y reproductiva de las mujeres. Incontinencias urinarias, disfunciones sexuales, etc.

Sobre las cesáreas

La cesárea, por fácil y rápida que sea, no deja de ser una cirugía: con puntos internos y externos, tanto musculares como epidérmicos, y con las consecuencias, posibles complicaciones, recuperación e incomodidades posteriores que cualquier otra cirugía pueda tener. Más aún en un momento delicado como es el puerperio, en el que la mujer tiene que encargarse de un bebé (vestirlo, bañarlo, amamantarlo, cambiarle el pañal...), con lo que eso supone emocional y físicamente de carga añadida a la recuperación de la operación.

España tiene una tasa de cesáreas del 23,5% (20.8% en sanidad pública, 31% en privada. Fuente: Ministerio de Sanidad. Instituto Nacional de Información Sanitaria, 2002).
La tasa de cesáreas de Brasil supera el 50% y muchos hospitales y clínicas privadas alcanzan más del 90% de cesáreas, habiendo obstetras que incluso se niegan desde el comienzo del embarazo a atender a embarazadas que pretendan tener un parto vaginal, pues ellos “sólo hacen cesáreas”.
La Organización Mundial de la Salud (OMS) recomienda no superar el 15% de cesáreas.

-En Holanda El 40% de los partos son asistidos en casa, cubierto por el sistema nacional de salud.

Otros motivos objetivos:

- Parir en casa no significa parir desasistida, ni en cuanto a personal sanitario ni en cuanto a medios al alcance. Los profesionales sanitarios no van con las manos vacías a casa de la parturienta, sino que llevan un maletín con equipamiento médico amplio y suficiente para actuar ante posibles complicaciones (menores, como un desgarro, o mayores, como una hemorragia), o durante un traslado al hospital en caso de urgencia.

-Los profesionales que asisten partos en casa son comadronas o médicos con experiencia en este tipo de acontecimientos y que, además, se han formado previa y específicamente en proporcionar cuidados médicos básicos ante situaciones como la distocia de hombros, hemorragia postparto, suturas de desgarros vaginales, y reanimación de neonatos. Pero, sobre todo, en el diagnóstico de cualquier indicio de riesgo y la toma de decisión adecuada para propiciar un traslado al hospital antes de que surja alguna complicación del parto. Es decir, es gente preparada y profesional.

-Uno de cada 9 partos planificados en casa necesitan terminar en el hospital, pero la mayoría de las veces, los traslados son sin urgencia. Generalmente son por previsión de posibles complicaciones o, lo que resulta más usual todavía, por petición de la parturienta al solicitar anestesia, que no puede ser administrada en su domicilio.

-En un hospital las posibilidades de salvar una situación complicada son mucho mayores que en un parto en casa. Pero también es obvio que se van a crear muchas menos situaciones complicadas en un parto en que se mantienen las condiciones emocionales y posturales que la naturaleza tiene previstas para el parto y, además, al más mínimo indicio de que algo puede no ir bien, la matrona de parto en casa, te aconsejará continuar en el hospital.

-Sólo hay una forma de saber hacia dónde se inclina la balanza en cuestión de seguridad: los estudios científicos. La investigación científica dice que ambas opciones, hospitalaria y domiciliaria, son igual de seguras.

POR QUÉ QUIERO PARIR EN CASA: MOTIVOS SUBJETIVOS

Habiéndome informado de las cuestiones objetivas sobre la seguridad de parir en casa, decidí y vuelvo a decidir parir en mi propia casa porque:

-Quiero hacerlo rodeada de mi familia (marido, hijos y mi madre), y que mi marido tenga un papel activo en el proceso de parto, no teniendo que limitarse a pedir permiso para tocarme, mirar u ofrecerme algo de beber y/o comer. En un hospital sólo podría contar con la presencia de mi marido, y eso en caso de que sea un parto no instrumentalizado, pues en caso de fórceps, ventosa, o cesárea, él no podría acompañarme, siendo cuando tal vez más lo necesitara.

-Quiero sentirme dueña de la situación, y cuando uno está en su propia casa no pierde jamás ese papel “de poder”, que sí puede perder entrando en un lugar “como invitada”. En casa eres libre para ir a la cocina y abrir la nevera, al baño a hacer pis u otras cosas, a meterte en la ducha o bañera, a tu habitación a tumbarte o para mandar a alguien que por favor haga silencio. No tienes vergüenza de la posición que tu cuerpo elige o de los sonidos que emites (gritos, gruñidos, gemidos, vocales o cantos), porque estás en casa acompañada de quien quieres, e incluso sola en un cuarto si es lo que te apetece. En un lugar ajeno probablemente pedirías permiso para todas estas cosas, y la mayoría de las veces serán denegadas. Estando en casa, quienes piden permiso para servirse algo, moverse por ahí o hablar ante la mujer de parto son los que vienen de fuera (matrona, doula, neonatóloga, fotógrafa o quien sea que esté presente).

-Quiero que mis hijos tengan la oportunidad (si ellos también lo desean, llegado el momento) de presenciar el nacimiento de su hermana en primera persona, que no estén excluidos de un momento tan intenso, natural y hermoso, que tienen posibilidad de vivenciar. Quiero que vean que ese puede ser un acontecimiento vivido en familia, en intimidad, con la fuerza que lleva implícita. Que un parto no sea un tabú, que la llegada de un bebé al mundo es algo tan maravilloso que vale la pena cuidarlo y honrarlo como merece, ¡y qué mejor que vivirlo en su propia casa con su propia familia! Tienen la oportunidad de vivirlo y no quiero negársela. Si llegado el momento prefieren estar a otra cosa o en otro lugar, habrá una persona (su abuela, con quien tienen toda confianza) para acompañarles. No están obligados a estar presentes, pero tampoco a permanecer ajenos a ello.

-Quiero tener libertad de movimientos: poder moverme agusto, levantarme y pasear, sentarme en mi pelota de pilates para hacer círculos y facilitar la bajada del bebé al mismo tiempo que alivio el dolor, meterme en la ducha o bañera para relajarme o aliviar el dolor con el agua caliente, quedarme a solas en mi habitación si necesito aislarme o permanecer acompañada de mis seres más queridos si requiero de su presencia, masajes, palabras de aliento u otras muestras de cariño y apoyo.

-Quiero saber que nadie va a invadir mi privacidad, y que los profesionales que estén presentes lo harán desde el respeto a mis ritmos y los de mi hija. Que nadie va a meter los dedos en mi vagina sin mi permiso, y que probablemente ni eso haga falta, porque para un verdadero profesional del parto no es imprescindible hacer tactos para saber en qué momento del parto estamos.

-Quiero que haya silencio y luz tenue. Quiero poder tomarme el colacao que me pedía el cuerpo durante las 17 horas de trabajo de parto de mi primer hijo en el hospital (sin las gafas veía de lejos la papelera de desechos de la sala de partos, que era amarilla con tapa roja, y yo sólo pensaba en un colacao), y comerme el bocadillo de tortilla que me apetecía en el de Adriano (y no tenía listo, ¡mecachis! Esta vez no me pillan).

-Quiero recibir yo a mi hija, sin que nadie me la arrebate para aspirarle nada que no sea necesario aspirarle de las vías respiratorias, ni para echarle un ardiente nitrato de plata en sus ojitos que tratan de acostumbrarse a la luz extrauterina. Quiero mirarla, abrazarla, olerla, besarla y hablarle antes de que nadie corte su cordón umbilical, porque éste sólo será cortado cuando deje de latir y ella haya recibido toda la sangre a la que tiene derecho, de la placenta.

-Quiero que esperar y respetar que un agarre natural a mi pecho sea más prioritario que pesarla, que se puede hacer un buen tiempo después sin que suponga ningún problema.

-Quiero que permanezca en contacto con mi piel y que conozca a su papá y hermanos antes de a un montón de desconocidos que la cogen, secan, visten, pesan, toquetean y menean de acá para allá.

-En definitiva: quiero estar en casa y que el nacimiento de mi hija sea un acto de amor inundado de hormonas que fluyen en libertad porque no han sido interferidas, y no un conjunto de protocolos médicos hechos casi en serie en un lugar dónde sólo soy “la de la habitación 501”.

Y como la evidencia científica dice que es igual de seguro (tratándose de embarazos y partos de bajo riesgo) parir en casa que en hospital, pero que en casa hay menos intervenciones y más satisfacción. Y a eso se une mi expreso deseo de parir en casa (cada cual es libre de sentirse más a gusto en un ambiente o en otro, y debería poder tener la libertad de escoger cómo quiere recibir a su bebé)… No veo más lógica que hacerlo como yo y mi marido queremos, como ya hemos hecho con anterioridad y como más seguros, tranquilos, felices e ilusionados nos sentimos en hacerlo: EN NUESTRA CASA.

-Prohibida la reproducción total o parcial de este artículo sin el consentimento de la autora:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e coach parental
-Consultora de slings e amamentação
Tlf (Br) +55 19-9391 4134 / Tlf (Esp) +34 696 08 25 21

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ARTIGO COMPLETO EM PORTUGUÊS:

"Não viva dando tantas explicações. Seus amigos não precisam delas, seus inimigos não vão acreditar e os estúpidos não as entendem", ou nem as ouvem, eu acho. Acabei de ler isso em uma imagem do facebook e eu me pergunto... por que escrever este artigo, então? Bem, porque apesar de eu concordar que não devemos viver dando explicações, a realidade é que as pessoas perguntam por elas, e quando digo "as pessoas" eu não estou falando de estranhos (que também), senão de pessoas próximas, família, amigos, o entorno... Pessoas que queremos que ouçam e compreensam os nossos motivos, pois eles têm mostrado interesse neles. Mas nem sempre isto é fácil de acontecer. Talvez por escrito...

Por outro lado, se eles não o compreendem, entram diretamente a opinar de graça, ou o que é pior ainda, a avaliar e julgar. Então, para todos aqueles que não ousam perguntar, que não entendem ou não querem parar para ouvir as razões pelas quais eu escolhi há 4 anos dar à luz em casa, e por que o escolho novamente, agora para a minha terceira filha, é este artigo. Quem quiser saber a resposta, com prazer a ofereço aqui, espero que fique exposta com clareza.

POR QUE EU QUERO PARIR EM CASA: RAZÕES OBJETIVAS

A revista British Medical Journal publicou o estudo mais completo até à data em partos domiciliares no Canadá e nos EUA: o estudo inclui 5.418 mulheres que deram à luz em casa em 2000, e às 400 parteiras que participaram deles.

-Dos mais de cinco mil partos que ocorreram em casa, de acordo com o estudo do British Journal, 87% não tiveram qualquer complicação e aconteceram normalmente.

-Não há nenhuma evidência de que dar à luz em casa de forma planejada seja perigoso e arriscado.

-A frequência das intervenções foi realmente menor em partos domiciliares:

-- 4,7% da anestesia peridural.
-- 2,1% de episiotomias (em comparação com o 33% de episiotomias no hospital).
-- 1% de fórceps.
-- 0,6% do uso de vácuo.
-- 3,7% de cesarianas (em comparação com 19% de cesarianas no hospital).
-- A mortalidade perinatal (intraparto e neonatal) de 1,7 por 1.000 (similar à observada em partos de baixo risco atendidas no hospital) -
-- Não houve mortes maternas.
-- Grau de satisfação de "muito satisfeita" de um 97%
-- Seis semanas após o parto um 95,8% das mulheres que deram à luz em casa ainda estavam amamentando e 89,7% delas de forma exclusiva.

Link ao estudo citado:
http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416
Versão em PDF em: http://bmj.bmjjournals.com/cgi/reprint/330/7505/1416

-De acordo com o estudo, o nascimento em um hospital é três vezes mais caro do que um nascimento ocorrido em casa, devido ao alto nível de intervenções e protocolos aplicados no hospital.

-A conclusão é que partos domiciliares assistidos por parteiras têm os mesmos resultados perinatais que os partos hospitalares de baixo risco, mas com a imensa vantagem de uma freqüência muito menor de intervenções médicas e um alto grau de satisfação.

-Então podemos dizer que o parto domiciliar não envolve nenhum risco a mais para as mães e seus bebês, porém, ele apresenta várias vantagens, como redução do risco de intervenções que impliquem desagradáveis ​​consequências emocionais e física para as mulheres.

Sobre a episiotomia

Uma episiotomia é um corte feito no períneo pela parteira ou ginecologista. É um corte profundo, ao contrário das lacerações naturais que podem ocorrer em um parto normal sem episiotomia (que respeitando a posição que a mãe escolhe no expulsivo, geralmente nem ocorre). A laceração ocorre na direção das fibras musculares, e na maioria dos casos é superficial, ou seja, afeta a pele, mas não ao músculo. Não é assim uma episiotomia, que incomoda mais até ela cicatrizar e deixa mais seqüelas (às vezes permanentes), por se tratar de um corte profundo do bisturi que afeta ao músculo e à pele, e que é feito no sentido contrário das fibras musculares.

Na Espanha, a taxa de episiotomias em primíparas é quase do 100%. Esta é uma prática médica desnecessária que é realizada rotineiramente e ainda pode e deve ser evitada em quase todos os casos. Uma episiotomia pode causar e causa graves conseqüências para a saúde física e reprodutiva das mulheres, como incontinência urinária, disfunção sexual, etc.

Sobre a cesárea

A cesarea, por fácil e rápida que possa parescer, não deixa de ser uma cirurgia: com pontos internos e externos, tanto musculares quanto epidérmicos, e com as conseqüências, possíveis complicações, a recuperação e o desconforto posterior que qualquer outra cirurgia possa ter. Pior ainda, num momento delicado como é o período pós-parto, em que a mulher tem que cuidar de um bebê (banhá-lo, vestí-lo, amamentá-lo, trocar as suas fraldas...), com o que isso supõe emocional e fisicamente de carga a mais à recuperação da cirurgia.

A Espanha tem uma taxa de cesarianas do 23,5% (20,8% na saúde pública, 31% na privada. Fonte: Ministério da Saúde Instituto Nacional de Informação em Saúde, 2002.).
A taxa de cesarianas no Brasil é de mais do 50% e muitos hospitais e clínicas particulares chegam a mais do 90% de cesarianas, tendo mesmo obstetras que se recusam, já desde o comecinho da gestação, a tratar mulheres grávidas que desejam ter um parto vaginal, porque eles "só fazem cesáreas".
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda não superar o 15% de cesarianas.

-Na Holanda, o 40% dos nascimentos são assistidos em casa, cobertos pelo sistema nacional de saúde.

Outras razões objetivas:

- Parir em casa não significa parir desasistida, nem no relativo ao pessoal sanitário nem em termos de recursos disponíveis. As parteiras e/ou obstetras não vão de mãos vazias para casa da mãe, senão carregando uma mala com equipamento médico amplo e suficiente para agir perante possíveis complicações (menores, como uma laceração, ou maiores, como hemorragias), ou durante uma transferência ao hospital em uma emergência.

-Os profissionais que atendem partos domiciliares são parteiras ou médicos com experiência em tais eventos e, além disso, tem formação específica para agir perante situações como a distócia de ombro, hemorragia pós-parto, suturas de lacerações vaginais e reanimação neonatal. Mas acima de tudo, estão preparados para saber diagnosticar qualquer sinal de risco e tomar a decisão adequada como possa ser a de transferir à mãe para o hospital antes que haja uma complicação do parto. Ou seja, são pessoas preparadas e profissionais.

-Um de cada nove nascimentos planejados em casa termina no hospital, mas na maioria das vezes as transferências não são de emergência. São geralmente devidas a antecipação de possíveis complicações, ou, o que é mais comum ainda, a pedido da mãe solicitando anestesia, que não pode ser administrada em casa.

-Em um hospital as chances de salvar uma situação complicada são muito maiores do que um parto em casa. Mas também no hospital são criadas maiores situações de risco por não respeitar as condições emocionais e posturais que a natureza tem previstas para o parto e, além de tudo, a parteira está sempre pronta para se adiantar às complicações e indicar a conveniência de um traslado ao hospital.

-Só temos uma maneira de saber para onde se inclina a balança na questão da segurança: os estudos científicos. E a pesquisa científica diz que ambas opções, hospitalar ou domiciliar, são igual de seguras.

POR QUE EU QUERO PARIR EM CASA: MOTIVOS SUBJETIVOS

Tendo me informado sobre as questões objetivas sobre a segurança do parto domiciliar, decidi e ainda decido de novo parir em minha própria casa porque:

-Eu quero fazê-lo rodeada da minha família (marido, filhos e minha mãe), e que o meu marido tenha um papel ativo no processo de parto, não se limitando a ter que pedir permissão para me tocar, olhar ou dar-me algo para beber e / ou comer . Em um hospital só poderia contar com a presença do meu marido, e isso no caso de um parto não instrumentalizado, pois em caso de fórceps, vácuo, ou cesariana, ele não poderia acompanhar-me, sendo talvez quando eu mais iria precisar dele.

-Quero me sentir a dona da situação, e quando uma pessoa permanesce em casa nunca perde esse papel "de poder", que pode, sim, perder, indo para um lugar "como um convidado". Em casa, você é livre para ir para a cozinha e abrir a geladeira, ao banheiro para fazer xixi ou outras coisas, para entrar no chuveiro ou banheira, no seu quarto para deitar um pouco ou para mandar alguém fazer silêncio. Não tem vergonha da posição que o seu corpo escolhe ou dos sons que você emite (gritos, grunhidos, gemidos, vogais ou cantos), porque está em casa, acompahada de quem quer, ou até sozinha em um quarto, se quer também. Em um lugar estranho, provavelmente, teria que pedir permissão para todas estas coisas, que na maioria das vezes, além do mais, serão negadas. Enquanto em casa, quem pedi permissão para se servir alguma coisa, se mover por aí ou falar com a mulher que está em trabalho de parto é quem vêm de fora (parteira, doula, neonatologista, fotógrafo ou quem estiver presente).

-Quero que meus filhos tenham a oportunidade (se assim o desejarem chegado o momento) de vivenciar o nascimento da sua irmã em primeira pessoa, que não sejam excluídos de um momento tão intenso, natural e belo, que eles tem a possibilidade de presenciar. Eu quero que eles vejam que isso pode ser um evento familiar vivido na intimidade, com a força que isso implica. Que um parto não é um tabu, que a chegada de um bebê ao mundo é uma coisa tão maravilhosa que vale a pena cuidar e honra como ele merece. E que melhor do que vivê-lo em casa com a sua própria família! Eles têm a oportunidade de viver isso e eu não quero impedí-lo. Se chegada a hora, eles preferem outra coisa ou ficar em algum outro lugar, haverá uma pessoa (sua avó, com quem têm confiança) para acompanhá-los. Eles não são obrigados a estar presentes, mas também não serão excluidos.

-Eu quero me movimentar tranquila, me levantar e caminhar, sentar na minha bola de pilates para rebolar, facilitando a descida do bebê enquanto alivio a dor, entrar no chuveiro ou na banheira para me relaxar ou aliviar a dor com água quente, ficar sozinha no meu quarto se eu precisar me isolar, ou ficar junto com meus entes queridos se eu precisar de sua presença, massagens, palavras de força ou outras demonstrações de carinho e apoio.

-Quero saber que ninguém vai invadir minha privacidade, e que os profissionais que estarão presentes vão respeitar o meu ritmo e o da minha filha. Que ninguém vai colocar os dedos na minha vagina sem a minha permissão, e que provavelmente nem disso vão precisar, porque para um verdadeiro profissional não é essencial fazer toques para descobrir em que periodo do parto estamos.

-Quero que haja luz tenue e silencio. Quero poder tomar o meu leite com chocolate que fiquei desejando durante as 17 horas de trabalho de parto do meu primeiro filho, no hospital (sem os óculos eu via de longe a lixeira de material cirúrgico, que era amarela com tampa vermelha, e só pensava no meu chocolatinho –a marca da que eu gosto, na Espanha, é dessas cores-) e comer o sanduíche de “tortilla de patatas” que eu queria no de Adriano (e não estava pronto, puxa vida! Desta vez eu preparo).

-Quero receber eu mesma à minha filha, e que ninguém a tire de mim para aspirar qualquer coisa que não seja necessária das vias aéreas, ou para pingar nitrato de prata ardente nos seus olhinhos que tentam se adaptar à luz fora do útero. Olhar para ela, abraçá-la, cheirá-la, beijá-la e falar com ela antes que alguém corte o cordão umbilical, que só será cortado quando pára de bater e ela tenha recebido todo o sangue ao que tem direito da placenta.

-Quero que esperar e respeitar uma pega natural ao meu peito seja prioritário ao fato de saber quanto pessou, o que pode ser perfeitamente feito uma hora mais tarde, sem envolver qualquer problema.

-Quero ficar em contato pele a pele com ela, e que ela conheça o seu pai e irmãos antes que um bando de estranhos que pegam ela, a secam, a vestem, a pesam, mexer e levam de um lado para o outro.

-Em suma, eu quero estar em casa e que o nascimento da minha filha seja vivido como um ato de amor, inundado de hormônios que fluam livremente porque não sofreram interferência, e não um conjunto de protocolos médicos feitos quase em série em um lugar onde eu sou apenas a "Sala 501".

E como a evidência científica diz que é tão seguro (no caso de gestações e partos de baixo risco) dar à luz em casa do que no hospital, mas em casa há menos intervenção e mais satisfação. E a isso eu adiciono o meu desejo expresso de parir em casa (todo mundo é livre para se sentir mais confortável em um ambiente ou outro, e deveriam ter a liberdade de escolher como querem receber o seu bebê)... Eu não vejo mais lógica do que fazê-lo do jeito que o meu marido e eu queremos, como já fizemos antes e como mais seguros, tranquilos, felizes e ilusionados nos sentimos para fazê-lo: NA NOSSA CASA.

-Proibida a reprodução total ou parcial deste artigo sem o consentimento da autora:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e coach parental
-Consultora de slings e amamentação
Tlf (Br) +55 19-9391 4134 / Tlf (Esp) +34 696 08 25 21

miércoles, 11 de enero de 2012

Crianças “boas”, crianças “más”... E a chantagem emocional da mágica do Natal

Acabaram as festas de Natal, que aqui na Espanha começam com o sorteio da lotería do dia 22 de dezembro e terminam com a chegada dos Reis Magos a noite do 5 ao 6 de janeiro (também acompanhado pela loteria “del Niño” esse mesmo dia).

Deixo para outro dia o nojento consumismo que vivemos também por causa disso... É questão de outra análise. Mas vi fotos de salas de amigas ou conhecidas, nos dias de ganhar presentes, que me deixaram realmente enjoada. Não quero imaginar nem o dinheiro que tudo esse monte de presentes pode ter custado, nem os estragos que isso pode fazer na cabeça de uma criança, que nem alcança entender que tudo isso é para ele, incapaz de abarcar nem mental nem fisicamente tal excesso.

Mas eu quero falar, precisamente, dos Reis Magos, ou melhor dito, de como a sociedade utiliza esse dia de mágica, fantasia e ilusão para fazer chantagem com as crianças, ameaçá-las durante todo o Natal (e vários meses antes, até), e fazê-las sentir julgadas, observadas e avaliadas a cada passo que dão... “porque senão os Reis Magos vão te trazer carvão”.

O que é isso? Vamos viver a mágica de uma tradição, ou vamos inventar mais uma ferramenta de submissão de filhos?

Eu fiquei cansada estes dias, irritada e raivosa com cada comentário que meus filhos (e eu) tivemos que escutar diariamente, de conhecidos e desconhecidos, lhes ameaçando com não ganhar presentes dos Reis Magos se eles não eram boas crianças. E o que dizer daqueles que lhes comparam entre eles: “Quem se comporta melhor dos dois? Eu acho que você é mais bonzinho, ele tem mais cara de sapeca, não é? Será que os Reis Magos vão te trazer algum presente ou vão ser todos para o seu irmão?”. Desculpem???

Tanto é assim que o meu filho mais velho, de 5 anos, acabou me dizendo o seguinte: “Mãe, eu acho que você é a única que sabe que os Reis Magos trazem presentes a todos, mesmo que os meninos não sejam bons”.

Acaso tem meninos “que não sejam bons”?

As crianças yecuanas

Explica Jean Liedloff, autora de “The continuum concept”, o seguinte sobre os bebês e crianças yecuanas (tradução minha ao português, desculpem os erros):

“Mais para frente, quando tem lugar a educação doméstica, quando o pequeno suja o chão da cabana, é mandado embora dela. Mas nesse momento ele já está tão acostumado a se sentir ou a ser considerado adequado ou bom, que os seus impulsos sociais, à medida que vão se desenvolvendo, estão em harmonia com os dos membros da sua tribo. Quando um dos seus atos é rejeitado, a criança não entende que seja ele, senão o seu ato o que é condenado, e sente o desejo de cooperar. Ele não tem nenhum impulso de se defender de ninguém, nem de ver em realidade a situação desde nenhum outro ponto de vista que não seja o dos membros da sua tribo, já que eles são os seus verdadeiros aliados, como ele tem comprovado. Mesmo resultando uma terrível ironia, isso é o que significa ser um animal social”.

Você tem reparado em quantas vezes pais, mães, tios, avôs, vizinhos, professoras, garçonetes e todo adulto que se ache com o direito de fazê-lo (e não são poucos) fala para uma criança coisas como as seguintes?:

“Você esta se comportando muito bem/mal”, “que bonzinho ele é”, “não seja mau”...

Ou “melhor” ainda, combinado com ameaças e chantagens:
“Se você não se comporta bem não vai ter sorvete”, “você está sendo muito má com a priminha, se você não é boazinha vamos embora para casa”...

E pior ainda, colocando em jogo o amor dos pais e lhes responsabilizando do nosso estado de ânimo:
“Mamãe não vai te querer mais se você continua se comportando mal assim”, “papai esta triste porque você não está sendo boa hoje”.
As crianças, desde que nascem, são permanentemente submetidas a avaliações de pessoas que as julgam de “boas” ou “más”. Se elas dormem muitas horas ou arrotam sempre depois de mamar “são boazinhas”, se a pequena não se termina a papinha ou chega perto da tomada por enésima vez “é uma menina muito má”. E assim, com cada ato, movimento, barulhinho ou ação natural do seu desenvolvimento, a criança é avaliada e julgada. Catalogamos as crianças constantemente, e elas assumem esse papel de “bom” ou “mau” que nós lhes damos, agindo em conseqüência.

Cuidemos as palavras, não brinquemos com a autoestima das nossas crianças.

-Proibida a reproduçõ deste artigo sem o consentimento de:

Elena de Regoyos
-Doula de puerpério e assessora parental 
-Consultora de slings e amamentação
www.mamaedoula.blogspot.com
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viernes, 2 de diciembre de 2011

Seio empedrado… Obstrução, ingurgitação ou mastite?


Quem já amamentou ou amamenta pode ter se encontrado facilmente com um destes três problemas, ou até com mais de um deles. É algo que pode acontecer, que gera não poucos incômodos (em maior ou menor medida dependendo do grau e do que se trate) e que pode virar algo grave se não tomamos as medidas oportunas.

É por isso que eu gostaria de fazer um breve repasso das diferencias entre estes problemas da amamentação e as causas, características e tratamentos de cada um deles, para cada mãe ter a capacidade de diferenciá-los e possa agir em conseqüência.

Espero que sirva para esclarecer estes conceitos. Em caso de qualquer dúvida ao respeito, podem ligar ou escrever para mim ou para qualquer outra/o consultor(a) de amamentação no qual vocês confiem.

OBSTRUÇÃO MAMÁRIA

Trata-se da obstrução de algum conduto mamário. Apresenta-se como um bulto duro e dolorido em alguma área localizada da mama. Não é o seio inteiro duro e dolorido. O mais habitual é que isso aconteça na área mais perto da axila, por ser a área onde o bebê esvazia pior o seio (sempre se esvazia mais a parte da mama onde fica a mandíbula inferior dele).

Posição "invertida"
Pode aparecer algo de febre, não superior de 38,5ºC. No caso da febre ser maior e o bulto estar quente e vermelho já estaríamos falando de mastite, e não de obstrução.

As causas da obstrução podem ser muitas, desde uma falta de drenagem do seio em áreas onde o bebê não esvazia bem o peito, até uma mudança nos hábitos das mamadas, como começar mamar menos vezes depois de uma época de muitas mamadas (às vezes acontece quando eles começam com a alimentação complementar, suprimindo mamadas em lugar de complementando-as).

O tratamento seria: calor úmido na mama antes de cada massagem para drená-la, e depois pôr o bebê para mamar, preferivelmente colocando-o de tal forma que a mandíbula inferior dele fique na área afetada. Se esta é a parte de mama próxima à axila, colocaríamos o bebê na posição invertida (em lugar de ventre com ventre, seria ventre –dele- com costelas –nossas-, sentadas em um sofá e com o bebê apoiado em um travesseiro do lado do corpo onde esteja a mama afetada). A forma de massagear a mama seria com movimentos circulares pequenos, sempre desde a área externa da mama em direção ao mamilo. Podemos fazê-lo com os dedos ou com uma escova de dente limpa ou uma escova de cabelo de bebês.

Geralmente, após um dia ou dois com o bebê mamando na posição adequada à obstrução, e seguindo estas recomendações, esta acaba desaparecendo.

INGURGITAÇÃO

Trata-se de uma inflamação geral do peito (não de áreas localizadas), muito freqüente nos primeiros dias-semanas após o parto. Na primeira descida do leite (dos primeiros dias), como o nosso corpo não sabe quanto leite deve produzir para nutrir ao bebê recém nascido, a nossa natureza (que é sábia) produz mais leite do necessário para garantir uma nutrição mínima e depois já se adaptar à demanda exata do bebê, segundo o quanto ele mame (se mama muito produzira muito, se mama menos, produzirá menos, e assim sempre em consonância com as necessidades do bebê em cada momento).

Em essa primeira descida do leite, ao produzir muito, o leite fica retido nos condutos, o que leva a uma inflamação dos tecidos da mama e o peito fica inchado, duro e quente. Isso é uma ingurgitação.

Não acontece apenas nos primeiros dias, mas é quando é mais comum, Porém, pode acontecer em qualquer momento da nossa vida de nutrizes, independentemente do tempo que levemos lactando aos nossos filhos (dias, meses e inclusive anos).

O melhor tratamento é pôr o bebê para mamar. Se a mama fica muito dura e esta difícil para o bebê pegar o peito (como uma bexiga muito inchada, dura, que escorrega na boquinha do bebê), é recomendável aplicar calor úmido antes da mamada (uma toalha ou pano molhados em água quente serve, e senão um banho quente) para dilatar os condutos e assim facilitar a saída do leite, massagear o seio com movimentos circulares e sempre em direção ao mamilo (dividindo o seio em porções como de pizza, iríamos massageando as diferentes porções) e fazer uma leve ordenha até o seio ficar algo mais molinho para o bebê poder pegar em ele, pois às vezes estão tão grande e duro que a sua boca escorrega por ele impedindo fazer uma pega correta.

Depois, entre mamada e mamada, ajuda colocar algo frio para diminuir a inflamação. Serve uma sacolinha de legumes congelados (dentro de um pano, nunca em contato direto com a nossa pele), ou até uma folha de couve bem limpa e fria da geladeira. Corta um círculo para o mamilo "sair" por ele, e coloca a folha de couve fria dentro do sutiã. Têm pessoas que descrevem um grande alívio.

MASTITE

Basicamente é uma complicação de algum dos problemas descritos anteriormente, principalmente da obstrução. O principal indicativo é a aparição de febre, e geralmente esta febre é alta e pode aparecer junto com tremedeiras e alta sensação de debilidade. Vêm também junto com dor corporal muito similar à de uma gripe, até o ponto de resultar comum a gente confundir uma mastite com uma gripe por estes sintomas (febre, mal estar e dor geral no corpo), mas teríamos o sintoma adicional de dor ou alta sensibilidade na(s) mama(s), e ausência de tosse.

A mastite se produz quando há uma retenção do leite no seio: se pulamos uma das mamadas, quando a produção é maior da que o bebê consegue dar conta (por ter mamado mais nos dias prévios estimulando um aumento de produção, por exemplo, que depois já não necessitava mais), quando estamos usando um sutiã pequeno e apertado que comprime uma parte da mama ou se o nosso bebê suga (estimula o peito), mas não consegue mamar adequadamente, e por tanto ele não esvazia adequadamente os condutos.

Não é sempre necessário tratar a mastite com antibióticos. Se é detectada precocemente é comum a gente conseguir controlá-la antes de que chegue a derivar em uma infecção.

Massagem da mama
O tratamento consistiria em DESCANSO (fundamental) e drenagem da mama afetada. Para isso o melhor é o bebê sugando, mas se ele não quer mamar ou não é possível em esse momento, teremos que tirar o leite manualmente ou com bombinha, procurando manter a mama “mole”. Se for só em um seio o problema, é fundamental não nos esquecermos do outro, pois às vezes ficamos tentando que o bebê mame do que esta duro e dolorido para sará-lo, e com isso provocamos que o outro acabe igual. Então não deixemos que nenhum seio fique duro e inflamado. Se o bebê não da conta dos dois, façamos ordenha no outro, apenas o suficiente para aliviar o inchaço, mas nem tanto como para estimular mais ainda a produção.

Da mesma forma descrita na ingurgitação, podemos nos beneficiar do frio e do quente aplicados tal e como foi descrito anteriormente: calor úmido antes das mamadas ou da ordenha, e frio entre mamadas para diminuir a inflamação.

Também poderíamos tomar um analgésico ou antiinflamatório compatível com a amamentação (paracetamol ou ibuprofeno, por exemplo), o que alivia a dor, melhora a febre e desinflama a mama liberando os condutos. Mas lembremos que isso não sara, simplesmente alivia os sintomas. O que sara é descanso e drenagem do seio, e antibiótico (sempre receitado pelo médico) no caso de chegar a ter infecção.

Não só você pode continuar amamentando, senão que DEBE fazê-lo. Mesmo tendo febre muito alta, NUNCA deve se optar por um desmame durante uma mastite. Não há perigo do bebê “se infeccionar” a través do leite. Porém, às vezes acontece que o bebê rejeite esse leite por ficar algo salgado devido ao aumento de sódio no leite. Isso não é mau para o bebê, mas às vezes simplesmente eles não gostam, então teremos que fazer ordenha manual e oferecer o outro peito à criança.

Quando ir ao médico?

Se com estas dicas não temos melhorado em um prazo de 24-48 horas, é preciso ir ao médico para ele valorar a possibilidade de receitar um antibiótico compatível com a amamentação, e nem assim deve deixar de amamentar, é claro. Em este caso, é muito importante tomar o antibiótico tantos dias como o médico indicou, pois uma mastite mal sarada pode provocar que a infecção se reproduza e/ou aumente, acabando em um abscesso, o que seria muito sério e requereria uma intervenção cirúrgica para drenar o pus da mama. Mesmo assim, você pode e deve continuar amamentando, mas impedindo que o bebê entre em contato com esse pus, é claro: se o abscesso esta longe do mamilo, pode amamentar normalmente. Se esta perto dele, melhor amamentar só com o outro seio até sarar, mas ordenhe a outra mama para não acumular leite de novo.

Se você estava pensando em desmamar o filho, não há pior momento do que este para fazê-lo. É preferível primeiro sarar e, depois, já iniciar o desmame. Se não esvaziamos o seio com freqüência durante uma mastite, poderia acabar aparecendo um abscesso mamário. A retenção de leite no seio faz com que a febre aumente, pelo que é importante manter o peito “mole”. Se o bebê não chega esvaziá-lo, teríamos que acabar de fazê-lo mediante ordenha manual ou com bombinha. O leite nunca vai acabar, pelo que o objetivo não é “acabar” com ele, senão tirar tanto leite quanto seja necessário para que o peito não esteja duro, sem provocar um aumento de produção.

Se as mastites são repetitivas, seria importante fazer uma revisão médica para ter certeza de que não há algum outro problema, como uma infecção anterior mal tratada, uma descida de defesas ou problemas na sucção do bebê.

Texto de Elena de Regoyos para MamaÉ
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